Mostrar mensagens com a etiqueta Rússia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rússia. Mostrar todas as mensagens

A Rússia vista dos EUA


Moscovo é hoje um centro de tirania corrupta, censura, repressão autoritária, violência policial, propaganda, mentiras e desinformação governativa e de planeamento de crimes de guerra. É um centro mundial de ódio anti-feminista, anti-gay e anti-trans, bem como a pátria da teoria da grande substituição pela imigração. Ao apoiar a Ucrânia, estamo-nos a opor a essas visões fascistas e a apoiar os princípios fundamentais do pluralismo democrático.

Jamie Raskin, congressista dos EUA, comunicado de imprensa aos 25 de Outubro de 2022.

Crimes soviéticos apontados à Rússia


O Ocidente – com indiferença, mas para nossa grande amargura – confunde os termos «Russo» e «Soviético», «Rússia» e «U.R.S.S.», muito embora aplicar os primeiros aos segundos seja o mesmo que conceder ao assassino o direito de usar a roupa e a identidade da sua vítima. É um erro irreflectido considerar os Russos da U.R.S.S. como «nação dominante». Não o são, certamente. Os Russos sofreram o primeiro golpe devastador no tempo de Lenine; desde então, fizeram-se milhões de mortos (e o que é pior ainda: assassinados de modo selectivo, devido à sua elevada qualidade, em relação aos outros), mesmo antes desse genocídio que foi a colectivização. Foi a partir de então que toda a história russa começou a ficar conspurcada, que a Igreja e a cultura foram esmagadas, e que religiosos, nobres, negociantes, e, dentro de pouco tempo também, o campesinato, foram aniquilados. Seguidamente, outros povos sofreram também golpes desses; mas ainda hoje são as regiões rurais da Rússia que têm o nível de vida mais baixo em toda a U.R.S.S., sendo as cidades de província as que possuem os mais baixos índices de abastecimento. Em vastas regiões do nosso País não há nada para comer e as importações de cereais americanos em nada beneficiaram o povo em geral (os cereais são guardados em silos de reserva para serem usados em caso de mobilização). Os Russos constituem a massa principal dos escravos deste Estado. O povo russo está extenuado, em via de degeneração biológica, e a sua consciência nacional aviltada e esmagada.

Alexandre Soljenitsin in «O Erro do Ocidente», 1980.


Nota: Vale a pena lembrar que faz muitos anos que a propaganda nacionalista ucraniana usa o Holodomor como "prova" histórica da prepotência russa face à Ucrânia, omitindo: 1) que a sua autoria não foi russa, mas soviética [*]; 2) que não apenas os Ucranianos, mas também Russos, Cazaques, Tártaros, etc. foram vítimas da Grande Fome de 1930-1933.

[*] O primeiro governo soviético era composto por 80-85% de Judeus, conforme reconheceu Vladimir Putin em 2013.

A estranha confusão entre «Rússia» e «URSS»


Em primeiro lugar, usa-se a palavra «Rússia» a torto e a direito: diz-se «Rússia» por «U.R.S.S.» e «russos» por «soviéticos», conferindo sempre uma certa superioridade emocional aos segundos («os blindados russos entraram em Praga», «o imperialismo russo», mas: «as explorações soviéticas no cosmos», «os êxitos do ballet soviético»). Ora, importa estabelecer uma distinção muito nítida entre estes dois conceitos, não apenas opostos, mas inimigos um do outro. A relação existente entre eles assemelha-se àquela que liga um homem à sua doença. Não confundimos o homem com o seu mal, não lhe damos o nome da sua doença, nem o culpamos de a ter! Ao Estado, como entidade actuante, ao País, com o seu governo, a sua política e o seu exército, não se pode chamar Rússia desde 1917. É ilegítimo aplicar a palavra «russo» ao actual governo da U.R.S.S., aos seus próximos êxitos militares e ao poder que virá a implantar nos quatro cantos do mundo, mesmo que o russo continue a ser a sua língua oficial.

Alexandre Soljenitsin in «O Erro do Ocidente», 1980.


