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A verdade sobre o "Caso Galileu"


Adoptando o sistema coperniciano, Galileu foi mais adiante, acrescentando-lhe outras doutrinas.
«O ar – diz ele nos seus Diálogos – como corpo desligado e fluído, pouco solidamente unido à Terra, não parece estar na necessidade de obedecer ao movimento dela, ao menos enquanto as rugosidades da superfície terrestre o não arrastam, e levam consigo uma porção que lhe está contígua, e que não excede muito aos mais altos cumes dos montes; a qual porção de ar deverá opor tanto menos resistência à revolução terrestre quanto está cheia de vapor, fumo e exalações, matérias todas que participam das qualidades da Terra, e por conseguinte adaptadas aos seus próprios movimentos».
Depois, enquanto à explicação do fluxo e refluxo do mar, Galileu atribui-o à rotação da Terra, e não à pressão [=gravidade] da Lua, como Kepler, do qual zomba amargamente.
Todo este sistema de Copérnico, reformado e ampliado, Galileu podia ensiná-lo hipoteticamente, o que ninguém lhe teria contestado; mas quis dogmatizá-lo, fundando-o na Bíblia. Não se contentou com ser astrónomo, quis também ser teólogo.
«Ele exigiu – diz Guichardino, seu amigo e embaixador em Roma, no seu ofício de 4 de Março de 1616 – que o Papa e o Santo Ofício declarassem este sistema de Copérnico fundado na Bíblia».
Escrevendo à Duquesa de Toscana, Galileu esforça-se por prová-lo teologicamente e mostrar que é tirado do Génesis.
Ora aí está o que Roma condenou, essa insistência em querer dogmatizar um ponto da ciência falível e controversa.
Hoje a doutrina de Galileu é em parte demonstrada falsa por Newton, Bacon e Laplace. Este último diz na sua exposição do sistema do mundo, a respeito das marés: «As descobertas ulteriores confirmam a exposição de Kepler e destruíram a explicação de Galileu, que repugna às leis do equilíbrio do movimento dos fluídos».
E se Roma houvesse condescendido com a vontade de Galileu, dogmatizando aquele sistema, reconhecido hoje como falso em grande parte, que diriam os seus inimigos?
Diriam que Roma se opunha ao progresso das luzes, mistificando a ciência.
Como, porém, ela manteve à razão, os seus legítimos direitos, acusam-na de perseguir Galileu!
Sempre a mesma justiça.
Mas a respeito dos cárceres, dos maus-tratos, das cadeias, com que foi mimoseada a vítima do Santo Ofício?
Tudo isso é falso, e vamos às provas.
Lê-se no Mercúrio de 17 de Junho de 1784, nº 29: «Cita-se Galileu, condenado e perseguido pelo Santo Ofício, por haver ensinado o movimento da Terra sobre si mesma. Felizmente está hoje provado, pelas cartas de Guichardino, e do Marquês Nicolini, embaixador de Florença, ambos amigos, discípulos e protectores de Galileu, que há um século se mente ao público sobre este facto. Este filósofo não foi perseguido como bom astrónomo; mas como mau teólogo, por ter querido meter-se a explicar a Bíblia. As suas descobertas suscitaram-lhe por certo inimigos invejosos, porém foi a sua teima em querer conciliar a Bíblia com Copérnico que lhe deu juízes, e só a sua petulância foi causa das suas aflições. Foi metido, não nas prisões da Inquisição, mas no aposento do Fiscal, com plena liberdade de comunicar para fora. Na sua defesa não se tratou da essência do seu sistema, senão da sua pretendida conciliação com a Bíblia. Depois de dada a sentença e exigida a retractação, Galileu foi senhor de voltar a Florença. Devem-se estas informações a um protestante, Mallet Dupan, que, apoiado em documentos originais, vingou a Cúria Romana».
Assim Galileu não foi obrigado a abjurar o movimento da Terra, que Roma já tinha admitido como hipótese; mas a prometer que dali em diante trataria só do que competia a um astrónomo, e deixaria à Igreja a interpretação da Escritura, e portanto não havia lugar para exclamações: não esteve nos cárceres da Inquisição; mas habitou no próprio quarto do Fiscal: não houve maus-tratos, mas foi tratado com todas as atenções.
Diz Nicolini nas suas Cartas que Galileu, chamado de Florença, chegou a Roma a 15 de Fevereiro de 1633 e hospedou-se em sua casa. No mês de Abril pôs-se à disposição do Santo Ofício, «que o recebeu – acrescenta ele – o mais benevolamente e lhe assinou para morada a própria câmara do Fiscal do tribunal. Permitiu-se que o meu criado o sirva e durma ao seu lado, e que os meus servos lhe levem de comer ao seu quarto e voltem para minha casa de manhã e à noite».
Mas quereis ainda um testemunho mais concludente?
Seria sem dúvida o do próprio Galileu, não é verdade?
Pois bem, será a própria suposta vítima do fanatismo clerical que virá depor contra os caluniadores de Roma.
Numa carta ao Padre Receneri, seu discípulo [de astronomia], na colecção publicada em Modena, em 1818 e 1821, diz Galileu: «O Papa julgou-me digno da sua estima: fui alojado no delicioso palácio da Trindade dos Montes. Quando cheguei ao Santo Ofício, dois dominicanos me convidaram mui cortesmente a fazer a minha apologia. Para me castigarem, proibiram os meus Diálogos e despediram-me depois de cinco meses de assistência em Roma. Como a peste reinava em Florença, assinaram-me para morada o palácio do meu melhor amigo, Mons. Piccolomini, Arcebispo de Siena, onde gozei de plena tranquilidade. Hoje estou na minha aldeia de Arcetri, onde respiro um ar puro ao pé da minha cara pátria».
Aí está patente a calúnia. Contudo, não o duvideis, nem por isso deixará de ser repetida todas as vezes que for conveniente apresentar a Igreja sob feias cores.

