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Ditador


Ditador. Soberano magistrado na antiga Roma, que o Senado elegia nas urgentes necessidades da República e cujo poder acabava com a causa que lhe dera o ser, ou quando muito durava seis meses. Desta suprema dignidade não havia apelação. O primeiro que logrou este título foi Tito Lárcio Flavo, que por ter aplacado uma sedição, conseguiu esta honra, ano da Fundação de Roma duzentos e cinquenta e seis. E como Roma, depois de lançados os Reis, sempre se regera por dois Cônsules, que acabavam cada um ano, ficou o povo com receio, vendo o senhorio da sua liberdade em mão de uma só pessoa, mas tornou a se aquietar com a notícia da brevidade deste cargo, que só em Sila e em Júlio César foi denominado Perpétuo. (...)
Ditador. O cavalo de César, chamado o Ditador, tinha os pés fendidos a modo de pés humanos. Quando este nasceu, tinha César o governo de Portugal, foi murzelo [=cavalo preto]. Não consentiu que se pusesse nele [montar], senão o mesmo César. Galvão, Tratado da Gineta, pág. 18.

Pe. D. Rafael Bluteau in «Vocabulário Português e Latino», Tomo III, 1713.

O Imperador Teodósio


Teodósio, Imperador, o primeiro deste nome e em tudo primeiro. Foi Português, nascido em Cauca, Cidade antigamente situada na Província de Entre Douro e Minho, entre Braga e Valença. Renovou em seu tempo (sem mistura de vícios, nem infortúnios) as virtudes e felicidades dos Augustos, dos Nervas, dos Trajanos. Com a espada na mão, sempre vencedora, mereceu e conseguiu a Coroa Imperial, e manteve no mais alto ponto, o respeito e reputação do Império. Foi Príncipe dado por Deus (essa é a significação do seu nome) para aumento e glória da Igreja, defensor da Fé, coluna da Cristandade. Em seu tempo, acabou de apagar e extinguir as brasas, até então vivas, do gentilismo. Soube colocar, com repartição discretíssima, a seus pés os inimigos, no coração os Vassalos, sobre a cabeça os Santos. Grandes foram, a toda a luz, os que floresceram em seu tempo, um Jerónimo, um Ambrósio, um Agostinho, um Paulino, um Dâmaso, também Português. Grande glória de Portugal! Que saíssem dele, ao mesmo tempo, os dois Príncipes supremos do Orbe. Morreu o grande Teodósio na Cidade de Milão, ano de 395, neste dia [17 de Janeiro], coroado de acções tão gloriosas e enriquecido de tão esclarecidas virtudes, que não só o celebraram com grandes elogios os maiores Padres da Igreja, mas a Grega o pôs no Menológio dos seus Santos, venerando-o como a glorioso Confessor de Cristo.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Da queda de Grécia e de Roma


Enquanto entre os Gregos os nascimentos eram espaçados, em Roma acontecia o contrário e chegou a haver cinco vezes mais jovens Romanos do que jovens Gregos. Certos ensinamentos de Epicuro – um filósofo grego, três séculos antes de Cristo – fizeram muito mal ao povo Grego. A finalidade do homem – dizia – era gozar a vida, porque o homem não está sujeito a nenhuma condição. O contrário dominava em Roma: o dever, o direito, o esforço e a luta, eram preferidos à comida e ao prazer. Quando isso foi esquecido e os Romanos abandonaram a Espada, Roma também se desmoronou.

Salvador Borrego in «La Cruz y la Espada», 1998.


