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Vitória admirável de D. Afonso Henriques em Palmela


Sendo o grande Rei Dom Afonso Henriques já de setenta e um anos de idade, assim andava envolto nas facções militares contra os infiéis, como se estivera no ardor dos primeiros anos. No de 1165 conquistou a Vila de Sesimbra, fortíssima então; E quando já estava capitulando, destacou das suas tropas sessenta de Cavalo e um pequeno esquadrão de Infantes, com intento de dar uma vista ao Castelo de Palmela, naqueles tempos inexpugnável. Vinha pelo mesmo caminho a socorrer Sesimbra, o Rei Mouro de Badajoz, e trazia quatro mil de Cavalo e sessenta mil de pé; E como os inimigos entendiam que o nosso Rei estava ainda sobre Sesimbra, nesta consideração marchavam sem ordem e sem temor de algum acometimento. Viu El-Rei aquela multidão tumultuária e confusa, e logo se inflamou em tão elevados e generosos brios, que dando de esporas ao cavalo, enristando a lança, mandou aos seus que o seguissem. Só a resolução, neste caso, merecia elogios imortais; Mas o sucesso assim correspondeu a ela, que, postos os Mouros em confusão, entendendo que tinham sobre si todo o poder dos Portugueses, voltaram as costas, e tropeçando uns em outros, foram destroçados inteiramente. Sucedeu esta milagrosa vitória neste dia [21 de Fevereiro], no ano acima referido, e pouco depois, se rendeu o Castelo de Palmela, mais à fama de tão ilustre feito, que aos impulsos de alguma expugnação.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Dom Soeiro Gomes


Dom Soeiro Gomes, Bispo de Lisboa, Varão de extremada virtude e de insigne valor. Promoveu e conseguiu a conquita de Alcácer do Sal, pelos anos de 1219. Depois, se retirou a Santarém, e recebeu o hábito da sagrada Religião dos Prégadores, que então começava a florescer. Ali morreu santissimamente neste dia [29 de Janeiro], ano de 1232.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Martim Moniz na reconquista de Lisboa aos Mouros


Durou o combate seis horas contínuas, em que se pelejou com fúria desusada. Morreu Martim Moniz à entrada da porta que conserva o seu nome, parte mais arriscada por onde os Portugueses acometeram. Uns dizem que tendo os nossos entrado na Cidade e sendo rebatidos dos Mouros que pretendiam fechar outra vez aquela porta, pelejou com tanto valor o esforçado Capitão, até que perdendo a vida, fez de seu corpo ponte para os nossos passarem, e impediu aos Mouros seu intento. Outros querem que sendo ferido na entrada desta porta de um golpe mortal, foi milagrosamente seguindo e ferindo os Mouros com a cabeça meia cortada até cair morto na outra parte do Castelo, para onde fica a Igreja do Apóstolo Santiago. De qualquer modo, se teve sua morte por notável, e em um nicho sobre a mesma porta se mandou pôr uma cabeça de pedra, que ainda hoje se conserva em memória sua. Honrosa lembrança e justa remuneração devida a quem com tanta glória ofereceu a vida pela Fé e honra da Pátria, na entrada da maior Cidade, no lugar de maior dificuldade.

Frei António Brandão in «Terceira parte da Monarquia Lusitana: Que contém a História de Portugal desde o Conde Dom Henrique, até todo o reinado d'el-Rei Dom Afonso Henriques», 1632.

