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São assim os socialistas


Os inimigos mais perigosos da sociedade são, sem dúvida, os socialistas, porque tendem à destruição da mesma sociedade. Rebuçados no manto hipócrita do amor popular, passam a vida prégando igualdade, fraternidade e democracia, acirrando os ânimos do povo contra toda a propriedade, que apelidam roubo. E o povo, ao ouvir adular suas paixões, acredita na mentirosa sinceridade de seus oradores, prorrompendo muitas vezes em aplausos e aclamações, sem se lembrar que o que ele aplaude é o egoísmo e a ambição de poucos, que debaixo de belas aparências, ocultam os seus interesses e vergonhosos instintos.
É prova disto o célebre propagador do socialismo científico, Frederico Engels, falecido este ano em Londres. Discípulo de Carlos Marx, e continuador de suas obras, repetia sem cessar as fogosas palavras de seu mestre: «O capital vem ao mundo jorrando sangue e lodo por todos os poros, desde os pés até à cabeça».
Ninguém acreditaria que este campeão da democracia tinha bolsa própria, quando ainda só o nome de próprio o arrebatava em cóleras e iras.
O capital, eis o inimigo, que a todos apontava e contra o qual todo se desfazia em invectivas baptizando-o com os apelidos de roubo da sociedade, suor do pobre, sangue do operário, e mais epítetos que não falecem no vocabulário socialista. Mas a hipocrisia foi desvendada, porque ao abrir-se o testamento do célebre socialista, verificou-se que possuía uma fortuna em bens móveis de 623.875 francos e em bens imóveis 620.975, isto é, 1.244.840 francos (cerca de 224.073$000 reis).
Eis aí um dos chefes mais conspícuos, um dos partidários mais entusiastas, um dos mais incansáveis apóstolos do socialismo, que deixa ao morrer mais de 224 contos de reis! Não era o amor do pobre que o fazia invectivar o capital, mas o baixo e ruim vício do egoísmo, da ambição e mil outros lhe acendiam o ânimo contra a legítima propriedade.
Amigos destes tem muitos também o nosso povo português, os quais não cessam de lhe falar em liberdade, igualdade e fraternidade para melhor o enganar e iludir.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 1º Ano, Nº 12, Dezembro de 1895.

"Globalismo" confirmado por um dos seus corifeus


A 8 de Abril de 2011, o maçon, republicano e socialista António Almeida Santos, proferiu um discurso ao congresso do Partido Socialista, no qual afirmava, sob o nome de Globalização, o velho projecto maçónico da República Universal. Considero, pois, oportuno lembrar esse discurso de significado negativo, trazendo à luz aquilo que tem vindo a ser maquinado e implementado nas sombras. Passo a citar:

(...) Também não foi fácil, há duzentos anos, criar o Estado-Nação [= Constitucionalismo], e foi criado. E a União Europeia, exemplo de uma mais que tendencial Confederação do espaço continental europeu, está aí, criada sem bulha, por um método que pode voltar a ser tentado, agora a nível mundial. Se há quarenta anos me tivessem perguntado se a União Europeia de hoje era possível, eu teria dito que não. E foi, apesar de, à data, o espaço europeu vir de uma das mais cruentas guerras de sempre, e não ter, a pressionar a sua unificação, os problemas que o mundo, já globalizado por metade, hoje tem. Reconheçamos que o processo de globalização não é parcelável, nem em definitivo travável ou detenível.
Retiro esta minha esperança também do facto de, entretanto, o mundo ter entrado na fase final do seu processo de globalização. Era grande, desconhecido, dificilmente percorrível. Hoje é, a muitos títulos, um acanhado e devassado recinto. Contacta à velocidade da luz. E pode deslocar-se a velocidades superiores à do som. Imagens dele entram-nos todos os dias porta-a-dentro. É-nos familiar. Milhões de turistas diariamente o percorrem. Milhões de cidadãos diariamente contactam. Onde era o isolamento é hoje o convívio. As mais distintas identidades nacionais se fundem. O processo de globalização entrou na sua fase terminal sem recuo. Quem tentar travá-lo acabará trucidado por ele.
Soljenítsin disse no seu célebre discurso de Harvard: "quando formos milhões, já nada poderão fazer contra nós". Pois bem: já somos. Só falta que a 'lei da transformação da quantidade em qualidade' [erro comunista] faça o que lhe compete. E o que lhe compete é obrigar o modelo económico neoliberal a levantar o pé do travão, e aceitar que à globalização económica, se adicione a globalização política, e por extensão, social, fiscal e militar.
Gostava de morrer com o mundo globalizado por inteiro, e com a família humana universalizada por comuns culturas, sentimentos e afectos. Foi esse o sonho de grandes líderes políticos e espirituais. A lógica que preside ao processo histórico está com o arredondamento da actual civilização. E perante esta evidência, a tentativa da salvaguarda de soluções divisionistas e parcelares, está condenada ao fracasso.

