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Tudo pela Nação, nada contra a Nação


Possivelmente para alguns, associação transitória ou permanente de interesses materiais, a Nação é para nós sobretudo uma entidade moral, que se formou através de séculos pelo trabalho e solidariedade de sucessivas gerações, ligadas por afinidades de sangue e de espírito, e a que nada repugna crer esteja atribuída no plano providencial uma missão específica no conjunto humano. Só esse peso dos sacrifícios sem conta, da cooperação de esforços, da identidade de origem, só esse património colectivo, só essa comunhão espiritual podem moralmente alicerçar o dever de servi-la e dar a vida por ela. Tudo pela Nação, nada contra a Nação – só é uma divisa política na medida em que não for aceite por todos. E de facto não é.

António de Oliveira Salazar in discurso «O Meu Depoimento», 7 de Janeiro de 1949.

Perseguição por falar verdade


Em 1990 a LICRA instaurou um processo judicial a Mons. Lefebvre por declarações deste sobre a ameaça islâmica em França. Em depoimento preliminar a tão absurdo julgamento, D. Marcel concluiu brilhantemente:
Condenar-me como racista porque procuro defender a minha Pátria ameaçada na sua existência e nas suas tradições cristãs, seria usar a justiça para realizar a injustiça, seria colocar a justiça ao serviço dos carrascos contra as vítimas, cujo único direito é morrer em silêncio. Seria o cúmulo da injustiça.

Écône, 12 de Maio de 1990
+ Mons. Marcel Lefebvre

O serviço cristão para com a Pátria


Devemos servir a Pátria pela prática pessoal do dever cristão.
1.º Bom exemplo. – Um dos melhores meios de servir a Pátria e de fazer com que os outros a sirvam, é servir a Deus cumprindo a sua Lei.
Mercê de uma revolução estamos num Estado Novo. O Estado é Novo mas os homens, em grande maioria, continuam a ser velhos. Merecem a exortação do Apóstolo das gentes: «despojai-vos do homem velho e revesti-vos do homem novo». Há ainda uma revolução a fazer: a conversão e perfeição de cada um de nós.
É um absurdo que o todo seja bom, sendo más as suas partes componentes. É um erro fundamental do espírito moderno, dizia um ilustre professor, fundar a cidade de Deus sobre os sete pecados capitais. Tenhamos uma vida honesta, virtuosa, como convém a homens e a cristãos, a bem da nação.
2.º Oração. – Não basta dar à Pátria o nosso dinheiro, o nosso sangue, a nossa dedicação e bom exemplo; é preciso oferecer-lhe as nossas orações para lhe assegurar a assistência divina. Deus é o Autor, Senhor e Conservador das Nações. É Ele, diz Mgr. Gibier, que fere e que cura, que perde e ressuscita, que conduz as nações às portas da morte ou às alturas da vida e da prosperidade. Sem Deus não construímos senão sobre ruínas; os direitos não têm base, os deveres não têm sanção, os sacrifícios não têm proveito, as revoluções não têm freio e as catástrofes não têm remédio. Só Deus é que pode fazer com que um povo subsista, de pé, no meio das causas de destruição que o ameaçam de dentro e de fora.
Como no mar de Tiberíades, Jesus está no meio de nós, como amigo e protector.
Ao grito da nossa fé, Ele despertará e haverá sempre grande calma: «Calma da verdade reconquistada, da virtude restaurada, da ordem pública assegurada, do reino de Deus estabelecido nas almas, da vitória, enfim, sobre os inimigos de Deus e da Pátria».
Portugal, como nação, tem orado sempre a pedir todas as bênçãos de ordem temporal e espiritual.
E Portugal tem sido bafejado, acalentado e abençoado por Deus, como canta o poeta:

Esta grande nação que n'Ele cria
Em todos os perigos protegia

Cultivemos a virtude do patriotismo. Não do patriotismo pagão que tem ensanguentado o mundo, mas do patriotismo cristão, que enche de bênçãos a vida e a história dos povos, amando-nos uns aos outros.
– Jesus, Rei Divino, reinai em Portugal que em Vós confia.
– Jesus, Rei do Amor, por Maria Imaculada, salvai Portugal que em Vós confia.

