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Pior do que ver maçons em todo o lado...


Mais grave erro do que «ver franco-mações em toda a parte», é não os ver em parte nenhuma. Se a acção oculta da Maçonaria não explica toda a História, desde há quase dois séculos, todavia não é desde então explicável a História, sem o prévio conhecimento da Maçonaria e da sua actividade oculta.

Jacques Ploncard d'Assac in prefácio a «Três Estudos Políticos», 1956.

Da conjura maçónica


O Pe. Barruel, que fora contemporâneo dos enciclopedistas, e estudara minuciosamente a actuação destes, publicou em 1803 [2ª edição], em Hamburgo, uma obra capital para a história da Maçonaria nos finais do século XVIII: as Mémoires pour servir à l'histoire du jacobinisme. A documentação do Pe. Barruel procede de duas fontes autênticas: as cartas de Voltaire e os documentos apanhados pela Polícia do Eleitor de Munique, em Outubro de 1786, em casa de um mação graduado da seita dos Iluminados da Baviera, um certo Zwach. Estes documentos foram impressos por ordem da Côrte de Munique, na Tipografia de Ant. François. Para salientar a seriedade desses arquivos, cumpre referir que, logo de entrada, no primeiro volume, se acha esta advertência feita por ordem do referido Eleitor: «Os que tiverem qualquer dúvida sobre a autenticidade desta colectânea, não terão mais do que apresentar-se nos arquivos secretos de Munique, onde foi dada ordem para lhes serem mostradas as peças originais. Munique, 26 de Março de 1787».
Se todos os Governos tivessem tido a clarividência do Eleitor bávaro, a conjura maçónica, desmascarada no embrião, teria por ventura abortado, e a evolução política dos últimos dois séculos teria sido bem diferente.

Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

A Família e a Pátria


Se examinarmos os quadros sociais a que pertence necessariamente um indivíduo e em relação aos quais ele não é inteiramente livre, dois há a que pertence obrigatoriamente: a Família e a Pátria.
«Não sabemos se é justo que um filho não possa escolher o pai – escreve Charles Maurras – ou que um cidadão seja lançado numa raça antes de ter manifestado a sua livre vontade, a sua livre escolha! Sabemos que as coisas não podem passar-se de outro modo».
A Família e a Pátria são, pois, dois quadros naturais em que, sem preocupações pela sua vontade, antes mesmo que ela se manifeste, qualquer homem desde que nasce, se encontra integrado. Nasce de tal família e de tal povo, exactamente como nasce moreno ou loiro, pequeno ou grande, forte ou fraco. Não tem sobre esta escolha nenhuma liberdade. A sua dependência é fatal e obrigatória.
Mesmo que mais tarde entenda renegar a família ou a pátria, só artificialmente é que o faz, tal como as morenas que oxigenam os cabelos, sem que por isso deixem de manter a sua compleição.
Contudo, o homem, fazendo uso da sua vontade, pode apertar ou afrouxar os laços naturais que o ligam, desde que nasce, à Família e à Pátria. Pode amar os pais ou odiá-los, ter o sentido da Família, procurar nela o ponto de apoio moral e material nas lutas da vida, ou afastar-se dela, ser mau filho, ou indiferente, cultivar o eu em vez do nós familiar, e assim os laços naturais estreitam-se ou relaxam-se.
Do mesmo modo, pelo facto de pertencer a um povo, um indivíduo, chegado à idade adulta, pode discuti-lo, renegá-lo, quer se integre noutra comunidade humana (caso dos emigrantes), quer se recuse a aceitar os encargos inerentes à sua qualidade de cidadão de um país, e se proclame internacionalista (caso dos comunistas).

Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

Voltar à realidade


«O homem sem pátria, sem família e sem Deus, já não está senão ligado à representação [subjectiva] que forma do universo», apontou com razão o Prof. De Corte. Platão notava que «o homem é o único ser da natureza que pode emigrar da realidade própria e instalar-se na imaginação».
Todo o problema do homem moderno consiste em voltar à realidade. Mas o homem não o consegue sem dificuldades, sem vontade, sem esforço intelectual. Nisso está em desvantagem relativamente ao resto da Criação, se nos atemos a um ponto de vista materialista.
«Todos os seres vivos – assinalou o Dr. Carrel –, à excepção do homem, possuem uma espécie de ciência inata do universo e de si mesmos. Esse instinto força-os a inserirem-se na realidade, de forma completa e segura. Não têm, pois, a liberdade de se enganar. Só os seres dotados de razão são falíveis, e por conseguinte, perfectíveis.»

Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

Declaração de um historiador agnóstico


Sempre e por toda a parte, desde há mil e oitocentos anos, quando o Cristianismo desfalece, os costumes públicos e privados degradam-se. Na Itália, durante a Renascença, na Inglaterra, sob a Restauração, em França, durante a Convenção e o Directório, viu-se o homem tornar-se pagão como nos primeiros séculos. Achava-se como no tempo de Augusto ou de Tibério, voluptuoso e duro. Abusava dos outros e de si próprio. O egoísmo brutal e calculista tomara o ascendente. Faziam estendal a crueldade e a sensualidade. A sociedade convertia-se numa Falperra e em lugar suspeito.

Hippolyte Taine, citado por Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

Liberalismo e Nacionalismo


A ideia essencial dos doutrinadores da Revolução Francesa era a de que o indivíduo estava liberto de toda e qualquer ligação com o passado, que a sociedade era fruto de um contracto e que o homem podia modificá-lo à vontade, sempre que julgasse ter encontrado a ordem política ideal.
A Pátria cessa, pois, de ser território ocupado por homens da mesma etnia, unidos por tradições e interesses comuns, para identificar-se com uma ética.
A Pátria já não é o que somos, mas o que pensamos.
E como as ideias não têm fronteiras, a pátria revolucionária também não as tem, e os autores da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão declararam que querem «fazer uma declaração para todos os homens, para todos os tempos, para todos os países e que sirva de exemplo ao mundo».
Mas desde que fosse proposta aos indivíduos uma noção abstracta da pátria, cada cidadão podia forjar, por si, uma ideia particular dela. Nesse sentido, o Comunismo também nasce directamente das ideias de 1789. A pátria ideológica substituiu a pátria terrestre e do sangue.
Enquanto existiu a Monarquia tradicional, nunca se verificou a necessidade de definir a Nação. A nação não se definia; existia como uma família mais vasta do que a família de cada indivíduo. O pai era o Rei. Os súbditos só tinham que preocupar-se em executar o seu trabalho diário no quadro da sua profissão [e estado]. Nem se lhes pedia sequer que defendessem a Pátria. Bastavam os voluntários.
Quando os progressos da Revolução aboliram a Monarquia tradicional e entregaram o poder nas mãos dos povos [soberania nacional], estes tiverem que definir os seus limites e as suas concepções políticas. Assim nasceram o princípio das nacionalidades [ou Nacionalismo] e os partidos políticos.
O princípio das nacionalidades procurava definir os contornos da Nação herdeira da Coroa; os partidos procuravam definir a organização política que substituíra o poder Real.
A evolução era lógica. Constitui a história do século XIX.

Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

§

Nota: Muitas vezes o termo "Nacionalismo" é confundido com "Patriotismo" e usado no sentido de "amar, honrar e defender a Pátria". Contudo, o sentido próprio de Nacionalismo é aquele que advém do Liberalismo no século XIX, isto é, de soberania nacional (popular), ou independência da Nação (Povo) em relação ao seu Soberano (Monarca).

Declaração de um historiador agnóstico

Marcha de tarados sexuais nos EUA

Sempre e por toda a parte, desde há mil e oitocentos anos, quando o Cristianismo desfalece, os costumes públicos e privados degradam-se. Na Itália, durante a Renascença, na Inglaterra, sob a Restauração, em França, durante a Convenção e o Directório, viu-se o homem tornar-se pagão como nos primeiros séculos. Achava-se como no tempo de Augusto ou de Tibério, voluptuoso e duro. Abusava dos outros e de si próprio. O egoísmo brutal e calculista tomara o ascendente. Faziam estendal a crueldade e a sensualidade. A sociedade convertia-se numa Falperra e em lugar suspeito.

Hippolyte Taine, citado por Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos».