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Da desagregação familiar na sociedade capitalista


Nunca é demais repetir que aquilo que destruiu a Família no mundo moderno foi o Capitalismo. Sem dúvida, poderia ter sido o Comunismo, caso este tivesse alguma oportunidade fora daquele deserto semi-mongol onde de facto floresce. Mas no que nos diz respeito, o que desfez os lares, encorajou os divórcios e tratou as antigas virtudes domésticas com um desprezo cada vez maior, foi a época e o poder do Capitalismo. Foi o Capitalismo que fomentou um conflito moral e uma competição comercial entre os sexos; que destruiu a influência dos pais em favor da influência dos patrões; que empurrou os homens para fora dos seus lares em busca de empregos; que os forçou a viver perto das fábricas ou das empresas, em vez de perto das suas famílias; e, acima de tudo, que encorajou, por razões comerciais, um espectáculo de publicidade e novidades berrantes, que são, por natureza, a morte de tudo o que os nossos pais e mães chamavam de dignidade e modéstia. Não foi o bolchevique, mas sim o patrão, o publicitário, o vendedor e o comerciante que, como uma turba desenfreada de bárbaros, derrubaram e pisotearam a antiga estátua romana da Verecúndia.

G. K. Chesterton in «The Well and the Shallows», 1935.

A face esquerda e a face direita da Revolução


Todo o mundo moderno se dividiu em conservadores e progressistas. A função dos progressistas é cometer erros continuamente. A função dos conservadores é evitar que os erros sejam corrigidos. Mesmo quando um revolucionário se arrepende da sua própria revolução, o falso tradicionalista já a defende como parte da sua "tradição". Assim, temos dois tipos de pessoas: o avançado, que nos leva à ruína, e o retrospectivo, que admira as ruínas. Cada novo erro do progressista, ou pedante, torna-se instantaneamente numa lenda de imemorial antiguidade para o snob. E isto é chamado de equilíbrio, ou controlo mútuo, na nossa Constituição.

G. K. Chesterton in revista «The Illustrated London News», 19 de Abril de 1924.


Não precisamos de pragmáticos


Surgiu no nosso tempo uma moda muito peculiar: a ideia de que, quando as coisas estão a correr muito mal, do que nós precisamos é de um homem pragmático. Ora, é bastante mais correcto afirmar que, quando as coisas estão a correr muito mal, do que nós precisamos é de um homem que não seja pragmático; precisamos, pelo menos, de um teórico. Um homem pragmático é um homem que só conhece a prática do dia-a-dia, o modo como as coisas habitualmente funcionam. Quando as coisas não funcionam, temos que recorrer ao pensador, ao homem que tem algum conhecimento da razão pela qual elas funcionam. É má ideia tocar harpa enquanto Roma está a arder; mas é uma excelente ideia estudar hidráulica enquanto Roma está a arder.

G. K. Chesterton in «What's Wrong with the World», 1910.

Joana d'Arc, Tolstoi e Nietzsche


Joana d'Arc não ficou presa numa encruzilhada, quer rejeitando todos os caminhos como Tolstoi, quer aceitando-os a todos como Nietzsche. Ela escolheu um caminho e foi por ali fora como um relâmpago. No entanto, quando penso em Joana d'Arc, vejo que ela tinha tudo o que há de verdadeiro em Tolstoi ou Nietzsche, inclusive tudo o que há de tolerável neles. Penso em tudo o que há de nobre em Tolstoi, no prazer das coisas simples, especialmente na piedade simples, nas realidades da terra, na reverência pelos pobres, na dignidade da reverência. Joana d'Arc tinha tudo isso e com uma grande vantagem: ela suportava a pobreza tanto quanto a admirava; enquanto Tolstoi é apenas um típico aristocrata a tentar desvendar o seu segredo. E quando penso em tudo o que havia de bravo, orgulhoso e patético no infeliz Nietzsche, e na sua revolta contra o vazio e a passividade do nosso tempo; penso no seu grito pelo equilíbrio estático do perigo, na sua fome pelas grandes corridas de cavalo, no seu apelo às armas. Bem, Joana d'Arc tinha tudo isso e novamente com a mesma diferença: ela não elogiava a guerra, mas guerreava. Sabemos que ela não temia um exército, enquanto Nietzsche, pelo que sabemos, tinha medo de uma vaca. Tolstoi apenas elogiava os camponeses; ela era camponesa. Nietzsche apenas elogiava os guerreiros; ela era guerreira. Ela derrotou os dois em seus próprios ideais antagónicos; foi mais amável que um e mais violenta que outro. No entanto, ela era uma pessoa perfeitamente prática que fazia algo, enquanto eles eram especuladores selvagens que nada faziam.

