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D. José Pereira de Lacerda é criado Cardeal


No mesmo dia [19 de Novembro], ano de 1719, por nomina d'el-Rei D. João V, nosso Senhor, o Sumo Pontífice Clemente XI criou Cardeal Presbítero da Santa Igreja Romana ao ilustríssimo Dom José Pereira de Lacerda, Bispo do Algarve. Já dissemos dele em outro dia.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Erecção do Bispado do Grão-Pará


Neste dia [4 de Março], ano de 1720, em uma segunda-feira, em Consistório, o Papa Clemente XI, à instância d'el-Rei Dom João V de Portugal, separou e desmembrou da Diocese de São Luís do Maranhão, na América Portuguesa, a terra de Santa Maria de Belém do Grão-Pará com as dilatadas terras da dita Capitania e Ilhas adjacentes, criando-a Cidade, e erigindo nela em Catedral a Igreja de Nossa Senhora da Graça, com todas as honras, insígnias e privilégios que gozam as mais Igrejas Catedrais da Coroa de Portugal, com a renda de dois mil e quinhentos cruzados, e criou Bispo para ela o Padre Fr. Bartolomeu do Pilar, Religioso da Ordem de Nossa Senhora do Monte do Carmo.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

D. João V é jurado Príncipe sucessor de Portugal


No mesmo dia [1 de Dezembro], ano de 1697, foi jurado Príncipe do Brasil, Sucessor da Coroa de Portugal, o Sereníssimo Príncipe Dom João, ao presente V do nome Rei de Portugal, Nosso Senhor, filho dos Reis Dom Pedro II e Dona Maria Sofia Isabel de Neoburgo, pelos três Estados do Reino juntos em Lisboa em Cortes; O Senhor Infante Dom Francisco, irmão do mesmo Príncipe, assistiu no acto com o estoque na mão, como Condestável do Reino. Fez a fala por parte do Estado Eclesiástico o Arcebispo de Cranganor, Dom Diogo da Anunciação Justiniano, da Congregação de São João Evangelista; e pelo secular, o Desembargador Procurador da Coroa Paulo Carneiro, do Conselho de Sua Majestade.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Restabelecimento das relações comerciais com Roma


Neste dia [20 de Outubro], ano de 1731, se reconciliaram as Cortes de Roma e Portugal, que por causas Cíveis estavam discordes no temporal, conforme os Reais Decretos de 5 de Julho de 1728, os quais cessaram deste dia por diante, conservando-se não só a obediência, a que nunca se faltou em Portugal, mas a amizade e correspondência política, que de Corte a Corte sucede alterar-se por acidentes, que não tiram a substância dos actos, bem regulados.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Parte de Lisboa uma Esquadra naval contra os Turcos


O socorro naval que o Papa Clemente XI pediu a El-Rei Dom João V, nosso senhor, contra os Turcos, que sitiavam a Ilha de Corfu, partiu do porto de Lisboa neste dia [5 de Julho] do ano de 1716 e se compunha de nove navios; seis de guerra, de cinquenta até oitenta peças, um de fogo, outro para servir de hospital e uma Tartana armada em guerra para as expedições, que se oferecessem, com duas mil setecentas cinquenta e uma praças. Foi por Comandante General desta esquadra, o Almirante da Armada Real, Conde do Rio, por Almirante o Conde de S. Vicente, por Fiscal o Coronel Pedro de Sousa de Castelo Branco. Por dar gosto a El-Rei, se embarcaram nesta esquadra muitos Cavaleiros e títulos, e muitos oficiais reformados. Antes de partir esta esquadra, a foram ver, e entraram em algumas naus, Suas Majestades e Altezas, o Cardeal da Cunha, muitos Cavaleiros, Monsenhor Bichi e Monsenhor Firrau, Núncios, Ordinário e Extraordinário, de Sua Santidade, depois Cardeais da S.I.R., e todos ficaram satisfeitos da boa qualidade delas e da gente que as guarnecia, que toda foi escolhida das tropas Reais. Com a chegada desta esquadra e das outras auxiliares, a incorporar-se com a Armada Veneziana, levantaram os Turcos o sítio da Praça de Corfu, em que tinham perdido mais de vinte e cinco mil homens, e se fizeram à vela em 24 de Agosto com a sua Armada, sem que a dos Cristãos a pudesse alcançar, por mais que o pretenderam para pelejarem com ela e a destruírem, como fizeram no ano seguinte e diremos em outra parte.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Doação Real aos Patriarcas de Lisboa


