Mostrar mensagens com a etiqueta Direita. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Direita. Mostrar todas as mensagens

Da proibição do véu islâmico

Portuguesa

Alguns direitistas (i.e. republicanos de direita) rejubilam quando em França a República proíbe o uso de véu islâmico. Julgam eles que essa é uma medida em prol da Civilização, da Europa e das Nações. Mas enganam-se. A República que proíbe o uso de véu islâmico é a mesma República que proíbe o uso de crucifixos. Pelo que tais restrições ao véu não são feitas em favor dos nossos bons costumes e tradições europeias. São medidas liberais feitas em prol do Laicismo e do Maçonismo, que visam neutralizar o "extremismo" para favorecer um "moderantismo" bastardo e aglutinador.
Lembrem-se os direitistas que o uso de véu ou lenço na cabeça, não é algo anti-europeu. Pelo contrário, se observarem como se vestiam os nossos antepassados, concluirão que as modas modernas é que são anti-europeias.

Não precisamos de pragmáticos


Surgiu no nosso tempo uma moda muito peculiar: a ideia de que, quando as coisas estão a correr muito mal, do que nós precisamos é de um homem pragmático. Ora, é bastante mais correcto afirmar que, quando as coisas estão a correr muito mal, do que nós precisamos é de um homem que não seja pragmático; precisamos, pelo menos, de um teórico. Um homem pragmático é um homem que só conhece a prática do dia-a-dia, o modo como as coisas habitualmente funcionam. Quando as coisas não funcionam, temos de recorrer ao pensador, ao homem que tem algum conhecimento da razão pela qual elas funcionam. É má ideia tocar harpa enquanto Roma está a arder; mas é uma excelente ideia estudar hidráulica enquanto Roma está a arder.

G. K. Chesterton in «Disparates do Mundo», 1910.

"Fascismo" em todo o lado


Por razões de estratégia política, o marxismo militante divulgou a tese que confundia todos os movimentos políticos ou atitudes de direita, que a ele se opusessem, debaixo da mesma designação – Fascismo – até porque esta ideologia fora estrondosamente derrotada na II Guerra Mundial pelos aliados, gerando assim uma reacção primária contra os visados. Se bem que se possa entender tal atitude numa perspectiva de combate político, ela é inaceitável do ponto de vista histórico e politológico. A ciência existe para distinguir e classificar e não para baralhar e confundir.

António de Sousa Lara in «Da História das Ideias Políticas à Teoria das Ideologias», 1994.

Libelo contra a direita conservadora


Não se trata de defender uma atitude de pura destruição, nem de anarquismo, nem de futurismo desgarrado, nem de progressismo utópico ou que vai sumir-se no ventre da esquerda, nem de revolução total e cega. Existem valores permanentes, realidades a conservar, naturezas a assumir, existem coisas que se transmitem, com justiça, através dos tempos e no concreto.
O que eu combato é a posição de rotina e o materialismo prático. (...)
Dizem que o conservador pertence às direitas. Talvez, mas então será a sua degradação e caricatura, a sua doença e o criminoso da família. Porque nem toda a direita é aquilo. (...)
A direita conservadora quer a tranquilidade e a segurança – e para isso venderá a alma ao diabo e acabará enterrando na adega quantos ideais houver. Não admite é sobressaltos, violências, extremismos. Tem um arrepio e lança uns protestos indignados, quando conspurcam as glórias pátrias, atacam a nossa herança ultramarina, fazem a demolição ciclónica da religião, ameaçam frontalmente dissolver a família, ou clamorosamente, em regabofe, praticam e trombeteiam o amor livre. Mas se a coisa vier docemente, empantufada, com flores e por aliciantes arroios – com boas maneiras, sim! –, já o caso muda de figura. A direita conservadora fica a escutar violinos, ao canto da lareira, a ver televisão ou ronronando, tolera, fecha os olhos, abranda, deglute o bolo às migalhas e acaba por ser habituar. Sobressaltos, violências, extremismos é que não!
A direita conservadora é moderada. Claro que existem coisas más, feias, indignantes. Mas não é preciso reagir de dentuça arreganhada, ao tabefe e com pulso de ferro, ou de arma aperrada e fulgurante. Claro que o espírito e o ideal são precisos e bons; mas não exageremos, nem vamos perder o sossego e o bem-estar, em aventuras, perigos e aflições, por causa das ideias, de espiritualismos e quejandos enxoframentos de adolescente cabeça ardorosa.
A direita conservadora não quer pensar muito; nem sentir muito. Disso, um condimentozinho apenas; q.b. Livra!, que doses altas podem tirar o sono ou dificultar a digestão! Portanto, adoram um governante que pense por ela, como ela sensatamente, tolerante, de fino trato, prático, livre da terrível praga da ideologia; e que sinta? Também sim, que sinta que ela, direita conservadora, não quer sobressaltos e que não se importa de deslizar para qualquer banda, no caso de ser sem prejuízos materiais e sem violências. A direita conservadora é centrista e, assim, voga, beatamente, se preciso, segundo os ventos da História – mas sem o dizer.
A direita conservadora é um molusco. E no entanto, resulta num penhasco gigantesco e obstrutor para o movimento (...) de Justiça e Ideal.

Goulart Nogueira in «Política», n.º 19, 30 de Setembro de 1970.