D. Sancho derrota o Rei mouro de Sevilha


Desejando El-Rei Dom Afonso Henriques que seu filho primogénito, o Infante Dom Sancho, não perdesse os brios na ociosidade da paz e se costumasse a pelejar e vencer, lhe mandou que fizesse uma entrada em terra de Mouros pela parte de Andaluzia. Saiu o Infante de Coimbra, e no meio da Ponte se despediu de El-Rei, seu pai, e lhe beijou a mão, com semblante tão alegre e com palavras tão cheias de espírito militar, que bem asseguravam a vitória antes da batalha. Passou à Província do Além-Tejo e dali entrou por Andaluzia, e chegou a avistar a famosa Cidade de Sevilha; O Rei que era daquela Cidade e o mais poderoso dos que então havia em Espanha, picado da resolução do Infante, lhe saiu com um Exército de mais de trinta mil combatentes; Constava o nosso de dois mil e trezentos de cavalo e quatro mil de pé, mas escolhidos e bem disciplinados e costumados a vencer. Atacou-se a batalha com grande valor de uma e outra parte, e sobre o esquadrão do Infante caiu tanto peso de inimigos, que se viu em perigo manifesto de perder a vida, ou a liberdade; Correram em sua defesa os principais senhores Portugueses, e à imitação do seu Príncipe, e por seu respeito, obraram estupendas proezas; Até que, lançado por terra o estandarte d'el-Rei de Sevilha e represadas muitas bandeiras dos Mouros, foram estes postos em fugida, com tanta mortandade, que por muitas horas correram envoltas em sangue bárbaro as águas do celebrado Bétis [Rio Guadalquivir]. Colheram os Portugueses riquíssimos despojos, e mais cheios ainda de fama que de riquezas, voltaram para o Reino a lograr os frutos e parabéns de tão insigne vitória, sucedida neste dia [5 de Novembro], ano de 1178.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

A Porta de Martim Moniz


A Porta de Martim Moniz é a que fica no postigo de fronte de N. Senhora da Graça, por detrás do Castelo de Lisboa. Ficou-lhe este apelido do insigne Capitão Martim Moniz, que foi morto pelos Mouros na tomada de Lisboa, o qual, abrindo-se a porta, se lançou no meio dela, para que, ficando o corpo atravessado, não pudessem os Mouros fechá-la, e ali o mataram, ficando aquela porta sempre aberta ao eterno triunfo da sua fama.

Pe. D. Rafael Bluteau in «Vocabulário Português e Latino», Tomo VI, 1720.

São Martinho de Soure


Neste dia [31 de Janeiro], passou a melhor vida, cheio de trabalhos e merecimentos, o Servo de Deus Martinho, Prior ou Vigário de Soure. Viveu os primeiros anos entre religiosos exemplos, no Convento de Santa Cruz de Coimbra, onde aprendeu altas lições da perfeição Evangélica. Feito Sacerdote, se aplicou a reedificar a Igreja e Vila de Soure, pouco antes destruídas pelos Mouros: Nesta obra padeceu excessivo trabalho, acudindo ao mesmo tempo a apascentar as suas ovelhas com fervorosa caridade. Em uma entrada dos Mouros foi cativo e levado a Santarém, depois a Évora, depois a Sevilha, e ultimamente a Córdova. Era sem dúvida disposição superior, que lhe variassem os lugares do seu cativeiro, para que os Cristãos, cativos neles, tivessem na sua pessoa e companhia, doutrina e consolação. A todos confortava na Fé, a todos servia, a todos animava, sendo universal benfeitor de todos. Nestes gloriosos empregos do amor de Deus e do próximo, o achou a morte, e por ela livre do cárcere do corpo e do cativeiro, voou sua ditosa alma a lograr a felicidade que não tem fim.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Tomada de Beja aos Mouros


Havia posto El-Rei Dom Afonso Henriques à sua obediência a antiga Cidade de Beja; Porém os Mouros, que só guardam fé enquanto a não podem violar, logo que puderam, sacudiram o jugo Português. Fernão Gonçalves, Cavaleiro valeroso daqueles tempos, tratou com grande segredo, que foi admiravelmente guardado, com outros Capitães de a tomar aos Mouros, como fizeram por assalto na noite deste dia [30 de Novembro], ano de 1162, com copioso sangue e horrível confusão dos defensores, que de nada menos se temiam naquela hora.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Milagre na reconquista de Alcácer do Sal


