Mostrar mensagens com a etiqueta Arcebispo Marcel Lefebvre. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arcebispo Marcel Lefebvre. Mostrar todas as mensagens

Mons. Lefebvre sobre "O drama do fim dos tempos"


As páginas que se seguem, escritas pelo Reverendo Padre Emmanuel, Prior do Mosteiro de Mesnil-Saint-Loup, têm cem anos. Foram redigidas em 1884-1885 e são agora publicadas em 1985.
O Reverendo Padre Emmanuel é um teólogo, mas a sua doutrina está totalmente orientada à vida espiritual. A sua alma abrasa no desejo de comunicar a verdade às almas, de conduzi-las a louvar a Deus, de santificá-las ao modo de São Bento, que queria fazer de seus monges bons cristãos, isto é, discípulos de Jesus Cristo.
A leitura destas páginas sobre a Igreja entusiasma, sente-se nelas o sopro do Espírito Santo. Algumas delas são mesmo proféticas, quando descrevem a Paixão da Igreja. O ano de 1884 foi também o ano em que Leão XIII redigiu o seu exorcismo pela intercessão de São Miguel Arcanjo, que anuncia a iniquidade no Trono de Pedro.
Alguns anos antes o Papa Pio IX fazia publicar as Actas da seita maçónica da Alta Venda, que são verdadeiras profecias diabólicas para o nosso tempo.
O Reverendo Padre dá pormenores surpreendentes sobre o indiferentismo religioso, que corresponde exactamente à heresia ecuménica dos nossos dias. Que teria ele dito e escrito se tivesse vivido na nossa época? Através dos seus escritos, ele nos alenta a permanecer firmes na fé da Igreja Católica e a rejeitar os compromissos que minam a sua liturgia, a sua doutrina e a sua moral. O exemplo do seu apostolado na paróquia de Nossa Senhora da Santa Esperança do Mesnil-Saint-Loup permanece um testemunho do seu zelo e de sua santidade.
Queira Deus que estas páginas tenham uma ampla difusão por intercessão de Nossa Senhora da Santa Esperança. Que Ela se digne abençoar aos leitores e editores.

D. Marcel Lefebvre in prefácio a «O drama do fim dos tempos», 1985.

Perseguição por falar verdade


Em 1990 a LICRA instaurou um processo judicial a Mons. Lefebvre por declarações deste sobre a ameaça islâmica em França. Em depoimento preliminar a tão absurdo julgamento, D. Marcel concluiu brilhantemente:
Condenar-me como racista porque procuro defender a minha Pátria ameaçada na sua existência e nas suas tradições cristãs, seria usar a justiça para realizar a injustiça, seria colocar a justiça ao serviço dos carrascos contra as vítimas, cujo único direito é morrer em silêncio. Seria o cúmulo da injustiça.

