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Assunção de Nossa Senhora


Assunção de Nossa Senhora. É doutrina da Igreja que a Virgem foi elevada ao Céu em alma e corpo após a sua morte. Em memória deste facto celebra-se a festa da Assunção no dia 15 de Agosto.
Os Portugueses têm um motivo especial para solenizar a festa da Assunção de Nossa Senhora: foi na véspera desse dia, em 14 de Agosto de 1385, que D. Nuno Álvares Pereira firmou a independência de Portugal, derrotando os Castelhanos na batalha de Aljubarrota. É dia santo de guarda.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

§

Sempre foi de Fé católica a Assunção de Nossa Senhora aos Céus. Por essa razão, Pio XII definiu dogmaticamente a 1 de Novembro de 1950: «...com a Autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, e com a Nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial».

Ajustam-se pazes entre Portugal e Castela


Cortada Castela de tantos golpes, esvaida de tanto sangue que deixou na memorável batalha de Aljubarrota, e em outras que se lhe seguiram, em que sempre foi sangrada e vencida pelo ferro e braço Português; Vendo-se sem as praças e terras que ocupava em Portugal, e que já lhe tomávamos as suas, e fazíamos a guerra dentro em sua própria casa; procurou El-Rei Dom João I de Castela fazer tréguas com El-Rei Dom João I de Portugal, e este lhas concedeu por três anos com condições de honra e vantagem nossa, e se assinou o tratado neste dia [29 de Novembro], ano de 1389. Morto depois o de Castela desgraçadamente, seu filho Dom Henrique, que lhe sucedeu, ratificou as mesmas tréguas no ano de 1393, e as prorrogou por quinze anos. Faltando, porém, à religiosa observância delas, lhe tomámos em represália a Cidade de Badajoz, com que se renovaram as guerras, as quais se concluíram com as pazes de Ayllón de 1411.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

23 de Abril: Dia do Mártir São Jorge


Neste dia, em Portugal, a votiva solenidade do estrénuo cavaleiro de Cristo S. Jorge, tutelar de Sua Milícia, que nascendo em Capadócia da Grécia, o venera a Igreja Latina como a um de seus mais ilustres Mártires, em razão dos atrocíssimos tormentos que intrepidamente suportou pela confissão de seu inefável nome. A quem a piedosa Nação Portuguesa, reconhecida a tanto valor e fortaleza celestial, consagrou Templos e levantou Colónias em todas as idades, invocando intercessor nas batalhas e conflitos militares (como a Espanhola a Sant-Iago Apóstolo) experimentando por seu meio inumeráveis vezes venturosos sucessos nas armas, como apregoam nossas antigas histórias. Principalmente na memoranda de Aljubarrota, ano 1385, pois em sinal de troféu, mandou o Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira (tronco da esclarecida Casa de Bragança), erigir no meio do campo em que se conseguiu a celebérrima vitória, um famoso Templo consagrado à Belipotente Rainha dos Angélicos esquadrões e ao invicto Mártir S. Jorge, Alferes da Igreja Católica. Debaixo de cujo soberano patrocínio, reedificou depois o Castelo de Lisboa, el-Rei D. João I, de feliz memória. O qual trouxe toda a vida a insígnia e divisa de sua Militar Ordem. E ordenou que na solene procissão do Corpo de Deus, fosse uma pessoa a cavalo, vestida de armas brancas, com lança vibrada e escudo embraçado, que representasse ao vivo o próprio Santo, como vemos ainda hoje em todas as cidades e vilas deste Reino, com tanto aparato e bizarria.

Pe. Jorge Cardoso in «Hagiológio Lusitano dos Santos e Varões ilustres em virtude, do Reino de Portugal e suas conquistas», Tomo II, 1657.

8 de Setembro: Nossa Senhora da Oliveira


No mesmo dia [8 de Setembro], ano de 1342, Reinando em Portugal Dom Afonso IV, sucedeu em Guimarães reverdecer de repente uma Oliveira, que de muitos tempos estava seca, defronte da porta de uma Igreja da Mãe de Deus, cuja festa então se celebrava, como em dia tanto seu; e por ocasião deste raro prodígio, se chamou Santa Maria da Oliveira a Imagem Sacrossanta, que ali se venera, à qual El-Rei Dom João I confessava dever a memorável vitória de Aljubarrota, e a foi visitar a pé, e em acção de graças se mandou (armado de todas as armas, e a cavalo) pesar a prata, que ofereceu à mesma Senhora, e Igreja: Esta é a nobilíssima Colegiada de Guimarães, que por sua antiguidade, privilégios, e grandezas, faz justa competência com as mais ilustres Catedrais do Reino.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Frei Nuno: Herói e Santo


Frei Nuno, Herói soldado,
É grande o teu ideal;
Repete a história o brado:
Por Deus e Portugal.
Prodígios são do Céu;
E o Carmo excelsa rota,
Sublima o nome teu.

