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São Narciso


São Narciso, Português, natural da Vila de Santarém, Bispo e Mártir, Primaz de Braga, Patrono das Cidades de Girona e Augusta [Augsburgo], foi um perfeito modelo de virtudes, especialmente da pureza. Sendo em uma ocasião tentado por uma mulher lasciva, saiu deste apertado lance com vitória, convertendo juntamente a Afra (este era o seu nome) e a reduziu a tão verdadeira penitência, que morreu Mártir e Santa [Afra de Augsburgo]. Passou São Narciso a Alemanha, onde é chamado Apóstolo pelo grande fruto que fez para o Céu naquele Império. Voltando para Braga, veio ter à Cidade de Girona, onde padeceu Martírio, sendo Presidente Lúcio Cesónio Macro. Três penetrantes feridas, que recebeu com apostólica constância, lhe abriram a porta pela qual saiu seu espírito a gozar da Bem-aventurança, neste dia [18 de Março], ano de 277.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Bento Eremita


Neste dia [21 de Fevereiro], ano de 1482, deu glorioso fim à carreira mortal um Eremita Português, chamado Bento, e merecedor de memória perdurável; Porque depois de viver neste Reino alguns anos no contínuo exercício de ásperas penitências, passou a Monserrate, e ali viveu sessenta e seis, em uma Ermida, ou cova, que ainda conserva o seu nome: A vida foi, qual pedia o lugar e o desengano, e a morte foi, qual havia sido a vida.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Dom Vasco da Gama parte segunda vez para a Índia


No mesmo dia [30 de Janeiro], ano de 1502, partiu segunda vez para o Oriente, com poderosa armada de vinte naus, o famosíssimo herói Dom Vasco da Gama, e no mesmo dia, na despedida, lhe deu El-Rei Dom Manuel, o ilustre e glorioso título de Almirante dos mares da Índia, Pérsia e Arábia, que hoje se conserva em seus nobilíssimos descendentes.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Rei Mouro Joás, depois Cristão e Religioso


Neste dia [27 de Novembro] morreu no Real Convento de Santa Cruz de Coimbra o Rei Mouro Joás que fora cativo na batalha de Ourique, e que depois foi convertido e baptizado por São Teotónio, e Religioso professo no mesmo Mosteiro, como em outra parte dissemos. Depois estudou a língua Latina, e por sua Capacidade, virtude e perfeição de vida, foi promovido ao Sacerdócio, e desempenhando com grande satisfação e admiração de todos, as obrigações da nova dignidade, faleceu santamente neste dia. Não ficou memória do ano no livro dos óbitos de Santa Cruz de Coimbra.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

D. José Pereira de Lacerda é criado Cardeal


No mesmo dia [19 de Novembro], ano de 1719, por nomina d'el-Rei D. João V, nosso Senhor, o Sumo Pontífice Clemente XI criou Cardeal Presbítero da Santa Igreja Romana ao ilustríssimo Dom José Pereira de Lacerda, Bispo do Algarve. Já dissemos dele em outro dia.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Aclamação de El-Rei Dom Afonso VI


Neste dia [15 de Novembro], em quarta-feira, ano de 1656, foi aclamado Rei de Portugal o Sereníssimo Príncipe Dom Afonso, filho dos Senhores Reis Dom João IV e Dona Luísa Francisca de Gusmão. Celebrou-se o acto com a grandeza e ostentação que se estila em casos semelhantes: Houve dúvida entre Dom Nuno Álvares Pereira, Duque do Cadaval, e Dom Francisco de Faro, Conde de Odemira, sobre a qual dos dois tocava exercitar, com o estoque desembainhado, o ofício de Condestável; A Rainha-mãe (que governava o Reino), por evitar contendas, tomou a acertada resolução de que o Infante Dom Pedro (que então era de oito anos) exercitasse aquele ofício. Concluída festivamente a função, se continuou o luto e o sentimento, devidos ambos à grande falta que fazia a Portugal o grande Rei Dom João, o Restaurador, falecido poucos dias antes.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Aniversário dos Reis D. Fernando e D. Duarte


Neste dia [31 de Outubro], em segunda-feira, ano de 1345, nasceu em Coimbra o Infante Dom Fernando, depois Rei de Portugal; foi o terceiro e último parto, de que faleceu a Infanta Dona Constança, mulher do Infante Dom Pedro, depois Rei, primeiro do nome, de Portugal. Já falámos do seu Reinado.