Écône, 12 de Maio de 1990
+ Mons. Marcel Lefebvre

Princípios e consequências do Liberalismo


Explicaremos agora em poucas palavras o Liberalismo, cujo exemplo histórico típico é o Protestantismo. O Liberalismo pretende libertar o homem de todos os constrangimentos não desejados ou aceites por si próprio.
Primeira libertação: aquela que liberta a inteligência de toda a verdade objectiva imposta. A Verdade deve ser aceite de forma diferente de acordo com os indivíduos ou grupos de indivíduos, ela é, portanto, necessariamente compartilhada. A Verdade é criada e procurada incessantemente. Ninguém pode alegar tê-la exclusiva e integralmente. Não é difícil adivinhar o quanto isso é contrário a Nosso Senhor Jesus Cristo e à Sua Igreja.
Segunda libertação: a da fé que nos impõe dogmas formulados de forma definitiva e à qual se deve submeter a inteligência e a vontade. Os dogmas, segundo o liberal, devem ser submetidos ao crivo da razão e da ciência, e isso de uma maneira constante, conforme o progresso científico. Portanto, é impossível admitir uma verdade revelada definida para sempre. Note-se a oposição deste princípio à Revelação de Nosso Senhor e à Sua autoridade divina.
Finalmente, a terceira libertação, a da lei. A lei, segundo o liberal, limita a liberdade e impõe-lhe um constrangimento, primeiro moral e depois físico. A lei e as suas restrições vão contra a dignidade e a consciência humana. A consciência é a lei suprema. O liberal confunde liberdade com licença. Nosso Senhor Jesus Cristo é a Lei viva, sendo o Verbo de Deus; mas ainda veremos o quão profunda é a oposição do liberal a Nosso Senhor.
Os princípios liberais têm como consequência a destruição da filosofia do ser [=ontologia] e a recusa de toda a definição de seres, para se fechar no nominalismo ou no existencialismo e no evolucionismo. Tudo está sujeito a mutações, a alterações.
Uma segunda consequência igualmente grave, senão mais, é a negação do sobrenatural, portanto do pecado original, da justificação pela graça, do verdadeiro motivo da Encarnação, do sacrifício da Cruz, da Igreja, do sacerdócio. Tudo é distorcido na obra realizada por Nosso Senhor; e isso traduz-se numa visão protestante da liturgia, do Sacrifício da Missa e dos Sacramentos, que não têm mais por objecto a aplicação da Redenção nas almas, a cada alma, a fim de lhe comunicar a graça da vida divina e prepará-la para a vida eterna, pela pertença ao corpo místico de Nosso Senhor, mas que doravante tem por centro e motivo a pertença a uma comunidade humana de carácter religioso. Toda a reforma litúrgica [de Paulo VI] reflecte esta orientação.
Outra consequência: a negação de toda a autoridade pessoal, participada na autoridade de Deus. A dignidade humana exige que o homem seja submetido apenas ao que ele consente. Uma vez que a autoridade é indispensável para a vida em sociedade, ela só aceitará a autoridade aprovada pela maioria, porque representa a delegação da autoridade do maior número de indivíduos a uma pessoa ou a um grupo designado, esta autoridade é sempre apenas delegada.
Ora, estes princípios e as suas consequências, que exigem a liberdade de pensamento, a liberdade de ensino, a liberdade de consciência, a liberdade de escolher a própria religião, essas falsas liberdades que supõem a laicidade do Estado, a separação da Igreja e do Estado, têm sido, desde o Concílio de Trento, incessantemente condenadas pelos sucessores de Pedro e, em primeiro lugar, pelo próprio Concílio de Trento.

D. Marcel Lefebvre in «Carta aos Amigos e Benfeitores» de 3 de Setembro de 1975.

Da última entrevista de Mons. Marcel Lefebvre


Neste ano de 2021, em que se cumprem 30 anos sobre a morte de D. Marcel Lefebvre, vale a pena recordar estas verdadeiras e sempre actuais palavras, dadas pelo Arcebispo pouco antes da sua morte:

FIDELITER – Mais do que uma questão de Liturgia, o senhor costuma dizer que é sobretudo uma questão de Fé aquilo que nos opõe à Roma actual.
MONSENHOR – Certamente que a questão da Liturgia e dos Sacramentos é muito importante, mas não é a mais importante. O mais importante é a Fé. Para nós, ela [a Fé] está resolvida. Nós temos a Fé de sempre, a do Concílio de Trento, do Catecismo de São Pio X, de todos os Concílios e de todos os Papas antes do Vaticano II.
Durante anos, eles em Roma esforçaram-se por mostrar que tudo aquilo que estava no Concílio [Vaticano II] estava perfeitamente conforme a Tradição. Mas agora eles estão-se a revelar. O Cardeal Ratzinger nunca se tinha pronunciado tão claramente. Não há Tradição. Não há mais Depósito a transmitir. Para eles a Tradição da Igreja é aquilo que os Papas afirmam hoje. Devei-vos submeter àquilo que o Papa e os Bispos dizem hoje. Para eles, eis a Tradição, a famosa tradição viva, o único motivo da nossa condenação.
Eles já nem tentam mais demonstrar que aquilo que dizem está conforme com o que escreveu Pio IX [no Sílabo], ou com o que foi promulgado no Concílio de Trento. Não, tudo isso acabou, está ultrapassado, como diz o Cardeal Ratzinger. É manifesto e eles podiam ter-nos avisado disso antes. Não valia a pena tentarmos conversar, discutir. Agora é a tirania da autoridade, porque não há mais regras. Não podemos referir mais o passado.
Mas de certa forma as coisas agora estão a ficar mais claras. Eles dão-nos sempre prova de razão. Estamos a lidar com pessoas que têm uma filosofia diferente da nossa, outra maneira de ver, que são influenciados por todos os filósofos modernos e subjectivistas. Para eles não há verdade fixa, não há dogma. Tudo está em evolução. É uma concepção totalmente maçónica. É verdadeiramente a destruição da Fé. Felizmente nós continuamos a apoiar-nos na Tradição.

