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10 de Junho: Festa do Anjo de Portugal


Todos os Reinos e Pátrias têm o seu Anjo Custódio, que os protege dos perigos e auxilia nas adversidades. A fidelíssima Nação Portuguesa é a única cujo Santo Anjo tem culto litúrgico próprio, oficial e instituído pela Igreja em 1504. Por origem o Anjo de Portugal é São Miguel Arcanjo, guardião do Reino pelo qual o Príncipe da Milícia Celeste batalhou ao lado de D. Afonso Henriques na reconquista de Santarém aos Mouros. Roguemos ao nosso Anjo Custódio do Reino de Portugal, para que sempre nos defenda e dignifique:

Vinde, Anjo de Portugal, livrar a Pátria e os Portugueses de todo o mal.

Vinde, Anjo de Portugal, afastar da Pátria a vós confiada os males espirituais, assim como tudo o que puder perturbar a paz dos Portugueses.

Anjo Custódio de Portugal, defendei a nossa Pátria!
Anjo Custódio de Portugal, salvai a nossa Pátria!
Anjo Custódio de Portugal, santificai a nossa Pátria!

10 de Junho: Santo Anjo Custódio de Portugal


Oração colecta da Missa do Santo Anjo de Portugal:

Ó Deus omnipotente e eterno, que, por inefável providência Vossa, deputaste a cada Nação o seu Anjo custódio, concedei, Vo-lo pedimos, que, pelas orações e patrocínio do Anjo custódio da nossa Nação, sejamos para sempre livres de toda a adversidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que sendo Deus, con'Vosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo. Ámen.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.

Quem Vive? – Portugal!


Legionários! Quem Vive? – Portugal!

...O Portugal de nossos avós – de Afonso Henriques, de D. João I, do Infante de Sagres, dos Gamas, dos Albuquerques, de Camões; dos descobrimentos, da restauração; conquistador de reinos, fundador de impérios, pregoeiro e defensor nos outros continentes da civilização latina e da palavra de Cristo!

Legionários! Quem Vive? – Portugal!

...O Portugal de nossos pais, explorador de sertões, fundador de colónias a repetir-se e multiplicar-se pelo Mundo – pedaços da sua alma, da sua carne e do seu sangue – tirando dos reveses da fortuna, dos azares da sorte e até da desconsideração alheia a revolta e orgulho que nos transmitiu a nós!

Legionários! Quem Vive? – Portugal!

...O Portugal de vossos filhos, redimido no sacrifício e na dor, nas privações, no trabalho, na angústia destes calamitosos tempos, mas salvo, honrado, belo, forte, engrandecido, como o divisamos já na aurora de amanhã!

António de Oliveira Salazar in alocução «...Nós Somos uma Força Destinada a Vencer...», 11 de Março de 1938.

10 de Junho: Dia de Portugal e do Anjo Custódio


Oração composta pelo Cardeal-Patriarca Manuel Cerejeira:

Ó Rei universal dos povos, que, na Vossa misericordiosa Providência, escolhestes Portugal para descobrir novos mundos e conquistá-los para Cristo e a Sua Igreja: guardai, protegei e abençoai a nossa Pátria, que ao nascer se colocou sob protecção do Vosso Vigário na terra, trás as Vossas Chagas no seu escudo, e tem como Padroeira a Imaculada Conceição, Vossa Mãe.

(200 dias de indulgência)

O amor da Pátria


A Pátria é a terra que nossos pais nos legaram; é esta gleba riscada à ponta de lança e firmada à força de fé por ínclitos avós que a legaram inteira e sagrada ao gozo de seus netos; é um património de virtudes morais, de tesouros que recebemos de nossos maiores e que devemos transmitir, enriquecido, às gerações futuras. A Pátria é o passado, o presente e o futuro do mesmo povo. É uma fonte de riquezas e de alegrias.
(...)
A causa do amor da Pátria – está na paternidade – pertencemos à Pátria pelas raízes paternas. Amamos a Pátria, diz alguém, porque vimos aí um sorriso nunca mais visto, e bebemos aí um afecto nunca olvidado – o afecto e o sorriso de nossas mães.
– «A fé viva dos nossos pais reverentes aos mesmos altares e genuflexos ao mesmo Deus», é o que prezamos de mais precioso e mais belo.
– Se a terra-pátria, por mais modesta que seja, vale para nós o universo é porque «encerra uns ossos a que nos prende a alma, e entesoura umas cinzas que nos cristalizam a memória, os ossos e as cinzas de nossos pais».
– «O túmulo assemelha-se a um altar, as lágrimas que aí se vertem, as preces que aí ciciam, as flores que aí rescendem não se dirigem a uma vulgaríssima poeira, dirigem-se e elevam-se à Pátria celeste, até ao trono de Deus Clementíssimo que dá às almas o descanso eterno e a luz do perpétuo esplendor».

Cón. Júlio António dos Santos in «O Crucifixo», 1942.

