Mostrar mensagens com a etiqueta Pe. Juan Carlos Ceriani. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pe. Juan Carlos Ceriani. Mostrar todas as mensagens

Israel: distinções necessárias


Para se poder compreender bem o que foi feito, convém antes de mais estabelecer uma distinção relativamente ao povo Judeu. «Israel» pode entender-se em dois sentidos:

1. O «Israel espiritual», povo de Deus do Antigo Testamento até ao tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo. A sua missão era preparar a vinda do Messias, em quem encontraria o seu aperfeiçoamento.
Deste «Israel» é continuação a Igreja de Jesus Cristo, única herdeira legítima e exclusiva do seu património e missão sagrados.

2. O «Israel carnal», que materializou, carnalizou, a promessa de Deus e a própria noção do Messias, e que, por conseguinte, prevaricou, rejeitando-O na Sua primeira Vinda.
Neste «Israel carnal» podemos distinguir, por sua vez, duas outras realidades:

a) O povo Judeu depois de Cristo, povo chamado à conversão e ao baptismo, como todos os demais povos, mas com maior urgência e com uma dilecção particular por causa do seu património único, e com maior cuidado por causa da sua rebelião e do seu património actual.

b) O Judaísmo talmúdico: a religião actual dos Judeus, aquela que não só rejeitou o Messias e cometeu o Deicídio, mas que também persegue o Seu Corpo Místico, a Igreja, como usurpadora do seu património sagrado.

Os Judeus talmúdicos seguem o Talmude: interpretação rabínica da Lei Mosaica e código civil judaico.

A Igreja honra o «Israel espiritual», pois dá-lhe continuidade e é a sua herdeira.

A Igreja ama o «Israel carnal» chamado à conversão; procura os filhos desse povo como aos seus filhos mais velhos, rebeldes mas ainda amados.

A Igreja defende a sua própria razão de ser e os seus direitos contra as pretensões do Judaísmo talmúdico, contra o seu ódio e as suas perseguições.

Pe. Juan Carlos Ceriani in «El Deicidio», 5 de Março de 2011.

Da Grande Apostasia e a Segunda Vinda de Cristo


Hoje em dia há quem, certamente, viva mal; mas surgiu um problema mais grave, porque estamos nos últimos tempos... E a Fé é novamente questionada... Estamos tentados na Fé..., duvida-se, luta-se, perde-se a Fé... O qual também está profetizado que ocorreria...
O destino do povo judeu, profetizado na parábola [do banquete nupcial] com terrível precisão por Cristo, é uma coisa actual e de suma importância.
Este destino do povo judeu é a maior tragédia da história; o próprio Cristo o disse, comparando-o com o Dilúvio e também com a situação dos últimos tempos, ou seja, com a Grande Apostasia.
A causa da prevaricação judaica foi a corrupção da religião, o farisaísmo.
Esta situação deve mover-nos a uma grande compaixão; mas também a um grande temor respeitoso, pois a judaização do Cristianismo, que vemos hoje em dia, é simplesmente uma corrupção, que não é outra coisa do que a apostasia anunciada por São Paulo.
O grave e actual do assunto é que, assim como os judeus erraram em relação à Primeira Vinda de Cristo, os cristãos errarão em relação à Segunda Vinda de Cristo.
Está previsto que errarão... A Grande Apostasia, profetiza São Paulo, antes da Parusia.
E o mais grave é que a Nova Teologia:
1º Nunca se lembra da Grande Apostasia.
2º Não tem em conta a Segunda Vinda de Cristo.
3º Tem como um dogma incontestado que a Igreja e o mundo têm sempre que progredir.
Tudo isto não é apenas um erro de Fé, mas um disparate ante a razão. Não vale a pena substituir a esperança na Parusia, que é um dogma de Fé, por semelhante dislate.
E por isso, o perigo actual não é tanto a vida imoral que leva a maioria dos católicos (o qual é bem certo e lamentável), mas sim o perigo de vacilar na Fé.
Ora bem, se está prevista a Grande Apostasia, então o que podemos fazer?
Está profetizado que muitos vacilarão na Fé; mas não está predito que cada um tenha que vacilar na Fé... Isso depende de cada um...