Estalinismo: bode expiatório do Comunismo


Alguns especialistas recorrem a este processo a fim de demonstrarem que o comunismo é apenas possível nos países cuja história tenha sido «viciada»; e outros para tirar as culpas ao comunismo e imputarem os erros da sua instauração às características peculiares da nação russa. Encontramos esta concepção numa série recente de artigos dedicados ao centenário de Estaline (em especial do Prof. Robert Tucker no New York Times de 21 de Dezembro de 1979).
Sucinto, mas enérgico, o artigo de Tucker causa espanto: não teria sido escrito há vinte e cinco anos? Como é que um especialista em ciências políticas ainda pode, actualmente, ter ideias tão erradas sobre o fenómeno comunista? Nele voltamos a encontrar os infalíveis «ideais revolucionários», que o infame Estaline teria arruinado, visto não ter ido beber a sua ciência a Marx, mas sim à infame história russa. O Prof. Tucker apressa-se a salvar o crédito do socialismo ao declarar que Estaline nunca foi um verdadeiro socialista! A sua acção não foi inspirada pela teoria de Marx, mas pelo exemplo dos eternos Ivã, o Terrível, e Pedro, o Grande. Toda a época estalinista não passaria do regresso radical ao tempo dos czares e não seria a aplicação metódica do marxismo às realidades do mundo contemporâneo. Estaline teria arruinado o bolchevismo (em vez de o ter perpetuado). A minha modéstia não me permite pedir, nem esperar, que o Prof. Tucker leia, pelo menos, o primeiro volume d'O Arquipélago de Gulag (de facto, seria preferível que ele lesse os três). A sua leitura refrescar-lhe-ia a memória: lembrar-se-ia de que o aparelho policial comunista, que viria a fazer sessenta milhões de vítimas, foi criado por Lenine, Trotsky e Dzerjinski. A Tcheca, sua primeira manifestação, tinha poderes ilimitados para, sem instauração de processo, fuzilar grande número de pessoas. Foi Lenine quem, com o seu próprio punho, redigiu o artigo 58 do Código Penal, fundamento de todo o Gulag estalinista. Todo o terror vermelho e a repressão de milhões de camponeses foram obra de Lenine e de Trotsky. Foram as suas instruções que Estaline aplicou escrupulosamente, se bem que estupidamente, à medida da sua capacidade intelectual. Apenas num ponto se afastou de Lenine: foi quando, a fim de reforçar o seu poder, decidiu eliminar os dirigentes do Partido Comunista. Mas também nesse ponto ele se contentou em seguir a lei de todas as revoluções sangrentas: elas acabam, infalivelmente, por devorar os seus próprios autores. Na U.R.S.S. dizia-se com razão: «Estaline é o Lenine de hoje». É verdade: toda a época estalinista é apenas a continuação directa do leninismo, mas com mais maturidade nos resultados e um desenvolvimento mais vasto e mais igual. O estalinismo nunca existiu, nem na teoria, nem na prática: não se pode falar nem de fenómeno estalinista, nem de época estalinista; estes conceitos foram inventados pela ideologia ocidental de esquerda, após 1956, apenas para defender os ideais comunistas. Nem um fantasma perverso conseguiria fazer de Estaline um nacionalista russo, muito embora tenha liquidado quinze milhões de camponeses, e dos melhores, quebrando a espinha ao campesinato russo, isto é, à própria Rússia, sacrificando mais de trinta milhões de homens durante a segunda guerra mundial em que participou, sem se preocupar minimamente em economizar o potencial humano e sem a mais pequena consideração pelo seu povo.

Alexandre Soljenitsin in «O Erro do Ocidente», 1980.

Entendendo a guerra na Ucrânia



Segundo a doutrina dominante no Ocidente, a crise na Ucrânia deve ser atribuída quase exclusivamente à agressão Russa. Diz o argumento que o Presidente Russo, Vladimir Putin, anexou a Crimeia pelo imenso desejo em ressuscitar o Império Soviético, e que ele eventualmente pode ir atrás do resto da Ucrânia, bem como dos outros países da Europa Oriental. Nesta visão, a deposição do Presidente Ucraniano, Viktor Yanukovych, em Fevereiro de 2014, foi apenas um pretexto para Putin ordenar que as forças Russas ocupassem parte da Ucrânia.

