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Decreto "Lamentabili sane exitu" (4ª Parte)



Nova teoria sobre a Igreja

52. Não estava no pensamento de Cristo constituir a Igreja em sociedade para durante uma longa série de séculos; muito ao contrário, no pensamento de Cristo, o Reino do Céu devia chegar com o fim iminente do mundo.
53. A constituição orgânica da Igreja não é imutável; mas, ao contrário, a sociedade cristã está sujeita, como a sociedade humana, a uma perpétua evolução.
54. Os dogmas, os sacramentos, a hierarquia, tanto na sua concepção como na realidade, não são mais do que interpretações do pensamento cristão e evoluções que aumentaram e aperfeiçoaram por desenvolvimentos externos o pequeno gérmen oculto no Evangelho.
55. Simão Pedro nem sequer suspeitou que lhe tivesse sido conferida a primazia na Igreja por Cristo.
56. A Igreja romana tornou-se a primeira de todas as Igrejas, não por uma disposição divina, mas por circunstâncias puramente políticas.

Evolucionismo absoluto e ilimitado

57. A Igreja mostra-se inimiga dos progressos das ciências naturais e teológicas.
58. A verdade não é mais imutável do que o homem, com o qual e pelo qual muda continuamente.
59. Cristo não ensinou um corpo de doutrina determinado, aplicável a todos os tempos e a todos os homens, mas provocou antes um movimento religioso adaptado ou podendo adaptar-se aos diversos tempos e lugares.
60. A doutrina cristã foi no começo judaica, depois, por evoluções sucessivas, tornou-se paulina, depois joanica, depois helénica e universal.
61. Pode dizer-se sem paradoxo que nenhum livro da Escritura, desde o primeiro do Génesis até ao último do Apocalipse, contém um doutrina absolutamente idêntica à que a Igreja professa sobre os mesmos assuntos, e, por consequência, que nenhuma parte da Escritura tem o mesmo sentido para o crítico e para o teólogo.
62. Os principais artigos do Símbolo dos Apóstolos não tinham, para os cristãos primitivos, a mesma significação que têm para os cristãos actuais.
63. A Igreja mostra-se incapaz de defender a moral evangélica, porque se mantém obstinadamente ligada a doutrinas imutáveis, incompatíveis com os progressos modernos.
64. O progresso das ciências exige a reforma da concepção da doutrina cristã acerca de Deus, da Criação, da Revelação, da Pessoa do Verbo e da Redenção.
65. O catolicismo actual não pode adaptar-se à verdadeira ciência, a não ser que se transforme em cristianismo não dogmático, isto é, em protestantismo largo e liberal.

No dia seguinte, quinta-feira, 4 do mesmo mês e ano, tendo sido feito a Sua Santidade Pio X um relatório geral fiel, Sua Santidade aprovou e confirmou o decreto dos Eminentíssimos Padres e ordenou que todas e cada uma das proposições, acima mencionadas, fossem consideradas por todos como reprovadas e proscritas.

3 de Setembro: Dia de São Pio X


José Sarto nasceu em Riese, pequena aldeia da Venécia, em 2 de Junho de 1835, de um meio extremamente modesto. A sua inteligência, o seu trabalho e a sua piedade, fizeram-no subir sucessivamente todos os degraus da hierarquia: Vigário, Cura, Bispo de Mântua, Patriarca de Veneza; eleito Papa em 4 de Agosto de 1903, tomou o nome de Pio X.
Foi para a Igreja um pastor de uma dedicação infatigável e de uma energia lúcida, ardente defensor da pureza da doutrina. Reconhecendo o valor da liturgia como oração da Igreja, e todo o apoio que ela pode fornecer à devoção dos fiéis, restituiu toda a honra às cerimónias do culto, particularmente ao canto gregoriano, para que o povo cristão pudesse, segundo a sua palavra, orar com beleza. Não se poupou a esforços para propagar a prática tão santificante da comunhão precoce, frequente e quotidiana.
Morreu em 20 de Agosto de 1914 e foi canonizado em 29 de Maio de 1954.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.

