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A tolerância e o comércio


A tolerância, dizem os Iluminados, enriqueceu o comércio e faz florescer o Estado. Estão enganados, lhes respondo eu, e estupidamente enganados. O que por meio do comércio enriquece o Estado são as próvidas ordenações, a sagaz perícia, a indústria laboriosa, e a economia prudente, a boa-fé incorrupta, a abundância dos géneros, e das manufacturas: eis aqui o que faz florescer o Estado pelo comércio, e não a tolerância de toda a Religião e irreligião. Viram-se Estados tolerantes sem comércio, e Estados intolerantes de grande comércio e riquezas; baste Portugal para exemplo, e houve Estados em que a tolerância contribuiu para empobrecer os domésticos e enriquecer os estranhos. Se para o comércio mais florescente é precisa alguma tolerância, é a tolerância de outra Religião, e não a tolerância da irreligião, e a gente útil para o comércio não são os Doutores do Epicurismo e do Ateísmo, são homens a quem basta a tranquilidade na crença em que foram educados, porque eles em seus tráficos também se não embaraçam com a crença dos outros. Aqui podia ter lugar a questão sobre o negócio dos Livros, que tão recomendado tem sido pelos Iluminados. Direi a este respeito uma palavra só: os Livros são para a alma o que são os alimentos para o corpo; é justo que haja abundância ou fartura de uns e de outros. Vigia-se com cem olhos para que sejam são os alimentos que sustentam o corpo, parece que também deve haver algum cuidado que não sejam pestilentes os alimentos da alma. Não são os Iluminados os que devem dar Leis a este respeito; isto toca a uma prudente e religiosa política; esta deve ordenar as coisas de tal maneira que o comércio aproveite sem que o Cristianismo padeça; nem se estraguem os bons costumes que são mais proveitosos à República [= coisa pública, Estado] que todos os tráficos.

Pe. José Agostinho de Macedo in «Refutação dos Princípios Metafísicos e Morais dos Pedreiros Livres Iluminados», 1816.

Os Sebastianistas


Todos os homens de siso se agastam e enjoam até de ouvir falar em Sebastianistas, e têm razão. Na História universal da Demência humana, ainda não apareceu, nem aparecerá, um delírio semelhante. Custa a compreender como se haja podido arraigar e dilatar esta pueril credulidade, que se pode ter alguma desculpa nos anos próximos à morte e fatal desventura do Augustíssimo Senhor Rei D. Sebastião, que santa glória haja, é impossível que a encontre agora diante do Tribunal da Razão. Esta importuna Seita reverdeceu na entrada dos nossos pérfidos Opressores [Invasões Francesas]; e com um furor estúpido, de que me parecia não eram capazes os Portugueses, começou a apropriar certas trovas cediças, importunas, baixas, a El-Rei D. Sebastião e a Bonaparte, objecto novo e nunca encontrado, ou designado nos anais Sebásticos. Por mais que o tempo, os sucessos e a boa razão desmintam a Seita, se multiplica com uma teima tal, que obrigou a lançar por escrito as seguintes reflexões. Tudo o que pertence às trovas, seus autores e aplicadores, se acha com exuberância na douta Obra – Dedução Cronológica e Analítica – Os livros que os Sebastianistas citam, como Profecias do Bandarra, Restauração de Portugal prodigiosa, Vida do Sapateiro Santo Simão Gomes, se acham condenados e proscritos pela Real Mesa Censória. O rectíssimo Tribunal do Santo Ofício condenou muitos dos fautores e assoalhadores das supostas Profecias, como Réus que atentaram contra a majestade e santidade da Religião. Por estes motivos, e pela obrigação de bom Patriota, o que tenho feito conhecer por escritos, e de viva voz em sagrados discursos ao Povo, e o atestarei com a vida, sendo preciso para conservação e defesa da nossa Pátria, da nossa Religião, e do nosso Monarca, julguei conveniente desabusar esta Seita de crédulos, que na verdade são prejudiciais à pública segurança, e defesa do Reino, enquanto fiados nas ridículas Profecias permanecem indolentes para tudo: declarando que não é meu intento ofender e ultrajar pessoa alguma em particular, não só por motivo da caridade Cristã; mas porque quem escreve, só deve – Parcere personis, loqui de vitiis.