El-Rei Dom João V, nosso senhor, depois de conceder ao primeiro Patriarca de Lisboa, e a seus sucessores, grandes honras e todas as prerrogativas que são concedidas, e ele permite nos seus Reinos, aos Cardeais da Santa Igreja Romana; atendendo a que os Patriarcas de Lisboa sempre deviam ser pelos próprios merecimentos e por todas as qualidades, as primeiras e principais pessoas cujo lugar ainda poderiam ocupar os Infantes de Portugal: com esta declaração, neste dia [1 de Abril], ano de 1719, dos bens do seu Património Real, fez doação para sempre, com todas as cláusulas que se requerem para sua perpétua validade, ao primeiro Patriarca de Lisboa e a seus sucessores, de duzentos e vinte Marcos de ouro todos os anos, e da Lezíria da Foz de Almonda, que é de grande rendimento, para sustentação magnífica da pessoa do Patriarca, casa e estado, e para que (com admirável providência) os Patriarcas pudessem distribuir as rendas, que tinham e poderiam ter de futuro, em esmolas e mais obras de piedade, a que como Pastores são obrigados, e sem prejuízo dos pobres luzisse a grandeza da sua alta dignidade.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Publica-se a Lei dos Tratamentos


Neste dia [31 de Janeiro] do ano de 1739 se publicou na Chancelaria-mor da Côrte e Reino, uma Lei assinada a 29 [de Janeiro] pela qual El-Rei Dom João V, Nosso Senhor, foi servido determinar os tratamentos de Excelência, Ilustríssima, Senhoria, Reverendíssima e Paternidade, que se deviam dar de palavra e por escrito a todas as pessoas, conforme as suas respectivas qualidades, hierarquias e ocupações.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

D. João V e o fim de uma epidemia em Lisboa


Neste dia [23 de Janeiro] e nos dois seguintes, do ano de 1724, recitou o Padre Dom Rafael Bluteau, Clérigo Regular da Divina Providência, três Orações gratulatórias na Igreja da sua Casa de Lisboa, a que assistiu El-Rei Dom João V, nosso Senhor, com grande concurso de nobreza e povo, pela mercê que Deus, nosso Senhor, fez a Lisboa em suspender o flagelo de uma epidemia, que havia principiado na quadra do Outono do ano antecedente; e sem dúvida se ateara muito se El-Rei, nosso Senhor, saísse de Lisboa com toda a Casa Real, como muito o persuadiam; a que resistiu com ânimo de coração verdadeiramente Real e paterno, dizendo que antes queria morrer com seus Vassalos naturais, do que desempará-los e deixar de lhes acudir; como fez com a maior caridade, liberalidade e grandeza, que se podem considerar, mandando distribuir pelos Párocos grandes somas de dinheiro, pelas Freguesias, Médicos e Cirurgiões, e pelas casas de todos os necessitados, enfermeiros e enfermeiras, e tudo o de que podiam necessitar de víveres, de comodidades, de mantimentos, de remédios e regalos. Feliz Reinado, em que o Rei governa como Rei, como pai e como homem!

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Elevação do Patriarcado de Lisboa


No mesmo dia [10 de Dezembro], ano de 1716, chegou a Lisboa a notícia de haver o Papa Clemente XI concedido a El-Rei Dom João V, Nosso Senhor, a erecção da sua Capela Real em Igreja Patriarcal, dividindo o grande Arcebispado de Lisboa, com os nomes de Oriental e Ocidental; a qual notícia se fez pública com os repiques dos sinos de todas as Igrejas e Conventos, e se festejou com luminárias. No dia seguinte, toda a Nobreza, Ministros, Prelados e Tribunais beijaram a mão a Sua Majestade pela exaltação da sua Capela Real; e no mesmo dia nomeou a mesma Majestade em Patriarca e Arcebispo Metropolitano da nova Igreja Patriarcal ao Ilustríssimo Senhor D. Tomás de Almeida, dos Condes de Avintes, Bispo e Governador das Armas e Justiças do Porto; O que foi festejado nas três noites seguintes com repiques e luminárias na Capela Real e em toda a Cidade.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