Decreto "Lamentabili sane exitu" (3ª Parte)



Cristologia de Loisy

27. A divindade de Jesus Cristo não se prova com os Evangelhos; é sim um dogma deduzido da noção de Messias pela consciência cristã.
28. Quando exercia o seu ministério, Jesus não falava com o intuito de ensinar que Ele era o Messias, nem seus milagres tinham o propósito de demostrá-lo.
29. Pode conceder-se que Cristo, tal como é apresentado na História, é muito inferior ao Cristo que é objecto da fé.
30. Em todos os testemunhos evangélicos o nome de Filho de Deus equivale somente ao nome de Messias; de modo algum significa que Cristo seja o Filho verdadeiro e natural de Deus.
31. A doutrina sobre Cristo que nos ensina S. Paulo, S. João e os Concílios de Nicéia, de Éfeso e de Calcedónia, não é a que Jesus ensinou, mas a que a consciência cristã idealizou a respeito de Jesus.
32. O sentido natural dos textos evangélicos é inconciliável com o ensinamento dos nossos teólogos, no que diz respeito à consciência de Jesus e à sua ciência infalível.
33. É evidente para quem se não deixa levar por opiniões preconcebidas que, ou Jesus professou o erro sobre o próximo advento do Messias, ou que a maior parte da sua doutrina contida nos Evangelhos Sinópticos carece de autenticidade.
34. O crítico não pode atribuir a Cristo uma ciência ilimitada, senão numa hipótese que é historicamente inconcebível e que repugna ao senso moral, ou seja: que Cristo, como homem, tinha ciência divina, e no entanto, não quis comunicar a seus discípulos e à posteridade o conhecimento que possuía de tantas coisas.
35. Nem sempre Cristo teve consciência de sua dignidade messiânica.
36. A Ressurreição do Salvador não é propriamente um facto de ordem histórica, mas um facto de ordem meramente sobrenatural que não foi demostrado, nem é demonstrável, e que a consciência cristã deduziu gradualmente de outros factos.
37. A princípio a fé na Ressurreição de Cristo consistia, não tanto no facto da ressurreição em si, mas sobre a vida imortal de Cristo junto de Deus.
38. A doutrina da morte expiatória de Cristo não é evangélica, mas data apenas de São Paulo.

Erros sobre a origem dos Sacramentos

39. As opiniões de que se achavam imbuídos os Padres do Concílio de Trento sobre a origem dos sacramentos, e que sem dúvida influenciaram seus cânones dogmáticos, estão muito distantes das que hoje sustentam com razão os investigadores históricos do cristianismo.
40. Os sacramentos tiveram a sua origem na interpretação que os apóstolos e seus sucessores, movidos e instruídos pelas circunstâncias e acontecimentos, deram a um certo esboço e vaga intenção de Cristo.
41. Os sacramentos não têm outro fim senão evocar no espírito do homem a presença sempre benéfica do Criador.
42. A comunidade cristã introduziu a necessidade do baptismo, adoptando-o como um rito necessário e vinculando-lhe as obrigações da profissão cristã.
43. O costume de administrar o baptismo às crianças foi uma evolução disciplinar, e este foi uma das causas para que o sacramento se desdobrasse em dois, a saber: Baptismo e Penitência.
44. Não há nada que prove que o rito do sacramento da Confirmação tivesse sido usado pelos Apóstolos; pelo contrário, a distinção formal dos dois sacramentos, Baptismo e Confirmação, não tem nenhuma relação com a história do cristianismo primitivo.
45. Nem tudo o que S. Paulo narra sobre a instituição da Eucaristia (1ª Epístola aos Coríntios, XI, 23-25), pode ser aceite historicamente.
46. Na Igreja primitiva não existia a ideia do cristão pecador reconciliado em virtude da autoridade da Igreja, mas só muito lentamente ela se foi habituando a este conceito. Além disso, mesmo depois que a Penitência foi reconhecida como uma instituição da Igreja, não era chamada de sacramento, por ser tida como infame.
47. As palavras do Senhor: "Recebei o Espírito Santo; Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (S. João, XX, 22-23), de modo nenhum se referem ao sacramento da Penitência, por mais que assim fosse do agrado dos Padres do Concílio de Trento.
48. S. Tiago, na sua epístola (V, 14-15), não pretendeu promulgar nenhum sacramento de Cristo, mas recomendar um pio costume; e se nesse costume ele talvez veja algum meio de obter graça, não o toma com o mesmo rigor com que o tomaram os teólogos que determinaram a noção e o número dos sacramentos.
49. À medida que a Ceia Cristã foi assumindo gradualmente a índole de cerimónia litúrgica, aqueles que tinham por costume presidi-la adquiriram o carácter sacerdotal.
50. Os anciãos, que nas assembleias cristãs exerciam o ofício da vigilância, foram instituídos pelos Apóstolos como presbíteros ou bispos para atender à organização necessária nas comunidades crescentes, mas não propriamente para perpetuar a missão e a potestade apostólica.
51. O matrimónio só pôde tornar-se sacramento na Igreja muito mais tarde; pois, para que o matrimónio fosse considerado sacramento, era necessário que primeiro se desse o completo desenvolvimento teológico sobre a doutrina da graça e dos sacramentos.

