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Centenário do 28 de Maio de 1926


Passam hoje 100 anos sobre o glorioso golpe contra-revolucionário que pôs fim à República e instaurou a Ditadura Nacional, posteriormente Estado Novo. Sobre isso, vale a pena lembrar as palavras de Salazar:

Faz hoje dez anos, neste mesmo local, às ordens de Gomes da Costa, cujo optimismo e valentia quase não eram virtudes – brotavam-lhe espontaneamente da alma como exigência da própria natureza –, o Exército português desencadeara o movimento, triunfante sem luta, glorioso sem sangue, porque na verdade a voz de comando foi apenas a expressão militar de uma ordem irresistível da Nação. E começou a nova era.
Eis agora o que se passou.
Às almas dilaceradas pela dúvida e o negativismo do século procurámos restituir o conforto das grandes certezas. Não discutimos Deus e a virtude; não discutimos a Pátria e a sua História; não discutimos a autoridade e o seu prestígio; não discutimos a família e a sua moral; não discutimos a glória do trabalho e o seu dever.
(...)
Assim se assentaram os grandes pilares do edifício e se construiu a paz, a ordem, a união dos portugueses, o Estado forte, a autoridade prestigiada, a administração honesta, o revigoramento da economia, o sentimento patriótico, a organização corporativa e o Império Colonial.

António de Oliveira Salazar in discurso «As Grandes Certezas da Revolução Nacional», 28 de Maio de 1936.

Bento Eremita


Neste dia [21 de Fevereiro], ano de 1482, deu glorioso fim à carreira mortal um Eremita Português, chamado Bento, e merecedor de memória perdurável; Porque depois de viver neste Reino alguns anos no contínuo exercício de ásperas penitências, passou a Monserrate, e ali viveu sessenta e seis, em uma Ermida, ou cova, que ainda conserva o seu nome: A vida foi, qual pedia o lugar e o desengano, e a morte foi, qual havia sido a vida.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Dom Vasco da Gama parte segunda vez para a Índia


No mesmo dia [30 de Janeiro], ano de 1502, partiu segunda vez para o Oriente, com poderosa armada de vinte naus, o famosíssimo herói Dom Vasco da Gama, e no mesmo dia, na despedida, lhe deu El-Rei Dom Manuel, o ilustre e glorioso título de Almirante dos mares da Índia, Pérsia e Arábia, que hoje se conserva em seus nobilíssimos descendentes.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

D. José Pereira de Lacerda é criado Cardeal


No mesmo dia [19 de Novembro], ano de 1719, por nomina d'el-Rei D. João V, nosso Senhor, o Sumo Pontífice Clemente XI criou Cardeal Presbítero da Santa Igreja Romana ao ilustríssimo Dom José Pereira de Lacerda, Bispo do Algarve. Já dissemos dele em outro dia.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Aclamação de El-Rei Dom Afonso VI


Neste dia [15 de Novembro], em quarta-feira, ano de 1656, foi aclamado Rei de Portugal o Sereníssimo Príncipe Dom Afonso, filho dos Senhores Reis Dom João IV e Dona Luísa Francisca de Gusmão. Celebrou-se o acto com a grandeza e ostentação que se estila em casos semelhantes: Houve dúvida entre Dom Nuno Álvares Pereira, Duque do Cadaval, e Dom Francisco de Faro, Conde de Odemira, sobre a qual dos dois tocava exercitar, com o estoque desembainhado, o ofício de Condestável; A Rainha-mãe (que governava o Reino), por evitar contendas, tomou a acertada resolução de que o Infante Dom Pedro (que então era de oito anos) exercitasse aquele ofício. Concluída festivamente a função, se continuou o luto e o sentimento, devidos ambos à grande falta que fazia a Portugal o grande Rei Dom João, o Restaurador, falecido poucos dias antes.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Aniversário dos Reis D. Fernando e D. Duarte


Neste dia [31 de Outubro], em segunda-feira, ano de 1345, nasceu em Coimbra o Infante Dom Fernando, depois Rei de Portugal; foi o terceiro e último parto, de que faleceu a Infanta Dona Constança, mulher do Infante Dom Pedro, depois Rei, primeiro do nome, de Portugal. Já falámos do seu Reinado.