Pe. José Agostinho de Macedo in prefácio a «Os Sebastianistas», 1810.

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O messianismo político do Judeu levou à degeneração da antiga religião Mosaica em Farisaísmo, e mais tarde à criação de novas formas de messianismo redentor temporal, como é o caso do Sionismo e do Comunismo. Pela sua essência messiânica terrenal, parece-nos que o Sebastianismo e o mito do 5º Império, são também excrescências judaicas típicas de cristãos-novos portugueses, que, apesar de convertidos, conservaram certos elementos mentais judaicos. Fernando Pessoa deve ser o melhor exemplo de cristão-novo sebastianista.

A tripa virada


Para governar os homens é preciso conhecer como os homens são, e não como em teorias filosóficas eles podiam ser. Tudo o que se não derivar deste princípio será um erro que acabará em desgraças. As leis com que por tantos séculos se governaram os Povos, foram feitas com a prévia observação até de suas mesmas inerentes imperfeições, a elas se acomodavam, e delas mesmas se prevaleciam para buscarem, e conseguirem a felicidade geral e particular dos mesmos Povos. Não se pode entender a ideia sociedade, que se não entenda um corpo moral que supõe logo governantes e governados: como se não pode considerar o corpo humano orgânico e perfeito, sem membros e cabeça, e sem se pressuporem leis físicas pelas quais se harmonizem e se governem. Estas leis são conformes, não à ideia abstracta de uma perfeição hipotética, mas ao estado real do mesmo composto humano; na mesma proporção devemos considerar o composto moral que se chama sociedade, por isso as Leis devem ser conformes ao estado actual e não ao hipotético. Este conhecimento prático tiveram todos os Legisladores do Mundo, excepto os Pedreiros-livres e a sua infernal reforma, os Carbonários. Há quase dois séculos que o inglês Hobbes concebeu o projecto do melhoramento das humanas sociedades com uma nova Constituição: este projecto foi concebido com boa-fé; tratado e expendido depois por outros Filósofos que seguiram seus passos, abraçando e explicando mais a sua doutrina, e em França, e pela Europa toda a estendeu e assoalhou João Jacques, e também, como eu suponho, de boa-fé. Os Pedreiros-livres, e após eles os bons Primos Carbonários, acharam aqui um caminho e um poderoso instrumento para diabólicas vistas de ambição e de domínio, pois o primário intento e fito da Veneranda, é escravizar a Terra, roubar sem cerimónia nenhuma todos os bens deste Mundo, e reduzir a cinzas os Tronos e os Altares. Para o conseguirem (e isto está demonstrado com evidência no livro que se chama o Espectador) arbitraram Constituições, ou complexos de princípios Legislativos refalsados; e capciosos, que lisonjeassem e beliscassem a paixão mais natural aos homens, a inata vaidade que se fomenta pela fantástica ideia de grandeza, de dignidade, de Soberania, e de Liberdade, tudo isto querem os homens, e contentando-se só com as palavras, sem lhe sondarem e analisarem o sentido, se deixam cair nas peãs e nos laços que os deixam depois escravos sem Liberdade e sem camisa, e prometendo-lhes grandes bens, não vem a sentir por fim mais que grandes males e grandes desgraças, e os Pedreiros-livres que os lograram dando pasto à sua ambição, vem a sentir grandes venturas e grandes opulências, porque o fundamento da sua apurada moral é este: «Nada importam os meios, contanto que se consigam os fins». A escravidão, a pobreza, o extermínio, a miséria, o sangue, a morte, o transtorno, a desolação, as masmorras, os cadafalsos, as lágrimas, a orfandade, a viuvez, o luto, a tristeza, a confusão, a anarquia, tudo isso são bagatelas contanto que a Veneranda venha a dominar e a roubar todo o género humano.

Pe. José Agostinho de Macedo in «A Tripa Virada», Nº 3, 1823.