Decreto "Lamentabili sane exitu" (2ª Parte)



Erros sobre a Sagrada Escritura

9. Os que crêem que Deus é verdadeiramente o autor da Sagrada Escritura manifestam simplicidade excessiva ou ignorância.
10. A inspiração divina não se estende a toda a Sagrada Escritura, de tal modo que preserve de todo o erro, a todas e cada uma de suas partes.
11. A inspiração dos livros do Antigo Testamento consistiu em que os escritores israelitas transmitiram doutrinas religiosas sob um aspecto pouco ou nada conhecido dos pagãos.
12. O exegeta, se quer dedicar-se utilmente aos estudos bíblicos, deve apartar, antes de tudo, qualquer opinião preconcebida sobre a origem sobrenatural das Sagradas Escrituras e interpretá-las do mesmo modo que os outros documentos meramente humanos.
13. As parábolas do Evangelho foram forjadas com arte pelos próprios Evangelistas e pelos Cristãos de segunda e terceira geração, com o fim de explicar os exíguos frutos da pregação de Cristo entre os judeus.
14. Em muitas narrações os Evangelistas não atenderam tanto à verdade das coisas como a consignar aquilo que julgaram mais proveitoso a seus leitores, embora contrário à realidade.
15. Os Evangelhos foram aumentados com adições e correcções até chegar a um cânon fixo e definitivamente constituído, e neles, portanto, não resta senão um vestígio ténue e incerto da doutrina de Cristo.
16. As narrações de São João não são propriamente história, mas uma contemplação mística do Evangelho, e os discursos contidos em seu Evangelho são meditações teológicas sobre o mistério da salvação, destituídas de verdade histórica.
17. O quarto Evangelho exagerou os milagres, não apenas para fazê-los parecer mais extraordinários, mas também para torná-los mais apropriados para declarar a obra e a glória do Verbo Encarnado.
18. João apropria-se, é verdade, da qualidade de testemunho de Cristo, mas na realidade é apenas uma testemunha exímia da vida cristã, ou da vida de Cristo na Igreja, no final do primeiro século.
19. Os exegetas heterodoxos interpretaram o verdadeiro sentido das Escrituras mais fielmente que os exegetas católicos.

Filosofia religiosa da nova escola

20. A Revelação não poderia ser outra coisa senão a consciência adquirida pelo homem na sua relação com Deus.
21. A Revelação, que constitui o objecto da Fé católica, não terminou com os Apóstolos.
22. Os dogmas que a Igreja apresenta como revelados não são verdades descidas do Céu, mas uma interpretação de factos religiosos que a inteligência humana elaborou com grande esforço.
23. Pode existir, e realmente existe, oposição entre os factos narrados na Sagrada Escritura e os dogmas da Igreja que neles se baseiam; de modo que o crítico pode rejeitar como falsos, factos que a Igreja crê como certíssimos.
24. Não é condenável o exegeta que estabelece premissas, das quais se segue que os dogmas são historicamente falsos ou duvidosos, desde que ele não negue directamente os mesmos dogmas.
25. O assentimento da Fé apoia-se, em última análise, num acumular de probabilidades.
26. Os dogmas da Fé devem ser considerados somente segundo o sentido prático, isto é, como norma de proceder e não como norma de crer.