Pe. Juan Carlos Ceriani in «Sermão do 19º Domingo depois de Pentecostes», 16 de Outubro de 2022.

Buscai primeiro o Reino de Deus...


Não faltará, quiçá, quem pergunte: mas por que nos deixa Deus por vezes expostos à privação das coisas necessárias à vida?
Deus faz isto por uma das seguintes razões:

– 1ª) Para nos castigar por nossas faltas;
– 2ª) Para nos fazer expiar o abuso dos bens temporais;
– 3ª) Para castigar o nosso amor ao supérfluo;
– 4ª) Para reprimir a nossa avareza ou cobiça;
– 5ª) Para corrigir a nossa ingratidão;
– 6ª) Para que pratiquemos a paciência;
– 7ª) Para nos fazer entender que os bens temporais não são nossos e não nos são devidos.

A conclusão que Nosso Senhor tira de todo o Seu discurso é admirável e resume-lo perfeitamente: Buscai, pois, primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo.
São João Crisóstomo comenta deste modo: Buscai os bens vindouros, e recebereis os perecíveis; não cobiceis os temporais, e os possuireis.

Pe. Juan Carlos Ceriani in «Sermão do 14º Domingo depois de Pentecostes», 11 de Setembro de 2022.

Da guerra infernal contra a Missa Tradicional


Para terminar, uma exortação...
Devemos estar conscientes que desde há mais de cinquenta anos o Santíssimo Sacramento é oficialmente profanado de diversas maneiras...
Devemos tomar consciência de que todos os esforços do Inferno são dirigidos para impedir que a Santa Missa seja celebrada – e bem celebrada! –, isto é, segundo a própria vontade de Deus, formulada nos Santos Cânones da Igreja Romana...
Devemos advertir que, enquanto não acabar totalmente com este único acto de adoração agradável a Deus, Satanás tentará limitá-lo aos espíritos e aos corações do menor número possível de indivíduos...
Devemos saber que esta luta continuará até ao fim dos tempos, e se intensificará de dia para dia… até conseguir a abolição do Sacrifício Perpétuo...
Devemos, pois, por tudo isto, reconhecer a gravidade da missa bastarda montiniana, a dos indultos (verdadeiros insultos à Missa Tridentina) de 1984 e 1988, assim como também (e até mais) à do motu proprio de 2007, muito mais grave e astuto que a do motu proprio de 2021...
Devemos conservar, custodiar e transmitir, à medida do nosso alcance, a verdadeira Missa Católica, codificada por São Pio V no Missal Romano...

Pe. Juan Carlos Ceriani in «Sermão do segundo domingo depois da Epifania», 16 de Janeiro de 2022.

Os três estádios de vida do Homem


Para Aristóteles, as três vidas típicas do Homem são: a vida pueril, a vida política e a vida especulativa. A primeira é a que tem por fim o prazer; a segunda a honra e a glória; e a terceira a contemplação. É como se disséssemos: a vida do divertido; a vida do homem de acção; e a vida do sábio.
Com o Cristianismo, temos que a vida estética é dominada pelo prazer; a vida ética está sob o signo da luta e da vitória; e a vida religiosa é regida pelo sofrimento.

O Estádio Estético
A vida estética é a dos que vivem na superfície das coisas; é a vida dominada pelo prazer, ainda que seja o prazer estético. É a vida no plano das sensações, das imagens, do sentimentalismo, da vida tangueira. Não é que não tenham razão e raciocínio, mas a razão está num nível rebaixado.
É de realçar que se pode ser muito religioso, muito devoto, e também muito moral, muito correcto, e viver no plano estético. O plano estético não designa somente o libertino vulgar, o simples estouvado ou o farrista trivial: é uma categoria filosófica que tem valor universal.
O viver no plano estético leva a estabelecer-se nas aparências, na exterioridade; a imprudência, a estupidez, a irresponsabilidade, a amoralidade, a imundice, a estultícia, o sentimentalismo, a grosseria... Para curá-las, há que subir ao plano moral, através de um salto.