D. Marcel Lefebvre em entrevista à revista «Fideliter», nº 79, Janeiro-Fevereiro de 1991.

A catolicidade da Igreja


Catolicidade é um dos quatro caracteres da Igreja, e exprime a sua universalidade. A Igreja é universal quanto aos seus adeptos, os quais habitam em todas as nações conhecidas e em obediência ao mesmo Chefe, que é o Papa. É universal quanto à doutrina, porque em toda a parte ensina a mesma doutrina e condena os mesmos erros. É universal quanto à sucessão, porque abraça todos os tempos desde os Apóstolos, isto é, começou com os Apóstolos, e desde então não se pode dizer que a Igreja Católica tenha principiado em algum lugar da terra, como se diz de cada seita religiosa aparecida em tal ou tal tempo.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

§

Conforme ensinou ainda D. Marcel Lefebvre: A nota de catolicidade da Igreja reside precisamente na sua capacidade de reunir numa unidade sublime de Fé, os povos de todos os tempos, de todas as raças e de todos os lugares, sem suprimir as suas legítimas diversidades.

A conspiração da Alta Venda contra a Igreja


Os papéis secretos da Alta Venda dos Carbonários, que caíram nas mãos do Papa Gregório XVI, cobrem um período que vai de 1820 a 1846. Foram publicados a pedido do Papa Pio IX, por Crétineau-Joly na sua obra «L'Eglise Romaine en face de la Révolution». E pelo breve de aprovação dirigido ao autor a 25 de Fevereiro de 1861, Pio IX confirma a autenticidade dos documentos, mas não permitiu que fossem divulgados os verdadeiros nomes dos membros da Alta Venda implicados na correspondência. Estas cartas são absolutamente aterradoras, e se os Papas pediram a sua publicação, foi para que os fiéis saibam da conspiração arquitectada contra a Igreja pelas sociedades secretas, para que conheçam os seus planos e estejam prevenidos para a sua eventual realização. Não digo mais nada por agora, apenas que é com temor que se lêem estas linhas; não invento nada, apenas faço ler, mas não é segredo nenhum que hoje elas já estejam em realização! Sem esconder que, mesmo os seus projectos mais audazes, já se encontrem ultrapassados pela realidade actual!

D. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

O dever moral de regressar ao campo


Há 41 anos Monsenhor Lefebvre deixava-nos um sério aviso. Mas hoje as coisas estão piores:

E desejo que, nestes tempos conturbados, nesta atmosfera deletéria em que vivemos nas cidades, vós retorneis à terra assim que possível. A terra é saudável, a terra ensina a conhecer Deus, a terra reaproxima de Deus, ela equilibra os temperamentos, os caracteres, ela incentiva as crianças ao trabalho.
E se necessário, vós próprios fareis a escola dos vossos filhos. Se as escolas corrompem os vossos filhos, o que vão fazer? Entregá-los aos corruptores? Àqueles que ensinam práticas sexuais abomináveis na escola? Às escolas "católicas" de religiosos e religiosas onde o pecado é ensinado, sem mais nem menos? Na prática, ao ensinar isso às crianças, eles corrompem-nas desde cedo. E vós aceitais isso? É impossível! Melhor será que os vossos filhos sejam pobres, melhor será que os vossos filhos vivam longe de toda esta ciência aparente do mundo, mas que sejam bons filhos, filhos cristãos, filhos católicos, filhos que amem a sua santa religião, que amem rezar e que amem trabalhar, que amem a natureza que o bom Deus fez.