Haviam os Mouros recuperado a Vila de Alcácer do Sal, depois de conquistada por El-Rei Dom Afonso Henriques, e a fortificaram de modo que parecia ficar insuperável a todos os meios de expugnação que havia naqueles tempos; Mas Dom Sueiro, Bispo de Lisboa, Prelado de igual virtude e valor, aproveitando-se da ocasião de haver chegado ao porto da mesma Cidade uma poderosa Armada do Norte; Ajustando-se com os Capitães dela, partiu à Conquista daquela Praça, e os Estrangeiros navegaram ao porto de Setúbal, e daí pelo Rio acima, em embarcações ligeiras, se foram incorporar com os Portugueses; seguindo uns e outros o mesmo fim, por diferente caminho. Tiveram os inimigos notícia antecipada, e reforçando novamente os reparos, se preveniram à defesa, implorando ao mesmo tempo os socorros dos Reis de Badajoz, de Jaén, de Córdova, e de Sevilha; os quais, com um Exército de quinze mil Cavalos e oitenta mil Infantes, vieram em demanda dos Cristãos; E atacando-se a batalha neste dia [10 de Setembro], ano de 1217, foram estes vencidos e derrotados com grande perda. Dividiu-os a noite e o sucesso os encheu, a uns de alegria e alvoroço, e a outros de dor e confusão: Choravam os Católicos o fracasso, temiam outros maiores, e levados da aflição, a que na Terra não achavam fácil remédio, puseram os olhos no Céu: Eis que de repente, se lhes representou no ar, a pouca distância, o salutífero sinal da Cruz, mais luminoso e claro que o mesmo Sol: Foi visto e adorado de todos os soldados do Exército, naturais e estrangeiros, e todos conceberam firme esperança, de que no dia seguinte haviam de vencer e derrotar aos inimigos da mesma Cruz, que agora se lhes oferecia aos olhos, como sinal e penhor de uma felicíssima vitória.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Geraldo Sem Pavor reconquista a Cidade de Évora


Pelos anos de 1160 seguia a Côrte do nosso primeiro Rei Dom Afonso Henriques, Geraldo Geraldes, Cavaleiro de ilustre sangue, a quem chamavam Sem Pavor pelo ânimo intrépido com que se arrojava aos maiores perigos. Sucedeu cometer um crime, e não se dando por seguro nas terras d'El Rei, fugiu para o Alentejo, Província que os Mouros então dominavam em grande parte. Não lhe faltaram companheiros, e formado com eles um competente esquadrão, se sustentavam e mantinham à ponta da lança, roubando a Mouros e a Cristãos. Neste exercício passaram alguns anos e cada vez se ia engrossando mais aquele corpo: Porque sempre são muitos os que prezam mais a liberdade da vida, que os escrúpulos da honra. Só o nobre Capitão revolvia no ânimo o nobre pensamento de executar uma empresa tal, que bastasse a lhe esquecer as culpas passadas e ao restituir à graça do seu Príncipe. Depois de larga consideração, deliberou tomar aos Mouros a Cidade de Évora. Deu parte aos companheiros, e estes, ou enfastiados já daquela vida sempre inquieta e arriscada, ou com os olhos nos despojos da Cidade, convieram no que o seu Capitão intentava. Bem via ele que para uma tão grande facção eram mui poucos os seus, mas não há falta a que não possa suprir a indústria e o valor. Chegou-se na noite deste dia [30 de Novembro], ano de 1166, à Cidade, e adiantando-se dos companheiros, teve modo de subir à torre, chamada da Atalaia, onde achou dormindo um Mouro e uma sua filha, que tinham obrigação de vigiar o campo, e fazer sinal, se nele aparecia alguma tropa de gente. Pagaram ambos com a morte o seu descuido, e logo o Sem Pavor fez o costumado sinal, mostrando que no campo havia inimigos e que andavam para uma tal parte. Era o seu intento que saíssem para a mesma os Mouros do presídio, e então cair ele por outra sobre a Cidade, que sem dúvida estaria com a porta aberta e poucos defensores. Correspondeu à traça o sucesso: Entraram os Portugueses na Cidade, cortando facilmente pelos poucos que lhe resistiam; Mas caindo no seu engano, os que andavam fora voltaram prontamente e reduziram os nossos a fatal aperto. Contendiam eles até agora com os Mouros que haviam ficado na Cidade: Agora lhe era preciso contender juntamente com os que sobrevieram; E bem se deixa ver qual seria a sua consternação, combatidos com igual fúria de um e outro lado. Aqui foi onde o Capitão Português obrou acções maiores que todo o encarecimento: Pelejando em uma parte, em todos influía valor: Os soldados obravam maravilhas e pelejavam como Leões, até que os Mouros, cortados do nosso ferro com estrago fatal, se entregaram rendidos, e a Cidade, que anoitecera cativa, amanheceu em sua liberdade. Mandou logo o Capitão avisar do sucesso ao seu Rei, e este, alegre com tão boa nova, e agradecido a uma tão ilustre facção, mandou que Geraldo ficasse por Governador da Cidade, a qual tomou por armas um Cavaleiro armado com uma espada na mão direita e pendentes da esquerda duas cabeças de homem e mulher, aludindo ao primeiro passo daquela façanha, onde Évora teve o primeiro princípio da sua restauração, sucedida neste dia [30 de Novembro] no ano de 1166. De Geraldo Sem Pavor descende a família dos Silveiras, nobilíssima em Portugal.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Reconquista de Santarém e São Miguel Arcanjo