No mesmo dia [31 de Outubro], ano de 1391, nasceu em Viseu o Infante Dom Duarte, Rei de Portugal, filho dos Reis Dom João I e Dona Filipa, que lhe puseram aquele nome, em memória de seu bisavô materno Duarte III de Inglaterra.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Infante português feito primeiro Rei de Maiorca


O Infante Dom Pedro, filho de El-Rei Dom Sancho I, depois de varias peregrinações em Espanha e África, onde deu ilustres provas de generalidade e valor; casou com a Condessa de Urgel, Senhora de grandes Estados, a qual, morrendo sem sucessão, o deixou por seu universal herdeiro; Mas desejando El-Rei Dom Jaime de Aragão incorporar os mesmos Estados com o Principado de Catalunha, fez troca com o Infante Dom Pedro, dando-lhe, com Título de Rei, a Ilha de Maiorca, de que o Infante tomou posse neste dia [29 de Setembro], ano de 1231.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Coroação de El-Rei Dom Afonso V


No ano de 1438 foi aclamado e coroado Rei o Príncipe Dom Afonso, V do nome, entre os de Portugal, neste dia [10 de Setembro], que se seguiu ao da morte de El-Rei Dom Duarte, seu Pai. Fez-se a função em um majestoso Teatro, que se levantou defronte dos Paços do Convento de Tomar, aonde saiu o Príncipe (menino de seis anos) com vestiduras Reais, e sentado em trono eminente, lhe beijou a mão, posto de joelhos, e deu juramento de fidelidade e obediência, seu tio o Infante Dom Pedro, a quem seguiram os outros Infantes, e todos os Senhores que ali se achavam, enxugando todos, em grande parte, nas florescentes esperanças do novo Rei, as lágrimas que lhe causara a falta do defunto.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

É aclamado Rei o Cardeal Dom Henrique


No mesmo dia [28 de Agosto], no infeliz ano de 1578, foi Coroado em Lisboa o Cardeal Henrique, o primeiro que uniu uma e outra púrpura: Celebrou-se o acto na Igreja do Hospital, sítio próprio para um Rei e Reino, enfermos ambos, e quase moribundos; Todavia, não se faltou ao luzimento e pompa que costuma haver em semelhantes ocasiões: Ornou-se ricamente a Igreja, e foi a ela o novo Rei, em hábito de Cardeal, em uma mula, cuja rédea levava Dom Álvaro da Silva, Conde de Portalegre, Mordomo-mor, precedendo a Nobreza, que então se achava na Corte, todos a pé e descobertos, excepto o Duque de Bragança Dom João, que ia a cavalo com o Estoque desembainhado, como Condestável. Na Igreja se havia prevenido um teatro com uma cadeira, onde El-Rei se sentou, e dado e recebido o juramento, como é costume, lhe foi entregue o Ceptro, e com esta Real insígnia na mão, voltou para o Palácio, na mesma forma, e ordem, com que viera.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Defende-se a Cidade de Colombo de um grande assalto


Desde cinco deste mês até este dia em que estamos [20 de Agosto], do ano de 1587, foi prosseguindo o tirano Rajú furiosos assaltos contra a Fortaleza e Cidade de Colombo [no Ceilão]; E (deixando outros, que pela semelhança causaria fastio o repeti-los) neste dia sobre a tarde, mandou despregar duas bandeiras, uma branca e outra vermelha, e logo começaram a soar os tristes instrumentos de que usam os Gentios da Índia, nas ocasiões em que se fazem Amoucos, isto é, oferecidos a morrer ou vencer; E com grandes alaridos e brados (a que eles chamam cuquiadas) acometeram a Cidade, arrimando-lhe grande número de escadas por muitas partes, e pela do mar veio com o mesmo intento uma armada inimiga; Grande foi a consternação em que se viram os poucos Portugueses que havia na Cidade! Grande a fúria e resolução com que foram acometidos! Mas ainda foi maior o seu esforço; Assim rebateram a porfia dos Infiéis: Assim lhe quebraram os primeiros ímpetos, que finalmente se começaram a retirar com mais confusão, do que haviam trazido arrogância. Ficou o campo ao pé das muralhas juncado de corpos mortos e despedaçados, que formavam uma horrível representação: A armada se retirou também diminuída de velas e de soldados; Assistiram alguns Religiosos de São Francisco, que havia na Cidade, aos maiores perigos com admirável constância, acudindo a todas as partes com os remédios do corpo e do espírito.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Chega à Cidade do Porto o corpo de São Pantaleão