O Rei e a Lei


Quando entramos bem no conhecimento da Filosofia da História, só pelos seus testemunhos e pela observação dos factos em suas páginas consignados, conhecemos que o Governo mais perfeito, e por isso mesmo o mais duradouro e consistente, é o Governo de um só, isto é, de um Rei não electivo, mas hereditário; e quanto mais se conservar uma Dinastia, mais segura se conservará a felicidade de uma Nação. As Leis, que a constituem, fogem da condição das coisas do Mundo, a quem a sua longa duração faz caducar: estas Leis, quanto mais remota é a Época da sua origem, mais seguras se tornam em sua existência.

Pe. José Agostinho de Macedo in «A Besta Esfolada», Nº 23, 1829.

A justa oposição dos Povos


Os Povos que, enfim, não são tão tolos como eles os querem fazer, ou querem que sejam, começam a desconfiar de tanta manteiga e de tão palavrosos Impostores; e pelo que eles começam a fazer e a decretar, conhecem que o fim máximo destes perturbadores do sossego das Nações é roubar e dominar; a reacção é igual à compressão, e a elasticidade moral é mais valente que a elasticidade física; e por um impulso natural, e unânime recalcitra, e diz altamente que não está para aturar uma cambada de Arlequins e Saltimbancos, uma caterva de Tira-dentes, que ainda até agora, por quase quarenta anos, não dizem senão o mesmo, não tem outras frases, outra linguagem na França, na Espanha, em Nápoles, no Piemonte, e nas margens do Tejo cristalino, embutindo a mesma descosida arenga, ou nariz de cera de Médico, ao Botocudo n'América, e a este seu Criado no Forno do Tijolo. Universaliza-se e pronuncia-se esta justíssima oposição, porque os Povos, enfim, antes querem estar pelo que lhes prometia o Homem das Botas e o Gigante Voraz, do que pelo que promete esta Horda de amotinadores, que arrancam as Nações do seio da tranquilidade, aluindo-lhes os alicerces da ventura social, firmados nos antigos costumes, nas antigas Leis: fossem embora um jugo de ferro, ninguém se queixava a estes Senhores, e ninguém lhes encomendava tal Sermão; e se alguém lho tinha encomendado, que lho pagasse.

Pe. José Agostinho de Macedo in «Cartas de José Agostinho de Macedo a seu amigo J.J.P.L.», 1827.

Portugal: Nação Fidelíssima


Feliz a Nação que, não ignorando os seus direitos tão autorizados, jura obediência ao seu Rei e o alivia do peso enorme d'um governo absoluto, como acontece ao Pai que tem filhos discretos e bem governados. Feliz a Nação que jura obediência a uma Religião Santa e às Leis fundadas em justiça e caridade; recompilação perfeita de todos os preceitos da Lei escrita e da Lei da graça: obra imortal, de que só um Deus podia ser o Autor, a quem só pertence a regeneração dos homens, que Ele criou para Si, como centro da imortalidade.

Pe. José Agostinho de Macedo in jornal «O Escudo», Nº 1, 1823.

O Pai e o Rei


Pai e Rei são palavras sinónimas: Filhos, ou súbditos, têm a mesma significação – Pai é o legislador, que recebeu todo o poder para o governo e direcção da sua família, por meio da razão, ou da Lei escrita no coração do homem.

Este poder é transmissível, quando o requer o bem da família, ou seja pelo instinto social, ou pelo desejo de comunicar seus pensamentos uma alma racional, ou pelo medo e temor dos adversários da vida, ou pela força, ou por qualquer outro motivo d'atracção, sobre que são baldadas as disputas ou entretimentos.

O certo é o poder dos Pais sobre os Filhos, e o poder dos Reis sobre os súbditos: não são diversos direitos, ou poderes; são idênticos; o Rei não pode mais que o Pai: estes poderes não foram concedidos, como privilégios, mas só ao fim da conservação das famílias.