Em Santarém, a soleníssima festa da Aparição de S. Miguel, esclarecido patrono desta antiga e populosa Vila, em cujo feliz dia [8 de Maio] foi recuperada dos Bárbaros pelo ínclito Rei D. Afonso Henriques, acompanhado mais de seu católico zelo e confiança divina, que do numeroso exército de soldados e bélicos instrumentos, com que se achava naquela apertada ocasião, aparecendo no Céu à noite precedente à batalha sinais demonstrativos da famosa vitória, que no seguinte dia havia de alcançar dos inimigos da Fé. Arvorado então o Estandarte Real nas ameias de seus muros por três valerosos soldados, que no maior silêncio da noite, subiram a eles com admirável ousadia. Aberta a porta daquela inexpugnável praça com um martelo de ferro, que outros administraram de fora, entrou logo o S. Rei, e ajoelhado em terra, mãos e olhos no Céu, fez oração a Deus e uma breve fala aos seus, dizendo em alta voz, para que de todos fosse ouvido: Eia valentes Soldados, aqui tendes a vosso Rei e companheiro, não só para testemunha das façanhas que neste comenos obrardes, mas para exemplo do muito que estais obrigados a executar contra os inimigos da Igreja. Animados com estas fervorosas palavras, os Cristãos, invocando o Patrão de Espanha [Patrono da Península Ibérica], fizeram bravo estrago e carniceira lastimosa nos Mouros, avantajando-se entre todas, aquela invencível espada, banhada tantas vezes do Agareno sangue, executando tão inauditas proezas, que escurecem as mais célebres que publica a trombeta da fama, ouvindo-se por todas as partes desentoados gritos e alaridos, acrescentando este miserável labirinto a confusão das armas e obscuridade da noite, com que não havia quem se pudesse valer e dar a conselho, até que passados aos fios dos luzentes ferros os principais Mouros que lhe resistiram. Ao romper da alva, teve a duvidosa e travada peleja feliz remate em favor dos Cristãos. Porque no tempo que os invencíveis Portugueses, em companhia de seu vitorioso Rei, meneavam as armas temporais nas terras de sua conquista, contra esta vil e infame canalha, em defesa da liberdade Real e exaltação da Religião Católica, meneavam as espirituais, não somente S. Teotónio no Mosteiro de S. Cruz de Coimbra, com seus Cónegos, mas também S. Bernardo no de Claraval, com seus Monges, implorando cada qual o glorioso triunfo, que o S. Rei conseguiu de seus contrários e declarados inimigos de Cristo. E vendo ambos com os olhos do espírito o processo de combate pouco favorável aos nossos, apressaram as rogativas e preces, com maior veemência, até que se decretou no Consistório divino, ficasse o campo e a vitória pelas Armas Católicas. Passados 24 anos, veio el-Rei de Sevilha, Albaraque, sobre a dita Vila com poderosíssimo exército, e vendo-se o magnânimo Rei D. Afonso Henriques apertado, recorreu (como tinha de costume) ao Céu, negociando o feliz despacho por meio do Arcanjo S. Miguel (de quem era particular devoto) e saindo os nossos ao campo, animados de suas afectuosas palavras e alentados com o diviníssimo Sacramento do Altar, andando o esforçado Rei no maior conflito da batalha, apareceu a seu lado um Braço armado com asa no coto, que jogava as armas destrissimamente (insígnia com que ordinariamente se pinta este tutelar da Igreja Católica e defensor do povo Cristão) fazendo bravo estrago nos Mouros, com que brevemente a duvidosa vitória ficou pelo S. Rei, e reconhecendo a ele a tão soberano patrocínio, instituiu no Real Mosteiro de Alcobaça a Cavalaria da Ala, com particulares Constituições, debaixo da Regra de S. Bento, que perseverou somente enquanto viveu. Por estes e outros singulares benefícios, que por intercessão do S. Arcanjo, alcançou esta nobre Vila do Senhor dos exércitos, lhe levantou Ermida, aonde vai o Senado dela todos os anos neste dia [8 de Maio], com solene Procissão, render as graças das assinaladas vitórias que ali conseguiram as Lusitanas Armas dos inimigos da Fé, nos primórdios deste escolhido e santificado Reino de Portugal.