Mas esta narrativa está errada: os Estados Unidos e os aliados Europeus partilham da maior parte da responsabilidade na crise. A raiz do problema é o alargamento da NATO, o elemento central de uma estratégia maior para tirar a Ucrânia da influência Russa e integrá-la no Ocidente. Ao mesmo tempo, a expansão da UE para Leste e o apoio do Ocidente ao movimento pró-democracia na Ucrânia – que começou com a Revolução Laranja em 2004 – também foram elementos críticos. Desde meados da década de 1990 que os líderes Russos se opuseram veementemente ao alargamento da NATO, e, nos últimos anos, eles deixaram claro que não ficariam quietos enquanto o seu vizinho estrategicamente mais importante se transformasse num bastião Ocidental. Para Putin, a deposição ilegal do Presidente Ucraniano democraticamente eleito e pró-Russo – que ele correctamente rotulou de "golpe" – foi a gota de água. Ele respondeu conquistando a Crimeia, uma península que ele temia vir a albergar uma base naval da NATO, e trabalhando para desestabilizar a Ucrânia até que esta abandonasse os seus esforços para se juntar ao Ocidente.

A reacção de Putin não deveria ter sido uma surpresa. Afinal, o Ocidente estava a mover-se para o espaço da Rússia e a ameaçar os seus principais interesses estratégicos, um ponto que Putin frisou enfática e repetidamente. As elites dos Estados Unidos e da Europa foram apanhadas de surpresa pelos eventos, apenas porque têm uma visão deturpada da política internacional. Eles tendem a acreditar que a lógica do realismo tem pouca importância no século XXI, e que a Europa pode ser mantida inteira e livre com base em princípios liberais, como o Estado de Direito, a interdependência económica e a Democracia.

Mas este grande plano correu mal na Ucrânia. A crise mostra que a realpolitik contínua relevante – e que os Estados que a ignoram, fazem-no por sua conta e risco. Os líderes dos EUA e da Europa erraram ao tentarem transformar a Ucrânia num reduto Ocidental junto à fronteira Russa. Agora que as consequências foram expostas, seria um erro ainda maior continuar essa política disparatada.

(...)

O pacote triplo de políticas do Ocidente – alargamento da NATO, expansão da UE e promoção da Democracia – acrescentou combustível a um fogo que esperava ser ateado. A faísca veio em Novembro de 2013, quando Yanukovych rejeitou um grande acordo económico, que estava a negociar com a UE, e decidiu aceitar uma contraproposta Russa de 15 biliões de dólares. Essa decisão deu origem a manifestações antigovernamentais que se intensificaram nos três meses seguintes, e que, em meados de Fevereiro, levaram à morte de uns cem manifestantes. Emissários ocidentais voaram à pressa para Kiev para resolver a crise. Em 21 de Fevereiro, o governo e a oposição fecharam um acordo que permitiu a Yanukovych permanecer no poder até que novas eleições fossem realizadas. Mas o acordo imediatamente se desfez e Yanukovych fugiu para a Rússia no dia seguinte. O novo governo em Kiev era pró-Ocidental e anti-Russo em essência, e tinha quatro membros de alto escalão que podiam ser legitimamente rotulados de neofascistas.

Embora a extensão total do envolvimento dos EUA ainda não tenha sido revelada, está claro que Washington apoiou o golpe. Victoria Nuland e o senador republicano John McCain participaram em manifestações antigovernamentais, e Geoffrey Pyatt, o embaixador dos EUA na Ucrânia, proclamou, após a queda de Yanukovych, que era «um dia para ficar nos livros de História». Como revelou uma escuta telefónica, Nuland havia defendido a mudança de regime e queria que o político Ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, se tornasse primeiro-ministro no novo governo, algo que veio a acontecer. Não é de admirar que os Russos de todas as convicções pensem que o Ocidente desempenhou um papel na queda de Yanukovych.

Para Putin, chegou a hora de agir contra a Ucrânia e o Ocidente. Pouco depois de 22 de Fevereiro, ele ordenou que as forças Russas tomassem a Crimeia, e, logo depois, incorporou-a na Rússia. A tarefa mostrou-se relativamente fácil, graças aos milhares de tropas Russos estacionados numa base naval do porto de Sebastopol, na Crimeia. A Crimeia também foi um alvo fácil, uma vez que os Russos étnicos compõem cerca de 60% da sua população. A maioria deles queria abandonar a Ucrânia.