Da desagregação familiar na sociedade capitalista


Nunca é demais repetir que aquilo que destruiu a Família no mundo moderno foi o Capitalismo. Sem dúvida, poderia ter sido o Comunismo, caso este tivesse alguma oportunidade fora daquele deserto semi-mongol onde de facto floresce. Mas no que nos diz respeito, o que desfez os lares, encorajou os divórcios e tratou as antigas virtudes domésticas com um desprezo cada vez maior, foi a época e o poder do Capitalismo. Foi o Capitalismo que fomentou um conflito moral e uma competição comercial entre os sexos; que destruiu a influência dos pais em favor da influência dos patrões; que empurrou os homens para fora dos seus lares em busca de empregos; que os forçou a viver perto das fábricas ou das empresas, em vez de perto das suas famílias; e, acima de tudo, que encorajou, por razões comerciais, um espectáculo de publicidade e novidades berrantes, que são, por natureza, a morte de tudo o que os nossos pais e mães chamavam de dignidade e modéstia. Não foi o bolchevique, mas sim o patrão, o publicitário, o vendedor e o comerciante que, como uma turba desenfreada de bárbaros, derrubaram e pisotearam a antiga estátua romana da Verecúndia.

G. K. Chesterton in «The Well and the Shallows», 1935.

Propriedade e Bens Nacionais


Propriedade – Vocábulo ad libitum. Entre os Republicanos (enquanto estão roubando), não tem nem uso, nem significação. Mas quando têm já guardados os roubos, oh! então já é outra coisa: Propriedade é um nome sagrado. O melhor que tem é que, como os roubados e os ladrões se sucedem uns aos outros continuamente, e muitas vezes sem interrupção, se transformam os segundos nos primeiros, não pode deixar de ser que este Vocábulo esteja num pleito eterno entre os Cidadãos felizes das Repúblicas Democráticas.
(...)
Bens Nacionais – Termo inventado em Língua Democrática para fazer contraste ao vocábulo Propriedade. A violação das propriedades era outrora na Sociedade o emprego dos homens mais viciosos e corrompidos, que nela viviam. Os bens adquiridos por este modo se chamavam bens roubados; e o que os adquiria se chamava ladrão. As Leis deviam não levar muito a bem semelhantes aquisições e deviam o quer que seja a respeito da forca e galés. Mas nos tempos presentes, onde governam os Republicanos, passou isto a ser negócio de Nação, e portanto mudou-se-lhe justamente o nome; e os bens roubados, em termos mais polidos, se chamam bens nacionais. O mais curioso é que se lhes dá este nome, ainda antes de se roubarem aos Proprietários.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «Novo Vocabulário Filosófico-Democrático, indispensável para todos os que desejem entender a nova língua revolucionária», Nº 5, 1832.

