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Antes o abuso de um Rei do que a tirania plutocrática


A experiência parece mostrar que os abusos de poder cometidos em benefício de uma aristocracia hereditária são, em geral, menos perigosos para o sentimento jurídico de um povo do que os abusos provocados por um regime plutocrático; é absolutamente certo que nada é tão eficaz em destruir o respeito pela lei quanto o espectáculo de malfeitorias cometidas, com a cumplicidade dos tribunais, por aventureiros que se tornaram suficientemente ricos para poder subornar os homens de Estado.

Georges Sorel in «Les Illusions du progrès», 1908.

O moderno totalitarismo


Não há nenhuma razão, bem vistas as coisas, para que os novos totalitarismos se assemelhem aos antigos. O governo por meio de bastões e pelotões de fuzilamento, de fomes artificiais, de prisões e deportações em massa, não é apenas desumano (ninguém se importa muito com isso hoje em dia) é comprovadamente ineficiente, e na era da tecnologia avançada, a ineficiência é pecado contra o Espírito Santo. Um Estado totalitário realmente eficiente será aquele em que o todo-poderoso executivo dos chefes políticos e o seu exército de directores controlarão uma população de novos escravos que não necessitam ser coagidos, pois terão amor à sua servidão. Fazer que eles a amem, tal será a tarefa, atribuída nos modernos Estados totalitários aos ministérios de propaganda, aos editores dos jornais e aos mestres-escola.

Aldous Huxley in prefácio a «Admirável Mundo Novo», 1946.

Pior do que a guerra


Pior do que a guerra, é as sociedades humanas viverem subjugadas pela violência unilateral de um só grupo, pelo poder dos fortes sem escrúpulos, pelo vício, pela corrupção que não conhece limites, pela negação da verdade, da justiça e da liberdade. Ou seja, pelo domínio do mal e pelo desespero de saber que a paz e a ordem jamais serão restabelecidos. O bem que a paz fomenta nunca poderá ser garantido pelo comodismo pacifista, nem poderá provir da iniquidade de entregar as populações aos caprichos de ideologias ou de ideais perversos. Nem tão-pouco da traição dos compromissos assumidos. Isto devia ser lembrado aos cidadãos.

João José Brandão Ferreira in «Em Nome da Pátria: Portugal, o Ultramar e a Guerra Justa», 2009.