19 de Julho de 1717: Batalha do Cabo Matapão


No ano de 1717, partiu de Lisboa a 28 de Abril para a Ilha de Corfu segunda vez a esquadra naval Portuguesa, que no ano antecedente tinha ido à mesma Ilha, contra os Turcos que a sitiavam com uma grande armada, como em outra parte dizemos. Foram por Cabos desta segunda expedição os mesmos que o foram da primeira, o Conde do Rio Grande, o Conde de São Vicente, o Coronel Pedro de Sousa de Castelo Branco. Constava de catorze navios bem equipados, e guarnecidos de muita e grossa artilharia, de muita e luzida gente. No mar Adriático a estava esperando a Armanda ligeira de Veneza, de que era General André Pizani, com algumas pequenas esquadras auxiliares; e com a chegada da nossa, não duvidaram fazer logo viagem, como com efeito fizeram para o Arquipélago a unir-se com a Armada grande da mesma República de Veneza, que à ordem do Comandante extraordinário Flangini se tinha adiantado para os Dardanelos. Porém, antes que lá chegassem, encontraram nos mares de Matapão a Armada dos Turcos, neste dia do ano referido, e a investiu a nossa esquadra com grande valor, livrando a Armada de Veneza de sua total ruína, como os mesmos Venezianos, e também os Turcos, confessaram. Durou o combate nove horas com incessante fogo de ambas as partes. Foram os Turcos os primeiros que se retiraram do combate, sem embargo de terem sempre o barlavento; e até deveram a uma borrasca que se levantou, o não serem seguidos dos nossos, e poderem retirar-se, e recolher-se no seu porto de Trapano, em muito mau estado, com sete Sultanas inteiramente desmastreadas, e a sua Capitania incapaz de servir mais, com morte de mais de cinco mil Turcos, em que entrou o seu Comandante Baxá, que no mesmo combate foi morto com uma bala de mosquete, não se perdendo da nossa esquadra mais que cento e noventa e oito pessoas, em que entrou o Capitão-de-mar-e-guerra Manuel André dos Santos. O Sumo Pontífice Clemente XI celebrou muito esta vitória com grandes elogios da Nação Portuguesa, e com as lágrimas nos olhos, chamou a El-Rei Dom João V, nosso Senhor, verdadeiro Rei Católico e verdadeiro filho da Igreja. Com estas paternais e amorosas expressões escreveu a El-Rei agradecendo-lhe tão grande benefício; e ao General Conde do Rio mandou um Breve, em que lhe agradecia o zelo e valor com que a sua Armada triunfara da inimiga. Não deixou de confessar a sua obrigação a República de Veneza, como fez por seu Embaixador extraordinário, o Cavaleiro João Mocenigo, que mandou ao nosso Soberano, expressando em nome da mesma República o seu maior agradecimento, com a confissão de dever-se à nossa esquadra a vitória que se alcançara dos Turcos. A seis de Novembro do mesmo ano, chegou a Lisboa a nossa vitoriosa esquadra, com todos os navios de que se compunha, e foram os seus Cabos muito bem recebidos e premiados da nossa Côrte.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

D. João V e as "praxes" académicas


Hoje têm o nome de "praxes", mas até ao século XVIII fala-se de "investidas". Os rituais destinados aos novatos da Universidade de Coimbra foram muitas vezes marcados por alguma dose de violência, várias vezes postos em causa e até proibidos. Em 1727, por exemplo, D. João V interditou totalmente qualquer "investida". Alegou o Rei que as actividades, apesar de serem muito antigas na universidade, se haviam tornado cada vez mais bárbaras. A morte de um estudante, no ano anterior, poderá ter sido a última gota. E o monarca deliberou: "É por bem, e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos".