Mostrar mensagens com a etiqueta Capitalismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Capitalismo. Mostrar todas as mensagens

Da desagregação familiar na sociedade capitalista


Nunca é demais repetir que aquilo que destruiu a Família no mundo moderno foi o Capitalismo. Sem dúvida, poderia ter sido o Comunismo, caso este tivesse alguma oportunidade fora daquele deserto semi-mongol onde de facto floresce. Mas no que nos diz respeito, o que desfez os lares, encorajou os divórcios e tratou as antigas virtudes domésticas com um desprezo cada vez maior, foi a época e o poder do Capitalismo. Foi o Capitalismo que fomentou um conflito moral e uma competição comercial entre os sexos; que destruiu a influência dos pais em favor da influência dos patrões; que empurrou os homens para fora dos seus lares em busca de empregos; que os forçou a viver perto das fábricas ou das empresas, em vez de perto das suas famílias; e, acima de tudo, que encorajou, por razões comerciais, um espectáculo de publicidade e novidades berrantes, que são, por natureza, a morte de tudo o que os nossos pais e mães chamavam de dignidade e modéstia. Não foi o bolchevique, mas sim o patrão, o publicitário, o vendedor e o comerciante que, como uma turba desenfreada de bárbaros, derrubaram e pisotearam a antiga estátua romana da Verecúndia.

G. K. Chesterton in «The Well and the Shallows», 1935.

Da economia moderna


A economia moderna é uma pseudo-ciência projectada pelas preocupações materialistas. No início, a economia contentava-se em estimar os volumes de produções e de trocas; a medida destes movimentos forneciam índices válidos sobre a actividade de uma época ou de uma região. Mas com o tempo, os índices tornaram-se mais importantes que a actividade que deviam medir; a natureza das trocas e das produções deu lugar à escala dos valores, ao seu volume. É aí que estamos actualmente. A inquietação gera a estagnação da economia quando a taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB) aumenta menos de dois por cento por ano; ora este número não indica mais que o volume das actividades e nada diz sobre a sua qualidade ou distribuição. Se mais pessoas adoecerem e comprarem mais medicamentos, se mais casais se divorciarem e recorrerem a advogados para conduzir os processos judiciais, se mais maçãs forem produzidas, se a água dos aquedutos se tornar mais poluída, tudo isso contribui para o aumento do PIB.

Serge Mongeau in «La simplicité volontaire», 1985.

Salazar sobre o plutocrata


O plutocrata não é, pois, nem o grande industrial nem o financeiro: é uma espécie hibrida, intermediária entre a economia e a finança; é a «flor do mal» do pior capitalismo. Na produção não lhe interessa a produção, mas a operação financeira a que pode dar lugar; na finança não lhe interessa a regular administração dos seus capitais, mas a sua multiplicação por jogos ousados contra os interesses alheios. O seu campo de acção está fora da produção organizada de qualquer riqueza e fora do giro normal dos capitais em moeda; não conhece os direitos do trabalho, as exigências da moral, as leis da humanidade. Se funda sociedades, é para lucrar apports e passá-las a outros; se obtêm uma concessão gratuita, é para a transferir já como um valor; se se apodera de uma empresa, é para que esta lhe tome os prejuízos que sofreu noutras. Para tanto o plutocrata age no meio económico e no meio político sempre pelo mesmo processo – corrompendo. Porque estes indivíduos, a quem alguns também chamam grandes homens de negócios, vivem precisamente de três condições dos nossos dias: a instabilidade das condições económicas; a falta de organização da economia nacional; a corrupção política. – Quem tenha os olhos abertos para o que se passou aqui e para o que se passa lá fora, não pode duvidar do que afirmei.

António de Oliveira Salazar in discurso «Problemas da Organização Corporativa», 13 de Janeiro de 1934.

Sobre a invasão americana do Iraque


Em Novembro de 2000, Saddam Hussein do Iraque decretou que todos os pagamentos de petróleo seriam de futuro feitos em euros, pois ele não queria negociar "na moeda do inimigo" [o dólar americano]. Tal como já foi provado, a posse de armas de destruição em massa foi um pretexto deliberadamente inventado, e foi esta decisão monetária que custou a vida a Saddam Hussein e a destruição do seu país.

Stephen Mitford Goodson in «A History of Central Banking and the Enslavement of Mankind», 2014.