D. Marcel Lefebvre in «Sermão do Jubileu Sacerdotal», 23 de Setembro de 1979.

Dos últimos tempos


Agora direi algumas palavras sobre a situação internacional. Parece-me que temos que reflectir e tirar uma conclusão ante os acontecimentos que vivemos actualmente, que têm bastante de apocalípticos.
São algo surpreendentes esses movimentos, que nem sempre compreendemos bem; essas coisas extraordinárias, que sucedem atrás, e agora através, da cortina de ferro.
Não devemos esquecer, por ocasião destes acontecimentos, as previsões feitas pelas seitas maçónicas e que foram publicadas pelo Papa Pio IX. Elas aludem a um governo mundial e à submissão de Roma aos ideais maçónicos; isto faz já mais de cem anos.
Também não devemos esquecer as profecias da Santíssima Virgem. Ela advertiu-nos. Se a Rússia não se converte, se o mundo não se converte, se não rezar nem fizer penitência, o comunismo invadirá o mundo.
O que significa isto? Sabemos muito bem que o objectivo das seitas maçónicas é a criação de um governo mundial com ideais maçónicos, ou seja, os direitos humanos, a igualdade, a fraternidade e a liberdade, compreendidas num sentido anticristão, contra Nosso Senhor.
Esses ideais seriam defendidos por um governo mundial que estabeleceria uma espécie de socialismo para uso em todos os países, e, depois, um congresso das religiões, que abarcaria a todas, incluindo a católica, e que estaria ao serviço do governo mundial, como os ortodoxos russos estão ao serviço do governo soviético.
Haveria dois congressos: o político universal, que dirigiria o mundo; e o congresso das religiões, que iria em auxílio deste governo mundial, e que estaria, evidentemente, a soldo deste governo.
Corremos o risco de ver chegar estas coisas. Devemos estar sempre preparados para elas.

D. Marcel Lefebvre in «Sermão do 60º Aniversário de Sacerdócio», 19 de Novembro de 1989.

O erro do Personalismo


A argumentação conciliar apoia-se num falso conceito personalista do bem comum, reduzido à soma dos interesses particulares, ou como se costuma dizer, ao respeito das pessoas em detrimento da obra comum, que se deve cumprir para maior glória de Deus e o bem de todos. Já João XXIII, em Pacem in Terris, tende a adoptar este ponto de vista parcial, e por conseguinte, falso. Ele escreve:
"Para o pensamento contemporâneo, o bem comum reside sobretudo na salvaguarda dos direitos e dos deveres da pessoa humana"
Certamente, Pio XII, enfrentando os totalitarismos contemporâneos, opôs-lhes legitimamente os direitos fundamentais da pessoa humana, o que não significa que a doutrina católica se limite a isto. Ao forçar a verdade num sentido personalista, acaba-se por entrar no jogo do individualismo que os liberais lograram introduzir na Igreja. Como destacaram Charles De Koninck (De la primauté du bien commun contre les personnalistes) e Jean Madiran (Le principe de totalité), não se luta contra o totalitarismo exaltando o indivíduo, mas recordando que o verdadeiro bem comum temporal está ordenado positivamente, mesmo se indirectamente, ao bem da Cidade de Deus, na Terra e no Céu. Não nos façamos cúmplices dos personalistas na sua secularização do Direito!

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

Em defesa da verdade


Actualmente gostam de dizer que a verdade faz o seu caminho somente com a sua força intrínseca, e que para ela triunfar não necessita da protecção intempestiva e molesta do Estado e das suas leis. Se o Estado favorece a verdade, grita-se logo à injustiça, como se a justiça consistisse em manter equilibrada a balança entre o verdadeiro e o falso, entre a virtude e o vício... Errado! A justiça primeira consiste em favorecer o acesso das inteligências à verdade e preservá-las do erro. É também a caridade primeira: veritatem facientes in caritate. Na caridade façamos a verdade. O equilíbrio entre todas as opiniões, a tolerância de todos os comportamentos, o pluralismo moral ou religioso, são as características de uma sociedade em decomposição, que é a sociedade liberal pretendida pela maçonaria. Ora, foi contra o estabelecimento de uma tal sociedade que os Papas que citamos reagiram sem cessar, afirmando o contrário, que o Estado, o Estado católico em primeiro lugar, não tem o direito de dar tais liberdades, como a liberdade religiosa, a liberdade de imprensa ou a liberdade de ensino.

D. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

Filosofia


Toda a filosofia canta a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, que criou todas as coisas deste mundo. A filosofia não é mais que a descoberta das maravilhas que Deus fez neste mundo, no mundo material, no mundo espiritual e no mundo celestial, porque o cume da filosofia é a teodiceia, ou seja, o estudo de Deus e de todos os Seus maravilhosos atributos. A teodiceia faz-nos conhecer o Criador, Aquele que é por Si mesmo, enquanto nós não somos nada a não ser por Ele. As verdades da filosofia devem ser estudadas e meditadas à luz da fé, porque algumas verdades, inclusive naturais, são objecto de fé. As primeiras palavras do Credo são, de facto, palavras que afirmam verdades da filosofia, e por isso, da razão natural: "Creio em Deus, Criador do Céu e da Terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis". Aí está, em definitivo, toda a teodiceia.

D. Marcel Lefebvre in «A Santidade Sacerdotal».


Relembro: Sã Filosofia.

25 de Março


25 de Março – Anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria.


25 de Março de 1646 – Coroação da Imaculada Conceição como Rainha de Portugal.


25 de Março de 1991 – Falecimento do Arcebispo D. Marcel Lefebvre.


25 de Março de 1996 – Nascimento do Príncipe Real, D. Afonso de Bragança.

Adenda: Segundo a Tradição Católica, 25 de Março é também a data da criação do mundo, do pecado de Adão, do dilúvio, e da crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

113º aniversário de Monsenhor Marcel Lefebvre


No entanto, o nosso dever consiste em tudo fazer para conservar o respeito à Hierarquia na medida em que os seus membros formam parte dela, e saber fazer a distinção entre a instituição divina à qual devemos estar muito aferrados, e os erros que podem professar alguns maus pastores. Devemos fazer o que for possível para iluminá-los e convertê-los com as nossas orações e o nosso exemplo de mansidão e firmeza.
À medida que se fundam os nossos priorados teremos esta preocupação de inserir-nos nas dioceses mediante o nosso verdadeiro apostolado sacerdotal submetido ao sucessor de Pedro, como sucessor de Pedro, não como sucessor de Lutero ou de Lamennais. Teremos respeito e inclusive afecto sacerdotal por todos os sacerdotes, esforçando-nos por lhes dar a verdadeira noção do Sacerdócio e do Sacrifício, por acolhê-los para retiros, por pregar missões nas paróquias como São Luís Maria Grignion de Montfort, pregando a Cruz de Jesus e o verdadeiro Sacrifício da Missa.
Assim, pela graça da Verdade, da Tradição, se desvanecerão os prejuízos a nosso respeito, ao menos por parte dos espíritos ainda bem dispostos, e a nossa futura inserção oficial ver-se-á, por isso, grandemente facilitada.
Evitemos os anátemas, as injúrias, as torpezas, evitemos as polémicas estéreis, rezemos, santifiquemo-nos, santifiquemos as almas que virão a nós cada vez mais numerosas, na medida em que encontrem em nós aquilo do qual têm sede: a graça de um verdadeiro sacerdote, de um pastor de almas, zeloso, forte na sua Fé, paciente, misericordioso, sedento da salvação das almas e da glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mons. Marcel Lefebvre in «O golpe mestre de Satanás», 1977.