G. K. Chesterton in «Orthodoxy», 1908.

O plutocrata e o anarquista


E agora que este livro está a chegar ao fim, vou sussurrar ao ouvido do leitor uma horrível suspeita que me persegue: a suspeita de que Hudge e Gudge estão secretamente em conluio. De que a disputa que ambos mantêm em público é apenas um embuste, e que não é por acaso que eles passam a vida a oferecer argumentos um ao outro. Gudge, o plutocrata, deseja um industrialismo anárquico; Hudge, o idealista, brinda-o com elogios líricos à anarquia. Gudge quer mão-de-obra feminina porque é mais barata; Hudge chama ao trabalho da mulher "a liberdade de viver a própria vida". Gudge quer trabalhadores firmes e obedientes; Hudge prega a abstinência de álcool – para os trabalhadores, não para Gudge. Gudge quer uma população domesticada e tímida, que nunca pegará em armas contra a tirania; Hudge demonstra, a partir de Tolstoi, que ninguém deve pegar em armas contra quem quer que seja. Gudge é naturalmente um cavalheiro saudável e higiénico; Hudge apregoa fervorosamente a perfeição da higiene de Gudge a pessoas que não podem praticá-la. Acima de tudo, Gudge governa através de um sistema cruel e coercivo de saque, suor e labor que é totalmente incompatível com a família, e que por isso está destinado a destruí-la; enquanto Hudge, abrindo os braços ao universo com um sorriso profético, diz-nos que a família é algo que em breve iremos ultrapassar gloriosamente.
Não sei se a parceria de Hudge e Gudge é consciente ou inconsciente. Só sei que é pela sua actividade conjunta que o homem comum continua privado da sua habitação natural. Só sei que continuo a encontrar Jones vagueando pelas ruas ao crepúsculo cinzento, olhando tristemente para os postes, barreiras e pequenas lanternas vermelhas que guardam a entrada da casa que nunca deixou de ser sua, embora ele nunca tenha vivido nela.

G. K. Chesterton in «What's Wrong with the World», 1910.

Santidade


Um santo pode ser qualquer tipo de homem, com uma qualidade adicional que é ao mesmo tempo única e universal. Podemos até dizer que a única coisa que separa um santo dos homens ordinários é a sua disposição para ser um com os homens ordinários. Neste sentido, a palavra ordinário deve ser entendida no seu significado nobre e nativo; que está ligado com a palavra Ordem. Um santo está muito além de qualquer desejo por distinção; ele é o único tipo de homem superior que nunca foi uma pessoa superior.

G. K. Chesterton in «São Tomás de Aquino», 1933.

O erro do materialismo histórico


A teoria materialista da História, segundo a qual toda a política e ética são expressões da economia, é de facto uma falácia muito simples. Ela consiste, simplesmente, em confundir as necessárias condições de vida com as normais preocupações da vida, que são coisas muito diferentes. É como dizer que, porque o homem pode andar somente sobre duas pernas, então, ele só pode caminhar se for para comprar meias e sapatos. O homem não pode viver sem os amparos da comida e da bebida, que os suporta sobre duas pernas; mas sugerir que esses têm sido os motivos para todos os seus movimentos na História, é como dizer que o objectivo de todas as suas marchas militares, ou peregrinações religiosas, deve ter sido a perna dourada da Sra. Kilmansegg ou a perfeita e ideal perna do Sr. Willoughby Patterne. Mas são esses movimentos que constituem a História da espécie humana e sem eles não haveria praticamente História. Vacas podem ser puramente económicas, no sentido de que não podemos ver que elas façam muito mais do que pastar e procurar o melhor lugar para isso; e essa é a razão pela qual a história das vacas em doze volumes não seria uma leitura estimulante. Ovelhas e cabras podem ser economistas em suas acções externas, pelo menos; mas essa é a razão das ovelhas dificilmente serem heróis de guerras épicas e impérios, importantes suficientes para merecerem uma narração detalhada; e mesmo o mais activo quadrúpede não inspirou um livro para crianças intitulado Os Feitos Maravilhosos das Cabras Galantes. Mas, em relação a serem económicos os movimentos que fazem a História do homem, podemos dizer que a História somente começa quando os motivos das ovelhas e das cabras deixam a cena. Será difícil afirmar que os Cruzados saíram de suas casas em direcção a uma horrível selvajaria, da mesma forma que as vacas tendem a ir das selvas para pastagens mais confortáveis. É difícil afirmar que os exploradores do Árctico foram em direcção ao Norte imbuídos dos mesmos motivos materiais que fizeram as andorinhas ir para o Sul. E se deixarmos de fora da História humana, coisas tais como todas as guerras religiosas e todas a aventuras exploratórias audaciosas, ela não só deixará de ser humana, mas deixará de ser História. O esboço da História é feito dessas curvas e ângulos decisivos, determinados pela vontade do homem. A História económica não seria sequer História.