Antes o abuso de um Rei do que a tirania plutocrática


A experiência parece mostrar que os abusos de poder cometidos em benefício de uma aristocracia hereditária são, em geral, menos perigosos para o sentimento jurídico de um povo do que os abusos provocados por um regime plutocrático; é absolutamente certo que nada é tão eficaz em destruir o respeito pela lei quanto o espectáculo de malfeitorias cometidas, com a cumplicidade dos tribunais, por aventureiros que se tornaram suficientemente ricos para poder subornar os homens de Estado.

Georges Sorel in «Les Illusions du progrès», 1908.

Da religião de Mamom


O Capital não conhece pátrias, nem fronteiras, nem cores, nem raças, nem idades, nem sexos; ele é o Deus internacional, o Deus universal, ele curvará todos os filhos dos homens sob a sua lei! Apaguemos as religiões do passado; esqueçamos os nossos ódios nacionais e as nossas querelas religiosas, unamo-nos de alma e coração para formular os dogmas da nova fé, da Religião do Capital.

Paul Lafargue in «La Religion du Capital», 1887.

Capitalistas e comunistas pela abolição de fronteiras


A este respeito, não podemos deixar de ficar impressionados pela forma como as redes de "ilegais" da extrema-esquerda, que acreditam encontrar nos imigrantes um proletariado de substituição, servem os interesses do patronato. Redes mafiosas, traficantes de pessoas e de mercadorias, grandes empresários, activistas "humanitários", empregadores de mão-de-obra barata: todos são adeptos da abolição de fronteiras pelo comércio-livre mundial. Olivier Besançenot [comunista] e Laurence Parisot [capitalista], o mesmo combate!
(...)
Quem critica o capitalismo e aprova a imigração, da qual a classe trabalhadora é a primeira vítima, faria melhor que se calasse. Quem critica a imigração e permanece mudo sobre o capitalismo, deveria fazer o mesmo.

Alain de Benoist in revista «Éléments», nº 139, Abril-Junho de 2011.

O plutocrata e o anarquista


E agora que este livro está a chegar ao fim, vou sussurrar ao ouvido do leitor uma horrível suspeita que me persegue: a suspeita de que Hudge e Gudge estão secretamente em conluio. De que a disputa que ambos mantêm em público é apenas um embuste, e que não é por acaso que eles passam a vida a oferecer argumentos um ao outro. Gudge, o plutocrata, deseja um industrialismo anárquico; Hudge, o idealista, brinda-o com elogios líricos à anarquia. Gudge quer mão-de-obra feminina porque é mais barata; Hudge chama ao trabalho da mulher "a liberdade de viver a própria vida". Gudge quer trabalhadores firmes e obedientes; Hudge prega a abstinência de álcool – para os trabalhadores, não para Gudge. Gudge quer uma população domesticada e tímida, que nunca pegará em armas contra a tirania; Hudge demonstra, a partir de Tolstoi, que ninguém deve pegar em armas contra quem quer que seja. Gudge é naturalmente um cavalheiro saudável e higiénico; Hudge apregoa fervorosamente a perfeição da higiene de Gudge a pessoas que não podem praticá-la. Acima de tudo, Gudge governa através de um sistema cruel e coercivo de saque, suor e labor que é totalmente incompatível com a família, e que por isso está destinado a destruí-la; enquanto Hudge, abrindo os braços ao universo com um sorriso profético, diz-nos que a família é algo que em breve iremos ultrapassar gloriosamente.
Não sei se a parceria de Hudge e Gudge é consciente ou inconsciente. Só sei que é pela sua actividade conjunta que o homem comum continua privado da sua habitação natural. Só sei que continuo a encontrar Jones vagueando pelas ruas ao crepúsculo cinzento, olhando tristemente para os postes, barreiras e pequenas lanternas vermelhas que guardam a entrada da casa que nunca deixou de ser sua, embora ele nunca tenha vivido nela.