Nasceram os homens em dependência absoluta de seus progenitores, até ao tempo em que possam trabalhar, e ganhar o pão com o suor do seu rosto: lei formidável, mas necessária para expiação, e regeneração da carne corrompida pelo pecado: o que não escapou ao Filosofismo natural d'um Platão, e outros homens ilustrados pela revelação primitiva, ou por dom da graça, que não é tão restrita, como pensam muitos homens.

Esta dependência peculiar do género humano, não converteu em coisas as pessoas, mas produziu o direito paternal, o mais sagrado de todos os direitos, para criar, educar e vigorizar a sua descendência, que deve crescer e multiplicar-se, enquanto couber na terra: esta é a força da palavra "replete" escrita no Génesis, que deve entender-se por faculdade de propagar-se.

Pe. José Agostinho de Macedo in jornal «O Escudo», Nº 1, 1823.

A Moral tem de preceder a Política


A imoralidade frustrou esta regeneração, e se Deus não prometesse que nunca mais afogaria os homens, seriam tantos os dilúvios, como as tempestades; porque a Liberdade de que tanto se vangloria o ser humano, só lhe serve de pasto e de estímulo para aniquilar-se.

É portanto muito dificultosa uma regeneração política, não sendo precedida de uma regeneração moral, sustentada pela força, que é o que significa o auxílio de braço secular prometido à Igreja: não se ofende a liberdade quando se obriga o homem a fazer o que deve: este direito é o de Pai de famílias no estado primitivo, e bem se sabe que os sacrifícios eram os mesmos enquanto ao objecto, ou fossem bons, ou fossem maus os sacrificadores, donde se infere o poder paterno na direcção do culto ao Autor da Natureza.

Pe. José Agostinho de Macedo in jornal «O Escudo», Nº 1, 1823.

Sobre a supressão dos Jesuítas em 1759


Alguns caluniadores de Portugal costumam apontar a expulsão dos Jesuítas como a "grande prova" de como Portugal estava dominado pela maçonaria no tempo do Marquês de Pombal e era, por isso, a maior desgraça do mundo. Mas a verdade é que, longe de ser caso único, a Companhia de Jesus foi igualmente expulsa da católica França, da católica Espanha, da católica Áustria, da católica Nápoles, da católica Parma e da católica Malta, tendo sido universalmente extinta pelo Papa Clemente XIV, em 1773. À bula de extinção papal, resistiram os Jesuítas da protestante Prússia, da cismática Rússia e da liberal América do Norte. Curioso, não?! Mas vejamos qual a opinião do Padre José Agostinho de Macedo:
Foi legal a extinção dos Jesuítas pela repugnância com que obedeciam ao seu Soberano, muito bem provada na teima arrogante com que o seu Prelado se atreveu a instar ao Marquês de Pombal, para não ter efeito o Real Decreto que mandou passar revista da fazenda que lhes vinha das conquistas e Reinos estrangeiros, ameaçando ao dito Marquês com estas palavras: «Advirta Vossa Excelência que a Companhia é uma bola». Ao que tornou aquele Ministro: «Entendo perfeitamente a vossa Reverendíssima e convenho em que a Companhia é uma bola, mas desfalcada não anda, amesenda».
Ainda instava aquele Reverendíssimo para se lhe restituir o privilégio exclusivo: mas aquele imortal Ministro o despediu bruscamente, dizendo-lhe que era contra o serviço de Sua Majestade continuar a ouvi-lo. Este erro indesculpável e muitas opiniões suspeitosas de alguns membros daquela sociedade: e mais que tudo as cartas que ditou o grande génio de Mr. Pascal, aprovadas por toda a Europa: assim como a ilustração e Santidade de Clemente XIV, são o processo justo e irresistível daquela sociedade.
Mas como os bens da mesma sociedade haviam sido doados para o culto Divino, não aproveitaram aos possuidores, nem aos que lhe sucederam: tal é a natureza daquele sagrado depósito, que sempre envenena aos que indignamente o comem; à imitação do pomo proibido, cujo apetite e uso corrompeu todo o género humano: é vulgar e muito antigo o dito que os bens alheios não chegam a terceiro possuidor.
Pe. José Agostinho de Macedo in jornal «O Escudo», Nº 4, 1823.