G. K. Chesterton in «The Everlasting Man», 1925.

A vida humana tem um valor absoluto?


Num debate sobre a "eutanásia", a deputada esquerdista Isabel Moreira afirmou que «a vida humana não é um direito absoluto». Tal afirmação provocou indignação em muitos direitistas, que, assumindo uma posição mais humanista que católica, chegaram a diabolizar a deputada, acusando-a de "nazismo". Contudo, apesar de errada quanto ao fim, a afirmação está correcta quanto ao princípio. De facto, à luz do Direito e da Moral Católica, a vida humana não tem valor nem direito absoluto. Deus, que não Se engana nem nos engana, diz-nos pelo 5º Mandamento que é proibido matar. Mas também no diz, pelo mesmo Mandamento, que é lícito tirar a vida de outrem em certas ocasiões. Se o valor e o direito da vida humana fosse absoluto, não haveria excepções em que fosse lícito matar. Eis o que diz o Catecismo da Doutrina Cristã, de São Pio X (1908):

Que nos proíbe o quinto Mandamento: não matar? O quinto Mandamento, não matar, proíbe dar a morte, ferir, ou causar qualquer outro dano no corpo do próximo, por nós ou por meio de outrem. Proíbe também ofendê-lo com palavras injuriosas e querer-lhe mal. Neste Mandamento, Deus proíbe também ao homem dar a morte a si mesmo, isto é, o suicídio.
Por que é pecado grave matar o próximo? Porque o que mata, usurpa temerariamente o direito que só Deus tem sobre a vida do homem; porque destrói a segurança da sociedade humana, e porque tira ao próximo a vida, que é o maior bem natural que ele tem neste mundo.
Haverá casos em que seja lícito matar o próximo? É lícito matar o próximo: durante o combate em guerra justa; quando se executa por ordem da autoridade suprema a condenação à morte em castigo de algum crime grave; e finalmente, quando se trata de necessária e legítima defesa da vida, no momento de uma injusta agressão.

Fica assim reposta a verdade, que neste caso, como em tantos outros, foi ofuscada pelos clubismos políticos. E quão prejudiciais à Verdade têm sido esses clubismos... Ou tal como observou G. K. Chesterton: O papel dos progressistas é cometer erros continuamente; o papel dos conservadores é impedir que os erros sejam corrigidos.

Propriedade e Capitalismo

Jacob Rothschild e David Rockefeller

Tenho perfeita consciência de que, no nosso tempo, a palavra "propriedade" foi contaminada pela corrupção dos grandes capitalistas. Ouvindo as pessoas a falar, um homem até pode julgar que os Rothschilds e os Rockefellers estão do lado da propriedade. Mas é óbvio que eles são inimigos da propriedade; porque eles são inimigos dos seus próprios limites. Eles não querem as terras que são deles; querem as terras que são dos outros. Quando eles afastam os marcos das extremas dos vizinhos, também afastam os deles. Um homem que aprecia um pequeno campo triangular, aprecia-o por ser triangular; uma pessoa que lhe destrua esta forma, dando-lhe mais terras, é um ladrão que lhe roubou o triângulo. Um homem que disponha da verdadeira poesia da posse, deseja ver o muro onde o seu jardim confina com o jardim do vizinho; este homem não vê a forma da sua terra, senão quando vê também os contornos da terra do vizinho. É a negação da propriedade que o Duque de Sutherland seja dono de todas as terras da região; tal como seria a negação do casamento se ele tivesse todas as esposas de um harém.