Os destruidores


Nós, judeus, somos acusados de sermos destruidores: tudo o que vocês constroem, nós destruímos. Isso é verdade apenas num sentido relativo. Nós não somos deliberadamente iconoclastas: não somos inimigos das vossas instituições simplesmente por causa da nossa antipatia. Nós somos uma massa apátrida que procura satisfação para os nossos instintos construtivos. E nas vossas instituições não conseguimos encontrar satisfação; elas são as instituições lúdicas dos esplêndidos filhos do homem – e não do próprio homem. Nós procuramos adaptar as vossas instituições às nossas necessidades, porque enquanto existirmos necessitamos de ter expressão; e tentando reconstruí-las para as nossas necessidades, desconstruímo-las para as vossas.
(...)
Um século de tolerância parcial deu-nos, a nós, judeus, acesso ao vosso mundo. Nesse período, foi feita a grande tentativa, pela guarda avançada da reconciliação, de unir os nossos dois mundos. Foi um século de fracasso. Os nossos radicais judeus estão a começar a compreendê-lo vagamente.
Nós, judeus, nós, os destruidores, continuaremos a ser eternamente destruidores. Nada do que vocês façam irá ao encontro das nossas necessidades e exigências. Destruiremos para sempre porque precisamos de um mundo próprio, um mundo divino, que não é da vossa natureza construir. Para além de todas as alianças temporárias com esta ou aquela facção, reside a divisão final entre natureza e destino, a inimizade entre o Jogo e Deus. Mas aqueles de nós que não conseguem compreender esta verdade serão sempre encontrados em aliança com as vossas facções rebeldes, até que chegue a desilusão. O destino miserável que nos espalhou entre vós impôs-nos este papel indesejável.

Maurice Samuel in «You Gentiles», 1924.

O roubo dos arquivos da PIDE e o seu envio para a URSS


Um dos episódios mais estranhos nas operações europeias do KGB, durante o meu mandato, ocorreu em meados da década de 1970, em Portugal, não muito depois da queda da ditadura salazarista. O Partido Comunista Português era o terceiro maior na Europa (a seguir aos de Itália e de França), e, em meados da década de 1970, o socialismo e o comunismo gozavam de amplo apoio em Portugal. Na verdade, nós tínhamos agentes infiltrados no serviço português de inteligência, e, no caos que se seguiu à revolução socialista que derrubou o salazarismo, os nossos agentes deram um golpe ousado. Uma noite, com a ajuda de infiltrados e simpatizantes dentro do aparelho de segurança, portugueses ao serviço do KGB conduziram um camião até à sede da PIDE e roubaram uma montanha de dados de informação confidencial, incluindo as listas de agentes da polícia secreta que trabalhavam para o regime salazarista. O camião, cheio de documentos, foi entregue na nossa embaixada em Lisboa e depois enviado de avião para Moscovo, onde os analistas passaram meses debruçados sobre os papéis. Portugal era membro da NATO e havia algum material de interesse limitado sobre as operações militares americanas na Europa. Mas o material realmente valioso foi a lista dos milhares de agentes e informadores que trabalharam para a ditadura salazarista. Mais tarde, os nossos oficiais usaram essas informações para coagir alguns desses agentes a trabalhar para o KGB. Na história dos golpes de espionagem da Guerra Fria, a operação portuguesa não foi uma conquista notável. Mas a audácia de fugir com um camião carregado de material directamente da sede da PIDE, não tinha exemplo. No início da década de 1990, viajei para Portugal, onde as autoridades portuguesas me trataram da forma mais cordial, levando-me a todo o país, entretendo-me abundantemente, incentivando-me a falar com diferentes grupos de pessoas. Fui entrevistado pelos principais meios de comunicação nacionais e não poupei nas palavras sobre o papel do Partido Comunista Português no apoio generoso às operações de espionagem soviética. Fui imediatamente denunciado por Álvaro Cunhal, líder do Partido, como mentiroso e traidor. Falando no dia seguinte em rede nacional, não respondi às acusações de Cunhal. Repeti o que já tinha dito várias vezes: "O Partido Comunista Português é o nosso melhor e mais leal aliado na Europa, e como cidadão e membro do Partido Comunista da ex-URSS, só lhes posso estar grato."

Oleg Kalugin in «Spymaster», 1994.

