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A tolerância e o comércio


A tolerância, dizem os Iluminados, enriqueceu o comércio e faz florescer o Estado. Estão enganados, lhes respondo eu, e estupidamente enganados. O que por meio do comércio enriquece o Estado são as próvidas ordenações, a sagaz perícia, a indústria laboriosa, e a economia prudente, a boa-fé incorrupta, a abundância dos géneros, e das manufacturas: eis aqui o que faz florescer o Estado pelo comércio, e não a tolerância de toda a Religião e irreligião. Viram-se Estados tolerantes sem comércio, e Estados intolerantes de grande comércio e riquezas; baste Portugal para exemplo, e houve Estados em que a tolerância contribuiu para empobrecer os domésticos e enriquecer os estranhos. Se para o comércio mais florescente é precisa alguma tolerância, é a tolerância de outra Religião, e não a tolerância da irreligião, e a gente útil para o comércio não são os Doutores do Epicurismo e do Ateísmo, são homens a quem basta a tranquilidade na crença em que foram educados, porque eles em seus tráficos também se não embaraçam com a crença dos outros. Aqui podia ter lugar a questão sobre o negócio dos Livros, que tão recomendado tem sido pelos Iluminados. Direi a este respeito uma palavra só: os Livros são para a alma o que são os alimentos para o corpo; é justo que haja abundância ou fartura de uns e de outros. Vigia-se com cem olhos para que sejam são os alimentos que sustentam o corpo, parece que também deve haver algum cuidado que não sejam pestilentes os alimentos da alma. Não são os Iluminados os que devem dar Leis a este respeito; isto toca a uma prudente e religiosa política; esta deve ordenar as coisas de tal maneira que o comércio aproveite sem que o Cristianismo padeça; nem se estraguem os bons costumes que são mais proveitosos à República [= coisa pública, Estado] que todos os tráficos.

Pe. José Agostinho de Macedo in «Refutação dos Princípios Metafísicos e Morais dos Pedreiros Livres Iluminados», 1816.

Da economia moderna


A economia moderna é uma pseudo-ciência projectada pelas preocupações materialistas. No início, a economia contentava-se em estimar os volumes de produções e de trocas; a medida destes movimentos forneciam índices válidos sobre a actividade de uma época ou de uma região. Mas com o tempo, os índices tornaram-se mais importantes que a actividade que deviam medir; a natureza das trocas e das produções deu lugar à escala dos valores, ao seu volume. É aí que estamos actualmente. A inquietação gera a estagnação da economia quando a taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB) aumenta menos de dois por cento por ano; ora este número não indica mais que o volume das actividades e nada diz sobre a sua qualidade ou distribuição. Se mais pessoas adoecerem e comprarem mais medicamentos, se mais casais se divorciarem e recorrerem a advogados para conduzir os processos judiciais, se mais maçãs forem produzidas, se a água dos aquedutos se tornar mais poluída, tudo isso contribui para o aumento do PIB.

Serge Mongeau in «La simplicité volontaire», 1985.

A agricultura é vital no sustento da Nação


Nós fomos de facto um País essencialmente agrícola, mas enquanto não pudemos ser outra coisa. Durante séculos e ao lado de um artesanato modesto, a agricultura foi a grande criadora de riqueza e esse facto dominou todos os espíritos neste País. Hoje podemos dizer que só potencialmente somos ricos dos produtos da terra, mas que viremos a sê-lo de facto pelos dois caminhos que nos estão abertos: a libertação de grande parte do trabalho rural, em favor das indústrias e do Ultramar; maior produção de produtos agrícolas industrializáveis ou comerciáveis com nações estrangeiras. Continuo a pensar que a agricultura nacional deve acima de tudo ser orientada no sentido de assegurar o sustento da Nação, mas para isso não precisa de absorver toda a sua força de trabalho. E quando pela mecanização e pelo regadio conseguirmos aqueles fins, deixa de ter razão de ser a lamentação de Severim de Faria quando atribui às «conquistas», digamos, na linguagem de hoje, ao Ultramar, a primeira causa da falta de gente que se padecia, e assim, por não existir, empobrecia o Reino.

António de Oliveira Salazar in discurso «No 40º Aniversário do 28 de Maio», 28 de Maio de 1966.

'In Gold We Trust'


O desaparecimento de toda a hierarquia superior à do dinheiro e, por consequência, de todo o poder superior ao dinheiro, coloca sobre as nossas cabeças todo o peso das necessidades económicas. E elas desenvolvem-se como uma lógica própria que tende a se tornar na única lógica do nosso mundo.

Maurice Bardèche in «Sparte et les Sudistes», 1969.

Riqueza e cerejas

Apanha da cereja no Fundão

O mundo em que a riqueza era contada em cerejas, e como tais, era consumida, estava menos sujeito à falência e ao desespero, do que o mundo em que vivemos, que depende dos especialistas em finanças, comprando e vendendo plantações de cerejas que eles nunca viram e que provavelmente nem existem.