No mesmo dia [31 de Outubro], ano de 1391, nasceu em Viseu o Infante Dom Duarte, Rei de Portugal, filho dos Reis Dom João I e Dona Filipa, que lhe puseram aquele nome, em memória de seu bisavô materno Duarte III de Inglaterra.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Infante português feito primeiro Rei de Maiorca


O Infante Dom Pedro, filho de El-Rei Dom Sancho I, depois de varias peregrinações em Espanha e África, onde deu ilustres provas de generalidade e valor; casou com a Condessa de Urgel, Senhora de grandes Estados, a qual, morrendo sem sucessão, o deixou por seu universal herdeiro; Mas desejando El-Rei Dom Jaime de Aragão incorporar os mesmos Estados com o Principado de Catalunha, fez troca com o Infante Dom Pedro, dando-lhe, com Título de Rei, a Ilha de Maiorca, de que o Infante tomou posse neste dia [29 de Setembro], ano de 1231.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

20 de Setembro de 1870


Esta data representa na história deste século um facto sacrílego e usurpador. Recordar 20 de Setembro de 1870 é lembrar a brecha da Porta Pia, a entrada dos piemonteses em Roma e o esbulho dos Estados do Soberano Pontífice. E é o vigésimo quinto aniversário deste sacrilégio, que o governo italiano quis solenizar este ano como festa nacional, quando o povo geme esmagado debaixo de pesados tributos que lhe cisam até a pele. Os católicos, porém, não esqueceram seu Pai comum, o Sumo Pontífice, e de todos os pontos do globo, onde há corações que oram, lhe foram dirigidas consoladoras mensagens.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», Nº 9, Setembro de 1895.

Coroação de El-Rei Dom Afonso V


No ano de 1438 foi aclamado e coroado Rei o Príncipe Dom Afonso, V do nome, entre os de Portugal, neste dia [10 de Setembro], que se seguiu ao da morte de El-Rei Dom Duarte, seu Pai. Fez-se a função em um majestoso Teatro, que se levantou defronte dos Paços do Convento de Tomar, aonde saiu o Príncipe (menino de seis anos) com vestiduras Reais, e sentado em trono eminente, lhe beijou a mão, posto de joelhos, e deu juramento de fidelidade e obediência, seu tio o Infante Dom Pedro, a quem seguiram os outros Infantes, e todos os Senhores que ali se achavam, enxugando todos, em grande parte, nas florescentes esperanças do novo Rei, as lágrimas que lhe causara a falta do defunto.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

É aclamado Rei o Cardeal Dom Henrique


No mesmo dia [28 de Agosto], no infeliz ano de 1578, foi Coroado em Lisboa o Cardeal Henrique, o primeiro que uniu uma e outra púrpura: Celebrou-se o acto na Igreja do Hospital, sítio próprio para um Rei e Reino, enfermos ambos, e quase moribundos; Todavia, não se faltou ao luzimento e pompa que costuma haver em semelhantes ocasiões: Ornou-se ricamente a Igreja, e foi a ela o novo Rei, em hábito de Cardeal, em uma mula, cuja rédea levava Dom Álvaro da Silva, Conde de Portalegre, Mordomo-mor, precedendo a Nobreza, que então se achava na Corte, todos a pé e descobertos, excepto o Duque de Bragança Dom João, que ia a cavalo com o Estoque desembainhado, como Condestável. Na Igreja se havia prevenido um teatro com uma cadeira, onde El-Rei se sentou, e dado e recebido o juramento, como é costume, lhe foi entregue o Ceptro, e com esta Real insígnia na mão, voltou para o Palácio, na mesma forma, e ordem, com que viera.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Defende-se a Cidade de Colombo de um grande assalto