A seita socialista em 1881


O socialismo ou niilismo trabalha deveras. Entre nós já se contam os seus periódicos por dezenas. O seu desideratum não é somente acabar com os tronos; é sobretudo acabar com a religião.
«Enforcar o último rei seria pouco; seja enforcado com as tripas do último padre, e a humanidade deixará de ser escrava»: – eis o supremo desideratum dos grandes humanitários!
Embrutecer as multidões; desmoralizar a juventude; criar em cada escola um centro de impiedade e de ateísmo; nivelar todas as classes e prégar às turbas o grande princípio: – a propriedade é um roubo – tal o fim satânico dos inimigos de Deus e da sociedade.
Em Espanha, na Itália, na Rússia, na Bélgica, em Portugal, em França, em toda a extensão do orbe, existe a mesma seita, predomina o mesmo pensamento, e não há fronteiras nem cordões sanitários que livrem os povos desta contagião terrível e assustadora...
Enganamo-nos: há um cordão sanitário que nos pode preservar, é o dos princípios católicos aplicados à política e a tudo, mas os moderados e conservadores do liberalismo sentem calafrios quando nisso se lhes fala, e não os querem aplicar! Tempo virá... em que já talvez não seja tempo.

Fonte: Revista «O Progresso Católico», 3º Ano, Nº 14, 15 de Maio de 1881.

Foi o 25 de Novembro que consolidou o 25 de Abril


Ao domesticar os agitadores e radicais de esquerda, contra os quais se levantava uma forte reacção popular, a mobilização militar de 25 de Novembro de 1975 permitiu consolidar um regime do tipo liberal-maçónico-republicano, integrando e assimilando as diversas sensibilidades políticas no mesmo sistema democrático, pluralista e partidário. O General Galvão de Melo esclarece-nos:

O 25 de Novembro, montado e conduzido com certa habilidade táctica, só enganou e engana os desatentos. De facto, o 25 de Novembro não se fez para afastar os comunistas dos lugares de comando, bem pelo contrário, o seu objectivo primário, que cumpriu, foi parar a violenta reacção, espontânea, popular, que grassava por todo o País, contra os comunistas: reacção que vinha muito maltratando os militantes de par, com destruição das sedes. Enganados, os portugueses pararam a acção purificadora. O outro objectivo, também cabalmente cumprido, foi alcandorar o Major Ramalho Eanes a General Chefe do Estado-Maior do Exército, o qual, no acto de posse, várias vezes enalteceu o socialismo, sem bem se perceber se referia o socialismo dos socialistas, ou o socialismo dos comunistas.

General Galvão de Melo in «Um Militar na Política», 2001.

A Maçonaria e o Socialismo


No Congresso Maçónico de Grenoble, onde se fizeram representar 32 lojas, o Ir∴ Ponnard pediu, em nome da sua loja, que aprovasse a Franco-Maçonaria as aspirações do Partido Socialista.
A esta proposta, respondeu o Ven∴ Presid∴ «que a Maçonaria, digam o que disserem, trabalhou sempre a favor desta quarta ordem social, o Socialismo, a que vós aludis, e por quem trabalha ainda hoje.» (Congresso Maç∴ de Grenoble, p. 11).
É bom que se vão registando estas interessantes confissões, para instrução dos que eles chamam profanos.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», Nº 14, Fevereiro de 1896.

O Tarrafal e a propaganda comunista


Há bastantes anos [1936] o Governo estabeleceu numa das ilhas de Cabo Verde um estabelecimento prisional para delinquentes políticos e sociais, entenda-se comunistas. Por dificuldades de ordem local que se repercutiam no seu bom funcionamento, o estabelecimento foi extinto e abandonado há bastantes anos [1954]. Ora eu continuo a receber dos partidos comunistas e organismos afins instalados nos mais diversos países, numerosos telegramas de protesto contra o «campo do Tarrafal». Isto quer dizer que as organizações comunistas receberam em devido tempo ordem das «centrais de comando» para manterem vivo o seu protesto contra a existência de um estabelecimento penal de repressão do partido. E quer dizer ainda que não se importaram de actualizar as ordens, visto que a grande imprensa ocidental continua a segui-las sem se importar de verificar a sua exactidão. Teremos assim que os partidos comunistas manterão «vivo» o Tarrafal, enquanto, na guerra que nos movem, o protesto der algum rendimento, ou contribuir para o descrédito de um Governo que lhes é hostil. Para estes não importa a verdade, mas só aquilo em que se crê.