Decreto "Lamentabili sane exitu" (1ª Parte)


Das proposições dos modernistas condenadas pela Igreja
3 de Julho de 1907

Com êxitos verdadeiramente lamentáveis, a nossa época, inimiga de todo o freio, de tal modo segue não poucas vezes as novidades na investigação das supremas razões das coisas, que, deixando o que poderíamos chamar de herança da linhagem humana, incorre em gravíssimos erros. Os quais são muitíssimo mais perniciosos quando se trata de ensinamentos sagrados, da interpretação da Sagrada Escritura e dos principais mistérios da Fé. Sobretudo, é deplorável encontrar, até entre os católicos, não poucos escritores que, ultrapassando os limites estabelecidos pelos Santos Padres e pela própria Igreja, se dedicam, sob o pretexto de alta crítica e sob o título de razão histórica, a procurar um suposto progresso de dogma, que não é, na verdade, mais do que a sua deformação.
Mas a fim de que semelhantes erros, que se espalham todos os dias entre os fiéis, não se arreiguem no seu espírito e não alterem a pureza da sua fé, pareceu bem a Sua Santidade Pio X, Papa pela divina Providência, fazer notar e reprovar os principais de entre eles, por meio deste tribunal da Santa, Romana e Universal Inquisição.
Em consequência, após um exame diligentíssimo e com o prévio parecer dos reverendos consultores, os Excelentíssimos e Reverendíssimos Cardeais, inquisidores-gerais em matéria de Fé e de Moral, julgaram que devem ser reprovadas e proscritas as seguintes proposições, como são reprovadas e proscritas pelo presente decreto-geral.

Erros sobre a autoridade das decisões doutrinais da Igreja

1. A lei eclesiástica, que manda submeter à censura prévia os livros que se referem às divinas Escrituras, não se estende aos cultivadores da crítica ou exegese científica dos livros do Antigo e Novo Testamento.
2. A interpretação dos livros sagrados feita pela Igreja, não é certamente de desprezar, mas está submetida ao juízo mais apurado e à correcção dos exegetas.
3. Pelos juízos e censuras eclesiásticas contra a livre e mais elevada exegese, pode concluir-se que a fé proposta pela Igreja está em contradição com a História, e que os dogmas católicos não se conciliam realmente com as verdadeiras origens da religião cristã.
4. O magistério da Igreja não pode determinar o sentido genuíno das Sagradas Escrituras, nem mesmo por meio de definições dogmáticas.
5. Contendo-se no depósito da fé somente as verdades reveladas, sob nenhuma condição compete à Igreja julgar as asserções das ciências humanas.
6. Na definição das verdades, de tal modo colaboram a Igreja discente e docente, que nada mais resta à Igreja docente senão sancionar as opiniões comuns da discente.
7. A Igreja, ao proscrever erros, não pode exigir que os fiéis adiram com consenso interno aos juízos por ela proferidos.
8. Devem ser considerados imunes de toda culpa os que não atenderem às condenações proferidas pela Sagrada Congregação do Índex, ou por outras Sagradas Congregações Romanas.

A desigualdade natural é um bem social


I. A sociedade humana, tal qual Deus a estabeleceu, é formada de elementos desiguais, como desiguais são os membros do corpo humano; torná-los todos iguais é impossível; resultaria disso a destruição da própria sociedade humana.
II. A igualdade dos diversos membros da sociedade consiste somente no facto de todos os homens terem a sua origem em Deus Criador; foram resgatados por Jesus Cristo e devem, segundo a regra exacta dos seus méritos e deméritos, ser julgados por Deus e por Ele recompensados ou punidos.
III. Disto resulta que, segundo a ordem estabelecida por Deus, deve haver na sociedade príncipes e vassalos, patrões e proletários, ricos e pobres, sábios e ignorantes, nobres e plebeus, os quais, todos unidos por um laço comum de amor, se ajudam mutuamente para alcançarem o seu fim último no Céu e o seu bem-estar moral e material na terra.