Em seguida, Putin pôs imensa pressão no novo governo de Kiev para desencorajá-lo a aliar-se ao Ocidente contra Moscovo, deixando claro que destruiria a Ucrânia como Estado funcional, antes de permitir que esta se tornasse num reduto Ocidental às portas da Rússia. Para esse fim, ele forneceu conselheiros, armas e apoio diplomático aos separatistas Russos no leste Ucraniano, que por sua vez estão a empurrar o País para a guerra civil. Ele reuniu um enorme exército na fronteira Ucraniana, ameaçando invadi-la se o governo reprimir os rebeldes. E também aumentou drasticamente o preço do gás natural, que a Rússia vende à Ucrânia, e exigiu o pagamento de exportações anteriores. Putin está a jogar duro.

As acções de Putin deviam ser fáceis de compreender. Uma enorme extensão de terra plana, que a França napoleónica, a Alemanha imperial e a Alemanha nazi cruzaram para atacar a própria Rússia, a Ucrânia serve como um Estado-tampão de enorme importância estratégica para a Rússia. Nenhum líder Russo iria tolerar uma aliança militar, que até recentemente era inimiga mortal de Moscovo, mudar-se para a Ucrânia. Nem nenhum líder Russo ficaria de braços cruzados, enquanto o Ocidente ajudava a instalar ali um governo empenhado em integrar a Ucrânia no Ocidente.

Washington pode não gostar da posição de Moscovo, mas deve entender a lógica por trás dela. Isto é Geopolítica básica: as grandes potências são sempre sensíveis a eventuais ameaças próximas ao seu território de origem. Afinal, os Estados Unidos não toleram que grandes potências distantes enviem forças militares para qualquer parte do Hemisfério Ocidental, muito menos nas suas fronteiras. Imagine a indignação em Washington, se a China edificasse uma impressionante aliança militar e tentasse incluir nela o Canadá e o México. Lógica à parte, os líderes Russos disseram a seus pares Ocidentais, em várias ocasiões, que consideram inaceitável a expansão da NATO na Geórgia e na Ucrânia, juntamente com qualquer esforço para colocar esses países contra a Rússia – uma mensagem que a guerra Russo-Georgiana de 2008 também deixou clara.

(...)

Mas a maioria dos realistas opôs-se à expansão, acreditando que uma grande potência em declínio, com uma população envelhecida e uma economia unidimensional, não precisava de facto ser contida. E eles temiam que o alargamento só desse a Moscovo um incentivo para causar problemas no Leste Europeu. O diplomata Americano, George Kennan, articulou esta perspectiva numa entrevista em 1998, logo após o Senado Americano ter aprovado a primeira ronda de expansão da NATO. «Acho que os Russos reagirão gradualmente de forma bastante adversa e isso afectará as suas políticas», disse ele. «Acho que é um erro crasso. Não havia nenhuma razão para isto. Ninguém estava a ameaçar ninguém».

A maioria dos liberais, por outro lado, era a favor do alargamento, incluindo muitos membros-chave da administração Clinton. Eles acreditavam que o fim da Guerra Fria havia transformado substancialmente a política internacional e que uma nova ordem, pós-nacional, havia substituído a lógica realista que costumava governar a Europa. Os Estados Unidos não eram apenas a «nação indispensável», como disse a Secretária de Estado Madeleine Albright; era também uma potência hegemónica benigna, e, portanto, improvável de ser vista como uma ameaça em Moscovo. O objectivo, em essência, era fazer com que todo o Continente se parecesse com a Europa Ocidental.

E assim os Estados Unidos e os seus aliados procuraram promover a Democracia nos países da Europa Oriental, aumentar a interdependência económica entre eles e incorporá-los nas instituições internacionais. Tendo vencido o debate nos Estados Unidos, os liberais tiveram pouca dificuldade em convencer os aliados Europeus a apoiar o alargamento da NATO. Afinal, dadas as conquistas anteriores da UE, os Europeus estavam ainda mais apegados do que os Americanos à ideia de que a geopolítica não mais importava e que uma ordem liberal abrangente poderia manter a paz na Europa.