Desde cinco deste mês até este dia em que estamos [20 de Agosto], do ano de 1587, foi prosseguindo o tirano Rajú furiosos assaltos contra a Fortaleza e Cidade de Colombo [no Ceilão]; E (deixando outros, que pela semelhança causaria fastio o repeti-los) neste dia sobre a tarde, mandou despregar duas bandeiras, uma branca e outra vermelha, e logo começaram a soar os tristes instrumentos de que usam os Gentios da Índia, nas ocasiões em que se fazem Amoucos, isto é, oferecidos a morrer ou vencer; E com grandes alaridos e brados (a que eles chamam cuquiadas) acometeram a Cidade, arrimando-lhe grande número de escadas por muitas partes, e pela do mar veio com o mesmo intento uma armada inimiga; Grande foi a consternação em que se viram os poucos Portugueses que havia na Cidade! Grande a fúria e resolução com que foram acometidos! Mas ainda foi maior o seu esforço; Assim rebateram a porfia dos Infiéis: Assim lhe quebraram os primeiros ímpetos, que finalmente se começaram a retirar com mais confusão, do que haviam trazido arrogância. Ficou o campo ao pé das muralhas juncado de corpos mortos e despedaçados, que formavam uma horrível representação: A armada se retirou também diminuída de velas e de soldados; Assistiram alguns Religiosos de São Francisco, que havia na Cidade, aos maiores perigos com admirável constância, acudindo a todas as partes com os remédios do corpo e do espírito.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Frei Pedro da Covilhã


Neste dia [7 de Julho], ano de 1498, padeceu pela Fé de Cristo, Frei Pedro da Covilhã, Português, Ministro do Convento da Santíssima Trindade de Lisboa, companheiro e Confessor de Vasco da Gama. Foi o primeiro, que depois do Apóstolo São Tomé, celebrou o Sacrifício da Missa, e prégou o Evangelho, e por ele derramou seu sangue na Índia Oriental.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Batalha de Valdevez


Pelos anos de 1128 veio El-Rei de Leão e Castela Dom Afonso VII, chamado Emperador, contra El-Rei (então Infante) Dom Afonso Henriques. Avistaram-se neste dia [25 de Junho] na Veiga de Valdevez, que está entre a Vila dos Arcos e a freguesia de Santo André de Guilhadeses. Ali se deu batalha, e foi uma das bem disputadas daqueles tempos. Venceram os Portugueses com tanta perda dos inimigos, que por ela se chama ainda hoje àquela Veiga da Matança. Deu o Infante insignes provas de valor, e todos os seus obraram maravilhas. El-Rei de Leão escapou ferido, ficando prisioneiros sete Condes e os principais senhores que o acompanhavam. Colheu-se entre os despojos uma grande relíquia do Santo Lenho, que se depositou na Igreja de Grade, distante quase uma légua do lugar da batalha, e se conserva ainda hoje com memória continuada de muitos milagres; e como abonado testemunho daquela famosa vitória.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

O famoso Poeta Manuel de Galhegos


Manuel de Galhegos, insigne Poeta do seu tempo, a quem os Castelhanos chamaram novo Camões e Virgílio Português, e lhe deram outros títulos não menos ilustres, mas bem merecidos de seu singular engenho e admirável génio Poético, florida eloquência e viva discrição. Compôs vários Poemas, mas entre todos, o que intitulou Templo da Memória, lhe fez imortal a sua. Morreu em Lisboa neste dia [9 de Junho], ano de 1665. Jaz na Igreja de São Lourenço.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Invenção do corpo de D. Lourenço, Arcebispo de Braga


Corria o ano de 1663, quando D. João de Áustria, filho bastardo de D. Filipe IV, Rei de Espanha, entrando em Portugal pela Província de Alentejo, conquistou a Cidade de Évora, Capital da mesma Província, e pôs em grande consternação a todo o Reino; então foi quando, sobre duzentos sessenta e seis anos de sepultura, se achou neste dia [4 de Junho], do ano sobredito, o corpo do Arcebispo de Braga Dom Lourenço, único do nome naquela Primacial, tão incorrupto e fresco, e com tanta perfeição e inteireza de todas as suas feições e partes, como se naquela hora acabara de morrer. Foi o Arcebispo Dom Lourenço grande Português, e um dos que mais trabalharam pela conservação e liberdade do Reino, quando os Castelhanos, em tempo do Mestre de Avis, depois Rei, com poderosas forças o pretenderam conquistar e oprimir; e como agora se achavam Castelhanos e Portugueses no empenho da mesma conquista e defesa, reputaram geralmente os Portugueses por singular demonstração do Céu a seu favor, o expor-lhe aos olhos, em uma tal ocorrência, o corpo incorrupto daquele herói, cuja vista os podia justamente animar à defesa da liberdade; e assim sucedeu com efeito: Porque não passaram cinco dias, que não fosse roto e inteiramente desbaratado, o Exército de Dom João de Áustria, e dentro em vinte, recuperada a Cidade de Évora, como diremos em outros dias.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Agostinha Barbosa da Silva