G. K. Chesterton in «Disparates do Mundo», 1910.

Justiça às avessas


De facto, o mundo moderno conservou todas as partes do trabalho policial que são realmente opressivas e ignominiosas: a perseguição dos pobres, a espionagem dos infortunados. E abandonou a sua obra mais digna: o castigo de poderosos traidores contra o Estado e de poderosos heresiarcas contra a Igreja. Os modernos dizem que não podemos punir os heréticos. A minha única dúvida é se teremos o direito de punir mais alguém.

G. K. Chesterton in «O homem que era Quinta-Feira», 1908.

Disparates do Mundo


E este é o facto mais notório e mais dominante na moderna discussão das questões sociais: o facto de a controvérsia não dizer respeito apenas às dificuldades, mas também aos objectivos. Estamos todos de acordo acerca do mal; é relativamente à definição do bem que estamos dispostos a arrancar os olhos uns aos outros. Todos reconhecemos que uma aristocracia indolente é um mal; mas estamos longe de afirmar unanimemente que uma aristocracia activa seria um bem. Todos nos sentimos irritados com os sacerdotes ímpios; mas alguns de nós sentiriam profunda aversão se nos deparássemos com um sacerdote verdadeiramente pio. Toda a gente se indigna com a circunstância de termos um exército fraco, incluindo as pessoas que se indignariam ainda mais se o nosso exército fosse forte. A questão da sociedade é exactamente o oposto da questão da saúde. Diversamente dos médicos, nós não estamos em desacordo acerca da natureza da doença, concordando embora acerca da natureza da saúde; pelo contrário, todos nós concordamos que a Inglaterra está doente, mas aquilo a que metade de nós chamaria um estado de saúde pujante, repugnaria à outra metade. Os insultos públicos são de tal maneira proeminentes e pestilentos, que arrastam as almas generosas numa unanimidade fictícia; esquecemos que, embora estejamos de acordo quanto aos insultos, discordamos profundamente em matéria de elogios. O Sr. Cadbury e eu, não temos dificuldade em concordar sobre o que é um pub inaceitável; mas teríamos uma lamentável altercação se nos encontrássemos diante de um pub aceitável.
Defendo, pois, que o método sociológico habitual – começar por dissecar a pobreza abjecta ou por catalogar a prostituição – é perfeitamente inútil. Ninguém aprecia a pobreza abjecta; o problema surge quando começamos a discutir a pobreza digna e independente. Ninguém aprecia a prostituição; mas nem todos gostamos da pureza. A única maneira de discutirmos os males sociais é passarmos imediatamente ao ideal social. Todos conseguimos identificar a loucura nacional; mas o que é a sanidade nacional? Dei a este livro o título de Disparates do Mundo, e não é difícil identificar o conteúdo do mesmo. Pois o grande despropósito do mundo consiste em não perguntarmos qual é o propósito.

G. K. Chesterton in «Disparates do Mundo», 1910.

Riqueza e cerejas

Apanha da cereja no Fundão

O mundo em que a riqueza era contada em cerejas, e como tais, era consumida, estava menos sujeito à falência e ao desespero, do que o mundo em que vivemos, que depende dos especialistas em finanças, comprando e vendendo plantações de cerejas que eles nunca viram e que provavelmente nem existem.

G. K. Chesterton in jornal «G. K.'s Weekly», 5 de Dezembro de 1931.

Os humanistas


Como os modernos intelectuais desaprovam o patriotismo, uma estranha frieza e irrealidade paira sobre o seu amor pelos homens. Se lhes perguntarem se amam a humanidade, eles responderão prontamente que sim. Mas se lhes perguntarem a respeito das classes que compõem essa mesma humanidade, descobrirá que as odeiam todas. Odeiam reis, odeiam padres, odeiam soldados, odeiam marinheiros, desconfiam dos homens de ciência, denunciam as classes médias, desprezam os trabalhadores, mas adoram a humanidade. Eles falam sempre da humanidade como se fosse uma curiosa nação estrangeira. Estão a afastar-se cada vez mais dos homens para exaltar a estranha raça da humanidade. Estão a deixar de ser humanos, num esforço para serem humanistas.

G. K. Chesterton in «The Patriotic Idea», 1904.

Não são humanos, são humanistas


Tendo repugnância por todos os soldados, por todos os padres, pelos mercadores, reis e príncipes, pelos legisladores, sentindo irritação pela gente do povo, desdenhando da classe média, tendo sido sempre ensinados que os camponeses são imobilistas e supersticiosos, estando aptos a aceitar que os operários não servem como material adequado ao verdadeiro Estado Científico ou Utopia dos Intelectuais – tendo rejeitado todas as tradições humanas para cada uma das suas versões do progresso, são deixados com uma humanidade que apenas pode amar o abstracto mas dificilmente o concreto.
Não sobra muito de humanidade quando se eliminam todas as pessoas tidas como obstáculo ao progresso da humanidade. O esboço que eles traçam de um mundo sem guerra é curiosamente um esboço difícil e em branco. Eles podem fazer mapas e diagramas sobre como evitar a morte, mas não conseguem pintar quadros; isto é, quadros de pessoas alegres que aproveitam a vida.