António de Oliveira Salazar in revista «International Affairs», Abril de 1963.

Sobre a propriedade privada


A prudência católica, bem apoiada nos preceitos da lei divina e natural, procura com singular acerto também a tranquilidade pública e doméstica, pelas ideias que adopta e ensina a respeito do direito de propriedade e à divisão dos bens necessários ou úteis à vida. Porque enquanto os socialistas, apresentando o direito de propriedade como uma invenção humana contrária à igualdade natural entre os homens; enquanto, pregando a comunidade de bens, declaram que não se deve suportar a pobreza com paciência, e que impunemente se pode violar as propriedades e os direitos dos ricos, a Igreja reconhece muito mais sábia e utilmente que a desigualdade existe entre os homens, naturalmente tão diferentes pelas forças do corpo e do espírito, e que esta desigualdade existe até na posse dos bens.

Papa Leão XIII in encíclica «Quod Apostolici muneris», 28 de Dezembro de 1878.

Hoje a maioria é maçónica sem o saber


Eis a confissão de um grão-mestre maçon:

A Franco-Maçonaria pode tornar-se uma vastíssima associação, sobretudo se ela se espiritualiza, divulgando os seus princípios, sem exigir aos que os aceitam que venham tomar parte nos mistérios das lojas. Os mações sem avental são muitas vezes os melhores. Por que não favorecer a sua autoformação?

Oswald Wirth in revista «Le Symbolisme», Outubro de 1912.

Crimes soviéticos apontados à Rússia


O Ocidente – com indiferença, mas para nossa grande amargura – confunde os termos «Russo» e «Soviético», «Rússia» e «U.R.S.S.», muito embora aplicar os primeiros aos segundos seja o mesmo que conceder ao assassino o direito de usar a roupa e a identidade da sua vítima. É um erro irreflectido considerar os Russos da U.R.S.S. como «nação dominante». Não o são, certamente. Os Russos sofreram o primeiro golpe devastador no tempo de Lenine; desde então, fizeram-se milhões de mortos (e o que é pior ainda: assassinados de modo selectivo, devido à sua elevada qualidade, em relação aos outros), mesmo antes desse genocídio que foi a colectivização. Foi a partir de então que toda a história russa começou a ficar conspurcada, que a Igreja e a cultura foram esmagadas, e que religiosos, nobres, negociantes, e, dentro de pouco tempo também, o campesinato, foram aniquilados. Seguidamente, outros povos sofreram também golpes desses; mas ainda hoje são as regiões rurais da Rússia que têm o nível de vida mais baixo em toda a U.R.S.S., sendo as cidades de província as que possuem os mais baixos índices de abastecimento. Em vastas regiões do nosso País não há nada para comer e as importações de cereais americanos em nada beneficiaram o povo em geral (os cereais são guardados em silos de reserva para serem usados em caso de mobilização). Os Russos constituem a massa principal dos escravos deste Estado. O povo russo está extenuado, em via de degeneração biológica, e a sua consciência nacional aviltada e esmagada.

Alexandre Soljenitsin in «O Erro do Ocidente», 1980.


Nota: Vale a pena lembrar que faz muitos anos que a propaganda nacionalista ucraniana usa o Holodomor como "prova" histórica da prepotência russa face à Ucrânia, omitindo: 1) que a sua autoria não foi russa, mas soviética [*]; 2) que não apenas os Ucranianos, mas também Russos, Cazaques, Tártaros, etc. foram vítimas da Grande Fome de 1930-1933.

[*] O primeiro governo soviético era composto por 80-85% de Judeus, conforme reconheceu Vladimir Putin em 2013.