Neste dia [8 de Agosto], pelos anos de 1453, chegou à Foz do Douro o corpo do glorioso São Pantaleão Mártir; Havia padecido martírio na Cidade de Nicomedia, imperando Diocleciano e Maximiano, e seu corpo foi trazido a Constantinopla, onde esteve muitos anos em suma veneração; Até que tomada aquela Cidade por Maomé, bravo Emperador dos Turcos, alguns Cristãos o meterão em uma embarcação ligeira, e pondo nas mãos do mesmo Santo as vidas e o bom sucesso de tão incerta e perigosa viagem, guiados pelo Ceo vieram discorrendo à vista de grande parte de uma e outra costa da Europa e Africa, e deixando atrás Cidades e povoações florentíssimas e de grande nome, entraram neste dia, pelo Rio Douro, e depositaram as sagradas Relíquias na antiga Igreja de São Pedro de Miragaia, onde estiveram até serem tresladadas para a Igreja maior daquela Cidade, a qual o elegeu Patrono, e experimenta e publica grandes favores e mercês, que recebe do Céu por sua intercessão.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

O Venerável Gregório Lopes


O Admirável e o prodigioso servo de Deus Gregório Lopes, Português, natural da nobre Vila de Linhares, peregrino da sua Pátria na idade de dezasseis anos, e depois por trinta e três solitário habitador do novo mundo em um retiro de todo o comércio com ele: Contemplativo altíssimo, e tão superior aos afectos da natureza, que no meio de intoleráveis dores, nunca se lhe ouviu um ai. De espírito tão profundo e recôndito, que o mesmo demónio não podia conjecturar suas operações. Tão perfeito, que por toda sua vida, nem disse palavra escusada, nem nas suas acções se lhe advertiu imperfeição alguma. De tão rara pureza de consciência, que comungava frequentemente sem receber o Sacramento da Confissão, porque aquela o não acusava de haver cometido acto algum pecaminoso com advertência. De tão rara união com Deus, que por três anos contínuos, a cada respiração dizia interiormente: Fiat voluntas tua; e depois passou a acto contínuo de amor do mesmo Senhor, sem interrupção, ainda quando delineava mapas, por ser muito inclinado a Matemáticas. De gravidade tão admirável, que a todos infundia respeito. De atractivo tão singular, que até os Índios mais bárbaros entranhadamente o amavam. Tão ilustrado, que lhe infundiu Deus todas as ciências naturais e sobrenaturais, com que expôs soberanamente o Apocalipse: Sabia toda a Bíblia de memória penetrando os maiores segredos dela, com pasmo dos homens mais eruditos; Em fim, um dos maiores prodígios da Divina Graça. Viveu e morreu com verdadeira opinião de santidade, na solidão de Santa Fé, duas léguas da Cidade de México, neste dia [20 de Julho], ano de 1596, com cinquenta e quatro de idade.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Frei Pedro da Covilhã


Neste dia [7 de Julho], ano de 1498, padeceu pela Fé de Cristo, Frei Pedro da Covilhã, Português, Ministro do Convento da Santíssima Trindade de Lisboa, companheiro e Confessor de Vasco da Gama. Foi o primeiro, que depois do Apóstolo São Tomé, celebrou o Sacrifício da Missa, e prégou o Evangelho, e por ele derramou seu sangue na Índia Oriental.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Batalha de Valdevez


Pelos anos de 1128 veio El-Rei de Leão e Castela Dom Afonso VII, chamado Emperador, contra El-Rei (então Infante) Dom Afonso Henriques. Avistaram-se neste dia [25 de Junho] na Veiga de Valdevez, que está entre a Vila dos Arcos e a freguesia de Santo André de Guilhadeses. Ali se deu batalha, e foi uma das bem disputadas daqueles tempos. Venceram os Portugueses com tanta perda dos inimigos, que por ela se chama ainda hoje àquela Veiga da Matança. Deu o Infante insignes provas de valor, e todos os seus obraram maravilhas. El-Rei de Leão escapou ferido, ficando prisioneiros sete Condes e os principais senhores que o acompanhavam. Colheu-se entre os despojos uma grande relíquia do Santo Lenho, que se depositou na Igreja de Grade, distante quase uma légua do lugar da batalha, e se conserva ainda hoje com memória continuada de muitos milagres; e como abonado testemunho daquela famosa vitória.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

