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São José, Padroeiro da Santa Igreja


As razões que teve a Igreja, diz Leão XIII, para proclamar São José seu especial Patrono, e confiar tanto na valiosa protecção do grande Santo, não são outras senão as dos Títulos singulares que ele possuiu de Esposo de Maria e Pai adoptivo de Jesus Cristo (Quamquam pluries).
A José do Egipto, diz o Faraó, proclamando-o Vice-Rei: «Governarás a minha casa e ao império, da tua voz todo o meu povo te obedecerá» (Génesis, XLI, 40). «Ide a José e fazei o que vos disser».
O Rei dos Céus não deu menor poder ao novo José, Esposo de Maria.
Ite ad Ioseph é o que nos repete a Igreja, dando-nos como patrono São José.
Em 1869, setecentos e setenta e sete bispos, seis mil sacerdotes, por ocasião do Concílio Vaticano, pedem ao Santo Padre Pio IX, a aclamação solene e oficial do Patrocínio de São José sobre a Igreja Universal.
A 8 de Dezembro de 1870 a súplica é ouvida. O Pontífice da Imaculada Conceição e da Infalibilidade Pontifícia declara solenemente São José Patrono da Igreja Universal.

Pe. Ascânio Brandão in «Glória e poder de São José», 1945.

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Outrora, no dia de hoje, quarta-feira depois do Domingo de Pascoela, a Igreja inteira celebrava a festa do Patrocínio de São José. No entanto, esta importante solenidade foi suprimida do calendário litúrgico pelo Papa Pio XII, que a substituiu pela festa de São José Operário, a 1 de Maio de 1955.
Neste ano de 2020 cumprem-se cento e cinquenta anos sobre a solene proclamação do Papa Pio IX. Reavivemos, pois, a tão católica devoção do Patrocínio de São José.

São José, protector da Santa Igreja, rogai por nós!

Dia de São José, dia do Pai


A Igreja honra sempre a S. José com Maria e Jesus, especialmente nas festas de Natal, por isso lê hoje o Evangelho de 24 de Dezembro. Por um calendário copta, sabemos que a Igreja prestava a este Santo um culto litúrgico na data de 20 de Julho, desde o século VIII. A festa foi estabelecida, no fim do século XV, para o dia 19 de Março e, em 1621, Gregório XV estendeu-a à Igreja universal. Em 1870, Pio IX proclamou S. José protector da Igreja universal. O Santo «da raça real de David» era um homem justo (Ev.). Como, pelo facto de seus esponsais com a SS.ma Virgem, São José tem direitos sobre o bendito fruto do seio virginal da esposa; uma afinidade de ordem moral existe entre ele e Jesus. Exerceu sobre o Menino Deus certo direito paternal ao qual o Prefácio de S. José delicadamente alude pela palavra «paterna vice». Sem haver engendrado Jesus, S. José, pelos laços que o unem a Maria, é legal e moralmente o Pai do Filho da SS.ma Virgem; é pois mister reconhecer esta dignidade ou excelência sobrenatural de São José, por actos do culto. «Havia na família de Nazaré, diz Cornélio a Lápide, as três pessoas mais ilustres, mais excelentes do universo, o Cristo Homem-Deus, a Virgem Mãe de Deus e José, pai matrimonial de Cristo. Por isso ao Cristo é devido o culto de latria, à Virgem o culto de hiperdulia e a S. José o culto de suprema dulia». Deus lhe revelou o mistério da Encarnação e «o escolheu entre todos» (Ep.) para confiar-lhe a guarda do Verbo encarnado e a Virgindade de Maria. Diz o Hino de Laudes: «O Cristo e a Virgem o assistiram na hora suprema. S. José tinha a face estampada de doce serenidade». S. José foi para o Céu gozar eternamente da visão, face a face, do Verbo, cuja humanidade contemplara, tanto tempo e de tão perto, na terra. O Santo é, com razão, considerado como padroeiro e modelo das almas interiores e contemplativas. Na pátria celeste ele conserva grande poder sobre o coração do Filho da sua Santíssima Esposa. Imitemos neste Santo Tempo a pureza, a humildade, o espírito de oração e de recolhimento de José em Nazaré, onde viveu com Deus, como Moisés na nuvem.

Fonte: «Missal Quotidiano e Vesperal», 1940.

1º de Maio, dia de São José Operário


A Igreja baptizava outrora as festas pagãs, usando com soberana liberdade das datas e cerimónias para lhes dar um conteúdo cristão.
Foi inspirando-se nesta tradição que a Igreja colocou a festa civil do trabalho, no primeiro de Maio, sob o poderoso patrocínio de São José, o humilde artífice que Deus escolheu para velar sobre a infância do Verbo Encarnado. Quem, melhor do que ele, com o trabalho quotidiano, deu graças a Deus Pai pelo Senhor Jesus, seu aprendiz dócil e obediente, Aquele a quem chamavam «filho do carpinteiro»? Possa São José cobrir com sua vigilante protecção o mundo do trabalho de que partilhou a austera sorte. Possa ele guiar e sustentar os esforços deste mundo do trabalho para fazer que reinem sobre o mundo a justiça e a caridade, sob a lei do amor a Cristo.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.

1º de Maio, dia de São José Operário


Quantas vezes Nós manifestámos, e explicámos, o amor da Igreja para com os operários! No entanto, propaga-se amplamente a calúnia atroz de que «a Igreja é aliada do capitalismo contra os trabalhadores»! Ela, mãe e mestra de todos, teve sempre particular solicitude pelos filhos que se encontram em condições mais difíceis, e também, na realidade, contribuiu notavelmente para a conquista dos apreciáveis progressos obtidos por várias categorias de trabalhadores. Nós mesmo, na rádio-mensagem natalícia de 1942, dizíamos: «Levada sempre por motivos religiosos, a Igreja condenou os vários sistemas do socialismo marxista, e condena-os ainda hoje, como é seu dever e direito permanente de preservar os homens de correntes, e influências, que põem em risco a sua salvação eterna. Mas a Igreja não pode ignorar, ou deixar de ver que o operário, no esforço de melhorar a sua condição, choca com qualquer engenho que, longe de ser conforme à natureza, contrasta com a ordem de Deus e com o objectivo que Ele assinalou aos bens terrenos. Por mais falsos, condenáveis e perigosos que tenham sido, e sejam, os caminhos seguidos, quem, sobretudo se é sacerdote ou cristão, poderia permanecer surdo ao grito que se levanta das profundezas e, num mundo de um Deus justo, clama por justiça e espírito de fraternidade?».

Papa Pio XII in «Discurso por ocasião da solenidade de São José Operário», 1 de Maio de 1955.