Papa São Pio X in motu proprio «Fin dalla prima», 18 de Dezembro de 1903.

Da Autoridade e origem do Poder


O Sillon coloca a autoridade pública primordialmente no povo, do qual deriva em seguida aos governantes, de tal modo, entretanto, que continua a residir nele. Ora, Leão XIII condenou formalmente esta doutrina em sua Encíclica Diuturnum Illud (DP 12) sobre o Principado Político, onde diz: «Grande número de modernos, seguindo as pegadas daqueles que, no século passado, se deram o nome de filósofos, declaram que todo o poder vem do povo; que, em consequência, aqueles que exercem o poder na sociedade, não a exercem como sua própria autoridade, mas como uma autoridade a eles delegada pelo povo e sob a condição de poder ser revogada pela vontade do povo, de quem eles a têm. Inteiramente contrário é o pensamento dos católicos, que fazem derivar de Deus o direito de mandar, como de seu princípio natural e necessário». Sem dúvida, o Sillon faz descer de Deus esta autoridade, que coloca em primeiro lugar no povo, mas de tal forma que «sobe de baixo para ir ao alto, enquanto na organização da Igreja, o poder desce do alto para ir até ao baixo» (Marc Sangnier, discurso de Rouen, 1907). Mas, além de ser anormal que a delegação suba, pois é próprio à sua natureza descer, Leão XIII refutou de antemão esta tentativa de conciliação entre a doutrina católica e o erro do filosofismo. Pois prossegue: «É necessário observá-lo aqui: aqueles que presidem ao governo da coisa pública podem bem, em certos casos, ser eleitos pela vontade e o julgamento da multidão, sem repugnância, nem oposição, com a doutrina católica. Mas, se esta escolha designa o governante, não lhe confere a autoridade de governar, não lhe delega o poder, apenas designa a pessoa que dele será investido».

Papa São Pio X in carta apostólica «Notre Charge Apostolique», 15 de Agosto de 1910.


As causas do Modernismo


Não há que duvidar que a causa próxima e imediata é a aberração do entendimento. As remotas, reconhecemo-las duas: o amor por novidades e o orgulho. O amor por novidades basta por si só para explicar toda a sorte de erros. Por esta razão o Nosso sábio predecessor Gregório XVI, com toda a verdade escreveu (Encíclica Singulari Nos, 07-07-1834): «Muito lamentável é ver até onde se atiram os delírios da razão humana, quando o homem corre atrás de novidades e, contra as admoestações de São Paulo, se empenha em saber mais do que convém, e, confiando demasiado em si, pensa que deve procurar a verdade fora da Igreja Católica, onde ela se acha sem a menor sombra de erro». Contudo, o orgulho tem muito maior força para arrastar ao erro os entendimentos; e é o orgulho que, estando na doutrina modernista como em sua própria casa, aí acha à larga de que se cevar e com que ostentar as suas manifestações.

Papa São Pio X in encíclica «Pascendi Dominici Gregis», 1907.


Relembro: Do modernismo

Patriotismo: um dever de caridade


Se o Catolicismo fosse um inimigo da Pátria, não seria uma religião divina. A Pátria é um nome que trás à nossa memória as recordações mais queridas, ou porque carregamos o mesmo sangue que os nascidos no nosso próprio solo, ou devido ainda à mais nobre semelhança de afectos e tradições, a nossa Pátria não é apenas digna de amor, mas de predilecção.

Papa São Pio X, discurso pronunciado a 20 de Abril de 1909.