João Joaquim de Almeida Braga in «O Prestígio das Palavras», 1860.

O Tarrafal e a propaganda comunista


Há bastantes anos [1936] o Governo estabeleceu numa das ilhas de Cabo Verde um estabelecimento prisional para delinquentes políticos e sociais, entenda-se comunistas. Por dificuldades de ordem local que se repercutiam no seu bom funcionamento, o estabelecimento foi extinto e abandonado há bastantes anos [1954]. Ora eu continuo a receber dos partidos comunistas e organismos afins instalados nos mais diversos países, numerosos telegramas de protesto contra o «campo do Tarrafal». Isto quer dizer que as organizações comunistas receberam em devido tempo ordem das «centrais de comando» para manterem vivo o seu protesto contra a existência de um estabelecimento penal de repressão do partido. E quer dizer ainda que não se importaram de actualizar as ordens, visto que a grande imprensa ocidental continua a segui-las sem se importar de verificar a sua exactidão. Teremos assim que os partidos comunistas manterão «vivo» o Tarrafal, enquanto, na guerra que nos movem, o protesto der algum rendimento, ou contribuir para o descrédito de um Governo que lhes é hostil. Para estes não importa a verdade, mas só aquilo em que se crê.

António de Oliveira Salazar in revista «International Affairs», Abril de 1963.

Anne Frank pode não ter escrito o famoso diário


Um relatório do Departamento Federal de Investigação Criminal Alemão (BKA) indica que partes do Diário de Anne Frank foram alteradas ou acrescentadas depois de 1951 [Anne Frank morreu em 1945], lançando dúvidas sobre a autenticidade de toda a obra, divulgou o semanário de notícias da Alemanha Ocidental Der Spiegel.
O diário, um relato quotidiano da angústia de uma jovem judia e da sua família escondidos na sua casa, em Amsterdão, durante a invasão nazi, tocou o coração de milhões de pessoas.
O manuscrito foi examinado por ordem de um tribunal da Alemanha Ocidental como parte de uma acção por difamação movida por Otto Frank. O pai de Anne, e o único membro da família a sobreviver aos campos de concentração, contra Ernst Roemer, por este difundir a alegação de que o livro era uma fraude.
Este foi o segundo processo contra Roemer, um crítico de longa data do livro, de Frank. No primeiro caso, o tribunal decidiu a favor de Frank quando o depoimento de historiadores e grafólogos bastou para autenticar o diário.
Em Abril, porém, pouco tempo antes da morte de Frank a 19 de Agosto [de 1980], o manuscrito foi entregue a técnicos do BKA para ser examinado.
O manuscrito, na forma de três cadernos de capa dura e 324 páginas soltas encadernadas num quarto caderno, foi examinado com equipamento especial.
Os resultados dos testes realizados nos laboratórios do BKA mostram que partes da obra, principalmente do quarto volume, foram escritas com caneta esferográfica. Como as canetas esferográficas não estavam disponíveis antes de 1951, o BKA concluiu que essas partes devem ter sido acrescentadas posteriormente.
O exame do manuscrito, contudo, não revelou nenhuma evidência conclusiva que possa pôr fim às especulações sobre a autenticidade dos três primeiros cadernos.

Fonte: jornal «New York Post», 9 de Outubro de 1980.

O estranho caso do número "6 milhões"


Vídeo – Entre 1915 e 1938 (23 anos), dez jornais norte-americanos de grande tiragem, referem o famoso número de 6 milhões de judeus... Fora da Alemanha... Antes de Hitler e do Nazismo... "Holocaustos" antes do "Holocausto"...

Recomendo a quem assistir o vídeo, que também o guarde (descarregue), antes que ele estranhamente desapareça.

Relembrar a falsa pandemia de Gripe A


«A pandemia de Gripe A nunca existiu». Esta é a conclusão do relatório aprovado ontem pela assembleia parlamentar do Conselho da Europa, que acusa a Organização Mundial de Saúde (OMS) de ter «sobrestimado o vírus H1N1».
A investigação, chefiada pelo deputado britânico Paul Flynn, denuncia o «desperdício de fundos públicos na compra de vacinas» e as «ligações entre os peritos da OMS e os laboratórios farmacêuticos».
Um relatório publicado também ontem pelo British Medical Journal revela que as recomendações da OMS teriam sido redigidas por peritos, contratados como consultores por vários laboratórios farmacêuticos.
A OMS enfrenta assim uma nova vaga de críticas, um dia depois de ter decidido prolongar até Julho o nível máximo de alerta de pandemia, em vigor desde Julho de 2009.
Em um ano, a Gripe A provocou mais de 18 mil mortos, um número distante das previsões iniciais, quando a gripe sazonal provoca anualmente mais de 500 mil mortes.