Cónego Júlio António dos Santos in «O Crucifixo: meu livro de estudos», 1950.

É obrigação moral defender a integridade nacional


Todos os Estados, todas as Famílias, todos os Grupos ou Organismos são mais ou menos racistas, segundo a força da sua constituição, e a consciência que têm da sua missão. Isto é, defendem-se, repelindo do seu meio, tudo quanto seja portador de gérmenes de decomposição ou dissolução. É a luta pela vida. É a aplicação do preceito evangélico relativo aos ramos estéreis das vides (Segundo S. João, XV, 6); é a aplicação da doutrina de S. Tomás (II da II, quest. XI, artigo 3).
Se os nativos de Angola, ou da Guiné, se infiltrassem em doses maciças na Sociedade portuguesa, e, por seus cruzamentos, a ameaçassem de se abastar, tingindo-a, deformando-a, e anulando-lhe a sua consciência histórica, não tinha o governo responsável por obrigação indeclinável barrar tal infiltração, e defender a pureza do nosso sangue e da nossa consciência nacional? Que são senão medidas racistas, as limitações à imigração que certos Estados decretam?
Não. Não se confunda o que é inconfundível. Não se caricature, para não se desvirtuar, o que se pretende julgar. (...) Ninguém me poderá condenar por eu tentar impedir que a minha Pátria se dissolva, pela mestiçagem biológica, ou pela invasão de não-portugueses que ocupem todas as posições-chave das actividades nacionais – nas Universidades, nos Bancos, nas Empresas, na Administração, nos Tribunais, na Indústria, nas Oficinas.

Alfredo Pimenta in «Contra o Comunismo: Análise comparativa das Encíclicas Mit brennender Sorge e Divini Redemptoris», 1944.

Sangue Português


Sangue de Portugal... Devemos honrá-lo, mas sem cair no mito do sangue e sem pretender divinizá-lo, como querem alguns por cá e fazem outros por lá. O Sangue Português deixaria de o ser, quando deixasse de ser cristão.
Não consigo nunca ler as Crónicas dos nossos reis, as Relações dos nossos descobridores, missionários e colonizadores, que não sinta em mim uns frémitos de entusiasmo, e ao mesmo tempo de admiração e de respeito. Verdadeiramente, não há palmo da terra que pisamos, não há onda em todos os mares, nem areia em todas as praias, nem floresta virgem em qualquer canto do mundo, nem montanha escalvada ou deserto sem água, que não tenha visto correr o sangue português!
Mas para quê tanto martírio, tanta dor, tanta canseira?... Sangue Português?... Fica aos que sobrevivem o dever de substituírem os que caem. Para que Portugal viva, é preciso que viva o sangue de Portugal; para que viva o sangue de Portugal – é preciso não o matar, não o envenenar. Mata-se ou envenena-se o sangue de Portugal, profanando-o, dispersando-lhe a vitalidade em prazeres de puro egoísmo, comprometendo assim as energias da raça e a sua fecundidade. Para transmitir aos vindouros seiva robusta, é preciso ser forte e não ter enxovalhado, nem ter posto em almoeda, o corpo ou o coração.
Sangue de mortos... Sangue de vivos...

Pe. Raúl Plus in «Diante da Vida», 1947.

