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O poder e a manipulação dos Média

Uma imagem vale mais que mil palavras. Por isso, deixo à consideração dos leitores as diferentes perspectivas fotográficas de duas manifestações ocorridas em França. A primeira é da Frente de Esquerda, em Dezembro de 2013; a segunda é a Marcha Republicana, em Janeiro de 2015. Para ajudar à reflexão, relembro ainda a seguinte publicação: O que a imprensa quer torna-se "verdade"

Frente de Esquerda:


Marcha Republicana:

Deu-se a reacção


Deu-se a reacção. Mas quem reagia? Criaturas das mesmas classes que governavam. Criaturas, portanto, com a mesma hereditariedade, vivendo no mesmo meio que os governantes. Criaturas, portanto, moral e intelectualmente idênticas a eles, pois seria o maior dos milagres se, com idêntica hereditariedade e com idêntico meio fossem diferentes. Um ou outro reagia em virtude de [...] e carácter, de legítima e honesta indignação moral. Mas nenhum partido podia reagir senão corruptamente, porque, quando uma sociedade é corrupta, pode haver, e há, indivíduos que o não são; mas não há agrupamentos que o não sejam, ou, se os há, não podem ter acção social, pois só corruptamente se pode agir numa sociedade corrupta. Um partido político, a ser são, tende a não agir, o que é uma contradição com o próprio conceito de partido político; a agir, terá de se integrar nos modos de acção do meio, tinha, na expressão mais moral, que se adaptar ao meio. Pois, à medida que foi tomando forças, o partido republicano foi-se tornando mais corrupto.

Fernando Pessoa in «Da República», 1979 (póstumo).

A propósito de manifestações

Nisto de manifestações – ia eu dizendo – o difícil é interpretá-las. Porque, por exemplo, uma manifestação conservadora é sempre feita por mais gente do que toma parte nela. Com as manifestações liberais sucede o contrário. A razão é simples. O temperamento conservador é naturalmente avesso a manifestar-se, a associar-se com grande facilidade; por isso, a uma manifestação conservadora vai só um reduzido número da gente que poderia, ou mesmo quereria, ir. O feitio psíquico dos liberais é, ao contrário, expansivo e associador; as manifestações dos «avançados» englobam, por isso, os próprios indiferentes de saúde, a quem toda a vitalidade acena.

Fernando Pessoa in «O Jornal», nº 15, 18 de Abril de 1915.