Da primeira encíclica de São Pio X


Em Outubro de 1903, o Papa São Pio X publicava a sua primeira encíclica, e nela falava dos males anunciados para o fim dos tempos. Mas hoje as coisas estão muito piores do que naquele tempo...

Além disto, e para passar em silêncio muitas outras razões, Nós experimentávamos uma espécie de terror em considerar as condições funestas da humanidade na hora presente. Pode-se ignorar a doença profunda e tão grave que, neste momento muito mais do que no passado, trabalha a sociedade humana, e que, agravando-se dia a dia e corroendo-a até à medula, arrasta-a à sua ruína? Essa doença, Veneráveis Irmãos, vós a conheceis, e é, para com Deus, o abandono e a apostasia; e, sem dúvida, nada há que leve mais seguramente à ruína, consoante essa palavra do profeta: Eis que os que se afastam de Vós perecerão (Sl. 72, 27).
(...)
Em nossos dias é sobejamente verdadeiro que as nações fremiram e os povos meditaram projectos insensatos (Sl. 2, 1) contra o Criador; e quase comum se tornou este grito dos Seus inimigos: Retirai-Vos de nós! (Job 21, 14). Daí, na maioria, uma rejeição completa de todo o respeito a Deus. Daí hábitos de vida, tanto privada quanto pública, que nenhuma conta fazem da soberania de Deus. Bem mais, não há esforço nem artifício que não se ponha em acção para abolir inteiramente a d'Ele, e até a Sua noção.
Quem pesa estas coisas tem direito de temer que uma tal perversão dos espíritos seja o começo dos males anunciados para o fim dos tempos, e como que a sua tomada de contacto com a terra, e que verdadeiramente o filho da perdição de que fala Apóstolo (2 Tess. 2, 3) já tenha feito o seu advento entre nós, tamanha é a audácia e tamanha a sanha com que por toda a parte se lança o ataque à Religião, com que se investe contra os dogmas da Fé, com que se tende obstinadamente a aniquilar toda a relação do homem com a Divindade! Em compensação, e é este, no dizer do mesmo Apóstolo, o carácter próprio do Anti-Cristo, com uma temeridade sem nome o homem usurpou o lugar do Criador, elevando-se acima de tudo o que traz o nome de Deus. E isso a tal ponto que, impotente para extinguir completamente em si a noção de Deus, ele sacode entretanto o jugo da Sua majestade, e dedica a si mesmo o mundo visível, à guisa de templo onde pretende receber a adoração dos seus semelhantes. Senta-se no templo de Deus, onde se mostra como se fosse o próprio Deus (2 Tess. 2, 2).
Qual venha a ser o desfecho desse combate travado contra Deus por uns fracos mortais, nenhum espírito sensato pode pô-lo em dúvida. Certamente, ao homem que quer abusar da sua liberdade lícito é violar os direitos e a autoridade suprema do Criador; mas ao Criador fica sempre a vitória. E ainda não é dizer o bastante: a ruína paira mais de perto sobre o homem justamente quando mais audacioso ele se ergue na esperança do triunfo. É o que o próprio Deus nos adverte nas Sagradas Escrituras. Dizem elas que Ele fecha os olhos sobre os pecados dos homens (Sab. 11, 24), como que esquecido do Seu poder e da Sua majestade; mas em breve, após essa aparência de recuo, acordando como um homem cuja força a embriaguez aumentou (Sl. 77, 65), Ele quebra a cabeça dos seus inimigos (Sl. 67, 22), a fim de que todos saibam que o Rei de toda a terra é Deus (Sl. 46, 8), e a fim de que os povos compreendam que não passam de homens (Sl. 9, 20).
Papa São Pio X in encíclica «E Supremi Apostolatus», 1903.