A Família e a Pátria


Se examinarmos os quadros sociais a que pertence necessariamente um indivíduo e em relação aos quais ele não é inteiramente livre, dois há a que pertence obrigatoriamente: a Família e a Pátria.
«Não sabemos se é justo que um filho não possa escolher o pai – escreve Charles Maurras – ou que um cidadão seja lançado numa raça antes de ter manifestado a sua livre vontade, a sua livre escolha! Sabemos que as coisas não podem passar-se de outro modo».
A Família e a Pátria são, pois, dois quadros naturais em que, sem preocupações pela sua vontade, antes mesmo que ela se manifeste, qualquer homem desde que nasce, se encontra integrado. Nasce de tal família e de tal povo, exactamente como nasce moreno ou loiro, pequeno ou grande, forte ou fraco. Não tem sobre esta escolha nenhuma liberdade. A sua dependência é fatal e obrigatória.
Mesmo que mais tarde entenda renegar a família ou a pátria, só artificialmente é que o faz, tal como as morenas que oxigenam os cabelos, sem que por isso deixem de manter a sua compleição.
Contudo, o homem, fazendo uso da sua vontade, pode apertar ou afrouxar os laços naturais que o ligam, desde que nasce, à Família e à Pátria. Pode amar os pais ou odiá-los, ter o sentido da Família, procurar nela o ponto de apoio moral e material nas lutas da vida, ou afastar-se dela, ser mau filho, ou indiferente, cultivar o eu em vez do nós familiar, e assim os laços naturais estreitam-se ou relaxam-se.
Do mesmo modo, pelo facto de pertencer a um povo, um indivíduo, chegado à idade adulta, pode discuti-lo, renegá-lo, quer se integre noutra comunidade humana (caso dos emigrantes), quer se recuse a aceitar os encargos inerentes à sua qualidade de cidadão de um país, e se proclame internacionalista (caso dos comunistas).

Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

Pátria Portuguesa


Possivelmente para alguns, associação transitória ou permanente de interesses materiais, a Nação é para nós sobretudo uma entidade moral, que se formou através de séculos pelo trabalho e solidariedade de sucessivas gerações, ligadas por afinidades de sangue e de espírito, e a que nada repugna crer esteja atribuída no plano providencial uma missão específica no conjunto humano. Só esse peso dos sacrifícios sem conta, da cooperação de esforços, da identidade de origem, só esse património colectivo, só essa comunhão espiritual podem moralmente alicerçar o dever de servi-la e dar a vida por ela. Tudo pela Nação, nada contra a Nação – só é uma divisa política na medida em que não for aceite por todos. E de facto não é.

António de Oliveira Salazar in discurso «O Meu Depoimento», 7 de Janeiro de 1949.

Patriotismo ou Nacionalismo?

A Apoteose de Luís XVI

É fundamental que nos movamos com conceitos claros com os quais todos estejamos de acordo. Um deles é o Patriotismo que tem que ver essencialmente com a ideia de Tradição. A «pátria» é a «terra dos pais», liga com um passado que se quer projectar para o futuro. A Nação [o Estado-Nação], ao contrário, é outra coisa: é um conceito essencialmente moderno, não anterior à Revolução Francesa e que substitui o de Reino. (...) Dito de outra forma, a origem do Nacionalismo é fundamentalmente liberal e burguesa, referindo-se a uma ordem de ideias que tem que ver com os valores inerentes às revoluções liberais do século XIX.
(...) No entanto, é importante recordar que as palavras estão carregadas e podem ser perigosas: todo o pensamento deve ser orgânico e ter uma ordem de ideias perfeitamente encadeadas. Se aceitamos que a Nação aparece onde a guilhotina corta a cabeça dos reis, temos que aceitar que uma coisa é a Ordem Liberal e outra é a Ordem Tradicional. E que a primeira tem como valores a Nação [o Estado-Nação], o mercado livre, a burguesia e o republicanismo, enquanto a Ordem Tradicional tem como valores a Pátria, a economia corporativa, a monarquia, etc. É muito perigoso inserir em cada elo da cadeia um elemento que pertence a outra, por isso prefiro referir-me ao Patriotismo em vez de ao Nacionalismo.

Ernesto Milà, entrevista ao jornal «O Diabo», 8 de Outubro de 2013.

O Patriotismo advém do Amor ao Próximo


Se Jesus amou a Sua pátria temporal, se exultou com as suas glórias e deplorou os seus infortúnios, é porque o amor da Pátria tem o seu lugar legítimo no coração do homem, na hierarquia das virtudes cristãs, entre o amor mais extenso da humanidade, na ordenação essencial e harmoniosa da caridade divina.

Pe. Yves de La Brière in «Nationalisme et objection de conscience», 1937.


