Mostrar mensagens com a etiqueta Sexta-feira Santa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sexta-feira Santa. Mostrar todas as mensagens

Paixão de Jesus Cristo


Paixão de Jesus Cristo. Chama-se assim ao conjunto dos sofrimentos do nosso Divino Salvador desde a Sua prisão na noite de Quinta-feira Santa até à morte na Cruz; foi prognosticada pelos Profetas do Antigo Testamento, principalmente por Isaías (cap. LIII), e foi realizada sob o poder de Pôncio Pilatos, na cidade de Jerusalém, terminando com a crucifixão no Calvário. A natureza humana de Jesus Cristo, posto que unida à natureza divina, conservou o que tinha de passível e mortal; por isso Jesus foi sensível às dores e à morte. Pela Paixão de Jesus Cristo foram tirados todos os impedimentos da nossa salvação, e foram-nos dados todos os bens, quanto ao mérito. Na remissão dos pecados ela é a causa universal, que é preciso, todavia, aplicar a cada um por meio dos Sacramentos, de sorte que nenhum pecado é perdoado, nem alguém obtém salvação, sem que lhe sejam aplicados os méritos da Paixão de N. Senhor Jesus Cristo.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Crux Fidelis


Do ofício de Sexta-Feira Santa:

Ó Cruz mais saudável que outra alguma, única árvore digna de honra e o objecto de nossa Fé: bosque algum produziu outra semelhante em folha, em flor e em fruto. Este lenho amável sustenta um doce peso, cravado sobre ele com cravos preciosos.

Fonte: «Ofício da Semana Santa em Latim e Português», 1779.

Cruz


Antigo patíbulo dos malfeitores em várias nações do mundo e de diferente figura, segundo a variedade dos tempos. As primeiras cruzes eram uns madeiros direitos e às vezes troncos de árvores, em que atavam de pés e mãos o padecente. As cruzes, compostas de dois paus, foram de três maneiras. 1. De um pau atravessado pelo meio de outro, como a letra X. 2. De um pau atravessado pela extremidade superior de outro pau a plumo, como a letra T. 3. De um pau direito e atravessado por outro, não totalmente por cima dele, mas deixando um pedaço livre e mais alto que os braços da cruz, como nesta figura +, o que se pode facilmente provar com a Cruz de Jesus Cristo, em cuja sumidade havia no meio um espaço, em que sobre a cabeça de Cristo, pendente na Cruz, mandou Pilatos pôr a fatal inscrição, reputada por causa legítima de Sua morte. Nas mais célebres nações do mundo foi usado o suplício da cruz. Entre os Assírios, antes do nascimento de Abraão, Farno, Rei da Média, foi crucificado por mandado de Nino, seu vencedor. Entre os Hebreus, Janeu seu Rei, filho de Hircano, mandou crucificar oitocentos deles. Entre os Egípcios, estando José em um cárcere, foi crucificado o Padeiro do Faraó. Entre os Persas, por mandado se Assuero, morreu Amã em uma cruz de cinquenta cúbitos de alto, preparada por ele para Mardoqueu. Entre os Gregos, Xantipe, General dos Atenienses, condenou ao suplício da cruz a Artaíctes, Governador de Etólia. Entre os Romanos era tão comum a morte da cruz, que até às mulheres se dava, como se viu no exemplo de Ida, sacrílega liberta de Décio Mundo, violador do Templo de Ísis, reinando Tibério. E é muito para admirar, que sendo a cruz o mais infame dos suplícios e o castigo ordinário de ladrões de estradas, assassinos, traidores e escravos, quisesse o Filho de Deus e Eterna Sabedoria e Redentor do mundo, sujeitar-Se a este género de morte, mas achamos em S. Paulo alguma razão deste incompreensível mistério, e é que Encarnando o Verbo Divino para livrar da maldição o género humano, tomara a maldição, que na estimação dos Judeus andava vinculada com a ignomínia do suplício da cruz. Mas no mesmo tempo foi a cruz o trono e carro triunfal (como lhe chamam os Padres) em que o filho de Deus venceu a morte e o Inferno.

Pe. D. Rafael Bluteau in «Vocabulário Português e Latino», Tomo II, 1712.

Falando com Deus


Só vos conhece, Amor, quem se conhece,
Só vos entende bem, quem bem se entende,
Só quem se ofende a si, não vos ofende,
E só vos pode amar quem se aborrece.

Só quem se mortifica, em Vós floresce,
Só é senhor de si quem se vos rende,
Só sabe pretender quem vos pretende,
E só sobe por Vós quem por Vós desce.