Mais informações, aqui.

11 de Setembro: 20 anos


20 anos volvidos sobre o acontecimento chamado "11 de Setembro" e muitos factos continuam por explicar. Provavelmente o mais gritante é a queda "miraculosa" do Edifício 7 (WTC 7), mostrada aqui em vídeo por uma associação americana de arquitectos e engenheiros que, de uma forma lógica e racional, contesta a narrativa oficial que nos foi apresentada, por considerá-la impossível do ponto de vista científico. O Edifício 7 é o único na História da Humanidade a desmoronar "miraculosamente", desafiando não só as leis da Física, como da Lógica e da Razão.

E a verdade sobre o Edifício 7 é apenas a ponta do novelo...

Aristides, o falso mártir da República


O embaixador João Hall Themido (1924-2017) publicou em 2008 um livro de memórias sobre a sua carreira diplomática a que chamou Uma Autobiografia Disfarçada. Nele o embaixador dedicou um capítulo a Aristides de Sousa Mendes, onde afirma que o mesmo foi um «mito criado por judeus e pelas forças democráticas saídas do 25 de Abril». A propósito da suposta perseguição de Salazar, o embaixador esclarece: «O processo disciplinar que lhe foi movido quando era cônsul em Bordéus foi o último de vários de que foi alvo ao longo da carreira, quase sempre por abandono do posto ou concussão. Pelos vistos, Aristides de Sousa Mendes, além de viver acima dos seus meios, o que tinha reflexo nas contas consulares, gostava de abandonar os postos, sem autorização, para visitar Paris, segundo se dizia movido por razões sentimentais. Como tem acontecido em outros casos mediáticos, a maioria desses processos disciplinares desapareceu misteriosamente do Arquivo Geral, onde todavia, ainda está, incompleto, o relativo a Bordéus. A Nota de Culpa menciona abandono de funções, concussão e desobediência».

O mito de Aristides Sousa Mendes


Em Junho de 2013 o embaixador e professor universitário Carlos Fernandes (1922-2019) publicou o livro «O cônsul Aristides Sousa Mendes: a Verdade e a Mentira», o qual foi destacado aqui no blogue. Sete anos depois, relembramos a entrevista que o Sr. Embaixador deu na altura ao jornal «O Diabo»:

Como foi possível a construção do mito de Aristides Sousa Mendes?
Eles pensavam, naturalmente, que ninguém apareceria a contar a verdade. Mas deviam saber que eu não poderia ficar calado.

Diz-se que ele deu vistos para salvar judeus que estavam em perigo de vida...
Ele não salvou ninguém, porque ninguém estava em perigo de vida e também não deu o visto de graça a ninguém, porque precisava do dinheiro. Só deu vistos de graça depois de destituído, que se saiba. Mas isso, o Teotónio Pereira, que tinha ido de Madrid para o meter na ordem, porque ele não obedecia a ninguém.

Esses problemas já vinham de trás?
Ele teve processos durante a Iª República. Só teve processos depois do 28 de Maio em 1935-36, e só teve uma repreensão. Ele julgou que podia continuar assim. Aliás, com Salazar ele só teve o último processo.

Não houve uma perseguição por parte de Salazar?
Não. O regime protegeu-o. Deu-lhe um posto que não era da categoria dele. O irmão gémeo dele, o César, foi o primeiro Ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar. Apesar de lá ter estado pouco mais que oito meses. Mas depois foi colocado em bons postos. Foi gente altamente protegida. Houve uma protecção consciente.
Quando comecei a trabalhar no Ministério, muito novo, com Rebelo da Silva, assisti a todas as conversas sobre o Aristides. Ele contou-me toda a tragédia dele, que tinha sido castigado. Naquela altura já não estava, mas ele queria ir outra vez para o estrangeiro, mas não estava em condições para isso. Eu explico o que é o instituto da disponibilidade no livro, porque muita gente não sabe o que é. É algo que vem da Iª República, não foi inventado pelo Salazar.
O Sousa Mendes é posto, em 1919, dois anos na disponibilidade pelas asneiras que fez em Curitiba, de 1919 a 1921, quando Salazar nem pensava vir para o Governo. Ele chegou a empregar um filho no Consulado e foi autorizado a trabalhar com o irmão quando estava na disponibilidade.

Porque é que ele era protegido?
O que me disse Rebelo da Silva, na altura, foi que ele tinha uma família grande e digna, e no Ministério havia compreensão pela sua situação difícil. Nem ele nem o irmão tinham amigos no Ministério ou tinham tido uma carreira académica brilhante, mas ele era protegido por causa da família.

Na vida trágica de Sousa Mendes há uma figura sinistra, o Rabino Kruger. O que acha dele?
Esse homem estragou-lhe a vida. Ele conheceu-o na Bélgica, mas quando foi para Bordéus a vida piorou, começou a ganhar menos e deixou de ter a importância que tinha em Antuérpia, onde esteve dez anos e já era decano. Em Bordéus passa a ser um Zé-ninguém, foi uma mudança drástica. Aí conheceu uma rapariga nova, muito culta e muito modernaça, com quem se envolveu e que acabou por engravidar. Prometeu divorciar-se da mulher e casar com ela. Ora, ele vivia no consulado com a família que assistia ao escândalo que a amante lá fazia. Imagine a tragédia! Isto levou a que ele, no dia 14 de Junho de 1940, caísse de cama com uma depressão. Nesta altura aparece-lhe o Rabino Kruger a pedir um visto para Portugal, mas o Ministério recusa o visto porque teve má informação dele da Bélgica.