Do velho lar ancestral


A vida que cercou a minha infância era simples, rude, poderosa, como o grande ar vivificante que me envolvia. Dos homens da minha família, o primeiro plumitivo sou eu. As mulheres eram ingénuas criaturas que… no interior da sua casa eram admiráveis exemplos de dignidade, de trabalho, de ordem, de economia, de bom humor… e eu seria o primeiro dos artistas portugueses se conseguisse um dia condensar num livro toda a soma de método, de ordem, de execução estética, de picante espírito pitoresco, de risonha graça, de que era modelo a incomparável cozinha de minha avó – aberta ao nível do pátio defronte do poço, cheia das alegrias cintilantes do sol e do balsâmico perfume dos limoeiros; enfumada, com os dois escabelos de carvalho de cada lado da borralheira sobre o vasto lar de granito; a enorme capoeira onde se espanejavam os capões; os troféus ornamentais dos instrumentos agrícolas; as prateleiras da louça reluzente; o cortiço da barrela e a masseira do pão a um canto; os bambolins de paios e de presuntos do fumeiro suspensos do tecto; a comprida mesa dos moços da lavoura, tendo em cima a grande selha com a braçada verde dos frescos legumes, picada com as pintas douradas das cenouras entre as aveludadas e gordas eflorescências dos brócolos; e no meio disso, a intervenção periódica do mendigo de estrada, de alforge ao pescoço, que vinha encher a sua escudela de batatas ou de caldo, enquanto os pardais mais atrevidos iam sem pedir esmola debicar a broa do balaio na testada do forno.
Esse conjunto exalava uma penetrante sensação de tépido aconchego, de suave alegria, de inalterável paz; inspirava sentimentos práticos e honestos; era o complemento e o comentário vivo das velhas histórias contadas à lareira; infundia o respeito da tradição; dava o amor da família; explicava o amor à terra da pátria, pela dedicação às quatro braças de solo cobertas por esse velho tecto.
A cozinha de minha avó era, finalmente, uma profunda obra de arte, da qual os mais belos quadros da escola flamenga, tão penetrados como são da poesia doméstica, não puderam dar-me jamais senão uma ideia desbotada e fria. Escuso de acrescentar que toda a obra de quantas literatas tem havido em Portugal, não pode senão fazer-me sorrir comparada à obra modesta de minha avó, que ela tirou num precioso exemplar único para a educação das suas filhas, para a fixação do respeito, da veneração e da saudade eterna dos seus netos.

Ramalho Ortigão in «As Farpas», Janeiro de 1878.

O amor da Pátria


A Pátria é a terra que nossos pais nos legaram; é esta gleba riscada à ponta de lança e firmada à força de fé por ínclitos avós que a legaram inteira e sagrada ao gozo de seus netos; é um património de virtudes morais, de tesouros que recebemos de nossos maiores e que devemos transmitir, enriquecido, às gerações futuras. A Pátria é o passado, o presente e o futuro do mesmo povo. É uma fonte de riquezas e de alegrias.
(...)
A causa do amor da Pátria – está na paternidade – pertencemos à Pátria pelas raízes paternas. Amamos a Pátria, diz alguém, porque vimos aí um sorriso nunca mais visto, e bebemos aí um afecto nunca olvidado – o afecto e o sorriso de nossas mães.
– «A fé viva dos nossos pais reverentes aos mesmos altares e genuflexos ao mesmo Deus», é o que prezamos de mais precioso e mais belo.
– Se a terra-pátria, por mais modesta que seja, vale para nós o universo é porque «encerra uns ossos a que nos prende a alma, e entesoura umas cinzas que nos cristalizam a memória, os ossos e as cinzas de nossos pais».
– «O túmulo assemelha-se a um altar, as lágrimas que aí se vertem, as preces que aí ciciam, as flores que aí rescendem não se dirigem a uma vulgaríssima poeira, dirigem-se e elevam-se à Pátria celeste, até ao trono de Deus Clementíssimo que dá às almas o descanso eterno e a luz do perpétuo esplendor».

Cón. Júlio António dos Santos in «O Crucifixo», 1942.