Sã Filosofia


Para combater o subjectivismo e o racionalismo, que são a base dos erros liberais, não farei alusão às filosofias modernas infectadas precisamente de subjectivismo e racionalismo. Não é nem o sujeito, nem os seus conhecimentos e os seus anseios que a filosofia de sempre, e em particular a metafísica, toma por objecto, é o ser mesmo das coisas, é aquilo que é. Com efeito, é o ser com as suas leis e princípios, o que nosso conhecimento mais espontâneo descobre. E no seu ápice a sabedoria natural (que é essa filosofia) chega pela teodiceia ou teologia natural ao Ser por excelência, ao Ser subsistente por si mesmo. É este Ser primeiro que o senso comum, apoiado, sustentado e elevado pelas verdades da fé, sugere que seja colocado no topo do real, conforme a Sua definição revelada: Ego sum qui sum (Ex 3, 14): Eu sou aquele que sou. Bem sabeis que quando Moisés perguntou o Seu nome, Deus respondeu: Eu sou o que sou, o que significa: Eu sou Aquele que é por si mesmo, possuo o Ser por mim mesmo. É o ens a se: o ser por si mesmo, em oposição a todos os outros seres que são ens ab alio: ser por outro ser, pelo dom que Deus lhes fez da existência! Este é um princípio tão admirável, que se pode meditar sobre ele durante horas. Ter o ser por si, é viver na eternidade, é ser eterno. Aquele que tem o ser por si mesmo sempre teve que tê-lo, o ser nunca poderia havê-lo abandonado. É sempre, foi sempre, será sempre. Pelo contrário, aquele que é ens ab alio, ser por outro ser, recebeu de outro, portanto começou a ser em algum momento, portanto começou!

Como esta consideração nos deve manter humildes! Compenetrarmo-nos do nada que somos diante de Deus! "Eu sou aquele que é, e tu és aquele que não é", dizia Nosso Senhor a uma santa alma. Como é verdadeiro! Quanto mais o homem absorver este princípio da mais elementar filosofia, melhor saberá o seu verdadeiro lugar diante de Deus.

Somente o facto de dizer: eu sou ab alio, Deus é ens a se; eu comecei a ser, Deus é sempre. Que contraste admirável! Que abismo! É por acaso este pequeno ab alio, que recebe o seu ser de Deus, que teria o poder de limitar a Glória de Deus? Teria o direito de dizer a Deus: tens direito a isto, mas mais nada? "Reina nos corações, nas sacristias, nas capelas, sim; mas na rua e na cidade não!" Que insolência! Igualmente seria este ab alio quem teria o poder de reformar os planos de Deus, de fazer com que as coisas sejam de outra maneira, diferentes de como Deus as fez? E as leis que Deus, em Sua sabedoria e omnipotência criou para todos os seres e especialmente para o homem e para a sociedade, teria o desprezível ab alio o poder de rechaçá-las a seu capricho, dizendo: "Eu sou livre!" Que pretensão! Que absurda esta rebelião do Liberalismo! Vede como é importante possuir uma sã filosofia e ter assim um conhecimento profundo da ordem natural, individual, social e política. Para isto o ensinamento de Santo Tomás de Aquino é insubstituível. Leão XIII o citou na sua encíclica Aeterni Patris de 4 de Agosto de 1879:
«Some-se a isto que o Doutor Angélico procurou as conclusões filosóficas na razão e princípio das coisas, princípios estes que se estendem amplamente e encerram em seu interior as sementes de inúmeras verdades que dariam abundantes frutos com os mestres posteriores. Tendo empregado este método de filosofia, conseguiu vencer os erros dos tempos passados e fornecer armas invencíveis para refutar os erros que sempre haviam de se renovar nos séculos futuros.»

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

A Fé e a "fé"


Segundo a doutrina católica, a Fé é uma anuência, uma submissão da inteligência à autoridade de Deus que revela, sob o impulso da vontade livre movida pela Graça. Por um lado o acto de Fé deve ser livre, ou seja, deve escapar a toda a coacção exterior que tivesse por objecto ou por efeito directo obtê-lo contra a vontade da pessoa. Por outro lado, sendo o acto de Fé uma submissão à autoridade divina, nenhum poder ou terceira pessoa tem o direito de se opor à influência da Verdade primeira, que tem o direito inalienável de iluminar a inteligência do fiel. Disto se segue que o fiel tem direito à liberdade religiosa; ninguém tem o direito de o coagir, e ninguém tem o direito de impedi-lo de abraçar a Revelação divina ou de realizar com prudência os actos exteriores de culto.