Porque precisava ele do visto?
Porque não tinha visto para outro lado. Essa é outra coisa que as pessoas não sabem ou não querem dizer. Só precisava de pedir visto para Portugal quem não tivesse visto para outro país ou viagem marcada para lá. O Kruger devia ser um pobretana, porque senão tinha ido comprar um visto ao Haiti que os vendia. Aristides acabou por lhe dar o visto, mesmo sem autorização, algo que ele fazia. São vistos irregulares, isto é, os vistos dados sem autorização são legais, mas irregulares. Só os que ele deu depois de destituído é que são ilegais.

Mas os judeus não estavam a ser perseguidos?
Os judeus começaram a fugir da Áustria, em 1938, depois do Anschluss, quando Hitler toma a Áustria com o apoio de toda a gente, excepto dos judeus e da Casa Real austríaca. Há uma debandada geral de judeus austríacos, na sua maioria pobres, que querem emigrar, porque passam a ser alemães juridicamente e não querem ficar sob Hitler. Portugal tinha um acordo de supressão de vistos com a Alemanha desde 1926, como os judeus austríacos passam a ser alemães e há uma debandada, os países da Europa quiseram pôr termo a essa debandada e condicionaram os vistos a autorização. Mas isto durou pouco, porque depois veio a guerra.
Mas o Hitler só invade a Europa Ocidental em Maio de 1940, quando há uma nova debandada de judeus. Só depois, em 1942, na Conferência de Wannsee é que é decretada a solução final contra os judeus e começa a perseguição. Não é que os tratassem bem antes, mas não os punham em campos de concentração. O Aristides não salva ninguém da morte, porque em 1940 ninguém estava em risco de vida.

E em relação ao número de vistos concedidos?
O Rui Afonso fala em 30 mil, dos quais 10 mil são judeus, mas só cá chegaram uns poucos de milhares até Junho de 1940. Se estavam em perigo de vida, ficaram lá? Para onde foram? Para Espanha não foram. É claro que nunca existiram.

Fonte: Jornal «O Diabo», 2 de Julho de 2013.

Hitler e Jesse Owens


Rezam as crónicas que, nos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936, Adolf Hitler, furioso com o facto de o lendário atleta americano Jesse Owens, um negro, ter ganho a medalha de ouro nos 100 metros, abandonou a tribuna de honra sem lhe apertar a mão, ou sem sequer o saudar. Mas afinal, as crónicas estavam erradas. Propositadamente erradas. Siegfried Mischner, um veterano jornalista desportivo alemão de 83 anos, disse há dias que não só Hitler apertou a mão a Owens, como este andou durante muito tempo na carteira com uma fotografia que documentava o momento, e que o próprio campeão americano lhe chegou a mostrar.
Segundo o diário inglês Daily Mail, Mischner revelou que a foto de Hitler a cumprimentar Owens foi tirada por trás da tribuna de honra. "Mas eu vi tudo, vi Owens apertar a mão de Hitler." O jornalista acrescentou que outros colegas estavam com ele nessa altura, mas "ninguém queria dar uma boa imagem do monstro Hitler", por isso o acontecimento foi omitido. "A opinião predominante na Alemanha do pós-guerra era de que Hitler tinha ignorado Owens ostensivamente. E o consenso foi de que era preciso continuar a mostrar Hitler sob uma luz negativa em relação a Owens. Mas agora todos os meus colegas já morreram, Owens já morreu. Pensei que esta seria a última oportunidade para corrigir os registos. Não tenho a menor ideia onde estará a fotografia, ou se ainda existe sequer", esclareceu ainda Siegfried Mischner.
É sabido que Jesse Owens nunca viu com bons olhos o facto de a imprensa sempre ter insistido que Hitler não o tinha saudado após a sua memorável vitória nos 100 metros, e a conquista da sua primeira de quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas de Berlim, nesse distante dia 3 de Agosto de 1936. Ainda segundo Mischner, Owens sempre "insistiu que não tinha sido ignorado por Hitler, mas sem fazer referência a tê-lo encontrado e a terem apertado as mãos. Provavelmente fizeram-no engolir o mito, tal como a nós". E para a posteridade, em vez da verdade límpida, vingou o mito odioso.
Ironicamente, Jesse Owens nem sequer foi cumprimentado pelos seus feitos olímpicos pelo presidente dos EUA, o muito liberal Roosevelt, que nem se dignou convidá-lo para a Casa Branca. "Não foi Hitler que me ignorou – quem o fez foi Franklin Delano Roosevelt. O presidente nem sequer me mandou um telegrama", disse mais tarde Owens a Jeremy Schaap, autor do livro Triumph, sobre os Jogos Olímpicos de Berlim de 1936. E Harry Truman, sucessor de Roosevelt, não fez nada para corrigir a omissão deste.
Jesse Owens teve direito a uma parada de vitória em Nova Iorque, mas, devido às leis de segregação racial então vigentes nos EUA, foi impedido de ir no elevador dos hóspedes à recepção dada em sua honra no Hotel Waldord-Astoria. E teve que apanhar o elevador dos fornecedores para estar no cocktail em que era celebrado. Os berlinenses nunca o esqueceram, e em 1984 foi inaugurada a Rua Jesse Owens, perto do Estádio Olímpico de Berlim. Muitos anos antes de qualquer homenagem semelhante nos EUA.