G. K. Chesterton in «What's Wrong with the World», 1910.

David Ricardo e Karl Marx


É importante notar que foi um banqueiro judeu inglês, o célebre economista David Ricardo, filho de um banqueiro judeu holandês que emigrou para Londres no final do século XVIII, o inventor e o teórico de uma concepção puramente económica do mundo, que hoje o domina quase por completo. O mercantilismo político contemporâneo, os negócios acima de tudo, os negócios considerados como fim supremo dos esforços humanos, provêm directamente de Ricardo. Além disso, o fundador do socialismo científico, o judeu alemão Karl Marx, colocou-se no mesmo terreno de Ricardo, para combatê-lo, aproveitando grande número das suas concepções, dos seus argumentos, das suas teorias e das suas conclusões.
A ligação misteriosa, a afinidade secreta que une, apesar de tudo, os mercantilistas e os negociantes puritanos, aos bolchevistas, provém, em grande parte, do facto de terem em comum, embora tirando diferentes consequências e conclusões, a mesma concepção e a mesma visão do mundo. As quais são produtos essencialmente semitas, saídos dos cérebros judeus de David Ricardo e Karl Marx.
A concepção místico-judaica-economista da humanidade é comum ao capitalismo puritano e ao socialismo dito científico, de onde saiu o bolchevismo.

Georges Batault in «Le problème juif», 1921.

As falsas oposições e a manutenção do Sistema


Curiosamente, Marxismo, Comunismo, e o seu derivado, o Socialismo, quando analisados anos mais tarde, na prática, não são nada mais do que capitalismo de estado e governo por uma minoria privilegiada, exercendo controlo total e despótico sobre uma maioria que fica virtualmente sem propriedade ou direitos legais. Isto explica porque os Rothschild estavam tão interessados em subsidiar estas ideologias, as quais poderiam evoluir para "democracia", um sistema de dois partidos, no qual ambos são controlados pela mesma força, e embora possam lutar sobre matérias insignificantes, de modo a dar a impressão de se oporem um ao outro, na realidade eles seguem a mesma ideologia base. É por isso que os habitantes das democracias cedo descobrem que não importa em quem votem, nada vai mudar.

Andrew Carrington Hitchcock in «The Synagogue of Satan», 2007.

No reino de Mamom


A proclamação solene dos direitos do «Terceiro Estado» em França constitui a etapa decisiva a que se seguem as variedades da «revolução burguesa», ou seja, exactamente da terceira casta, a que servem de instrumento as ideologias liberais e democráticas. Paralelamente é característica desta Era a teoria do contrato social: como vínculo social agora já nem sequer se encontra uma fides de tipo guerreiro, ou seja, relações de fidelidade e de honra. O vínculo social reveste-se de um carácter utilitário e económico: é um acordo assente na conveniência e no interesse material – o que só um mercador pode conceber. O ouro serve de intermediário e quem dele se apossar e souber multiplicá-lo (capitalismo, finanças, trusts industriais) por detrás da fachada democrática controla virtualmente também o poder político e os instrumentos que servem para formar a opinião pública. A aristocracia cede o lugar à plutocracia; o guerreiro, ao banqueiro e ao industrial. A economia triunfa em toda a linha. O tráfico de dinheiro e a agiotagem, outrora confinada nos ghettos, invadem toda a nova civilização. Segundo a expressão de Sombart, na terra prometida do puritanismo protestante, com o americanismo e o capitalismo, não vive mais que «espírito judaico destilado». E é natural que, dadas estas premissas de parentesco, os representantes modernos do judaísmo secularizado tenham quase visto abrir-se à sua frente, nesta fase, as vias da conquista do mundo. São características estas expressões de Karl Marx: «Qual é o princípio mundano do judaísmo? A exigência prática, a vantagem pessoal. Qual é o seu deus terrestre? O dinheiro. O judeu emancipou-se de uma maneira judaica, não só por se ter apropriado da potência do dinheiro, mas também porque, graças a ele, o dinheiro se tornou uma potência mundial e o espírito prático judaico se tornou o espírito prático dos povos cristãos. Os judeus emanciparam-se na medida em que os cristãos se tornaram judeus. O deus dos judeus mundanizou-se e tornou-se o deus da terra. O câmbio é o verdadeiro deus dos judeus». Na realidade a codificação religiosa do tráfico do ouro como empréstimo com juros, a que anteriormente sobretudo o judeu se tinha consagrado, faltando-lhe quase qualquer outro meio para se poder afirmar, pode ser considerada a própria base da aceitação e do desenvolvimento aberrante, no mundo moderno, de tudo o que é banca, finança, economia pura, fenómeno comparável ao avanço de um verdadeiro cancro. É este o momento fundamental da «Era dos Mercadores».

Julius Evola in «Rivolta Contro il Mondo Moderno», 1934.