A estranha confusão entre «Rússia» e «URSS»


Em primeiro lugar, usa-se a palavra «Rússia» a torto e a direito: diz-se «Rússia» por «U.R.S.S.» e «russos» por «soviéticos», conferindo sempre uma certa superioridade emocional aos segundos («os blindados russos entraram em Praga», «o imperialismo russo», mas: «as explorações soviéticas no cosmos», «os êxitos do ballet soviético»). Ora, importa estabelecer uma distinção muito nítida entre estes dois conceitos, não apenas opostos, mas inimigos um do outro. A relação existente entre eles assemelha-se àquela que liga um homem à sua doença. Não confundimos o homem com o seu mal, não lhe damos o nome da sua doença, nem o culpamos de a ter! Ao Estado, como entidade actuante, ao País, com o seu governo, a sua política e o seu exército, não se pode chamar Rússia desde 1917. É ilegítimo aplicar a palavra «russo» ao actual governo da U.R.S.S., aos seus próximos êxitos militares e ao poder que virá a implantar nos quatro cantos do mundo, mesmo que o russo continue a ser a sua língua oficial.

Alexandre Soljenitsin in «O Erro do Ocidente», 1980.


A República Universal


De facto, amadureceu nos desejos e nas expectativas de todos os revoltosos, o advento de uma certa república universal, a qual seria fundada sobre a igualdade absoluta dos homens e sobre a comunhão dos bens, e na qual não haveria distinção alguma de nacionalidade, nem se reconheceria a autoridade do pai sobre os filhos, nem do poder público sobre os cidadãos, nem de Deus sobre os homens reunidos em sociedade civil. Coisas que, se forem implementadas, dariam lugar a tremendas convulsões sociais, como aquela que agora está a devastar uma grande parte da Europa.

Papa Bento XV in motu proprio «Bonum Sane», 25 de Julho de 1920.

Dois sistemas envenenados


Os dois sistemas falharam inchando de exageros, de petições de princípio, de preconceitos camuflados, e – vendo bem de perto – de erros em muitos detalhes. E no entanto, encarados no seu conjunto, estes sistemas têm o efeito irresistível das mudanças de clima. Quando lanço um olhar aos dezoitos volumes das obras completas de Freud, nas prateleiras da minha biblioteca, lembro-me, por vezes, do aviso de Rembrandt aos visitantes do seu atelier, convidando-os a olhar para as suas telas de longe. – «Não metam o nariz nos meus quadros, o cheiro da pintura envenenar-vos-ia».
Poder-se-ia perguntar em que momento esse cheiro a pintura fresca se transformaria em veneno – em que momento Marx se torna "marxista" e Freud "freudiano". Seria satisfatório desculpar o mestre e atribuir todas as culpas aos alunos. Marx não teria provavelmente aprovado os métodos de Estaline e Freud ter-se-ia dificilmente responsabilizado pelos pesadelos iluminados de uma Mélanie Klein. Mas as sementes de tudo isto estavam já presentes no próprio mestre, na sua tendência fatal de saltar do pressentimento e da hipótese para a asserção dogmática, de brincar com os símbolos como um malabarista, de propagar uma mitologia pessoal na qual mistura o Museu Grévin e o Panteão Grego.

Arthur Koestler in prefácio a «La Scolastique Freudienne» de Pierre Debray-Ritzen, 1972.