Fonte: «Diário de Notícias», 29 de Agosto de 2009.

O caso Climategate


Transcrição: O caso já foi apelidado de Climategate. Em causa estão e-mails trocados entre dois cientistas de renome internacional que foram parar à Internet. Nas conversas entre Phil Jones, director da universidade de investigação climática de East Anglia, na Inglaterra, e o climatologista norte-americano Michael Mann, é possível traduzir a manobra de tentar ocultar do relatório de 2007 do IPCC da ONU, artigos que contrariam a tese do aquecimento global. Esse documento pedia a redução da emissão de gases com efeito de estufa até 85% até ao ano de 2050. Os investigadores tentaram mesmo que fossem eliminadas quaisquer referências de cientistas cépticos sobre os motivos do aquecimento global e dos que assumem que o aumento da temperatura, ou o arrefecimento do Planeta, é um acontecimento cíclico e não exclusivamente relacionado com a poluição. De resto ficou também exposta a tentativa de eliminar as referências ao facto da temperatura estar mesmo a diminuir desde o fim dos anos 90. Um caso que foi omitido até pela própria imprensa, mas que está agora a ser investigado pela ONU e que levou já à suspensão de funções de Phil Jones, o cientista que dirige a prestigiada universidade de investigação do clima, em East Anglia, no Reino Unido.

O Climategate foi há 10 anos



Passaram há pouco 42 anos sobre um dos maiores desastres de origem climática em Portugal: as inundações de 1967 em Lisboa. Centenas de mortes e centenas de milhões de prejuízos materiais. Será que este desastre se deveu às emissões de CO2eq (CO2 equivalente) ou ao aquecimento global? Claro que não!

Aliás, na altura, a imprensa internacional explorava os receios de uma nova idade do gelo devido ao arrefecimento global que se verificava.

Em 1967, a probabilidade de ocorrência da precipitação que provocou o desastre em Lisboa era conhecida. Uma precipitação com características análogas pode repetir-se amanhã e as suas consequências só serão menores se as necessárias medidas de prevenção forem entretanto tomadas (e nem todas o foram!).

Catástrofe de Nova Orleães não foi causada pelo aquecimento global
O que se passou com a destruição de Nova Orleães pelo furacão Katrina foi análogo: as consequências de um furacão com aquelas características eram bem conhecidas, e as imprescindíveis obras de reparação e reforço das protecções foram insistentemente pedidas mas sistematicamente adiadas.

A catástrofe não teve nada que ver com emissões de CO2eq ou aquecimento global. As tragédias climáticas no Bangladesh, não são provocadas por emissões de CO2eq, aquecimento global ou subida do nível do mar mas sim pelas inundações resultantes do assoreamento dos rios originado pela erosão que as extensíssimas desflorestações a montante agravaram e pelo crescente aumento do número de habitantes e construções em leito de cheia.

Segundo a ONU, mais de mil milhões de pessoas estão actualmente ameaçadas pela fome ou subnutrição, e agita-se o fantasma do seu aumento ou das suas migrações massivas se não forem combatidas as emissões de CO2eq para reduzir o aquecimento global.

A situação dramática e escandalosa destes milhões de seres humanos não tem nada a ver com as emissões de CO2eq, nem com o aumento oficial de 0,8ºC na temperatura média global nos últimos 150 anos.

Temperaturas não aumentam desde 1998
Aliás, apesar de as emissões de CO2eq terem aumentado acima do cenário mais pessimista do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU, desde 1998 que a temperatura global não aumenta.

Os exemplos anteriores poderiam continuar mas a conclusão seria sempre a mesma: as consequências catastróficas de fenómenos climáticos são evidentes e têm aumentado devido a acções humanas.

O que sucedeu em 1967 em Lisboa e se repete cada vez mais agravado por esse mundo fora não é devido a emissões de CO2eq ou alegado aquecimento global.

É devido simplesmente ao facto de fenómenos climáticos naturais, que sempre existiram, terem efeitos cada vez mais catastróficos porque as acções humanas sobre o território criaram as condições para isso ao desflorestarem as cabeceiras de rios (que agravaram o seu assoreamento e as consequentes inundações), ao aumentarem os riscos de deslizamento das encostas (porque eliminaram a vegetação que as estabilizava), ao construírem cada vez mais em leitos de cheia, e ao provocarem alterações cada vez mais extensas e profundas no uso do solo.

Os efeitos das alterações no uso do solo são cada vez mais evidentes nas alterações climáticas locais e nos seus reflexos globais.

Sendo evidente que a variabilidade natural do clima sempre existiu e que as acções humanas têm vindo a agravar os seus efeitos, a subversão conceptual que a UE liderou, reduzindo tudo, ou quase tudo, às consequências do aquecimento global provocado por emissões de CO2eq é muito grave e, em última instância, contrária aos louváveis ideais que afirma defender e que suscitam o apoio das organizações ambientalistas e de multidões de bem-intencionados.