No mesmo dia [2 de Junho], pelos anos de 1674, faleceu Agostinha Barbosa da Silva, Portuguesa. Escreveu na língua Latina as vidas dos primeiros cinco Reis de Portugal. Compôs um tratado de Arquitectura e Arimética, que se imprimiu em Castela com o nome de Pedro de Alvernoz.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Dona Teresa Afonso


Dona Teresa Afonso, filha do Conde Dom Afonso das Astúrias, mulher do ínclito herói Egas Moniz: nos estados de donzela e casada, resplandeceu em virtudes e boas obras, com vantagem conhecida às Senhoras mais ilustres daquele tempo. No de viúva, se excedeu a si mesma: edificou o nobre Mosteiro de Salzedas, da Ordem de Cister, onde jaz, foi sua morte neste dia [27 de Maio], ano de 1171.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Aniversário da descoberta oficial do Brasil


Excerto final da carta de Pêro Vaz de Caminha a El-Rei Dom Manuel:

Esta terra, Senhor, me parece que da ponta mais contra o sul vimos, até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa.
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.
E que aí não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute, isso bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa santa fé.
E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.
E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que levo, como em outra qualquer coisa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há-de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer graça especial, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge Osório, meu genro – o que d'Ela receberei em muita mercê.

Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste porto seguro, da vossa ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de Maio de 1500.
Pêro Vaz de Caminha

Parte para a Índia o famoso Pedro Álvares Cabral


No mesmo dia [8 de Março], em Domingo, ano de 1500, partiu para a Índia o famoso Pedro Álvares Cabral, filho de Fernão Cabral; Adiantado da Província da Beira, senhor de Zurara, e Alcaide-mor de Belmonte; Levava uma Armada de treze velas, e foi a segunda, e Pedro Álvares o segundo Capitão-mor, que fez aquela nova e perigosa jornada; El-Rei Dom Manuel, em demonstração do seu alvoroço e empenho, por causa dos novos descobrimentos, foi no mesmo dia, com toda a Corte, a ouvir Missa na Ermida (que então era) de Belém; Houve Sermão, que pregou Dom Diogo Ortiz, Bispo de Ceuta, conforme e ajustado às circunstâncias ocorrentes; Todo este tempo teve El-Rei consigo dentro da cortina ao Cabral, por honra do grande cargo, que fiava dele. No fim da Missa se tirou do Altar uma bandeira da Cruz da Ordem de Cristo, e foi entregue ao mesmo Capitão-mor, que dali se foi embarcar, a tempo que cruzavam pelo Rio infinitas embarcações, e as praias se viam cobertas de gente, e esta rompia em diferentes afectos, já de tristeza, já de alegria, já de esperança, já de temor. Partiu, enfim, a Armada, cujo sucesso, em parte foi infeliz, em parte felicíssimo: Infeliz porque os mares lhe comeram quatro Naus da sua conserva, com tudo o que ia nelas: Felicíssimo, porque os mesmos mares a levaram ao descobrimento da nova Lusitânia; Como diremos nos dias a que uma e outra coisa pertence.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Erecção do Bispado do Grão-Pará


Neste dia [4 de Março], ano de 1720, em uma segunda-feira, em Consistório, o Papa Clemente XI, à instância d'el-Rei Dom João V de Portugal, separou e desmembrou da Diocese de São Luís do Maranhão, na América Portuguesa, a terra de Santa Maria de Belém do Grão-Pará com as dilatadas terras da dita Capitania e Ilhas adjacentes, criando-a Cidade, e erigindo nela em Catedral a Igreja de Nossa Senhora da Graça, com todas as honras, insígnias e privilégios que gozam as mais Igrejas Catedrais da Coroa de Portugal, com a renda de dois mil e quinhentos cruzados, e criou Bispo para ela o Padre Fr. Bartolomeu do Pilar, Religioso da Ordem de Nossa Senhora do Monte do Carmo.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.