Mostrar mensagens com a etiqueta José Pequito Rebelo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Pequito Rebelo. Mostrar todas as mensagens

Da República ocupante


Pode a República, dentro dos seus princípios, ou mesmo contra eles, curar estas doenças de aspecto mortal?
Não, porque estes três males [anarquia, impiedade e miséria], no seu somatório patológico, têm um só nome – a República; porque dos princípios republicanos, e da instituição republicana, essas doenças derivam, como a morte do veneno.
Regime baseado em ideias não-portuguesas, enraizado no maçonismo e no judaísmo internacional, essencialmente centralizador e tirânico, entronizador da ficção corruptora do voto, regime de tumultos por via das eleições, e de impotência nacional por efeito da acefalia governativa, – a República é a lenta ou catastrófica estrangeirização, é a traição nacional traduzida em lei escrita, a guerra civil e o assassinato infrene há dez anos, a alienação das colónias iminente, a soberania nacional periclitante.
Do voto que entronizou o «político», deriva irremediavelmente a constituição parasitária, alimentícia, depravadora da República, que desorganizou a riqueza nacional, desperdiçando o melhor dos seus valores, não praticando aqueles actos necessários de positiva gestão, empenhando ao estrangeiro a Terra portuguesa, e operando em favor dos piores portugueses, e quantas vezes de metecos qualificados, a usurpação de uma grande parte da velha riqueza legítima e nacional.
Sendo a democracia o governo da maçonaria, e, nos domínios do espírito, uma barbárie orgulhosa e sarapintada, a República tem-nos levado, apesar das suas escolas, a uma depressão incalculável de todos os valores intelectuais e morais.
Pela sua constituição parlamentarista e eleitoral, não pode a República, na pureza dos seus princípios, deixar de ser tendencialmente o governo do estrangeiro após a guerra civil, o trabalho servil após a fome e a miséria, a barbárie moral e mental pela impiedade e renúncia a Deus.
Também fora dos seus princípios, pela acção dos homens, a República não pode salvar o País. Nenhum regime vive fora dos seus princípios. E os princípios da República, não só afastam do poder os legítimos e os mais competentes, mas ainda tem o poder de corromper os homens e inutilizar as suas boas intenções. Além disso, não só os princípios negativos da República impedem a salvação nacional: removidos estes, são necessários os princípios e as virtudes positivas da Monarquia.
Faliu a república radical; faliu o presidencialismo conservador de Sidónio Pais, que, para não trair a República, atraiçoou inconscientemente o interesse nacional; há-de falir um novo Sidónio, se não tiver a envergadura de um Monk; haveria de falir miseravelmente qualquer parlamentarismo conservador, que somente significaria para a Pátria a morte numa paralisia humilhante, sem sobressaltos.

José Pequito Rebelo in jornal «A Monarquia», Janeiro de 1920.

As culpas da Grande Guerra


Aquela civilização material, que sem Deus quisera resolver o problema da vida, vai sendo destruída por culpa do seu orgulho; as facilidades da vida restringem-se, prepara-se a crise profunda do Após-Guerra; numa pavorosa catástrofe final antevê-se a falência económica e financeira dos Estados. E até o renascimento moral das trincheiras por momentos nos parece anulado por esta desmoralização crescente no mundo dos parvenus que a guerra enriqueceu, dos novos-ricos, desligados de toda a moralidade, de todo o espírito nacional.
Esta guerra não é a guerra antiga, a guerra mínima, a guerra normal, que o nosso militarismo prevê e aceita; é a guerra total, no espaço e na variedade e na imoralidade dos recursos, a Guerra Universal, tão absurda e nociva à Civilização...
Onde reside, perante a História Universal, a responsabilidade desta hecatombe geral, onde residem as culpas da Grande Guerra?
Nesse complexo de desequilíbrios sociais que cabem nas designações gerais de Revolução, Democracia, Individualismo, Liberalismo, Protestantismo, Maçonaria.
É bem esta guerra uma guerra de Princípios, no sentido de que foi causada por princípios falsos; o erro democrático no seu tríplice aspecto, político, económico e religioso, foi o grande assassino.

José Pequito Rebelo in jornal «Monarquia», Outubro de 1917.

A igualdade é um falso deus


A igualdade – fim social é, não só, contra naturam, mas também, logicamente, um absurdo; para que o não fosse, seria preciso, primeiro, que o indivíduo fosse o fim da sociedade, segundo, que a igualdade fosse o fim do indivíduo; ora o fim do indivíduo pode ser a sua utilidade, o seu bem; mas como a igualdade?
O conceito de igualdade encerra mesmo dois absurdos – a negação das desigualdades e a negação das diferenças; com efeito os elementos sociais ou são comparáveis e neste caso desiguais, ou incomparáveis e nesse caso diferentes. A sociologia igualitária radicalmente desconhece os dois aspectos e, assim, por um lado, nivela superior e inferior (destruição da aristocracia, do escol, do bom gosto, etc.) e por outro lado considera idêntico o que é diferente (estabelecendo artificialmente um tipo único de homem, estereotipado pela uniformidade do critério teórico ou legislativo, sem atenção às diferenças [legítimas] do tempo, local, nação, etc.).

José Pequito Rebelo in «Pela dedução à Monarquia».

Contra o mito do absolutismo


Voltando ao tema do absolutismo, tomemos o exemplo de França:

Como bem o mostraram os trabalhos de Fustel de Coulanges, o poder de Clóvis e de todos os seus sucessores, era de facto tão absoluto como o dos Reis depois de Luís XIV. Este Rei, na pessoa do qual se encarna o absolutismo, não destruiu em parte alguma os estados provinciais, os quais a monarquia costumava respeitar, quando tinham bastante vitalidade.
José Pequito Rebelo in jornal «Monarquia», Junho de 1917.

Tal como hoje em dia a esquerda acusa de "fascismo" qualquer oposição à sua direita, os liberais do século XVIII e XIX acusavam os Reis de "absolutismo" como forma de os fazer parecer odiosos, para assim melhor passar a sua mensagem revolucionária (maçónica, democrática, republicana). Foram, portanto, os liberais-iluministas quem inventou a tese do "absolutismo", segundo a qual a monarquia do período barroco seria uma degeneração totalitária da monarquia medieval – que segundo eles seria democrática. No entanto, como bem demonstrou Fustel de Coulanges, não existiam diferenças no poder do Rei entre o período medieval e o período barroco. Fica assim mais uma vez desfeita a teoria segundo a qual estávamos perante dois tipos diferentes de Monarquia. Pelo contrário, a natureza e as leis da Monarquia sempre foram as mesmas, até que surgiram os revolucionários maçónicos e introduziram o veneno do constitucionalismo, usurpando a soberania do Rei. Contudo, o pior de tudo é verificar que existem alguns monárquicos que se auto-intitulam como "tradicionalistas", mas que seguem a mesma tese maçónica sobre o absolutismo. Ora, com esses pseudo-tradicionalistas há que ter muita cautela, para que o seu erro não leve os mais desatentos. Que ninguém se engane, numa Monarquia católica, seja em França ou em Portugal, a soberania sempre residiu no Rei, responsável pela governação, e cujo poder e legitimidade vem de Deus, não do Povo por meio das Côrtes, como afirmam os falsos tradicionalistas.