Estalinismo: bode expiatório do Comunismo


Alguns especialistas recorrem a este processo a fim de demonstrarem que o comunismo é apenas possível nos países cuja história tenha sido «viciada»; e outros para tirar as culpas ao comunismo e imputarem os erros da sua instauração às características peculiares da nação russa. Encontramos esta concepção numa série recente de artigos dedicados ao centenário de Estaline (em especial do Prof. Robert Tucker no New York Times de 21 de Dezembro de 1979).
Sucinto, mas enérgico, o artigo de Tucker causa espanto: não teria sido escrito há vinte e cinco anos? Como é que um especialista em ciências políticas ainda pode, actualmente, ter ideias tão erradas sobre o fenómeno comunista? Nele voltamos a encontrar os infalíveis «ideais revolucionários», que o infame Estaline teria arruinado, visto não ter ido beber a sua ciência a Marx, mas sim à infame história russa. O Prof. Tucker apressa-se a salvar o crédito do socialismo ao declarar que Estaline nunca foi um verdadeiro socialista! A sua acção não foi inspirada pela teoria de Marx, mas pelo exemplo dos eternos Ivã, o Terrível, e Pedro, o Grande. Toda a época estalinista não passaria do regresso radical ao tempo dos czares e não seria a aplicação metódica do marxismo às realidades do mundo contemporâneo. Estaline teria arruinado o bolchevismo (em vez de o ter perpetuado). A minha modéstia não me permite pedir, nem esperar, que o Prof. Tucker leia, pelo menos, o primeiro volume d'O Arquipélago de Gulag (de facto, seria preferível que ele lesse os três). A sua leitura refrescar-lhe-ia a memória: lembrar-se-ia de que o aparelho policial comunista, que viria a fazer sessenta milhões de vítimas, foi criado por Lenine, Trotsky e Dzerjinski. A Tcheca, sua primeira manifestação, tinha poderes ilimitados para, sem instauração de processo, fuzilar grande número de pessoas. Foi Lenine quem, com o seu próprio punho, redigiu o artigo 58 do Código Penal, fundamento de todo o Gulag estalinista. Todo o terror vermelho e a repressão de milhões de camponeses foram obra de Lenine e de Trotsky. Foram as suas instruções que Estaline aplicou escrupulosamente, se bem que estupidamente, à medida da sua capacidade intelectual. Apenas num ponto se afastou de Lenine: foi quando, a fim de reforçar o seu poder, decidiu eliminar os dirigentes do Partido Comunista. Mas também nesse ponto ele se contentou em seguir a lei de todas as revoluções sangrentas: elas acabam, infalivelmente, por devorar os seus próprios autores. Na U.R.S.S. dizia-se com razão: «Estaline é o Lenine de hoje». É verdade: toda a época estalinista é apenas a continuação directa do leninismo, mas com mais maturidade nos resultados e um desenvolvimento mais vasto e mais igual. O estalinismo nunca existiu, nem na teoria, nem na prática: não se pode falar nem de fenómeno estalinista, nem de época estalinista; estes conceitos foram inventados pela ideologia ocidental de esquerda, após 1956, apenas para defender os ideais comunistas. Nem um fantasma perverso conseguiria fazer de Estaline um nacionalista russo, muito embora tenha liquidado quinze milhões de camponeses, e dos melhores, quebrando a espinha ao campesinato russo, isto é, à própria Rússia, sacrificando mais de trinta milhões de homens durante a segunda guerra mundial em que participou, sem se preocupar minimamente em economizar o potencial humano e sem a mais pequena consideração pelo seu povo.

Alexandre Soljenitsin in «O Erro do Ocidente», 1980.

O Activismo na base do Marxismo


Doutrina Católica
De acordo com a doutrina católica, o fundamental a tudo é o ser. Do ser provém a natureza da coisa, da natureza provém a acção: «agere sequitur esse», «a acção segue o ser». Daí se deduz que é importante o conhecimento da natureza das coisas. Quem conhece a natureza das coisas sabe agir. Eis a razão por que nós meditamos. Pela meditação conhecemos a verdade. Do conhecimento da verdade nasce a acção.