Entretanto os liberais, esquecidos do carácter objectivo, completamente divino e sobrenatural do acto de Fé, e os modernistas que correm no seu rastro, fazem da Fé uma expressão da convicção subjectiva do sujeito no fim da sua procura pessoal, ao tentar responder às grandes interrogações que lhe apresenta o universo. A Igreja, que propõe o facto da Revelação divina exterior, dá lugar à invenção criadora do sujeito, ou pelo menos o sujeito deve esforçar-se para ir de encontro à fonte... Sendo assim, então a Fé divina é rebaixada ao nível das convicções religiosas dos não-cristãos, que pensam ter uma fé divina, quando não têm mais do que uma persuasão humana, pois o motivo para aderir à sua crença não é a autoridade divina, mas o livre julgamento do seu espírito. Aí está a sua inconsequência fundamental: os liberais pretendem manter para este acto de persuasão completamente humano, o carácter de inviolabilidade e isenção de toda a coacção que não pertence senão ao acto de Fé divina. Eles asseguram que, pelos actos das suas convicções religiosas, os adeptos de outras religiões põem-se em relação com Deus, e que a partir daí esta relação deve ficar livre de toda coacção que possa afectá-la. Eles dizem: «Qualquer fé religiosa é respeitável e intocável».

Mas estes últimos argumentos são visivelmente falsos, pois pelas suas convicções religiosas, os adeptos das outras religiões não fazem mais do que seguir invenções do seu próprio espírito, produções humanas que não têm em si nada de divino, nem em seu princípio, nem em seu objecto, nem no motivo pelo qual aderiram a elas.

Isto não quer dizer que não há nada de verdadeiro nas suas convicções, ou que não possam conservar sinais da Revelação primitiva ou posterior. Mas a presença destas semina Verbi, não bastam, por si, para fazer das suas convicções um acto de Fé divina. Principalmente porque se Deus quisesse suscitar este acto sobrenatural pela Sua Graça, na maioria dos casos ver-se-ia impedido pela presença de inúmeros erros e superstições aos quais estes homens continuam ligados.

Frente ao subjectivismo e ao naturalismo dos liberais, devemos reafirmar hoje o carácter objectivo e sobrenatural da Fé divina que é a Fé católica e cristã. Somente ela tem o direito absoluto e inviolável ao respeito e à liberdade religiosa.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

Veritas liberabit vos


Prefácio à reedição do livro «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social: Jesus Cristo, Mestre e Rei» do Padre Philippe C.SS.R.:

Nestes tempos de grande e universal apostasia, bem-aventurados são aqueles que se interessam em conhecer a sua fonte envenenada para viver só da Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e para reencontrar n'Ele todos os efeitos da Redenção e da Sua graça para a santificação das pessoas, das famílias e das sociedades.
O veneno de todas as perversões do espírito moderno é o Liberalismo, tantas vezes apontado pelos Papas, tantas vezes condenado por eles nos mais vigorosos termos.
Aqueles que desejam expurgar o seu espírito e preservar-se deste ambiente, deveriam ler atentamente obras boas, como esta em que se respira o ar salutar do Cristianismo.
Deveriam também ler as encíclicas dos Papas dos séculos XIX e XX até João XXIII exclusivamente – e os livros que se inspiram neste ensinamento, bem como aqueles livros recomendados na bibliografia do livro do Padre Roussel intitulado «Liberalismo e Catolicismo», e especialmente:
Louis Veuillot: «A Ilusão Liberal».
Padre Barbier: «História do Catolicismo Liberal».
Monsenhor Delassus.
Monsenhor Sarda y Salvany: «O Liberalismo é Pecado».
Cardeal Billot: De Ecclesia, IIª parte.
Padre Roussel: «Liberalismo e Catolicismo».
Padre Raoul: «A Igreja Católica e o Direito Comum».
E este «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social» do Padre Philippe.
Todos estes deveriam ser conservados preciosamente nas bibliotecas e difundidos largamente, uma vez reeditados.
Apenas posso encorajar neste propósito a leitura dos livros das edições de Chiré-en-Montreuil do Sr. Auguy.
A inconcebível situação da Igreja, ocorrida na altura do Vaticano II e depois do Vaticano II, não se pode entender sem termos o conhecimento dos ensinamentos da Igreja sobre o Liberalismo antes do Vaticano II.
Veritas liberabit vos – "A Verdade vos proporcionará a Liberdade". Há entre as duas noções uma relação transcendental. Separá-las é arruinar ambas.

Marcel Lefebvre
Libreville, 3 de Março de 1986.