Pe. Jorge Cardoso in «Hagiológio Lusitano dos Santos e Varões ilustres em virtude, do Reino de Portugal e suas conquistas», Tomo III, 1666.

O primeiro triunfo naval português

Testemunho de Gratidão a D. Fuas Roupinho

Estima-se que a 15 de Julho de 1180, Dom Fuas Roupinho, cavaleiro da Côrte de Dom Afonso Henriques, parte de Lisboa com nove galés em perseguição de uma esquadra mourisca, que vinha de São Martinho do Porto em direcção a Sesimbra. Dom Fuas encontra o inimigo ao largo do Cabo Espichel e toma os seus navios um a um. A esquadra portuguesa, embora em menor número, acaba por sair vitoriosa do confronto. Triunfante, Dom Fuas regressa a Lisboa com os navios e as guarnições dos mouros capturadas. Pelo feito notável, Dom Afonso Henriques atribuiu a Dom Fuas Roupinho o título de Almirante, o primeiro da Real Armada Portuguesa.

Cabo Espichel

Reconquista de Lisboa


A 25 de Outubro de 1147, e depois de três meses de cerco a Lisboa, os invasores mouros rendem-se, e D. Afonso Henriques entra triunfal na cidade, agora reconquistada para a Cristandade.
A vitória é atribuída a São Jorge, pela promessa e devoção de D. Afonso Henriques, que rebaptizou o Castelo com o nome do mártir, que é também patrono de Portugal e das Cruzadas.