10 de Junho: Anjo de Portugal


A pedido de El-Rei Dom Manuel e dos senhores Bispos portugueses, o Papa Leão X instituiu em 1504 a festa do Anjo Custódio do Reino, cujo culto era já antigo em Portugal.
Oficializada a celebração, Dom Manuel enviou alvarás aos municípios a determinar que as festas em honra do nosso Anjo da Guarda fossem comemoradas com a maior solenidade. Na festa do Anjo de Portugal deveriam participar todas as autoridades e instituições das cidades e vilas, além de todo o povo.
Esta celebração teve o seu esplendor durante os séculos XVI, XVII e XVIII, quando Portugal também teve o seu apogeu, e decaiu no século XIX, quando Portugal também decaiu pela infiltração do Liberalismo.
Por determinação das Ordenanças Manuelinas a festa do Anjo de Portugal era equiparada à festa do Corpo de Deus, a maior festa religiosa em Portugal, na qual toda a Nação Portuguesa afirma a sua Fé perante o Santíssimo Sacramento.
De acordo com o testemunho dos Pastorinhos de Fátima, em 1916 o Anjo de Portugal apareceu diversas vezes a anunciar as aparições de Nossa Senhora, nesta sua Terra de Santa Maria, dando aos Pastorinhos a comunhão com "o preciosíssimo corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo" como ele próprio declarou.
O culto do Anjo de Portugal teve o seu maior brilho nas cidades de Braga, Coimbra e Évora, e manteve-se na arquidiocese de Braga, onde se celebrava a 9 de Julho.
No tempo do Papa Pio XII a festa do Anjo de Portugal foi restaurada para todo o País e transladada para o dia 10 de Junho a fim de que o Dia de Portugal fosse também o Dia do Anjo de Portugal.
Da generalizada devoção ao Anjo de Portugal dão testemunho muitas representações, sendo especialmente notáveis as imagens do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e da Charola do Convento de Cristo, em Tomar, a pintura da Misericórdia de Évora e a iluminura do Livro de Horas de Dom Manuel.
O Anjo de Portugal é, até hoje, o único Anjo da Guarda de um País com culto público oficializado e foi o único Anjo da Guarda de uma Nação que apareceu aos homens.

Oração por Portugal


Majestade Divina, Senhor da vida e da morte, dos que Vos amam e dos que Vos perseguem!
Por intercessão da Santíssima Virgem de Fátima, Rainha da paz e nossa Mãe, dos Pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta e da Beata Alexandrina que tanto amou Portugal, pedimo-Vos que não deixeis que a nossa Pátria, onde Maria ergueu o seu Trono, venha a ser dominada e destruída por obra dos seus inimigos.
Enviai os Vossos Santos Anjos a todos os locais da nossa Terra e permiti que eles possam desenvolver as suas potências em todos os seus recantos para que o inimigo não venha a triunfar nesta Terra de Santa Maria.
Nós queremos formar um exército de almas que rezam para que Vós, Deus Uno e Trino, estendais a Vossa Mão poderosa sobre este povo que é de Maria, nossa Mãe.
Fazei, ó Deus, que as nuvens tempestuosas que pairam sobre a humanidade e tendem a espalhar-se e submergir a nossa Pátria, sejam afastadas.
Só Vós podeis salvar-nos! Vinde depressa socorrer-nos, Senhor!
Pela Vossa graça e especial protecção da nossa Padroeira Maria Imaculada e do Anjo Custódio de Portugal, fazei, ó Deus, que a nossa Terra nunca venha a ser aniquilada pelo inimigo.
Deus Santo, Deus Forte, Deus Todo-Poderoso: em união com todos os Santos Anjos pedimo-Vos auxílio e Bênção para a nossa Pátria. Ámen.

Irmã Lúcia dos Santos.

São Miguel Arcanjo, Custódio de Portugal


De entre as nações, que se sabe terem festejado liturgicamente o seu Anjo Tutelar, Portugal é a que mantém tal devoção, com culto oficializado, há mais tempo, sendo também a única a ter tido o privilégio da sua assistência epifânica (em Fátima, no ano de 1916).

Alguns autores estribados numa tradição, segundo a qual Afonso Henriques, após ter desbaratado Albaraque nos campos de Santarém, teria designado São Miguel como tutelar do Reino, crêem poder identificar esse Arcanjo com o Anjo Custódio de Portugal. Essa identificação, já anteriormente ensaiada por distintos memorialistas, havia de tornar-se quase consensual durante o consulado miguelista (1828-1834).

As aparições de Fátima têm, igualmente, servido para fundamentar a assunção, porquanto, alegam os proponentes dela, o Anjo da Paz é, na liturgia eclesial, o próprio São Miguel (Angelus pacis Michael).

Manuel J. Gandra in «O Anjo da Saudade», 2013.

§

Atenção: Este autor e esta obra não são inteiramente recomendáveis. A passagem aqui citada é divulgada apenas pela informação verídica que contém.

Rosa de Armas


Deus a cada Nação um anjo deu.
Porque n'Ele as Nações serão eternas,
Mesmo que o tempo as desbarate e coma.

Anjo de Portugal! Te imploro! Imploro!
Defende Portugal, e continua-o!
Mesmo oculto e assombrado pelo mundo,
Como um corpo sem alma ou como alma
Penada a vaguear, ausente, ausente.
Mesmo que sendo só quase memória.
Defende Portugal! E, sob as asas,
Guarda-o, não vá ele enregelar.
Acende-lhe lá dentro uma candeia,
Que um dia voltará a ser archote
E fogueira a cantar no acampamento
E uma bola de fogo, um sol no empíreo,
Um coração nas ondas do Império.

Anjo de Portugal! No mais recesso
De nós mantem ainda esta semente,
Esta migalha, este ínfimo estilhaço,
Esta saudade, esta esperança e fé.
Este globo partido, Anjo! Recobra-o!
Retira-o do abismo, recompõe-o,
Altaneiro refá-lo, alto desvela-o,
Desfralda-o pela glória e pelos ventos,
De norte a sul, de leste a ocidente,
Que volte Portugal ressuscitado.

Goulart Nogueira

Feriados


Para lá dos feriados religiosos, só há duas datas nacionais: o Dez de Junho e o Primeiro de Dezembro. Para mim, é data nacional toda aquela que engrandece Portugal. O resto são epifenómenos ideológicos.

Marcello Duarte Mathias in «Diário de Paris», 2006.