O famoso Poeta Manuel de Galhegos


Manuel de Galhegos, insigne Poeta do seu tempo, a quem os Castelhanos chamaram novo Camões e Virgílio Português, e lhe deram outros títulos não menos ilustres, mas bem merecidos de seu singular engenho e admirável génio Poético, florida eloquência e viva discrição. Compôs vários Poemas, mas entre todos, o que intitulou Templo da Memória, lhe fez imortal a sua. Morreu em Lisboa neste dia [9 de Junho], ano de 1665. Jaz na Igreja de São Lourenço.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Invenção do corpo de D. Lourenço, Arcebispo de Braga


Corria o ano de 1663, quando D. João de Áustria, filho bastardo de D. Filipe IV, Rei de Espanha, entrando em Portugal pela Província de Alentejo, conquistou a Cidade de Évora, Capital da mesma Província, e pôs em grande consternação a todo o Reino; então foi quando, sobre duzentos sessenta e seis anos de sepultura, se achou neste dia [4 de Junho], do ano sobredito, o corpo do Arcebispo de Braga Dom Lourenço, único do nome naquela Primacial, tão incorrupto e fresco, e com tanta perfeição e inteireza de todas as suas feições e partes, como se naquela hora acabara de morrer. Foi o Arcebispo Dom Lourenço grande Português, e um dos que mais trabalharam pela conservação e liberdade do Reino, quando os Castelhanos, em tempo do Mestre de Avis, depois Rei, com poderosas forças o pretenderam conquistar e oprimir; e como agora se achavam Castelhanos e Portugueses no empenho da mesma conquista e defesa, reputaram geralmente os Portugueses por singular demonstração do Céu a seu favor, o expor-lhe aos olhos, em uma tal ocorrência, o corpo incorrupto daquele herói, cuja vista os podia justamente animar à defesa da liberdade; e assim sucedeu com efeito: Porque não passaram cinco dias, que não fosse roto e inteiramente desbaratado, o Exército de Dom João de Áustria, e dentro em vinte, recuperada a Cidade de Évora, como diremos em outros dias.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Agostinha Barbosa da Silva


No mesmo dia [2 de Junho], pelos anos de 1674, faleceu Agostinha Barbosa da Silva, Portuguesa. Escreveu na língua Latina as vidas dos primeiros cinco Reis de Portugal. Compôs um tratado de Arquitectura e Arimética, que se imprimiu em Castela com o nome de Pedro de Alvernoz.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Dona Teresa Afonso


Dona Teresa Afonso, filha do Conde Dom Afonso das Astúrias, mulher do ínclito herói Egas Moniz: nos estados de donzela e casada, resplandeceu em virtudes e boas obras, com vantagem conhecida às Senhoras mais ilustres daquele tempo. No de viúva, se excedeu a si mesma: edificou o nobre Mosteiro de Salzedas, da Ordem de Cister, onde jaz, foi sua morte neste dia [27 de Maio], ano de 1171.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

São Victor, Mártir


São Victor, mancebo ilustre, natural de Braga, sendo Catecúmeno, vivia como o mais perfeito Cristão: Os Gentios o quiseram obrigar a que adorasse os seus Deuses; Mas ele, com invicta resolução, com elevado juízo, arguiu e convenceu os Deuses de falsos, e os gentios de cegos: Afrontados estes, e agitados ferozmente do espírito da vingança, o atormentaram a ferro e fogo, com atrocíssima crueldade, mas era superior a todos os tormentos a sua constância; Cedeu, porém, a garganta ao golpe do cutelo, para que lograsse a cabeça a coroa imortal. Assim baptizado em seu próprio sangue, mereceu, com razão, que ao tempo em que sacrificava a vida em obséquio da Fé, os Anjos, com suaves melodias, lhe repetissem muitas vezes o seu nome.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.