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Do Modernismo


– O que é a "abominação da desolação"? Parece-me que os Santos Padres entendem por essa expressão semítica a idolatria...
– A pior idolatria. Pois no fundo do modernismo está latente a mais execrável idolatria, a apostasia perfeita, a adoração do homem no lugar de Deus; e isso sob formas cristãs e até talvez mantendo a estrutura exterior da Igreja. Já leu The Soul of Spain do psicólogo inglês Havelock Ellis?
– Não. O que diz?
– É um livro de viagens por Espanha. Leia o capítulo intitulado Uma missa cantada em Barcelona e verá o que quero dizer quando falo de modernismo.
– Ridiculariza a missa cantada?
– Quê?! Pelo contrário! Cobre-a de flores, enche-a de elogios... estéticos. Diz que é um espectáculo imponente, uma criação artística, e que não se pode deixar cair essa nobre conquista de "património cultural" da humanidade, mas procurar preservá-la e aperfeiçoá-la... podada da pequena superstição que a informa, ou seja, a presença real de Cristo no Sacramento... Anulada essa pequena superstição, tudo mais...

Pe. Leonardo Castellani in «Los Papeles de Benjamin Benavides», 1953.

Do moderno farisaísmo


São sinais de farisaísmo, mais do que claros hoje em dia:
– A hipertrofia da "disciplina";
– Os meios convertidos em fins;
– A sinuosidade e a dissimulação no obrar;
– A rigidez implacável;
– A chantagem por meio de coisas sagradas;
– A ignorância completa da pessoa humana;
– A falta de misericórdia e de justiça, substituídas por "mandatos humanos" mortos e metálicos.

Pe. Juan Carlos Ceriani in «Sermão do 16º Domingo depois de Pentecostes», 20 de Setembro de 2020.

Talmude


Talmude é o nome dado aos comentários do Antigo Testamento, que desenvolvem e completam os mais antigos comentários feitos pelos Rabinos e que são fundados sobre tradições orais. Há o Talmude de Jerusalém (3º e 4º séculos) e o de Babilónia (5º e 6º séculos). É a base da teologia judaica actual e contém odiosas calúnias contra Jesus Cristo e Sua Mãe, e contra os cristãos em geral. É o grande livro dos judeus, contém todas as suas tradições, é o seu compêndio de teologia moral. Dois grandes centros da influência judaica – Jerusalém e Babilónia – deram origem a duas redacções diferentes do Talmude.
Nos séculos III e IV os doutores judeus da Palestina, de um modo particular os de Tiberíades, acrescentaram novos comentários jurídicos e casuísticos aos mais antigos comentários da Lei, formando assim o chamado Talmude de Jerusalém, que está redigido em arameu, mas, no entanto, as citações dos doutores mais antigos estão em hebreu.
Outra redacção do Talmude é a escrita em Babilónia, no século V e VI, em arameu babilónico, conservando também em hebreu as citações dos antigos doutores.
O Talmude é uma obra de escassíssimo valor, quer na sua forma literária, quer no pensamento; é uma obra obscura e cheia de incoerências, carecendo, em suas páginas intermináveis, de estilo, de ordem e de talento. No Talmude é pouco o que se encontra útil para a boa compreensão da Sagrada Escritura.
A respeito das passagens do Talmude que contêm calúnias contra Jesus Cristo, Maria Santíssima e os cristãos, um Sínodo judeu celebrado na Polónia em 1631, para não excitar a indignação dos cristãos, ordenou que tais passagens fossem suprimidas na impressão, indicando-as apenas por um sinal que chamaria a atenção dos doutores judeus que as deviam explicar oralmente.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Do modernismo


– O que é a "abominação da desolação"? Parece-me que os Santos Padres entendem por essa expressão semítica a idolatria...
– A pior idolatria. Pois no fundo do modernismo está latente a mais execrável idolatria, a apostasia perfeita, a adoração do homem no lugar de Deus; e isso sob formas cristãs e até talvez mantendo a estrutura exterior da Igreja. Já leu The Soul of Spain do psicólogo inglês Havelock Ellis?
– Não. O que diz?
– É um livro de viagens por Espanha. Leia o capítulo intitulado Uma missa cantada em Barcelona e verá o que quero dizer quando falo de modernismo.
– Ridiculariza a missa cantada?
– Quê?! Pelo contrário! Cobre-a de flores, enche-a de elogios... estéticos. Diz que é um espectáculo imponente, uma criação artística, e que não se pode deixar cair essa nobre conquista de "património cultural" da humanidade, mas procurar preservá-la e aperfeiçoá-la... podada da pequena superstição que a informa, ou seja, a presença real de Cristo no Sacramento... Anulada essa pequena superstição, tudo mais...

Pe. Leonardo Castellani in «Los Papeles de Benjamin Benavides», 1953.

Os graus do farisaísmo


– O farisaísmo vem a ser como... os fariseus são "religiosos profissionais"... como o profissionalismo da religião – disse –, recordando uma frase de Gustave Thibon.
– Esse é somente o primeiro grau do farisaísmo, em todo o caso – reflectiu o velho. A ver se conseguimos descrevê-lo pelos seus graus:
O primeiro: A religião torna-se meramente exterior...
O segundo: A religião torna-se profissão, negócio, ganha-pão.
O terceiro: A religião torna-se instrumento de ganância, de honras, poder ou dinheiro.
– É como um esclerosamento do religioso, um endurecimento ou decaimento progressivo! – ressaltou o teólogo.
– E depois uma falsificação, hipocrisia, dureza até à crueldade... – disse eu.
– Jesus Cristo no Evangelho condenou os fariseus – disse o Frei Florecita – e com isso basta.
O judeu havia ficado como que absorto. Depois prosseguiu com uma voz cavernosa e rouca...
– Eu tremo de dizer o que ouso apenas pensar... O meu coração treme diante de Deus como uma folha na árvore, ao pensar no mistério do farisaísmo. Eu não posso indignar-me como o Divino Mestre; eu, verme miserável, tenho-Lhe medo – e de facto todo o seu corpo se estremeceu bruscamente, e duas lágrimas assomaram aos seus olhos.
– Os outros graus – prosseguiu – são já diabólicos. O coração do fariseu, primeiro, torna-se cortiça, depois pedra, depois se esvazia por dentro, e depois é ocupado pelo demónio. "E o demónio entrou nele", disse João sobre Judas.
O quarto: A religião torna-se passivamente dura; insensível, desencarnada.
O quinto: A religião torna-se hipocrisia: o "santo" hipócrita começa a desprezar e a odiar os que têm religião verdadeira.
O sexto: O coração de pedra torna-se cruel, activamente duro.
O sétimo: O falso crente persegue de morte os verdadeiros crentes, com fúria cega, com fanatismo implacável... e não se acalma, nem ante a cruz, nem depois da cruz... "Este impostor disse que ao terceiro dia iria ressuscitar"; de modo que, oh Excelso Procurador da Judeia... Guardas para o sepulcro.

Pe. Leonardo Castellani in «Los Papeles de Benjamin Benavides», 1953.