8 de Dezembro: Nossa Senhora da Conceição


Oração:
Virgem Santíssima, que tanto agradastes ao Senhor e fostes Sua Mãe Imaculada, no corpo, na alma, na fé e no amor. Por piedade, volvei benigna os vossos olhos para nós, que imploramos o vosso poderoso amparo.
A serpente maligna, contra quem foi lançada a primeira maldição, teima em combater e tentar os filhos de Eva.
Eia, pois, santa Mãe, nossa Rainha e Advogada, que desde o primeiro instante da vossa Conceição esmagastes a cabeça do inimigo, acolhei as súplicas que, unidos a vós num só coração vos pedimos, apresenteis ante o trono do Altíssimo, para que nunca nos deixeis cair nas emboscadas que se nos preparam, e cheguemos todos ao porto da salvação; e, no meio de tantos perigos, a Igreja e as nações cantem de novo o hino do resgate, da vitória e da paz. Ámen.

Papa São Pio X

Da verdadeira caridade


Ora, a doutrina católica nos ensina que o primeiro dever da caridade não está na tolerância das convicções erróneas, por sinceras que sejam, nem na indiferença teórica e prática pelo erro ou o vício, em que vemos mergulhados nossos irmãos, mas no zelo pela sua restauração intelectual e moral, não menos que por seu bem-estar material.

Papa São Pio X in carta apostólica «Notre Charge Apostolique», 1910.

A deformação da figura de Jesus Cristo

Jesus Cristo é o bom pastor

Desde que se aborda a questão social, está na moda, em certos meios, afastar primeiro a divindade de Jesus Cristo, e depois só falar de Sua soberana mansidão, de Sua compaixão por todas as misérias humanas, de Suas instantes exortações ao amor do próximo e fraternidade. Certamente, Jesus nos amou com um amor imenso, infinito, e veio à Terra sofrer e morrer, a fim de que, reunidos em redor d'Ele na justiça e no amor, animados dos mesmos sentimentos de mútua caridade, todos os homens vivam na paz e na felicidade. Mas para a realização desta felicidade temporal e eterna, Ele impôs, com autoridade soberana, a condição de se fazer parte de Seu rebanho, de se aceitar Sua doutrina, de se praticar a virtude, e de se deixar ensinar e guiar por Pedro e seus sucessores. Além disso, se Jesus foi bom para os transviados e os pecadores, não respeitou suas convicções erróneas, por sinceras que parecessem; amou-os a todos para os instruir, converter e salvar. Se chamou junto de si, para os consolar, os aflitos e os sofredores, não foi para lhes pregar o anseio de uma igualdade quimérica. Se levantou os humildes, não foi para lhes inspirar o sentimento de uma dignidade independente e rebelde à obediência. Se Seu coração transbordava de mansidão pelas almas de boa vontade, soube igualmente armar-se de uma santa indignação contra os profanadores da casa de Deus, contra os miseráveis que escandalizam os pequenos, contra as autoridades que acabrunham o povo sob a carga de pesados fardos, sem aliviá-la sequer com o dedo. Foi tão forte quão doce; repreendeu, ameaçou, castigou, sabendo e nos ensinando que, muitas vezes, o temor é o começo da sabedoria, e que, às vezes, convém cortar um membro para salvar o corpo. Enfim, não anunciou para a sociedade futura o reinado de uma felicidade ideal, de onde o sofrimento fosse banido; mas, por lições e exemplos, traçou o caminho da felicidade possível na Terra e da felicidade perfeita no Céu: a estrada real da Cruz. Estes são ensinamentos que seria errado aplicar somente à vida individual em vista da salvação eterna; são ensinamentos eminentemente sociais, e nos mostram em Nosso Senhor Jesus Cristo outra coisa que não um humanitarismo sem consistência e sem autoridade.

Papa São Pio X in carta apostólica «Notre Charge Apostolique», 15 de Agosto de 1910.

Alfredo Pimenta e os erros políticos da Santa Sé


Desde 1925 – há vinte e quatro anos portanto, pelo menos, que eu ando incansavelmente a ensinar que a política da Cúria Romana entrara no caminho do erro. O último Papa eminente que viu o problema foi Pio X. A política de Pio XI foi a mais desastrada que se podia conceber. A sua atitude para com a Action Française, um desatino; a Acção Católica, um perigo fatal; a sua guerra ao Fascismo, um jogo ilógico. Esta política que o seu sucessor agravou, conduziu a Igreja a subserviências perante a Democracia que a transformaram em escrava dos mais tenebrosos inimigos de Deus.