G. K. Chesterton in jornal «G. K.'s Weekly», 5 de Dezembro de 1931.

A espanholização económica de Portugal


Segundo o estudo "Participação Estrangeira no Capital das Empresas Portuguesas", realizado pela consultora Informa D&B em 2016, o capital espanhol é o mais presente na economia portuguesa, com os espanhóis a controlarem 1843 empresas no valor de 90,3 mil milhões de euros, sendo que dois terços deste valor está na Banca.

Para se ter uma ideia do domínio espanhol na economia portuguesa, os quatro países estrangeiros que se lhe seguem (França, Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha), todos juntos, não chegam ao volume que Espanha representa.

Tudo somado, o valor destas participações estrangeiras ascende a 170 mil milhões de euros, o que é praticamente 95% do PIB português.

Este estudo foi divulgado no dia em que o banco espanhol CaixaBank lançou uma oferta pública de aquisição sobre o Banco Português de Investimento (BPI).

A consultora Informa D&B é detida pela CESCE, sociedade anónima participada maioritariamente pelo Estado Espanhol.

Dívida pública e democracia


A dívida pública portuguesa aumentou para 233 mil milhões de euros (140,2% do PIB). E por mais que tentem escamotear, é evidente que o problema da dívida pública está intimamente ligado com a democracia. Sempre que Portugal esteve sujeito a regimes baseados no voto popular, nos aparelhos partidários e na maçonaria que os domina aos dois, a dívida pública aumentou em termos absolutos. E porquê? Pois uma dívida pública elevada torna os Estados escravos do Crédito e da Banca.

Pela análise do gráfico, que relaciona a dívida pública em função do PIB no período 1850-2010, é possível constatar que só durante a Ditadura Militar/Estado Novo tivemos uma redução da dívida pública em termos absolutos, chegando a uns notáveis 13,5% do PIB. Já nos regimes demo-liberais, a dívida pública teve sempre tendência para aumentar ou em manter-se em valores astronómicos.

Nem só de riqueza material vivem as Nações


A prosperidade material cegou os homens: eles só viam as estradas, os caminhos-de-ferro, as empresas, as fábricas. Deslumbrados pelo desenvolvimento material do País, eles não reparavam em que a Disciplina ia enfraquecendo, em que a Autoridade se ia desprestigiando, em que a Religião se ia entibiando, em que o respeito ia desaparecendo. Eles só viam portos, caminhos-de-ferro, estradas, fábricas, e não reparavam, na falência progressiva do nosso Património moral e cultural. Eles esqueciam que nem só de pão vive o homem, que nem só de riqueza material que vivem as Nações. Essa concepção materialista que já tenho ouvido muitas vezes na boca dos defensores do Liberalismo é um dos piores sintomas que a deficiência intelectual e a desorientação cultural nos podem oferecer.
Um regime político não se avalia só pelo bem-estar material que proporciona ou facilita ou permite a um Povo – porque nem os indivíduos nem os Povos vieram a este mundo, exclusivamente para os bens materiais.

Alfredo Pimenta in «Nas Vésperas do Estado Novo», 1937.

O corporativismo impedia a especulação capitalista


A indústria do artesanato medieval, local e corporativo, impossibilitava a existência de grandes capitalistas e de operários assalariados por toda a vida, tal como os cria, necessariamente, a grande indústria moderna, o actual desenvolvimento do crédito e a evolução correspondente das formas de troca, a saber: a livre concorrência.

Friedrich Engels in «Anti-Dühring», 1878.

§

Comentário: Vale a pena salientar que, apesar das palavras certeiras, Engels nunca foi favorável à economia corporativa. Pelo contrário, era favorável ao desenvolvimento do sistema capitalista como forma de atingir o Comunismo, ou como o próprio Marx reconheceu: o sistema de comércio-livre apressa a revolução social.

A economia moderna é uma pseudo-ciência


A economia moderna é uma pseudo-ciência projectada pelas preocupações materialistas. No início, a economia contentava-se em estimar os volumes de produções e de trocas; a medida destes movimentos forneciam índices válidos sobre a actividade de uma época ou de uma região. Mas com o tempo, os índices tornaram-se mais importantes que a actividade que deviam medir; a natureza das trocas e das produções deu lugar à escala dos valores, ao seu volume. É aí que estamos actualmente. A inquietação gera a estagnação da economia quando a taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB) aumenta menos de dois por cento por ano; ora este número não indica mais que o volume das actividades e nada diz sobre a sua qualidade ou distribuição. Se mais pessoas adoecerem e comprarem mais medicamentos, se mais casais se divorciarem e recorrerem a advogados para conduzir os processos judiciais, se mais maçãs forem produzidas, se a água dos aquedutos se tornar mais poluída, tudo isso contribui para o aumento do PIB.

Serge Mongeau in «La simplicité volontaire», 1985.