25 de Julho de 1139: Batalha de Ourique


A 25 de Julho na festa de S. Tiago Apóstolo, no undécimo ano do seu reinado, o mesmo rei D. Afonso travou uma grande batalha com o rei dos Sarracenos, de nome Esmar, num lugar que se chama Ourique. Efectivamente aquele rei dos Sarracenos, conhecendo a coragem e a audácia do rei D. Afonso, e vendo que ele frequentemente entrava na terra dos Sarracenos fazendo grandes depredações e vexava grandemente os seus domínios, quis; se fazê-lo pudesse, travar batalha com ele e encontrá-lo incauto e despercebido em qualquer parte. Por isso uma vez, quando o rei D. Afonso com o seu exército entrava por terra dos Sarracenos e estava no coração das suas terras, o rei sarraceno Esmar, tendo congregado grande número de Mouros de além-mar, que trouxera consigo e daqueles que moravam aquém-mar, no termo de Sevilha, de Badajoz, de Elvas, de Évora, de Beja e de todos os castelos até Santarém, veio ao encontro dele para o atacar, confiando no seu valor e no grande número do seu exército, pois mais numerosos era ainda pela presença aí das mulheres que combatiam à laia de amazonas, como depois se provou por aquelas que no fim se encontraram mortas. Como o rei D. Afonso estivesse com alguns dos seus acampado num promontório foi cercado e bloqueado de todos os lados pelos Sarracenos de manhã até à noite. Como estes quisessem atacar e invadir o acampamento dos Cristãos, alguns soldados escolhidos destes investiram com eles (Sarracenos), combatendo valorosamente, expulsaram-nos do acampamento, fizeram neles grande carnificina e separaram-nos. Como o rei Esmar visse isto, isto é, o valor dos Cristãos, e porque estes estavam preparados mais para vencer ou morrer do que para fugir, ele próprio se pôs em fuga e todos os que estavam com ele, e toda aquela multidão de infiéis foi aniquilada e dispersa quer pela matança quer pela fuga. Também o rei deles fugiu vencido, tendo sido preso ali um seu sobrinho e neto do rei Ali, de nome Omar Atagor.
Com muitos homens mortos também da sua parte, D. Afonso, com a ajuda da graça de Deus, alcançou um grande triunfo dos seus inimigos, e, desde aquela ocasião, a força e a audácia dos Sarracenos enfraqueceu muitíssimo.

Fonte: «Annales Portucalenses Veteres».


Relembro ainda: Juramento de Ourique.

Batalha de Ourique


A 25 de Julho na festa de S. Tiago Apóstolo, no undécimo ano do seu reinado, o mesmo rei D. Afonso travou uma grande batalha com o rei dos Sarracenos, de nome Esmar, num lugar que se chama Ourique. Efectivamente aquele rei dos Sarracenos, conhecendo a coragem e a audácia do rei D. Afonso, e vendo que ele frequentemente entrava na terra dos Sarracenos fazendo grandes depredações e vexava grandemente os seus domínios, quis; se fazê-lo pudesse, travar batalha com ele e encontrá-lo incauto e despercebido em qualquer parte. Por isso uma vez, quando o rei D. Afonso com o seu exército entrava por terra dos Sarracenos e estava no coração das suas terras, o rei sarraceno Esmar, tendo congregado grande número de Mouros de além-mar, que trouxera consigo e daqueles que moravam aquém-mar, no termo de Sevilha, de Badajoz, de Elvas, de Évora, de Beja e de todos os castelos até Santarém, veio ao encontro dele para o atacar, confiando no seu valor e no grande número do seu exército, pois mais numerosos era ainda pela presença aí das mulheres que combatiam à laia de amazonas, como depois se provou por aquelas que no fim se encontraram mortas. Como o rei D. Afonso estivesse com alguns dos seus acampado num promontório foi cercado e bloqueado de todos os lados pelos Sarracenos de manhã até à noite. Como estes quisessem atacar e invadir o acampamento dos cristãos, alguns soldados escolhidos destes investiram com eles (Sarracenos), combatendo valorosamente, expulsaram-nos do acampamento, fizeram neles grande carnificina e separaram-nos. Como o rei Esmar visse isto, isto é, o valor dos Cristãos, e porque estes estavam preparados mais para vencer ou morrer do que para fugir, ele próprio se pôs em fuga e todos os que estavam com ele, e toda aquela multidão de infiéis foi aniquilada e dispersa quer pela matança quer pela fuga. Também o rei deles fugiu vencido, tendo sido preso ali um seu sobrinho e neto do rei Ali, de nome Omar Atagor.
Com muitos homens mortos também da sua parte, D. Afonso, com a ajuda da graça de Deus, alcançou um grande triunfo dos seus inimigos, e, desde aquela ocasião, a força e a audácia dos Sarracenos enfraqueceu muitíssimo.