Ó Condestável Santo,
Sê tu, nosso broquel
Esmague o teu encanto,
A sanha de Lusbel.
Ressoe e por toda a parte
Em pró do teu ideal.
Audaz pregão de guerra,
Dom Nuno de Portugal

Inspira à juventude,
De Deus, da Pátria o amor,
O culto da virtude,
Coragem e valor!
Nas lides da existência,
Sê sempre o seu farol.
E guia-a com clemência,
À luz do Eterno Sol!

Fonte: «Iconografia Condestabriana», 1971.

14 de Agosto


14 de Agosto – Vigília da Assunção da Virgem Maria.



14 de Agosto de 1385 – Batalha de Aljubarrota.



14 de Agosto de 1433 – Morte de D. João I (vencedor em Aljubarrota).

No 633º aniversário da Batalha de Aljubarrota


Frei Nuno recebeu o embaixador de Castela, em sua cela, amortalhado no hábito.
Nunca mais despireis essa mortalha? – perguntou-lhe o castelhano.
Só se el-Rei de Castela outra vez movesse guerra a Portugal...
E erguendo-se:
Em tal caso, enquanto não estiver sepultado, servirei ao mesmo tempo a religião que professo e a terra que me deu o ser.
Por baixo do escapulário, tinha o arnês vestido.
O castelhano, curvando a cabeça, saiu.

João J. Brandão Ferreira in «D. Nuno Álvares Pereira: Um Português de Excepção», 2009.

§

Santo Condestável do Reino de Portugal, o Beato Nuno de Santa Maria nasceu no dia de São João Baptista em 1360 e morreu no dia de Todos-os-Santos em 1431. Foi beatificado há um século, a 23 de Janeiro de 1918.

O Santo Condestável e Fátima


Do afecto, da exímia piedade, diz o decreto da Confirmação de seu culto, com que amava a Santíssima Virgem, são esplêndidos documentos e provas a imagem da mesma Beatíssima Virgem que auspiciosamente trazia pintada nos estandartes militares; seis templos, dos sete por ele erguidos, consagrados à Mãe de Deus, as missas que perpetuamente se deviam celebrar nos altares-mores desses templos, e os jejuns rigorosos por Nuno fielmente observados nos sábados do ano e nas vigílias das festas de Maria, ainda quando destinados a combate. Tal é, meus amados Diocesanos, o grande herói nacional e o grande santo cujo culto solene vamos inaugurar na nossa querida diocese. Leiria não pode ficar indiferente a este santo movimento, tanto mais que fazem parte da nossa diocese Aljubarrota e Ourém – Aljubarrota, o seu principal feito militar, e Ourém, o seu domínio preferido.

D. José, Bispo de Leiria, in «Pastoral sobre o culto do Beato Nuno de Santa Maria na Diocese de Leiria», 8 de Setembro de 1924.


A razão de Nossa Senhora aparecer em Fátima, foi por ser terra do Santo Condestável.
A minha mãe costumava contar que a caminho da Batalha de Aljubarrota, quando D. Nuno e os seus homens chegaram mais ou menos onde está agora a Cruz Alta do Santuário, os cavalos do exército, como que por milagre, ajoelharam-se por terra e D. Nuno terá dito que, ali, um dia algo de importante irá acontecer. De facto, foi nesse local que Nossa Senhora apareceu. Foi por causa da devoção que D. Nuno teve por Nossa Senhora, que ela apareceu na Cova da Iria.

Irmã Lúcia, 1998.

Assim nasceu o Mosteiro da Batalha


Na manhã de 14 de Agosto de 1385, momentos antes da Batalha de Aljubarrota, o príncipe D. João, Mestre de Avis, fez um voto solene à Santíssima Virgem, no qual se comprometia erigir um mosteiro em Sua honra, em caso de vitória portuguesa. E assim aconteceu. Na véspera da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, o pequeno exército português de 7 mil homens conseguiu um triunfo retumbante sobre o poderoso exército castelhano de 40 mil homens. O príncipe D. João cumpriu a sua promessa, e terminada a guerra com Castela, mandou edificar o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, também conhecido como Mosteiro da Batalha.

Hino do Beato Nuno de Santa Maria


Herói e Santo, D. Nuno imortal,
Valei à terra de Portugal!

Dom Nuno Álvares Pereira
Nosso encanto e nossa glória,
Retomai vossa Bandeira
E levai-nos à vitória.

Em vosso peito de crente
E robusto lutador
Ardem continuamente
Chamas de fé e amor

Carmelita e Cavaleiro,
Abraçando a Cruz da Espada,
Mostraste ao mundo inteiro
O valor da Pátria Amada.

Ébria de sonho e de aurosa,
Voss'alma fremente e bela,
Brilhou nas eras de outrora
Mais alto do que uma estrela.