Um dos maiores escândalos científicos da História
É neste contexto que rebenta o escândalo do chamado Climategate. Em termos da comunidade científica, o Climategate é um dos maiores escândalos científicos da História, não só pelo modo como afecta a credibilidade pública da comunidade científica mas sobretudo pelas implicações económicas e políticas de que se reveste.

De facto, nunca existiram tantas declarações, tantos tratados, tantos protocolos e tão gigantescos fluxos financeiros tendo como único fundamento a credibilidade e o suposto consenso da comunidade científica expresso nos Summary for Policy Makers (SPM) do IPCC.

Esse fundamento desapareceu, mas os interesses envolvidos (políticos, económicos, financeiros e industriais) são de tal monta e a percepção pública da fraude científica é tão lenta que a ficção criada pela UE ainda se irá manter durante muito tempo.

O Climagate consistiu na divulgação, através da Internet, de um conjunto de ficheiros, que incluem programas de computador e emails trocados entre alguns dos principais autores dos relatórios do IPCC, de entre os quais assumem particular relevo os de Phill Jones, director do Climate Research Unit (CRU) da Universidade de East Anglia e Hadley Centre (Reino Unido), de autores do notório hockeystick e instituições responsáveis pelas bases de dados climáticos, como o National Climate Data Center (NCDC) e o Goddard Institute for Space Studies (GISS) dos EUA, consideradas de referência pelo IPCC.

O hockeystick é o termo usado entre os cientistas para designar o gráfico em forma de stick de hóquei que representa a evolução das temperaturas do hemisfério norte nos últimos mil anos, e que foi criado por um grupo de cientistas norte-americanos em 1998.

Manipulação de dados
Os referidos ficheiros encontravam-se num servidor do CRU e a sua autenticidade não foi até agora contestada. Aliás, muitos deles apenas confirmam o que há muito se suspeitava acerca da manipulação/fabricação de dados pelo grupo.

Todavia, muito do que era suspeito e atribuível a erro humano surge agora como intencional e destinado a manter a "verdade" (do IPCC) de que houve um aquecimento anormal e acelerado desde o início da revolução industrial devido às emissões de CO2eq.

Esta "verdade" é incompatível com o Período Quente Medieval (em que as temperaturas foram iguais ou superiores às actuais apesar de não existirem emissões de CO2eq) e a Pequena Idade do Gelo que se seguiu. É também incompatível com o não aquecimento que se verifica desde 1998. Esconder ou suprimir estas constatações foram objectivos centrais da fraude científica agora conhecida.

Silenciar os cientistas críticos
Em termos científicos, o que os emails revelam são os esforços concertados dos seus autores, junto de editores de revistas prestigiadas, para não acolher publicações que pusessem em causa as suas teses ou os dados utilizados pelo grupo, recorrendo mesmo a ameaças de substituição de editores ou de boicote à revista que não se submetesse aos seus desígnios.

Propuseram-se mesmo alterar as regras de aceitação das publicações para consideração nos Relatórios do IPCC de modo a suprimir as críticas fundamentadas às suas conclusões. Em resumo, procuraram subverter, em seu benefício, toda a ética científica da prova, da contraprova e de replicação de resultados que está no cerne do método científico, controlando o próprio processo da revisão por pares.

Em conjunto, conseguiram impedir que fossem publicados a maioria dos dados e conclusões que pusessem em causa e com fundamento o seu dogma do aquecimento global devido às emissões de CO2eq.

O Climategate provocou já uma invulgar reacção internacional, como uma simples pesquisa no Google imediatamente revela (mais de 10.600.000 referências menos de uma semana depois da sua revelação).

No intenso debate internacional em curso e que irá certamente continuar por muitos meses/anos, surgiram já todos os habituais argumentos de ilegalidade no acesso aos documentos; de idiossincrasias próprias de cientistas-estrelas que se sentiram incomodados; citações fora de contexto, etc.

Em meu entender, o mais revelador e incontestável nos ficheiros divulgados nem são os emails, apesar do que mostram quanto ao carácter e a honestidade intelectual dos cientistas intervenientes, mas sim os programas de computador para tratar os registos climáticos que utilizaram para justificar as conclusões que defendem.

Diga-se o que se disser, os programas executaram o que está nas suas instruções e não o que os seus autores agora vêem dizer que fizeram ou queriam fazer.

Dados climáticos até 1960 destruídos
Antecipando porventura o que agora sucedeu, os responsáveis pelos dados climáticos de referência arquivados no CRU, vieram publicamente confirmar que destruíram os dados das observações instrumentais até 1960 e que apenas retiveram o resultado dos tratamentos correctivos e estatísticos a que os submeteram.

Ou seja, tornaram impossível verificar se tais dados foram ou não intencionalmente manipulados para fabricar conclusões. Neste momento há provas documentais indirectas de que o fizeram pelo menos nalguns casos.

Existe ainda um efeito perverso na referida manipulação que resulta de os modelos climáticos utilizados para a previsão do futuro terem parâmetros baseados nas observações climáticas passadas, que agora estão sob suspeita.

Afecta também todas as calibrações de observações indirectas relativas a situações passadas em que não existiam registos termométricos.

Independentemente de tudo isto, o mais perturbador para os alarmistas é o facto de, contrariamente ao que os modelos utilizados pelo IPCC previam, não existir aquecimento global desde 1998, apesar do crescimento das emissões de CO2eq.

E se alguma coisa os ficheiros do Climagate revelam, são os esforços feitos para que este facto não fosse do conhecimento público.

Comportamento escandaloso e intolerável
O comportamento escandaloso e intolerável de um grupo restrito de cientistas que atraiçoaram o que de melhor a Ciência tem só foi possível porque um grupo de políticos, sobretudo europeus, criou as condições para o tornar possível.

Isso ficou claro desde a criação do IPCC e torna-se evidente para quem estuda os relatórios-base do IPCC (WG1-Physical Science Basis) e os confronta com os SPM.

Todavia, seria profundamente injusto meter todos os cientistas no mesmo saco, pelo que é oportuno lembrar que se deve a inúmeros cientistas sérios e intelectualmente rigorosos uma luta persistente e perigosa contra os poderes estabelecidos, para que a ciência do IPCC fosse verificável e responsável.

Foram vilipendiados e acusados de estar ao serviço dos mais torpes interesses. Os documentos agora revelados mostram que estavam apenas ao serviço da Ciência e do rigor e honestidade dos métodos que fizeram a sua invejável reputação.

Seria também irresponsável agir como se as consequências da variabilidade climática e da utilização desbragada de combustíveis fósseis tivesse desaparecido com a revelação do escândalo. Muito pelo contrário.

Problemas ambientais de fundo devem ser atacados
Chame-se variabilidade climática ou alteração climática, os problemas de fundo da sustentabilidade ambiental permanecem e agravam-se pelo que devem ser atacados com determinação e realismo.

Se os esforços internacionais mobilizados para a Cimeira de Copenhaga conseguirem ultrapassar a obsessão do aquecimento/emissões (liderado pela UE) para se concentrarem na eficiência energética, nas energias renováveis, na minimização dos efeitos das alterações nos usos do solo, no combate à desflorestação, à fome e aos efeitos da variabilidade climática, teremos uma grande vitória para o planeta se a equidade e a justiça social não forem esquecidas.

Ao que parece, as propostas da China e dos EUA vão neste sentido tendo a delicadeza suficiente para não humilhar a União Europeia. Esperemos que sim.

O mito da ignorância medieval


Longe de ser um período de trevas, como quiseram os historiadores do século passado, a Idade Média revela uma dinâmica tecnológica de grande envergadura: cria a agro-pecuária produtiva de afolhamento trienal, descobre a exploração e cultivo de terras húmidas e pesadas, inventa a navegação contra o vento, prepara o uso do cavalo na tracção, resolvendo o problema da atrelagem e da ferradura, aplica o estribo, inventa novos aproveitamentos de energias naturais e põe de pé a cidade moderna, muito diferente da cidade clássica, tão grata a romanos e gregos.

Fonte: Revista «Futuro Presente», Janeiro/Março de 1984.

Nikola Tesla sobre a teoria da relatividade


Tesla descreveu a teoria da relatividade como «uma massa de erros e ideias enganosas, violentamente opostas aos ensinamentos dos grandes homens de ciência do passado e até mesmo ao senso comum».
«A teoria», disse ele, «envolve todos esses erros e falácias, e veste-os em magníficos trajes matemáticos que fascinam, deslumbram, e deixam as pessoas cegas aos erros subjacentes. A teoria é como um mendigo vestido de púrpura a quem pessoas ignorantes tomam por um rei. Os seus expoentes são homens brilhantes, mas são mais metafísicos do que cientistas. Nem uma única das proposições da relatividade foi provada».

Fonte: Jornal «The New York Times», 11 de Julho de 1935.

O Purim de Alcácer-Quibir


Ontem, dia 4 de Agosto, aniversário da Batalha de Alcácer-Quibir, foi um dia de má memória para Portugal, mas um dia de boa memória para os judeus do Magrebe. Pois ontem os judeus de Marrocos celebraram o anual Purim, uma festa religiosa que comemora o salvamento "miraculoso" dos judeus, vítimas de uma suposta perseguição dos portugueses. Segundo a lenda judaica, D. Sebastião teria jurado, antes de embarcar para Alcácer-Quibir, converter à força todos os judeus do Magrebe. Mas estes anteciparam-se, e através de dois soldados desertores, souberam das supostas intenções do Rei de Portugal. Assim, como forma de evitar a dita "crueldade", os judeus teriam feito um dia de jejum e oração. Tudo isto foi escrito numa Meguilá, rolo em pergaminho manuscrito, de que ainda existem alguns exemplares em Israel, e provavelmente em outros países. São lidas nas sinagogas e nas famílias, no dia a que eles chamam "Purim Sebastiano", ou "Purim de Sebastian YSV" (abreviatura de "Que se apaguem o seu nome e a sua memória"). É isto que os judeus de Tânger e de Tetuão comemoram todos os anos naquela data.


