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A Verdade primeiro e sempre


O patriota deve viver no plano ético ou no plano religioso; o liberal pode habitar no plano estético. Nesse plano, no plano da política pura (ou seja, impura), das "tácticas", das "combinações", do mal menor, dos maquiavelismos baratos e das mentiras estratégicas, o patriota encontra-se numa posição muito mais débil que os seus adversários, e é o mais infeliz de todos os homens; porque não terá êxito nem neste mundo nem no outro.

Pe. Leonardo Castellani in «El mal menor», 1958.

O mal menor


O princípio moral de que é lícito escolher um mal menor só vale em determinados casos, por exemplo o da legítima defesa, servato moderamine inculpatae tutelae, como dizem. Não vale sempre. No caso de consciência proposto pelo filme Seven Waves Away, por exemplo, o capitão do barco salva-vidas que dá directamente a morte a alguns náufragos para salvar o resto, procede imoralmente.
No caso do erro, não se pode escolher o "erro menor". Qual é o erro menor? Porventura o erro misturado com verdades? Esses geralmente são os mais perniciosos... O liberalismo é um erro. Posso escolher o liberalismo para afastar o comunismo? Não. Devo rejeitar ambos. O erro é o maior mal do homem. O liberalismo é pecado, escreveu Sardá y Salvany, um livrinho muito útil (...).
Se há uma discussão entre sete homens, um dos quais diz que 2 + 2 = 4, outros três dizem que 2 + 2 = 5, e os três restantes que 2 + 2 = 400, deverá o primeiro pôr-se a favor dos que afirmam 5 porque é um erro menor?

Pe. Leonardo Castellani in «El mal menor», 1958.

A tolerância entre a virtude e o vício


O único fundamento lógico possível da tolerância, encontra-se na necessidade de permitir um mal para impedir outro maior que ele. Esta necessidade é uma exigência absoluta, não relativa ou condicionada, ainda que indubitavelmente se prefira algo que só de um modo relativo (em sentido ontológico, não na acepção gnoseológica) é admissível. O tolerável é sempre um mal (o bom não é tolerado, senão positivamente querido, amado) e um mal é tolerável unicamente na qualidade de mal menor, sendo esta qualidade um valor objectivo, isto é, absoluto ou em si.

Antonio Millán-Puelles in «Ética y Realismo», 1996.