Alfredo Pimenta in «Três Verdades Vencidas: Deus, Pátria, Rei», 1949.

§

É digno de nota que esta opinião de Alfredo Pimenta coincide grandemente com a opinião de Mons. Marcel Lefebvre. No entanto, importa também não esquecer que o primeiro acidente político da Santa Sé ocorreu no pontificado de Leão XIII, com o famoso Ralliement.

A sociedade é naturalmente desigual


I. A sociedade humana, tal qual Deus a estabeleceu, é formada de elementos desiguais, como desiguais são os membros do corpo humano; torná-los todos iguais é impossível; resultaria disso a destruição da própria sociedade humana.
II. A igualdade dos diversos membros da sociedade consiste somente no facto de todos os homens terem a sua origem em Deus Criador; foram resgatados por Jesus Cristo e devem, segundo a regra exacta dos seus méritos e deméritos, ser julgados por Deus e por Ele recompensados ou punidos.
III. Disto resulta que, segundo a ordem estabelecida por Deus, deve haver na sociedade príncipes e vassalos, patrões e proletários, ricos e pobres, sábios e ignorantes, nobres e plebeus, os quais, todos unidos por um laço comum de amor, se ajudam mutuamente para alcançarem o seu fim último no Céu e o seu bem-estar moral e material na terra.

Papa São Pio X in motu proprio «Fin dalla prima», 18 de Dezembro de 1903.

A paz da Igreja não é a paz mundana


E sim, peçamos a paz, tal como é compreendida e desejada pelos filhos de Deus; uma paz digna deste nome, que a Sagrada Escritura de modo algum separa da Verdade, da Justiça e da Graça; esta é a paz da Igreja: o tranquilo cumprimento da lei cristã, o pacífico desenvolvimento das obras da Fé e Caridade, a afirmação pública da verdade e dos preceitos do Evangelho, a conformidade das leis e instituições humanas com a doutrina e o ensinamento moral de Jesus Cristo, a contínua resistência ao Príncipe das Trevas e a todos aqueles que propagam as suas perversas máximas.

Bispo de Mântua (futuro Papa São Pio X), alocução de 3 de Setembro de 1889.

São Pio X sobre os padres modernistas

O "porreiro" Papa Francisco.

Procuram lisonjear os ouvintes "que são movidos pelo prurido da novidade", contanto que mantenham as igrejas cheias, embora as almas não sejam curadas por permanecerem vazias. Por isso não falam nunca do pecado, nunca dos novíssimos, nunca de outras verdades gravíssimas que poderiam abalar a salvação, mas falam somente "com palavras de bajulação"; e isso o fazem também com eloquência mais de tribunal do que de apóstolos, mais profana do que sagrada, atraindo para eles os aplausos; esses já haviam sido condenados por São Jerónimo, quando escreveu: "Quando tu ensinas em assembleia, seja suscitado não o aplauso do povo, mas o arrependimento; o teu louvor sejam as lágrimas dos ouvintes".

Papa São Pio X in motu proprio «Sacrorum Antistitum», 1 de Setembro de 1910.

Non possumus


Não nos é possível favorecer esse movimento [o Sionismo]. Não podemos impedir os Judeus de ir a Jerusalém, mas nunca poderíamos aprová-lo. O solo de Jerusalém, que nem sempre foi sagrado, foi santificado pela vida de Jesus Cristo. Eu, como Chefe da Igreja, não posso responder de outra forma. Os Judeus não reconheceram Nosso Senhor, portanto, nós não podemos reconhecer o povo Judeu. Non possumus.

Papa São Pio X respondendo a Theodor Herzl, 26 de Janeiro de 1904.

Como resolver a crise na Igreja?


Todo aquele que tiver tendências modernistas, seja ele quem for, deve ser afastado quer dos cargos quer do magistério; e se já tiver de posse, cumpre ser removido.

Papa São Pio X in «Pascendi Dominici Gregis», 1907.