Teoria Marxista
Ao marxista não interessa o conhecimento teórico da essência das coisas, pois que as coisas não têm ser fixo. Não lhe interessa o valor do ser e da verdade, e sim o valor da eficiência e acção.
Este ponto é fundamental para compreender o marxismo. O marxismo não procura organizar uma sociedade conforme a natureza humana. Ele não admite a natureza humana como algo de fixo, que sirva de norma absoluta, que tenha que ser assim e não de outro modo. Como o homem pode ser modificado na sua essência pelo trabalho, pela acção, o papel que na sociologia e na teologia tem o ser, a natureza, é abandonado definitivamente. Para a concepção marxista o factor decisivo é a acção. Para o católico, a experiencia e a acção devem realizar aquilo que a inteligência conhece como verdadeiro e bom. A vontade segue a inteligência, a consciência. No marxismo dá-se o contrário.
Ouvi o que diz Lenine: «A concepção da prática da vida é que deve determinar a concepção fundamental da teoria do conhecimento» («Matérialisme et empiriocriticisme», Edit. Sociales, Paris, p. 123).
Para o católico a palavra de ordem é: «Vive como pensas!». Para o marxista é: «Pensa como vives!».
«Uma das particularidades do materialismo dialéctico é o seu carácter prático, sublinhando-se o facto de que a teoria depende da prática, o facto de que o fundamento da teoria é a prática, e que, por sua vez, a teoria é a prática... O critério da verdade não pode ser senão a prática social. O ponto de vista da prática é o ponto de vista primordial, fundamental da teoria marxista dialéctica do conhecimento» (Mao Tsé-Tung, «Oeuvres Choisies», Edit. Sociales, Paris, tomo I, pp. 349-350).
Não há, portanto, «doutrina» propriamente dita.
«Resulta pois que no marxismo não existe a filosofia, e sim a acção, que a filosofia se confunde com a acção mesma, uma vez que ela só afirma o que a acção a obriga a afirmar, de tal sorte que não há filosofia sem acção marxista, que a acção revolucionaria é da própria essência da filosofia, porque a missão da filosofia é realizar a mais eficaz acção material. Para um comunista consciente do seu marxismo, o comunismo não é uma verdade... o marxismo é uma acção» (Jean Daujat, «Connaître le Communisme», p. 25).
A prática é a única regra da prática, a acção é a única regra de acção. O ideal absoluto é obter a acção material levada ao máximo, ao paroxismo de eficiência e vigor.

D. Geraldo de Proença Sigaud in «Carta Pastoral sobre a seita comunista, seus erros, sua acção revolucionária e os deveres dos católicos na hora presente», 1963.

Propriedade e Bens Nacionais


Propriedade – Vocábulo ad libitum. Entre os Republicanos (enquanto estão roubando), não tem nem uso, nem significação. Mas quando têm já guardados os roubos, oh! então já é outra coisa: Propriedade é um nome sagrado. O melhor que tem é que, como os roubados e os ladrões se sucedem uns aos outros continuamente, e muitas vezes sem interrupção, se transformam os segundos nos primeiros, não pode deixar de ser que este Vocábulo esteja num pleito eterno entre os Cidadãos felizes das Repúblicas Democráticas.
(...)
Bens Nacionais – Termo inventado em Língua Democrática para fazer contraste ao vocábulo Propriedade. A violação das propriedades era outrora na Sociedade o emprego dos homens mais viciosos e corrompidos, que nela viviam. Os bens adquiridos por este modo se chamavam bens roubados; e o que os adquiria se chamava ladrão. As Leis deviam não levar muito a bem semelhantes aquisições e deviam o quer que seja a respeito da forca e galés. Mas nos tempos presentes, onde governam os Republicanos, passou isto a ser negócio de Nação, e portanto mudou-se-lhe justamente o nome; e os bens roubados, em termos mais polidos, se chamam bens nacionais. O mais curioso é que se lhes dá este nome, ainda antes de se roubarem aos Proprietários.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «Novo Vocabulário Filosófico-Democrático, indispensável para todos os que desejem entender a nova língua revolucionária», Nº 5, 1832.

Capitalistas e comunistas pela abolição de fronteiras


A este respeito, não podemos deixar de ficar impressionados pela forma como as redes de "ilegais" da extrema-esquerda, que acreditam encontrar nos imigrantes um proletariado de substituição, servem os interesses do patronato. Redes mafiosas, traficantes de pessoas e de mercadorias, grandes empresários, activistas "humanitários", empregadores de mão-de-obra barata: todos são adeptos da abolição de fronteiras pelo comércio-livre mundial. Olivier Besançenot [comunista] e Laurence Parisot [capitalista], o mesmo combate!
(...)
Quem critica o capitalismo e aprova a imigração, da qual a classe trabalhadora é a primeira vítima, faria melhor que se calasse. Quem critica a imigração e permanece mudo sobre o capitalismo, deveria fazer o mesmo.

Alain de Benoist in revista «Éléments», nº 139, Abril-Junho de 2011.