Da Religião e dos crimes contra a Religião


A Religião é a base de que depende a segurança do Trono e a tranquilidade dos povos: ela é o freio moral do coração do homem, aonde não podem chegar as Leis civis, que somente podem regular e punir as acções externas. Destruída ela, ou desprezada, serão relaxados todos os vínculos da sociedade, todos os deveres, toda a Moral; perder-se-ia a civilização e os homens seriam reduzidos ao estado da barbaridade, e quase ao dos brutos e das feras.
É, portanto, do maior interesse público e particular de cada Reino, que a Religião seja respeitada, conservada e defendida. É isto o que fizeram sempre todos os Políticos e todos os Legisladores, estabelecendo e autorizando um Culto público, e uma Religião de Estado, honrando-a, consagrando-a com sábias Leis, e defendendo-a de todos os ataques e insultos, com severas penas, que se acham estabelecidas nos Códigos de todas as Nações civilizadas.
Pela Lei das doze Tábuas [na Roma Antiga] todo o sacrilégio indistintamente era punido com pena capital. Esta se ficou sempre conservando entre os Romanos, no tempo da República; porém, no tempo dos Imperadores se modificou nos casos menos graves, ficando conservada só nos outros.
Este sistema se tem seguido nas Legislações modernas de todas as Nações, e sobretudo na nossa de Portugal, que nesta parte [neste assunto] é muito severa e rigorosa.
Embora diga Montesquieu que a Divindade deve ser honrada e não vingada, esta máxima nunca foi seguida na prática pelos Legisladores de todas as Nações; e quando tratamos de questões em Direito, devemos regular-nos pelas disposições das Leis positivas, e não pelas máximas arbitrárias dos Filósofos; e muito menos em matérias de Religião.
À vista do exposto, já se vê que os crimes que ofendem a Religião, e contêm sacrilégio, são por esta circunstância muito mais graves, tanto por sua natureza, e considerados em si mesmos, como politicamente, em relação à Sociedade Civil. São crimes de Lesa-Majestade Divina, que atacam o respeito que devemos à Santidade, Majestade e Real Presença de Deus; mostram um indigno desprezo daquilo, que todos os homens mais respeitam, e até dos primeiros ofícios da Lei Natural.
Todo o homem, pois, penetrado dos sentimentos de Religião, se horroriza naturalmente com estes crimes, principalmente quando são atrozes; e o mais atroz de todos é sem dúvida o desacato, roubo e violação dos Divinos Sacrários, chegando os agressores a profanar com ímpias e sacrílegas mãos o Augusto e Divino Mistério da Eucaristia.
A Nação Portuguesa, e os nossos Maiores, olharam sempre com horror estes sacrilégios, e deram nestes casos as maiores e mais públicas demonstrações de sentimento; distinguindo-se entre todos os nossos Augustos e Fidelíssimos Monarcas, cuja piedade e respeito para com a nossa Santa Religião formou sempre o seu distinto carácter, e de toda a Real Família Portuguesa; dando não só públicas demonstrações do seu sentimento nos actos religiosos que praticaram, mas manifestaram o maior zelo no descobrimento e castigo dos delinquentes.
Assim mesmo estes atentados contra o Augusto Mistério da Eucaristia eram tão raros nos antigos tempos, que se passavam séculos, sem que acontecesse um só; pois, desde a origem de Portugal até ao Reinado da Senhora D. Maria I, contam-se sete mais notáveis.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «Breve notícia dos desacatos mais notáveis acontecidos em Portugal, desde a sua fundação até agora, e o sermão de desagravo pelos últimos cometidos neste mesmo ano», 1825.

A História repete-se, mas para pior


As pessoas moram em gaiolas para coelhos a preços exorbitantes. Já não se pode circular nas ruas. Quando penso no que Roma se tornou, fujo para longe. Os milhões que ganham os promotores. Vindos dos quatro cantos do Mediterrâneo, ei-los que adquirem as melhores casas para delas se apoderarem. Desprezam os nossos gostos e valores; o mau gosto torna-se sinónimo de requinte, o idiota passa por genial, cantores medíocres são vistos como estrelas.
Já não há em Roma mais lugar para um bravo Romano. Na rua os estrangeiros agridem-nos. E depois, ainda por cima, são eles que te acusam e te levam a tribunal.
Onde estão os ritos antigos? A religião é publicamente vilipendiada. Quem teria ousado, outrora, fazer troça do culto dos deuses? Não nos devemos surpreender que a desonestidade seja geral. Já ninguém tem palavra, porque todos perderam a fé. Mesmo os crentes, já não acreditam na virtude. Outrora, um desonesto era algo incrível. E agora, alguém verdadeiramente íntegro é visto como um prodígio.

Juvenal in «Sátiras», século I d.C.

Da queda do Império Romano


Palavras de um historiador agnóstico:

A principal causa do retrocesso cultural [material] não foi o Cristianismo, mas o barbarismo; não a religião, mas a guerra. As inundações humanas arruinaram ou empobreceram as cidades, os mosteiros, as bibliotecas, as escolas, e tornaram impossível a vida do estudioso ou do cientista. Talvez a destruição tivesse sido pior se a Igreja não mantivesse certa medida de ordem numa civilização em ruínas. «Entre as agitações do mundo», disse Santo Ambrósio, «a Igreja permanece imóvel; as ondas não a podem abalar. Enquanto tudo à sua volta está num horrível caos, ela oferece a todos os náufragos um porto de abrigo onde podem encontrar segurança». E muitas vezes assim foi.

Will Durant in «The Story of Civilization: The Age of Faith», 1950.

A História repete-se


As pessoas moram em gaiolas para coelhos a preços exorbitantes. Já não se pode circular nas ruas. Quando penso no que Roma se tornou, fujo para longe. Os milhões que ganham os promotores. Vindos dos quatro cantos do Mediterrâneo, ei-los que adquirem as melhores casas para delas se apoderarem. Desprezam os nossos gostos e valores; o mau gosto torna-se sinónimo de requinte, o idiota passa por genial, cantores medíocres são vistos como estrelas.
Já não há em Roma mais lugar para um bravo Romano. Na rua os estrangeiros agridem-nos. E depois, ainda por cima, são eles que te acusam e te levam a tribunal.
Onde estão os ritos antigos? A religião é publicamente vilipendiada. Quem teria ousado, outrora, fazer troça do culto dos deuses? Não nos devemos surpreender que a desonestidade seja geral. Já ninguém tem palavra, porque todos perderam a fé. Mesmo os crentes, já não acreditam na virtude. Outrora, um desonesto era algo incrível. E agora, alguém verdadeiramente íntegro é visto como um prodígio.

Juvenal in «Sátiras», século I d.C.