G. K. Chesterton in «The Illustrated London News», 9 de Outubro de 1926.

Contra a vã curiosidade


Não procures saber o que excede a tua capacidade, e não especules o que ultrapassa as tuas forças (intelectuais), mas pensa sempre no que Deus te mandou, e nas muitas obras Suas não sejas curioso. Porque não te é necessário ver com os teus olhos o que está escondido.
Não te apliques a esquadrinhar com ânsia as coisas supérfluas, e não indagues com curiosidade as diversas coisas de Deus. Porque muitas coisas te foram reveladas, que excedem a inteligência humana. A muitos enganou a falsa opinião que formavam delas, e as suas conjecturas sobre tais coisas conservaram-nos no erro.

Eclesiástico III, 22-26

Um muro entre os EUA e o México é uma loucura?

Sim?! Ora então vejam três casos de loucura bem conhecidos em todo o mundo:


Grande Muralha da China – Construída por chineses xenófobos que não queriam ser culturalmente enriquecidos pelos mongóis.


Muralha de Adriano – Construída por romanos xenófobos que não queriam ser culturalmente enriquecidos pelos pictos.


Muralha Leonina do Vaticano – Construída por católicos xenófobos que não queriam ser culturalmente enriquecidos pelos muçulmanos.

Aos defensores da abolição de fronteiras entre Estados, proponho que sejam coerentes e apliquem a mesma ideia à vossa própria casa, abolindo todas as fronteiras (portas, janelas, etc.) que vos impeçam de ser culturalmente enriquecidos.

Enfim... Tal como disse G. K. Chesterton: Chegará o dia em que teremos de provar ao mundo que a erva é verde.

O inimigo mais perigoso é o sofisma, e não a espada


Tudo isto não obstante, como não reconhecer que o inimigo mais perigoso do Catolicismo não é a espada, mas o sofisma, não é a ameaça, mas a mentira, e que Marat ou Calles fizeram muito menos mal às almas do que Voltaire ou Kant? A terribilidade de um inimigo não se mede pelo vigor com que se serve da espada, mas pela agilidade com que manuseia a pena.

Plinio Corrêa de Oliveira in «Legionário», 29 de Junho de 1941.

O mal absoluto não existe, mas...


É claro que todo o erro tem lados verdadeiros, positivos; não há erro em estado puro, assim como o mal absoluto não existe. O mal é a corrupção de um bem; o erro é a corrupção da verdade, mesmo sendo evidente que a pessoa má ou errada conserva a sua natureza, as suas qualidades naturais, algumas verdades. Mas há grande perigo em tomar este resto de verdade não atingido pelo erro como base. O que deveríamos pensar de um médico que, chamado para assistir um doente grave chegasse dizendo: "Ainda há muita saúde neste doente, isso é que conta." Você poderia objectar: "Mas é melhor examinar a doença antes que ele morra!" E o médico a insistir: "Ah! Mas ele não está tão doente. Além disso o meu método de trabalho consiste em não prestar atenção à doença dos meus pacientes: isso é negativo. Eu volto-me para a saúde que lhes resta." Então, diria eu, deixemos que morram os doentes! O resultado é que à força de se dizer aos não-católicos ou aos não-cristãos: "Afinal vocês têm uma consciência recta, vocês têm meios de salvação", eles acabam acreditando que não estão doentes. E depois, como os converter?

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

O triunfo dos porcos



Hoje não há uma só blasfémia ou imoralidade que seja proibida... Uma obra moderna pode consistir numa dança desenfreada de todos os demónios e de todos os porcos. Pode incluir qualquer coisa e qualquer pessoa, excepto alguém capaz de exorcizar os demónios e espantar os porcos.

G. K. Chesterton in «On Lying in Bed and Others Essays».

Os dogmáticos modernos


O mundo moderno encontra-se repleto de homens que defendem dogmas tão avidamente que nem se apercebem que são dogmas.

G. K. Chesterton in «Hereges», 1905.