Nacionalismo não é Patriotismo


Existe a tendência de confundir patriotismo com nacionalismo. Historicamente, o nacionalismo aparece com a "Nação" e esta constitui-se numa etapa recente da História (o último quartel do século XVIII com a Revolução Americana e a Revolução Francesa). A transformação dos Reinos em Estados-Nação e a substituição do vínculo de fidelidade para com o Rei, pela doutrina dos Direitos do Homem e do Cidadão, implicou incorporar no conceito de Nação, e do seu derivado Nacionalismo, uma carga ideológica que dependia precisamente do marco intelectual no qual se produziu a transformação dos Reinos em Estados-Nação: a ideologia liberal.
O nacionalismo está intimamente ligado a uma série de fenómenos históricos concretos: o advento da burguesia como classe hegemónica, a revolta do burguês e do comerciante contra as aristocracias guerreiras [Nobreza], a democracia como forma política, o capitalismo como sua tradução económica, e o individualismo como forma de conceber o mundo. Não há outro nacionalismo que o vinculado a todas estas tendências que aparecem num momento recente da História, perfeitamente identificável (a partir da Revolução Francesa, na Europa).

Ernesto Milà in «Identidade, Patriotismo e Enraizamento», 2011.

O amor cristão da pátria


Nem se deve recear que a consciência da fraternidade universal, fomentada pela doutrina cristã, e o sentimento que ela inspira, estejam em contraste com o amor às tradições e glórias da própria pátria, ou impeçam que se promovam a prosperidade e os interesses legítimos, porquanto essa mesma doutrina ensina que existe uma ordem estabelecida por Deus no exercício da caridade, segundo a qual se deve amar mais intensamente e auxiliar de preferência os que estão a nós unidos com vínculos especiais. E o divino Mestre deu também exemplo dessa preferência pela Sua pátria, chorando sobre as ruínas da Cidade Santa. Mas o legítimo e justo amor à própria pátria não deve excluir a universalidade da caridade cristã que faz considerar também aos outros e a sua prosperidade, na luz pacificadora do amor.

Papa Pio XII in encíclica «Summi Pontificatus», 1939.

Patriotismo: um dever de caridade


Se o Catolicismo fosse um inimigo da Pátria, não seria uma religião divina. A Pátria é um nome que trás à nossa memória as recordações mais queridas, ou porque carregamos o mesmo sangue que os nascidos no nosso próprio solo, ou devido ainda à mais nobre semelhança de afectos e tradições, a nossa Pátria não é apenas digna de amor, mas de predilecção.

Papa São Pio X, discurso pronunciado a 20 de Abril de 1909.

Patriotismo e Catolicismo


O patriotismo, princípio interno de unidade e ordem, ligação orgânica dos membros de uma mesma pátria, era considerado pela elite dos pensadores da Grécia e da Roma antiga, como a mais alta das virtudes naturais. Aristóteles, o príncipe dos filósofos pagãos, determinava que o desinteresse ao serviço da Cidade, isto é, do Estado, é o ideal terrestre por excelência.
A religião de Cristo faz do patriotismo uma lei: não há cristão perfeito que não seja patriota perfeito.
Ela eleva o ideal da razão pagã e o esclarece, mostrando que ele só se realiza no Absoluto [que é Deus].
(...)
À luz deste ensinamento, que é repetido por São Tomás de Aquino, o patriotismo assume um carácter religioso.

Cardeal Mercier in carta pastoral de 25 de Dezembro de 1914.

Maurras, mentor do Patriotismo português?


A verdade, que eu pretendo fazer ressaltar destas páginas, e das que lhes hão-de seguir, é que o nosso nacionalismo [patriotismo] não precisa socorrer-se dos mestres franceses da Contra-Revolução, porquanto, graças a Deus, os tem em casa, muito seus, os quais nada devem aos estranhos, como facilmente poderá averiguá-lo quem queira dar-se a esse trabalho, antes de fulminar o nosso apostolado, com críticas, talvez muito espirituosas, mas sem nenhuma consistência.
No século passado, ainda a Action Française estava na massa dos impossíveis, já nós possuíamos os nossos doutrinadores da Contra-Revolução, em cujos escritos de modo algum se reflectia a influência dos contra-revolucionários franceses dessa época, alguns dos quais surgiram até posteriormente, e revelando-se, nas suas obras, de uma forma incompleta, o que não sucedia aos nossos Gamas e Macedos, que eram declarada e integralmente reaccionários.
Nós podemo-nos orgulhar de ter mestres, e dos melhores, como nos temos esforçado por demonstrar em mais de doze anos de bom combate, e os quais só aguardam ser conhecidos e meditados, para que a sua superioridade se imponha a quantos de boa-fé queiram formar a sua cultura nacionalista [patriótica]. «Nós temos tudo feito», como ainda há tempos me dizia o Sr. Dr. Hipólito Raposo, ao percorrermos em comum algumas páginas da Dissertação a Favor da Monarquia.
De resto, o que certos pedagogos se obstinam em recusar ao Pensamento nacionalista [patriótico] português, não o recusam a estranhos. O próprio Charles Maurras, que esses críticos de escada abaixo têm querido arvorar em nosso mentor, é o primeiro a reconhecer a base tradicional do nosso doutrinarismo, como tive ensejo de o verificar, quando um dia me recebeu no seu gabinete da Action Française, e lhe dei a ler alguns passos de O Novo Príncipe do doutor José da Gama e Castro, um dos quais Maurras classificou de «luminoso», acrescentando, ao inquirir da sua data, que aquilo se escrevera quando ele ainda nem era nascido.