O Estádio Ético
A vida ética é a que está dirigida à luta e à vitória, à glória, como diz Aristóteles.
O homem ético é aquele que está possuído pelo sentimento de justiça e de ordem: o homem aderido à moral.
Para Aristóteles, o grande estadista é o tipo desta vida; que por isso a chama de "vida política"; é uma grande vida, mas não é a superior.
O grande estadista é o homem da paixão ética, da luta, da vitória no campo da moral, quer dizer, no campo da alma dos homens, das multidões e das nações.
É um homem de costumes estritos ou correctos, de ideias conservadoras, de sentimentos moderados; não propenso ao êxtase, mas propenso à solenidade. É o homem irrepreensível, pelo menos ninguém conseguiu manchá-lo; nem ele permitirá que ninguém o manche; tem o sentimento e o cuidado da sua honra; justamente por isso Aristóteles põe a glória como o fim desta classe de vida. Para o homem ético, as palavras vício e virtude têm um valor terrível; a honra não é uma palavra vã.
A honra: chegará um momento difícil na sua vida (que ele fará todo o possível para que não chegue, mas que pode chegar) em que ele abandonará o seu posto para não manchar a sua honra.
Este tipo é o que constitui – ou deveria constituir – a média da vida humana, o tecido geral da sociedade, ou em último caso, o que chamam de classes dirigentes.
Em suma, os que devem dirigir necessitam da moral.

O Estádio Religioso
É, para Aristóteles, a vida contemplativa e está sob o signo da contemplação; Kierkegaard disse, severamente, que está sob o signo do sofrimento.
Se Kierkegaard disse que o religioso está sob o signo do sofrimento, não disse como o pérfido apóstata, Renan, que "a verdade é triste", nem a tristeza de Kierkegaard é a desesperação de Lutero.
Se a religião está sob o signo do sofrimento, quer dizer que o homem que está no plano religioso, é o homem que viu, de uma vez para sempre, a vida cara a cara – e também a morte –; e tendo aceitado a vida, e tendo aceitado a morte, colocou-se de imediato no centro da realidade e em relação directa com o divino.
Ao homem religioso, este mundo aparece-lhe como um espectáculo – tal como ao homem estético.
A vida aparece-lhe como uma luta – tal como ao homem ético.
Mas aparece-lhe como uma luta sem vitória – quer dizer, como um sofrimento, e isso o diferencia dos outros dois homens.
Além disso, ele sente-se débil, enquanto os outros se sentem sólidos e seguros; eles sentem-se num mundo sólido, em terra firme; ele está em equilibro instável. Às duas por três, cai num abismo, do qual sai bracejando arduamente; mas quando chega à superfície, dá-se conta que as ondas em que vive são a realidade da vida; e que a terra firme dos outros dois é pura aparência.
Por isso, pode contemplar esses dois mundos dos outros – o mundo do sensível e o mundo da moral – com um pouco de "humor".
E isto, e nada mais, é a "tristeza cristã". Ele, que está em relação directa com Deus, está em relação directa com uma coisa maior do que o homem: uma coisa tremenda.

Pe. Juan Carlos Ceriani in «Sermão de Domingo de Sexagésima», 7 de Fevereiro de 2021.

Do moderno farisaísmo


São sinais de farisaísmo, mais do que claros hoje em dia:
– A hipertrofia da "disciplina";
– Os meios convertidos em fins;
– A sinuosidade e a dissimulação no obrar;
– A rigidez implacável;
– A chantagem por meio de coisas sagradas;
– A ignorância completa da pessoa humana;
– A falta de misericórdia e de justiça, substituídas por "mandatos humanos" mortos e metálicos.

Pe. Juan Carlos Ceriani in «Sermão do 16º Domingo depois de Pentecostes», 20 de Setembro de 2020.