(...)

Em essência, os dois lados têm operado segundo diferentes perspectivas: Putin e os seus compatriotas têm pensado e agido de acordo com ditames realistas, enquanto os pares Ocidentais têm aderido a ideias liberais sobre a política internacional. O resultado é que os Estados Unidos e os seus aliados provocaram, sem o saber, uma grande crise na Ucrânia.

(...)

Contudo, há uma solução para a crise na Ucrânia – embora exige que o Ocidente pense no País de uma maneira essencialmente diferente. Os Estados Unidos e os seus aliados devem abandonar o plano de ocidentalizar a Ucrânia e, em vez disso, tentar torná-la num espaço neutro entre a NATO e a Rússia, semelhante à posição da Áustria durante a Guerra Fria. Os líderes Ocidentais devem reconhecer que a Ucrânia é tão importante para Putin, que eles não podem promover lá um regime anti-Russo. Isso não significa que um futuro governo Ucraniano teria que ser pró-Rússia ou anti-NATO. Pelo contrário, o objectivo deve ser uma Ucrânia soberana que não caia nem para o lado Russo, nem para o lado Ocidental.

Para atingir esse objectivo, os Estados Unidos e os seus aliados devem descartar publicamente a expansão da NATO na Geórgia e na Ucrânia. O Ocidente deve também ajudar a elaborar um plano de resgate económico da Ucrânia financiado conjuntamente pela UE, o FMI, a Rússia e os Estados Unidos – uma proposta que Moscou deve acolher, dado o seu interesse em ter uma Ucrânia próspera e estável no seu flanco ocidental. E o Ocidente deve limitar consideravelmente os seus esforços de engenharia social dentro da Ucrânia. É hora de acabar com o apoio ocidental a outra Revolução Laranja. No entanto, os líderes dos EUA e da Europa devem incentivar a Ucrânia a respeitar os direitos das minorias, especialmente os direitos linguísticos dos russófonos.

(...)

Os Estados Unidos e os seus aliados Europeus enfrentam agora um dilema sobre a Ucrânia. Eles podem continuar a sua actual política, que exacerbará as hostilidades com a Rússia e devastará a Ucrânia no processo – um cenário em que todos sairiam a perder. Ou podem mudar de rumo e trabalhar para criar uma Ucrânia próspera, mas neutra, que não ameace a Rússia e permita que o Ocidente repare as suas relações com Moscovo. Com esta abordagem, todos os lados sairiam vencedores.

John Mearsheimer in revista «Foreign Affairs», Setembro-Outubro de 2014.

Entre os EUA e a Rússia


Das suas relações comparadas com a Europa, segue-se claramente que uma dominação russo-bárbara de toda a Europa, se tal coisa fosse provocada pela política americana – e essa é a única maneira de tal evento ocorrer – seria menos prejudicial para o Destino da Europa do que a continuação da dominação judaico-americana. Pois o bárbaro, pela sua própria presença, dissolveria o inimigo interno da Europa e uniria a Europa espiritualmente.

Francis Parker Yockey in «The Enemy of Europe», 1981 (póstumo).

§

Este livro terá sido escrito na década de 1950. E que vemos hoje? A Europa Ocidental, que nunca conheceu a barbárie comunista, e que vive desde 1945 sob a hegemonia cultural americana, encontra-se mais avançada nos erros morais e políticos do que o Leste Europeu. Pois conforme ensinou Santo Agostinho: é mais temível o engano do dragão do que a fúria do leão; as insídias são mais perigosas do que a violência.

