Mostrar mensagens com a etiqueta Doença. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Doença. Mostrar todas as mensagens

Chegada da Peste Negra a Portugal


No mesmo dia [29 de Setembro], ano de 1348, se começou a sentir neste Reino a peste, a que chamaram: A mortandade grande: Pareceu mais castigo especial da mão de Deus, do que efeito natural; Dizem que nasceu na Cítia, onde à força e veemência de espantosos terremotos abriu a terra um boqueirão horrendo, o qual lançou tão peçonhento vapor, que corrompeu o ar, e levado dos ventos, se ateou brevemente por toda a terra, levando a maior parte das gentes: Desde os seus princípios durou três anos: Em Portugal três meses, com espantoso estrago.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

A terrível peste de 1569


No mesmo dia [7 de Junho], ano de 1569, se começou a sentir em Lisboa um terrível contágio, que logo se dilatou por todas as Províncias de Portugal, e durou quatro para cinco meses, mas em Lisboa foi muito maior o estrago: Morriam cada dia quinhentas, seiscentas, setecentas pessoas, e no fim se achou que por todas passaram de cinquenta mil. Cresceram as ervas pelas ruas a grande altura; não cabiam os mortos nas Igrejas, e foi preciso fazer-lhe covas pelos campos, e em cada uma sepultavam a cinquenta e a mais. Talvez estavam os corpos amortalhados às portas das casas dois e três dias, sem haver quem os levasse à sepultura. De um instante para outro caiam mortos os que estavam em pé, e amanheciam sem vida os que se deitaram sãos: Andavam os homens atónitos e com gestos de defuntos, tropeçando a cada passo com imagens da morte, e com ela mesma. Por falta da comunicação com as terras circunvizinhas, começaram a faltar os mantimentos, sendo objecto lastimoso ver os homens e mulheres, velhos, moços, meninos, desfazendo-se em lágrimas, e perecendo à fome; não cessou este horrível açoite, senão nos fins do mês de Outubro do mesmo ano.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

D. João V e o fim de uma epidemia em Lisboa


Neste dia [23 de Janeiro] e nos dois seguintes, do ano de 1724, recitou o Padre Dom Rafael Bluteau, Clérigo Regular da Divina Providência, três Orações gratulatórias na Igreja da sua Casa de Lisboa, a que assistiu El-Rei Dom João V, nosso Senhor, com grande concurso de nobreza e povo, pela mercê que Deus, nosso Senhor, fez a Lisboa em suspender o flagelo de uma epidemia, que havia principiado na quadra do Outono do ano antecedente; e sem dúvida se ateara muito se El-Rei, nosso Senhor, saísse de Lisboa com toda a Casa Real, como muito o persuadiam; a que resistiu com ânimo de coração verdadeiramente Real e paterno, dizendo que antes queria morrer com seus Vassalos naturais, do que desempará-los e deixar de lhes acudir; como fez com a maior caridade, liberalidade e grandeza, que se podem considerar, mandando distribuir pelos Párocos grandes somas de dinheiro, pelas Freguesias, Médicos e Cirurgiões, e pelas casas de todos os necessitados, enfermeiros e enfermeiras, e tudo o de que podiam necessitar de víveres, de comodidades, de mantimentos, de remédios e regalos. Feliz Reinado, em que o Rei governa como Rei, como pai e como homem!

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.