Quem tudo por Vós perde, tudo ganha,
Pois tudo quanto há, tudo em Vós cabe;
Ditoso quem no vosso amor se inflama,

Pois faz troca tão alta e tão estranha;
Mas só vos pode amar o que vos sabe,
Só vos pode saber o que vos ama.

Jerónimo Baía (1627-1688)

Meditação para Sexta-Feira Santa


Nesta sui generis Páscoa de 2020 – única na História! – proponho uma particular meditação da oitava estação da Via Sacra:

E seguia-O uma grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam no peito, e O lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre Mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque eis que virá tempo em que se dirá: «Ditosas as estéreis, ditosos os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram». Então começarão a dizer aos montes: «Caí sobre nós»; e aos outeiros: «Cobri-nos». Porque, se isto se faz ao lenho verde, que se fará ao seco?
Evangelho segundo S. Lucas, XXIII, 27-31.

A Cristo Crucificado


Divinas mãos e pés, peito rasgado,
Chagas em brandas carnes imprimidas...
Meu Deus! que por salvar almas perdidas,
Por elas quereis ser crucificado.

Outra fé, outro amor, outro cuidado,
Outras dores às Vossas são devidas;
Outros corações limpos, outras vidas,
Outro querer, no Vosso transformado.

Em Vós se encerrou toda a piedade,
Ficou no mundo só toda a crueza;
Por isso cada um deu do que tinha...

Claros sinais de amor, ah saudade!
Minha consolação, minha firmeza,
Chagas do meu Senhor, redenção minha!

Frei Agostinho da Cruz (1540-1619)

Sexta-feira Santa


Se sois Riqueza, como estais despido?
Se Omnipotente, como desprezado?
Se Rei, como de espinhos coroado?
Se Forte, como estais enfraquecido?

Se Luz, como a luz tendes perdida?
Se Sol Divino, como eclipsado?
Se Verbo, como é que estais calado?
Se Vida, como estais amortecido?

Se Deus, como estais como homem nessa Cruz?
Se Homem, como dais a um ladrão,
Com tão grande poder, posse dos Céus?

Ah, que sois Deus e Homem, bom Jesus!
Morrendo por Adão enquanto Adão,
E redimindo Adão enquanto Deus.

Frei António das Chagas (1631-1682)

Anima Christi


Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas Chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que Vos louve com os Vossos Santos,
por todos os séculos dos séculos.
Ámen.

Santo Inácio de Loyola

Soneto a Cristo crucificado


Não me move, meu Deus, para Te amar
o Céu que me prometeste,
nem me move o Inferno tão temido
para deixar por isso de Te ofender.

Tu me moves, Senhor; move-me ver-Te
pregado numa cruz e escarnecido,
move-me ver o Teu Corpo tão ferido,
movem-me as Tuas afrontas e a Tua morte.

Move-me, enfim, o Teu amor, e de tal maneira,
que ainda que não houvesse Céu, eu Te amaria,
e ainda que não houvesse Inferno, eu Te temeria.

Nada tens que me dar para que Te queira,
pois mesmo que eu não esperasse o que espero,
o mesmo que Te quero, eu Te quereria.

São João de Ávila

Sic Deus dilexit mundum


Porque Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho único, para que todo o que n'Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.

Evangelho segundo S. João, III, 16

Filme: A Paixão de Cristo

Vexilla Regis


O órgão geme. É Sexta-feira Santa.
Adoração da Cruz na Catedral.
E sobe o coro numa voz que espanta,
– voz de tragédia e cerração mortal!

Só um madeiro agreste se levanta,
abrindo os braços negros por igual.
Os padres cantam. E em tristeza tanta
recanta o incenso a mística espiral.

Soluça o órgão... Com a cruz erguida,
por todo o templo a fé que nos alenta
entoa um hino à Árvore-da-Vida.

E eu, pobre criatura transitória,
enquanto a procissão perpassa lenta,
julgo assistir ao desfilar da História!

António Sardinha in «Na Corte da Saudade».