O erro do materialismo histórico


A teoria materialista da História, segundo a qual toda a política e ética são expressões da economia, é de facto uma falácia muito simples. Ela consiste, simplesmente, em confundir as necessárias condições de vida com as normais preocupações da vida, que são coisas muito diferentes. É como dizer que, porque o homem pode andar somente sobre duas pernas, então, ele só pode caminhar se for para comprar meias e sapatos. O homem não pode viver sem os amparos da comida e da bebida, que os suporta sobre duas pernas; mas sugerir que esses têm sido os motivos para todos os seus movimentos na História, é como dizer que o objectivo de todas as suas marchas militares, ou peregrinações religiosas, deve ter sido a perna dourada da Sra. Kilmansegg ou a perfeita e ideal perna do Sr. Willoughby Patterne. Mas são esses movimentos que constituem a História da espécie humana e sem eles não haveria praticamente História. Vacas podem ser puramente económicas, no sentido de que não podemos ver que elas façam muito mais do que pastar e procurar o melhor lugar para isso; e essa é a razão pela qual a história das vacas em doze volumes não seria uma leitura estimulante. Ovelhas e cabras podem ser economistas em suas acções externas, pelo menos; mas essa é a razão das ovelhas dificilmente serem heróis de guerras épicas e impérios, importantes suficientes para merecerem uma narração detalhada; e mesmo o mais activo quadrúpede não inspirou um livro para crianças intitulado Os Feitos Maravilhosos das Cabras Galantes. Mas, em relação a serem económicos os movimentos que fazem a História do homem, podemos dizer que a História somente começa quando os motivos das ovelhas e das cabras deixam a cena. Será difícil afirmar que os Cruzados saíram de suas casas em direcção a uma horrível selvajaria, da mesma forma que as vacas tendem a ir das selvas para pastagens mais confortáveis. É difícil afirmar que os exploradores do Árctico foram em direcção ao Norte imbuídos dos mesmos motivos materiais que fizeram as andorinhas ir para o Sul. E se deixarmos de fora da História humana, coisas tais como todas as guerras religiosas e todas a aventuras exploratórias audaciosas, ela não só deixará de ser humana, mas deixará de ser História. O esboço da História é feito dessas curvas e ângulos decisivos, determinados pela vontade do homem. A História económica não seria sequer História.

G. K. Chesterton in «The Everlasting Man», 1925.

Da síntese capitalismo-comunismo


O capitalismo visa estender a sua clientela até ao limite da população; assim, para ele, a clientela é o sufrágio universal que deve ser alcançado. E isso vai ainda mais longe, a sua visão já não é apenas democrática, ela tornou-se comunista: o capitalismo pretende comunizar o consumo, ou seja, torná-lo igualitário; a ideia de standard não quer dizer outra coisa. Para que o capitalismo actual realize o seu desígnio, todo o mundo deve comprar e possuir os mesmos bens: o mesmo carro, a mesma roupa, o mesmo apartamento, o mesmo livro.

Pierre Drieu la Rochelle in «Genève ou Moscou», 1928.

Propriedade e Capitalismo

Jacob Rothschild e David Rockefeller

Tenho perfeita consciência de que, no nosso tempo, a palavra "propriedade" foi contaminada pela corrupção dos grandes capitalistas. Ouvindo as pessoas a falar, um homem até pode julgar que os Rothschilds e os Rockefellers estão do lado da propriedade. Mas é óbvio que eles são inimigos da propriedade; porque eles são inimigos dos seus próprios limites. Eles não querem as terras que são deles; querem as terras que são dos outros. Quando eles afastam os marcos das extremas dos vizinhos, também afastam os deles. Um homem que aprecia um pequeno campo triangular, aprecia-o por ser triangular; uma pessoa que lhe destrua esta forma, dando-lhe mais terras, é um ladrão que lhe roubou o triângulo. Um homem que disponha da verdadeira poesia da posse, deseja ver o muro onde o seu jardim confina com o jardim do vizinho; este homem não vê a forma da sua terra, senão quando vê também os contornos da terra do vizinho. É a negação da propriedade que o Duque de Sutherland seja dono de todas as terras da região; tal como seria a negação do casamento se ele tivesse todas as esposas de um harém.