Fernando Campos in «A Genealogia do Pensamento Nacionalista», 1931.

§

Nota: Admite-se aqui o uso da palavra "nacionalismo" no sentido impróprio do termo, como sinónimo de "patriotismo". Pois como é sabido, o Nacionalismo é uma concepção napoleónica que nasceu do dogma liberal da independência – independência do Povo (Nação) face ao seu Soberano.

A virtude do Patriotismo


Mas os nossos primeiros antepassados são pai e mãe. Não é pois fora de propósito dizer que o patriotismo começa pela reverência dos pais, esses elos vivos, esses nós entre dois mundos. A etimologia nem sempre é argumento; mas aqui, neste problema que hoje nos ocupa, a etimologia vale por definição. Pátria deriva de pai. Patriotismo deriva de uma lei natural que foi elevada à dignidade de mandamento divino: honrar pai e mãe [e outros legítimos superiores]. Patriotismo é pois a virtude da longa continuação e da grande fidelidade.

(...)

Sendo o patriotismo uma virtude moral anexa da justiça e inscrita na esfera do Quarto Mandamento, é óbvio, para os católicos, que não pode haver vida cristã perfeita onde faltar essa forma de piedade. Daí se segue que um católico não pode desinteressar-se do seu país, da sua história e dos seus destinos, sem trair um preceito.

Gustavo Corção, adaptado de «Patriotismo e Nacionalismo».

O que é a Nação?


Possivelmente para alguns, associação transitória ou permanente de interesses materiais, a Nação é para nós sobretudo uma entidade moral, que se formou através de séculos pelo trabalho e solidariedade de sucessivas gerações, ligadas por afinidades de sangue e de espírito, e a que nada repugna crer esteja atribuída no plano providencial uma missão específica no conjunto humano. Só esse peso dos sacrifícios sem conta, da cooperação de esforços, da identidade de origem, só esse património colectivo, só essa comunhão espiritual podem moralmente alicerçar o dever de servi-la e dar a vida por ela. Tudo pela Nação, nada contra a Nação – só é uma divisa política na medida em que não for aceite por todos. E de facto não é.

António de Oliveira Salazar in discurso «O Meu Depoimento», 7 de Janeiro de 1949.

Heróis de ontem, vilões de hoje


Noutros tempos, todo o indivíduo que defendia o território do seu País, que por ele se batia e morria, era um patriota digno e merecedor do respeito e da admiração do inimigo leal e valente. Hoje, porém, as coisas modificaram-se e assim, na China, os chineses que se defendem são "bandidos", na Palestina os árabes são "terroristas" e os nacionalistas espanhóis são "facciosos".

José Gonçalves de Andrade in «O Legionário», 1939.

Pela Família, pela Nação


As nações só valem pela firmeza moral que as leva à consciência da dignidade colectiva e de uma finalidade comum. Fortalecer e moralizar a Família, é fortalecer e moralizar a Nação. Só as famílias fortes e duradoiras fazem as fortes nações.
A Terra de Portugal é o sagrado património de avoenga da Família Portuguesa: – conservemo-lo inalienável, intangível e eterno, se quisermos que eterna seja também a nossa Pátria.

Adriano Xavier Cordeiro in «O Problema da Vinculação», 1917.