Sexta-Feira Santa: A Paixão

Em seguida, toda a assembleia se levantou e levaram Jesus a Pilatos. Começaram a acusação, dizendo: «Achámos este homem a subverter o nosso povo, proibindo pagar tributo ao imperador e a afirmar ser Ele mesmo o Messias, o Rei». Pilatos interrogou Jesus: «Tu és o rei dos judeus?». Jesus respondeu, declarando: «És tu que o dizes!». Então Pilatos disse aos sumos-sacerdotes e à multidão: «Não encontro neste homem nenhum motivo de condenação». Eles, porém, insistiam: «Ele provoca revolta entre o povo, com o seu ensinamento. Começou na Galileia, passou por toda a Judeia e agora chegou aqui».
Quando ouviu isto, Pilatos perguntou se Jesus era galileu. Ao saber que Jesus estava sob a jurisdição de Herodes, Pilatos mandou-O a Herodes, pois também Herodes estava em Jerusalém nesses dias. Herodes ficou muito contente ao ver Jesus, pois já ouvira falar a respeito d'Ele e há muito tempo desejava vê-l'O. Esperava ver Jesus fazer algum milagre. Herodes interrogou-O com muitas perguntas. Jesus, porém, não respondeu nada.
Entretanto, os sumos-sacerdotes e os doutores da Lei estavam presentes e faziam violentas acusações contra Jesus. Herodes e os seus soldados trataram Jesus com desprezo, escarneceram d'Ele e vestiram-n'O com uma capa brilhante. E enviaram-n'O de novo a Pilatos.
Nesse dia, Herodes e Pilatos ficaram amigos, pois antes eram inimigos. Então Pilatos convocou os sumos-sacerdotes, os chefes e o povo e disse-lhes: «Trouxestes este homem como se fosse um agitador do povo. Pois bem! Eu já O interroguei diante de vós e não encontrei n'Ele nenhum dos crimes de que O acusais. Herodes também não encontrou, visto que no-l'O enviou de novo. Como podeis ver, Ele não fez nada para merecer a morte. Portanto, vou castigá-l'O e depois soltá-l'O-ei».
Ora, em cada festa da Páscoa, Pilatos devia soltar-lhes um prisioneiro. Toda a multidão começou a gritar: «Mata esse homem! Solta-nos Barrabás!». Barrabás tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por homicídio. Pilatos queria libertar Jesus e falou outra vez à multidão. Mas eles gritavam: «Crucifica-O! Crucifica-O!». E Pilatos disse pela terceira vez: «Mas que mal fez este homem? Não encontrei n'Ele nenhum crime que mereça a morte. Portanto, vou castigá-l'O, e depois soltá-l'O-ei». Mas eles continuaram a gritar com toda a força, pedindo que Jesus fosse crucificado. E a gritaria deles aumentava cada vez mais. Então Pilatos pronunciou a sentença: que fosse feito o que eles pediam. Soltou o homem que eles queriam, aquele que tinha sido preso por revolta e homicídio, e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam.
Enquanto levavam Jesus para ser crucificado, pegaram em certo Simão, da cidade de Cirene, que voltava do campo, e forçaram-no a levar a cruz atrás de Jesus. Uma grande multidão do povo seguia Jesus. E mulheres batiam no peito e choravam por Jesus. Jesus, porém, voltou-Se e disse: «Mulheres de Jerusalém, não choreis por Mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! Porque dias virão, em que se dirá: "Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os ventres que nunca deram à luz e os seios que nunca amamentaram". Então começarão a pedir às montanhas: "Caí em cima de nós!" E às colinas: "Escondei-nos!". Porque, se assim fazem com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?».
Com Ele levavam também outros dois criminosos, para serem mortos. Quando chegaram ao chamado «lugar da Caveira», ali crucificaram Jesus e os criminosos, um à sua direita e outro à sua esquerda. E Jesus dizia: «Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!». Deitaram sortes para repartirem entre si as vestes de Jesus. O povo permanecia ali a observar. Os chefes, porém, zombavam de Jesus, dizendo: «Salvou os outros. Que Se salve a Si mesmo, se é de facto o Messias de Deus, o Escolhido!». Os soldados também escarneciam d'Ele. Aproximavam-se, ofereciam-Lhe vinagre e diziam: «Se Tu és o rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo!». Por cima d'Ele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus». Um dos criminosos crucificados insultava-O, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também!». Mas o outro repreendeu-o, dizendo: «Nem tu temes a Deus, sofrendo a mesma condenação? Quanto a nós é justo, porque recebemos o que merecemos; mas Ele não fez nada de mal». E acrescentou: «Jesus, lembra-Te de mim, quando vieres no teu Reino». Jesus respondeu: «Eu te garanto: hoje mesmo estarás comigo no Paraíso».
Já era mais ou menos meio-dia, e uma escuridão cobriu toda a região até às três horas da tarde, pois o sol deixou de brilhar. A cortina do santuário rasgou-se ao meio. Então Jesus deu um forte grito: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito». Dizendo isto, expirou. O oficial do exército viu o que tinha acontecido e glorificou a Deus, dizendo: «De facto este homem era justo!». E todas as multidões que ali estavam e que tinham vindo para assistir, viram o que havia acontecido e voltaram para casa, batendo no peito.

Lucas 23:1-48