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Patriotismo ou Nacionalismo?

A Apoteose de Luís XVI

É fundamental que nos movamos com conceitos claros com os quais todos estejamos de acordo. Um deles é o Patriotismo que tem que ver essencialmente com a ideia de Tradição. A «pátria» é a «terra dos pais», liga com um passado que se quer projectar para o futuro. A Nação [o Estado-Nação], ao contrário, é outra coisa: é um conceito essencialmente moderno, não anterior à Revolução Francesa e que substitui o de Reino. (...) Dito de outra forma, a origem do Nacionalismo é fundamentalmente liberal e burguesa, referindo-se a uma ordem de ideias que tem que ver com os valores inerentes às revoluções liberais do século XIX.
(...) No entanto, é importante recordar que as palavras estão carregadas e podem ser perigosas: todo o pensamento deve ser orgânico e ter uma ordem de ideias perfeitamente encadeadas. Se aceitamos que a Nação aparece onde a guilhotina corta a cabeça dos reis, temos que aceitar que uma coisa é a Ordem Liberal e outra é a Ordem Tradicional. E que a primeira tem como valores a Nação [o Estado-Nação], o mercado livre, a burguesia e o republicanismo, enquanto a Ordem Tradicional tem como valores a Pátria, a economia corporativa, a monarquia, etc. É muito perigoso inserir em cada elo da cadeia um elemento que pertence a outra, por isso prefiro referir-me ao Patriotismo em vez de ao Nacionalismo.

Ernesto Milà, entrevista ao jornal «O Diabo», 8 de Outubro de 2013.

Nacionalismo não é Patriotismo


Existe a tendência de confundir patriotismo com nacionalismo. Historicamente, o nacionalismo aparece com a "Nação" e esta constitui-se numa etapa recente da História (o último quartel do século XVIII com a Revolução Americana e a Revolução Francesa). A transformação dos Reinos em Estados-Nação e a substituição do vínculo de fidelidade para com o Rei, pela doutrina dos Direitos do Homem e do Cidadão, implicou incorporar no conceito de Nação, e do seu derivado Nacionalismo, uma carga ideológica que dependia precisamente do marco intelectual no qual se produziu a transformação dos Reinos em Estados-Nação: a ideologia liberal.
O nacionalismo está intimamente ligado a uma série de fenómenos históricos concretos: o advento da burguesia como classe hegemónica, a revolta do burguês e do comerciante contra as aristocracias guerreiras [Nobreza], a democracia como forma política, o capitalismo como sua tradução económica, e o individualismo como forma de conceber o mundo. Não há outro nacionalismo que o vinculado a todas estas tendências que aparecem num momento recente da História, perfeitamente identificável (a partir da Revolução Francesa, na Europa).

Ernesto Milà in «Identidade, Patriotismo e Enraizamento», 2011.