O erro do Historicismo


Não foram os Papas que cometeram um erro histórico, ou que estavam prisioneiros de circunstâncias históricas, mas são estes teólogos que estão imbuídos do preconceito historicista, apesar daquilo que possam dizer. Basta-nos ler as referências históricas que trazem Roger Aubert e John Courtney Murray sobre a liberdade religiosa, para comprovar que eles revêem sistematicamente os ensinamentos do Magistério dos Papas do século XIX, segundo um princípio que se pode expressar assim: "Todo o enunciado doutrinal é estritamente relativo ao seu contexto histórico, de tal modo que, mudado o contexto, a doutrina pode mudar".

Não será necessário dizer o quanto este relativismo e este evolucionismo doutrinal é contrário à estabilidade da Rocha de Pedro no meio das flutuações humanas, e o quão contrário é à Verdade imutável que é Nosso Senhor Jesus Cristo.

Estes teólogos, de facto, não são teólogos, nem bons historiadores, pois não têm qualquer noção da Verdade ou de uma doutrina permanente da Igreja, principalmente em matéria social e política; extraviam-se na sua erudição e são prisioneiros dos seus próprios sistemas de interpretação; são pensadores cheios de ideias, mas não são bons pensadores. Razão teve Pio XII ao condenar a sua teologia cambiante, sob o nome de Historicismo:
A isto se soma um falso historicismo que, aferrando-se unicamente aos acontecimentos da vida humana, subverte os fundamentos de toda a Verdade e de toda a Lei Absoluta, tanto no que se refere à filosofia como no que se refere aos dogmas cristãos. (Encíclica «Humani Generis»)

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

O Tradicionalismo tem que vir da Tradição (II)


Mas o que é a Tradição? Parece-me que, com frequência, a palavra é imperfeitamente compreendida: comparam-na às tradições como existem nas profissões, nas famílias, na vida civil: o bouquet colocado sobre o telhado quando se põe a última telha, o cordão que se corta para inaugurar um monumento, etc. Não é nada disto que eu falo; a Tradição não são os costumes legados pelo passado e conservados por fidelidade a este, mesmo na ausência de razões claras. A Tradição define-se como o depósito de fé transmitido pelo Magistério de século em século. Este depósito é aquele que nos deu a Revelação, isto é, a palavra de Deus confiada aos Apóstolos e cuja transmissão é assegurada pelos seus sucessores.

Mons. Marcel Lefebvre in «Carta Aberta aos Católicos Perplexos», 1984.


Subjectivismo

Inteligência

Subjectivismo é introduzir a liberdade na inteligência, quando pelo contrário, a nobreza desta consiste em submeter-se ao objecto, consiste na acomodação ou conformidade do pensamento com o objecto conhecido. A inteligência funciona como uma câmara fotográfica, deve reproduzir exactamente as características perceptíveis do real. A sua perfeição consiste na fidelidade ao real. Por este motivo a verdade define-se como a adequação da inteligência com a coisa. A verdade é esta qualidade do pensamento, de estar de acordo com a coisa, com o que é. Não é a inteligência que cria as coisas, mas as coisas que se impõem à inteligência tal como são. Consequentemente, a verdade de uma afirmação depende do que ela é, é algo de objectivo; e aquele que procura a verdade deve renunciar-se a si, renunciar a uma construção do seu espírito, renunciar a inventar a verdade.

Pelo contrário, no subjectivismo, é a razão que constrói a verdade: deparamo-nos com a submissão do objecto ao sujeito. Este passa a ser o centro de todas as coisas. As coisas não são mais o que são, mas o que se pensa delas. O homem passa a dispor da verdade conforme a sua vontade: a este erro chama-se idealismo no plano filosófico, e liberalismo no plano moral, político e religioso. Como consequência, a verdade será diferente conforme os indivíduos e os grupos sociais. A verdade torna-se necessariamente compartilhada. Ninguém pode pretender tê-la exclusivamente na sua integridade; ela faz-se e procura-se sem descanso. Pode ver-se o quanto isto é contrário a Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua Igreja.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

D. Marcel Lefebvre e Portugal

Nunca é demais lembrar as palavras de D. Marcel a respeito de Portugal e de Salazar, publicadas numa revista "católica" modernista em 1969 (ver Ascendens):