G. K. Chesterton in «Disparates do Mundo», 1910.

Escravos dos bens materiais


Compras mobília. Dizes a ti próprio: este é o último sofá de que vou precisar para o resto da minha vida. Compras o sofá e depois, durante um par de anos, sentes-te satisfeito porque, aconteça o que acontecer de errado, pelo menos, conseguiste resolver a problemática do sofá. Depois é o serviço de pratos certo. Depois a cama perfeita. Os cortinados. A carpete.
Depois ficas encurralado dentro do teu lindo ninho e as coisas que dantes possuías, agora possuem-te a ti.

Chuck Palahniuk in «Clube de Combate», 1996.

'In Gold We Trust'


O desaparecimento de toda a hierarquia superior à do dinheiro e, por consequência, de todo o poder superior ao dinheiro, coloca sobre as nossas cabeças todo o peso das necessidades económicas. E elas desenvolvem-se como uma lógica própria que tende a se tornar na única lógica do nosso mundo.

Maurice Bardèche in «Sparte et les Sudistes», 1969.

Duas faces da mesma moeda


Se na teoria progressista a fase marxista surge como um estádio superior à fase «burguesa», uma vez que tenta dar nova lógica e reformular problemas concretos que não encontram solução nos quadros mentais e materiais do capitalismo, o certo é que, na prática, a ideologia marxista não passa de uma tentativa de complementar a ideologia demoliberal, divergindo apenas nos meios que consagra para a obtenção dos fins últimos. Na realidade, o marxismo defende os mesmos objectivos que o liberalismo político: a felicidade material do indivíduo na terra, equitativamente distribuída por todos os homens até à igualdade universal. É precisamente na instrumentação da igualdade real dos homens que as doutrinas racionalistas divergem.

António Marques Bessa in «Ensaio sobre o fim da nossa Idade», 1978.

A escravatura dos tempos modernos


O que se deve antes salientar é que se houve alguma vez uma civilização de escravos em grande escala, foi exactamente a civilização moderna. Nenhuma civilização tradicional viu alguma vez massas tão numerosas serem condenadas a um trabalho obscuro, sem alma, automatizado, a uma escravatura que nem sequer tem como contrapartida a elevada estatura e a realidade tangível das figuras de senhores e de dominadores, mas que é imposta de maneira aparentemente inofensiva pela tirania do factor económico e pelas estruturas absurdas de uma sociedade mais ou menos colectivizada. E como a visão moderna da vida, no seu materialismo, retirou ao indivíduo todas as possibilidades de conferir ao seu próprio destino um elemento de transfiguração, de ver nele um sinal e um símbolo, assim a escravidão de hoje em dia é a mais tenebrosa e a mais desesperada de todas as que foram alguma vez conhecidas.

Julius Evola in «Rivolta Contro il Mondo Moderno», 1934.

Ideologias contra a Verdade


No tempo de Estaline, os grandes biólogos russos, que descobriram o gene como núcleo invariável da herança humana, foram condenados por Lisenko e enviados a morrer na Sibéria. De facto, o gene, invariável, estabilizado, passando a mesma herança cromossómica de pais para filhos, não se acomodava à dialéctica marxista, e era, segundo a óptica dos funcionários do partido, uma heresia idealista. Mas mais recentemente, nos Estados Unidos, vários professores universitários foram banidos e caluniados por terem descoberto uma sensível diferença entre a inteligência de negros, brancos e mestiços. Além disso, puseram a claro uma correlação entre a herança genética e o grau de inteligência. Tais descobertas iam contra a ideologia reinante que afirmava ser a inteligência um factor igual para todos e só dependente da educação e do meio familiar. Toda a investigação foi paralisada e os cientistas foram condenados como racistas e nazis.
Estes dois exemplos demonstram que embora a ciência contrarie as teses fundamentais das ideologias mais divulgadas, estas conservam a sua dinâmica e poder de proselitismo, porque o seu impacto nas massas não se baseia na verdade, ou falsidade, dos seus dogmas e explicações. Antes repousa nos mitos, nas emoções que desencadeiam e nos interesses que cobrem.

António Marques Bessa e Jaime Nogueira Pinto in «Introdução à Política», 1977.

Riqueza e cerejas

Apanha da cereja no Fundão

O mundo em que a riqueza era contada em cerejas, e como tais, era consumida, estava menos sujeito à falência e ao desespero, do que o mundo em que vivemos, que depende dos especialistas em finanças, comprando e vendendo plantações de cerejas que eles nunca viram e que provavelmente nem existem.

G. K. Chesterton in jornal «G. K.'s Weekly», 5 de Dezembro de 1931.