Nicolau II e as aparições de Fátima

Romanov

O fenómeno das aparições de Fátima na Cova de Iria está estreitamente ligado à Rússia, porque os destinos deste País estiveram no centro de um dos seus "três segredos". Daí também a atenção dedicada no País aos acontecimentos de 13 de Maio de 1917.
Uma das questões que os estudiosos colocam é se chegaram notícias sobre as aparições na Cova da Iria ao último czar russo, Nicolau II, que, em 1917, tinha sido detido na cidade de Tobolsk e, em Julho de 1918, foi fuzilado pelos comunistas com toda a família.
Em 1975, em Nova Iorque, foi publicado o livro de memórias Casa Especial, de Charles Gibbes, preceptor do filho e das quatro filhas de Nicolau II e de Alexandra. Este inglês, que esteve com a família real russa entre Outubro de 1917 e Fevereiro de 1918, conseguiu escapar às mãos dos carrascos comunistas, regressou a Inglaterra, onde se converteu do anglicanismo à ortodoxia, e dirigiu a comunidade ortodoxa de Oxford até 1963, ano em que morreu.
Nessa obra, Charles Gibbes escreveu: "Em meados de Outubro chegaram alguns jornais, publicados nos meses de Junho e Julho. Sua Alteza mostrou-me alguns jornais onde, com títulos diferentes, se fazia a descrição do milagre de Fátima... Todos os jornais descreviam pormenorizadamente as aparições extraordinárias na azinheira na Cova da Iria, assinalando que crianças camponesas analfabetas de uma aldeiazinha remota portuguesa tinham alguma noção sobre a Rússia. Isso era simplesmente incrível!"
"No lugar de Vossa Alteza – assinalei com cuidado –, eu não prestaria especial atenção a essas notícias. Sabe como são os jornalistas e a sua eterna inclinação para os exageros. Nos países católicos, semelhantes casos como o milagre de Fátima não são uma raridade."
No entanto, segundo escreve Gibbes, Nicolau II não concordou com ele: "Nenhum jornalista português teria a ideia de pôr nos lábios dessa menina profecias sobre a Rússia... Em Portugal não só essa menina analfabeta, mas a maioria dos proprietários sabe tanto da Rússia como nós deles, talvez menos. Quem podia colocar nos lábios da menina, talvez santa no futuro, palavras precisamente sobre a Rússia?"
No seu diário, o czar Nicolau II regista a presença de Charles Gibbes em Tobolsk entre Outubro de 1917 e Fevereiro de 1918.
"Dia frio, claro. Soubemos ontem que chegou o Mr. Gibbes, mas ainda não o vimos, talvez porque as coisas e as cartas que trouxe ainda não foram revistadas!", escreve Nicolau no dia 6 de Outubro de 1917.

Fonte: «Diário de Notícias», 10 de Maio de 2008.

O testemunho de um dissidente soviético


Palavras de quem sofreu directamente a brutalidade do sistema comunista:

Se me perguntarem se eu quero propor ao meu país como modelo o Ocidente, tal como hoje se apresenta, devo responder com franqueza: não, não posso recomendar a vossa sociedade como ideal para a transformação da nossa. (...) Uma sociedade não pode permanecer no fundo do abismo sem leis, como é o nosso caso, mas será irrisório manter-se à superfície lisa de um juridismo sem alma, como sucede convosco. Uma alma humana acabrunhada por muitas dezenas de anos de violência aspira a algo de mais elevado, mais quente e mais puro do que o que pode propor-lhe a existência de massa no Ocidente, anunciada, como se fosse um cartão-de-visita, por uma pressão enjoativa de publicidade, pelo embrutecimento da televisão e por uma música insuportável.

Aleksandr Solzhenitsyn in «O Declínio da Coragem», 1978.

13 de Maio de 1917


Precisamente nesse dia 13 de Maio, em São Petersburgo, Lenine redigiu o "credo ateu" afirmando: "Já não há Céu, já não há Deus!". A esta mesma hora, envolvida em luz e paz, suave como a chuva sobre a relva, solícita Mãe pelo bem dos filhos que vê em perigo, aparecia em Fátima a Santíssima Virgem, entregando a três inocentes crianças uma mensagem de salvação para o mundo e revelando que vinha do Céu.
Frente ao materialismo ateu do comunismo nascente, o Céu projectou sobre a humanidade um clarão de luz para a iluminar na densa noite que ameaçava envolvê-la inteiramente.
Quando o mundo fechava os olhos ao sobrenatural e voltava as costas a Deus, a Mãe de Deus e dos homens, veio avisar do perigo eminente e mostrar o modo de o evitar, pedindo oração e conversão.

Irmã Maria Celina in «Boletim da Serva de Deus Irmã Lúcia».