Mais livros recomendados


Tenho o prazer de anunciar aos leitores, que acrescentei na coluna da esquerda do blogue mais quatro obras de leitura. São elas:

Cartas de um Português aos seus Concidadãos de José Acúrsio das Neves.
Defesa de Portugal do Padre Alvito Buela Pereira de Miranda.
O Mastigóforo de Frei Fortunato de São Boaventura.
Refutação dos Princípios Metafísicos e Morais dos Pedreiros Livres Iluminados do Padre José Agostinho de Macedo.

Estas obras são de grande valor, indispensáveis a qualquer patriota e tradicionalista autêntico. Os seus autores, não foram meros escritores de realidades passadas, foram sim testemunhos dos avanços liberais contra os quais lutaram e de quem foram vítimas. Eles, melhor do que ninguém, conheceram e combateram a infiltração maçónico-liberal, dando-nos assim todas as munições necessárias contras os erros modernos, incluindo os que hoje se fazem passar por tradicionalistas. Por isso, aproveitem.

Quem te manda a ti, sapateiro...


Sapateiro, dizia Apeles, não te adiantes além dos sapatos. Louca presunção, da qual nem os maiores nomes vão isentos! "Eu sou grande Físico, grande Geómetra, grande Político, grande Orador, grande Poeta; logo como sou isto, também sou grande Teólogo". E porque não dizem também grande músico, e grande pintor, e para concluir ainda melhor, grande ridículo? Com efeito, este grande Teólogo me dirá, o que já me disseram os Pedreiros, que as controvérsias entre Cirilo e Nestório, entre Atanásio e Ário, eram controvérsias, ou questões de puro nome. Invenção aguda, e nova! Logo, é uma questão de nome, ou uma inépcia, deixar, ou tirar a ambiguidade, debaixo de cujos véus se esconde o erro!

Pe. José Agostinho de Macedo in «Refutação dos Princípios Metafísicos, e Morais dos Pedreiros Livres Iluminados», 1816.

Rei sem Soberania não é Rei

D. Miguel, o último Soberano

Os que julgaram e até escreveram, que na Monarquia Constitucional a Soberania era exercida colectivamente pelo Rei e pelas Câmaras, ou Câmara, enganaram-se e sinceramente se iludiram. A Soberania é uma, e nestes papéis o tenho dito, é uma e indivisível, e deve sempre encontrar-se e existir em um só ponto. Só o poder que decide definitivamente uma questão é o verdadeiro Soberano. No caso de uma oposição entre o Rei e a Câmara dos Deputados, as Fórmulas chamadas Constitucionais, colocam naturalmente a Soberania na Câmara, porque a Câmara tem o poder legal de rejeitar tudo sem apelação. O Rei que quiser conservar o Poder Soberano, não tem outro recurso mais do que a força que destrua ou suspenda a Constituição.

Pe. José Agostinho de Macedo in «O Desengano», Nº 14, 1831.

Constituição não escrita da Monarquia Portuguesa


Vejamos por esta Constituição que é indestrutível na essência da nossa Sociedade Civil o que é, foi e será o nosso Rei, e quais suas inditas atribuições. Os nossos Reis têm o poder Legislativo; deles imediatamente emana e se deriva toda e qualquer jurisdição. Tiveram sempre o poder de fazer Justiça e de a mandar fazer por seus Ministros. Tiveram sempre o direito de perdoar, de conceder privilégios e recompensas, de dispor dos Ofícios, de conferir Nobreza, de convocar e dissolver as Cortes da Nação, conforme seu poder, prudência e sabedoria lhes dissessem que hão mister de fazer a paz e a guerra, de formar e de reformar os Exércitos. Os nossos Reis como Legisladores supremos, ainda no meio das Cortes que eles convocam e despedem, falaram sempre afirmativamente quando publicaram as Leis que temos escritas.

Pe. José Agostinho de Macedo in «Refutação Metódica das chamadas Bases da Constituição Política da Monarquia Portuguesa», 1824.