Aristides Sousa Mendes: a Verdade e a Mentira


O embaixador Carlos Fernandes, diplomata de carreira e professor universitário, com vasta obra publicada, foi sempre um moderado, na sua vida privada e na pública. E é-o neste livro. Nunca quis entrar na política, mais ou menos partidária, para que foi convidado desde muito novo. Só quis servir o Estado, isto é, toda a comunidade portuguesa organizada como tal, e não apenas uma fracção dela. E serviu-o durante muitos anos e intensamente, como se verifica pelo seu extraordinariamente vasto curriculum vitae, tendo tido actividade notável na negociação dos acordos no seio da EFTA, na Conferência da Haia de Direito Internacional Privado, e sido até pioneiro na elaboração e negociação dos acordos sobre protecção no trabalho e segurança social dos emigrantes, e na transferência de presos condenados e a cumprir prisão no estrangeiro.

Cansado de ler e ouvir tão abundantes como mirabolantes fantasias a respeito de Aristides de Sousa Mendes, enquanto cônsul de Portugal em Bordéus, em Junho de 1940, fantasias que este nunca invocou nem sugeriu, além de pressionado por vários amigos, dado que ele é, actualmente, a única pessoa viva que, ainda no MNE, conviveu com Sousa Mendes, e, crê-se, a única dos que sobre ele escreveram que o conheceu pessoalmente, decidiu escrever este livro, repondo a verdade sempre que o julgou necessário, sem deixar de evidenciar simpatia pessoal, não profissional, por este cônsul de Portugal, dadas as circunstâncias de tempo, lugar, e psicológicas em que actuou.

É, como verificarão, um livro muito bem documentado, e, sem dúvida, a queda de um mito, não de um anjo, já que esta descreveu-a o grande Camilo Castelo Branco de forma inexcedível.

O leitor vai encontrar aqui vasta informação relevante que certamente desconhecia, porque, propositadamente, se tem omitido ou deturpado, por razões políticas e económicas, que aborrecem a verdade.

Aristides, ao contrário do que se tem propalado, não deu 30 000 vistos, dos quais 10 000 a judeus, nos dias da ira, mas apenas entre 600 e 650, nunca tendo sido exonerado de cônsul de Portugal nem aposentado por Salazar, recebendo até morrer o seu vencimento como tal.

Desde alguns descendentes de Aristides até ao influente político americano de origem açoriana Tony Coelho, passando por grupos judaicos amestrados para isso, e por Jaime Gama e outros políticos portugueses, tem-se elevado uma monstruosa montanha mitificadora à base de falácias que não engrandecem, quer Aristides, quer a Assembleia da República, quer o Governo e o Presidente da República, que para isso contribuíram.

A verdade sobre Aristides de Sousa Mendes


Fala, a propósito, na operação de salvamento dos refugiados republicanos espanhóis e dos judeus que, no início da Segunda Guerra Mundial, se acumulavam na fronteira de Irún, na ânsia de salvar as vidas. Vieram embarcados nos vagões da Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta, que iam até Irún carregados de volfrâmio, e voltavam a Vilar Formoso carregados de fugitivos. A operação foi mantida rigorosamente secreta porque as autoridades espanholas não consentiriam. Segundo um protocolo firmado pelas autoridades ferroviárias dos dois países, os vagões deviam circular selados, quer à ida quer à vinda. Um dos que assim salvaram a vida foi o Barão de Rothschild. O embaixador Teixeira de Sampaio confirmou-me, mais tarde, esses factos. O salvamento de 30 000 refugiados deu-se ao mesmo tempo que o cônsul de Portugal em Bordéus, em cumplicidade com dois funcionários da PIDE, falsificava algumas centenas de vistos, que vendia por bom preço a emigrantes com dinheiro. Um dos que utilizaram esta via supôs que todos os outros vieram do mesmo modo – e assim nasceu a versão, hoje oficialmente consagrada, de que a operação de salvamento se deve ao cônsul de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. Este, homem muito afecto ao Estado Novo, nem sequer foi demitido, mas sim colocado na situação de aguardar aposentação. Os seus cúmplices da PIDE foram julgados, condenados e demitidos.

José Hermano Saraiva in «Álbum de Memórias», 2007.

Livro: Galileu na Prisão e outros Mitos sobre Ciência

Até à década de 1970, o paradigma há muito dominante na história da ciência era o da ciência triunfante e da religião em conflito permanente e feroz com aquela. Este é o paradigma que ainda persiste nos principais meios de comunicação e em algumas publicações académicas. Todavia, há uma nova geração de historiadores da ciência e historiadores da religião que se tem debruçado sobre os episódios destas duas disciplinas, analisando-os à luz dos valores e conhecimentos dos respectivos protagonistas.
Este livro é fruto de algumas dessas investigações. Juntamente com outros vinte e quatro académicos que se dedicam a esta nova história da ciência, Ronald L. Numbers esclarece vinte e cinco mitos – que define simplesmente como «afirmações falsas» –, contrariando a ideia de que ciência e religião estão perpetuamente numa luta sem quartel. Cada um dos capítulos de Galileu na Prisão mostra o quanto temos a ganhar em ver para além dos mitos. Numa obra simultaneamente informativa e lúdica, os autores – que incluem agnósticos, ateus e cristãos – desmontam ideias que têm sido apresentadas sob a capa de verdade histórica, desde o encarceramento de Galileu à conversão de Darwin no leito de morte, passando pela crença de Einstein num Deus pessoal que «não joga aos dados com o universo». Sendo o obscurantismo o maior inimigo do conhecimento, a leitura deste livro que o enfrenta é imprescindível.