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A Família e a Pátria


Se examinarmos os quadros sociais a que pertence necessariamente um indivíduo e em relação aos quais ele não é inteiramente livre, dois há a que pertence obrigatoriamente: a Família e a Pátria.
«Não sabemos se é justo que um filho não possa escolher o pai – escreve Charles Maurras – ou que um cidadão seja lançado numa raça antes de ter manifestado a sua livre vontade, a sua livre escolha! Sabemos que as coisas não podem passar-se de outro modo».
A Família e a Pátria são, pois, dois quadros naturais em que, sem preocupações pela sua vontade, antes mesmo que ela se manifeste, qualquer homem desde que nasce, se encontra integrado. Nasce de tal família e de tal povo, exactamente como nasce moreno ou loiro, pequeno ou grande, forte ou fraco. Não tem sobre esta escolha nenhuma liberdade. A sua dependência é fatal e obrigatória.
Mesmo que mais tarde entenda renegar a família ou a pátria, só artificialmente é que o faz, tal como as morenas que oxigenam os cabelos, sem que por isso deixem de manter a sua compleição.
Contudo, o homem, fazendo uso da sua vontade, pode apertar ou afrouxar os laços naturais que o ligam, desde que nasce, à Família e à Pátria. Pode amar os pais ou odiá-los, ter o sentido da Família, procurar nela o ponto de apoio moral e material nas lutas da vida, ou afastar-se dela, ser mau filho, ou indiferente, cultivar o eu em vez do nós familiar, e assim os laços naturais estreitam-se ou relaxam-se.
Do mesmo modo, pelo facto de pertencer a um povo, um indivíduo, chegado à idade adulta, pode discuti-lo, renegá-lo, quer se integre noutra comunidade humana (caso dos emigrantes), quer se recuse a aceitar os encargos inerentes à sua qualidade de cidadão de um país, e se proclame internacionalista (caso dos comunistas).

Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

Maurras, mentor do Patriotismo português?


A verdade, que eu pretendo fazer ressaltar destas páginas, e das que lhes hão-de seguir, é que o nosso nacionalismo [patriotismo] não precisa socorrer-se dos mestres franceses da Contra-Revolução, porquanto, graças a Deus, os tem em casa, muito seus, os quais nada devem aos estranhos, como facilmente poderá averiguá-lo quem queira dar-se a esse trabalho, antes de fulminar o nosso apostolado, com críticas, talvez muito espirituosas, mas sem nenhuma consistência.
No século passado, ainda a Action Française estava na massa dos impossíveis, já nós possuíamos os nossos doutrinadores da Contra-Revolução, em cujos escritos de modo algum se reflectia a influência dos contra-revolucionários franceses dessa época, alguns dos quais surgiram até posteriormente, e revelando-se, nas suas obras, de uma forma incompleta, o que não sucedia aos nossos Gamas e Macedos, que eram declarada e integralmente reaccionários.
Nós podemo-nos orgulhar de ter mestres, e dos melhores, como nos temos esforçado por demonstrar em mais de doze anos de bom combate, e os quais só aguardam ser conhecidos e meditados, para que a sua superioridade se imponha a quantos de boa-fé queiram formar a sua cultura nacionalista [patriótica]. «Nós temos tudo feito», como ainda há tempos me dizia o Sr. Dr. Hipólito Raposo, ao percorrermos em comum algumas páginas da Dissertação a Favor da Monarquia.
De resto, o que certos pedagogos se obstinam em recusar ao Pensamento nacionalista [patriótico] português, não o recusam a estranhos. O próprio Charles Maurras, que esses críticos de escada abaixo têm querido arvorar em nosso mentor, é o primeiro a reconhecer a base tradicional do nosso doutrinarismo, como tive ensejo de o verificar, quando um dia me recebeu no seu gabinete da Action Française, e lhe dei a ler alguns passos de O Novo Príncipe do doutor José da Gama e Castro, um dos quais Maurras classificou de «luminoso», acrescentando, ao inquirir da sua data, que aquilo se escrevera quando ele ainda nem era nascido.

Fernando Campos in «A Genealogia do Pensamento Nacionalista», 1931.

§

Nota: Admite-se aqui o uso da palavra "nacionalismo" no sentido impróprio do termo, como sinónimo de "patriotismo". Pois como é sabido, o Nacionalismo é uma concepção napoleónica que nasceu do dogma liberal da independência – independência do Povo (Nação) face ao seu Soberano.

A democracia é naturalmente desorganizada


Uma democracia não se organiza, porque a ideia de organização em qualquer grau que seja, exclui, também em qualquer grau, a ideia de igualdade: organizar é diferenciar e é, em consequência, estabelecer graus e hierarquias.

Charles Maurras in «Enquête sur la Monarchie», 1900.

Os actores principais da História


Tradução: «Sem os chefes, sem os santos, sem os heróis, sem os reis, a História é ininteligível.»

República e Democracia


A palavra república tem um sentido admissível. Mesmo depois do restabelecimento da Monarquia, poderá ser conservada com aquele significado antigo que designava o conjunto dos negócios públicos. Em compensação, democracia deve ser riscada, banida e esquecida, como puro sinónimo de degenerescência, expressão da desorganização e da pulverização, espécie de vestígio linguístico de quanto o regime republicano teve outrora de mais funesto.

Charles Maurras, citado por António Sardinha in «Ao Princípio era o Verbo», 1924.

Action française


Jornal e movimento político dirigido por Charles Maurras, L'Action française lutava baseada em sãs verdades naturais contra o democratismo liberal. Foi acusada falsamente de naturalismo. O Papa Pio XI, enganado, condenou-a. Pio XII viria a levantar esta sanção. Porém o mal estava feito: 1926 marca em França uma etapa decisiva na "ocupação" da Igreja pela facção católico-liberal.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

Crime de excesso

Fim do Ramadão, Lisboa, 28 de Julho de 2014

Nós temos vindo a transgredir os justos limites da tolerância, do respeito e da amizade. Nós temos vindo a cometer o crime de excesso. Queira Deus que não tenhamos que pagar em breve, e que as nobres raças às quais nós devemos uma contribuição tão valiosa, nunca se sintam envergonhadas pelo sentimento da nossa fraqueza.

Charles Maurras, sobre a inauguração da Grande Mesquita de Paris em 1926.

Um agnóstico confessa-se


Todas as minhas ideias preferidas – ordem, tradição, disciplina, hierarquia, autoridade, continuidade, unidade, trabalho, família, corporação, descentralização, autonomia, organização dos trabalhadores – foram preservadas e aperfeiçoadas pelo Catolicismo.


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Nota: Apesar de agnóstico durante quase toda a sua vida, Charles Maurras converteu-se no fim da mesma, nos longos e injustos anos do cárcere.

Que fazer?


Que se há-de fazer? Proclamar a excelência dos princípios perante a carência das pessoas, defender a herança contra o herdeiro, conforme ensinava o Mestre da Action Française. E esperar que o tempo das trevas se dissipe, porque há uma coisa que os democratas, descendentes de dinastias outrora gloriosas, não nos podem roubar – é a esperança.

António José de Brito in «Para a Compreensão do Pensamento Contra-Revolucionário».