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Corpus Christi


Corpus Christi ou Corpo de Deus é a festa que se celebra na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade. A Igreja instituiu esta festa para louvar com uma procissão solene a Santíssima Eucaristia. É certo que a Eucaristia foi instituída por Jesus Cristo na Quinta-Feira Santa; mas, como nesse dia não pode haver uma comemoração festiva, por causa das cerimónias que recordam a Paixão de Jesus, a Igreja escolheu outro dia – a quinta-feira seguinte ao Domingo da SS. Trindade – para festejar aquela sublime instituição. É dia santo de guarda. Nos povos onde se faz a procissão, costumam os fiéis embandeirar as janelas e juncar de flores as ruas por onde passa em procissão Jesus Sacramentado.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Dons do Espírito Santo


Dons do Espírito Santo são hábitos sobrenaturais que dispõem as faculdades a obedecer prontamente à moção do divino Espírito Santo. Posto que as virtudes movam aos actos bons, os Dons são necessários para a prática dos actos mais perfeitos e para actos heróicos. Nisso se distinguem as virtudes dos Dons do Espírito Santo. São sete:
I Sapiência – move-nos a julgar rectamente das coisas divinas e a dedicarmo-nos a elas.
II Entendimento – faz-nos penetrar as verdades da Fé.
III Conselho – dirige-nos em todas as circunstâncias particulares da vida.
IV Fortaleza – aperfeiçoa a vontade, quanto aos nossos deveres em ocasião de perigo.
V Ciência – faz-nos julgar acertadamente das coisas humanas.
VI Piedade – aperfeiçoa a vontade, quanto aos deveres relativos ao próximo e a Deus.
VII Temor de Deus – aperfeiçoa a vontade, quando é necessário resistir ao atractivo dos prazeres proibidos.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Pentecostes


Pentecostes é o décimo dia após a Ascensão do Senhor. Chama-se dia de Pentecostes – palavra que quer dizer quinquagésimo – porque a festa se realiza 50 dias depois da Páscoa. Chama-se também Domingo do Espírito Santo, porque nesse dia, estando os Apóstolos reunidos numa casa da cidade de Jerusalém, em oração, desceu sobre eles o divino Espírito Santo, em forma de línguas de fogo, produzindo efeitos maravilhosos.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Espírito Santo


Espírito Santo é uma Pessoa Divina, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Esta verdade é ensinada pela Sagrada Escritura, dizendo Jesus Cristo aos seus Apóstolos que baptizassem «em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo» (Ev. S. Mat. X X V III, 19). Com estas palavras proclama que o Espírito é igual ao Pai, que é Deus, e ao Filho, que é igualmente Deus. Nos Actos dos Apóstolos conta S. Lucas que o apóstolo S. Pedro, repreendendo Ananias, disse-lhe: «Satanás tentou o teu coração para que tu mentisses ao Espírito Santo; não mentiste aos homens, mas a Deus» (Act. V, II). Deus Pai e Deus Filho e Deus Espírito Santo são um só Deus em três pessoas divinas, e, embora estas três divinas Pessoas operem igualmente em toda a nossa vida natural e sobrenatural, atribuímos a Deus Pai a nossa criação, a Deus Filho a nossa redenção e a Deus Espírito Santo a nossa santificação. Peçamos ao divino Espírito Santo que nos conceda as graças precisas para cooperarmos com as graças que lhe pedimos, e nos santificarmos.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Ladainha de São Marcos


Ladainha de S. Marcos. No dia 25 de Abril reza-se ou canta-se nas igrejas a Ladainha de Todos os Santos, a que nesse dia se dá o nome de Ladainha de S. Marcos, com ou sem Procissão. É esta a sua origem: No ano de 589 trasbordou o rio Tibre, de tal modo que quase submergiu a cidade de Roma, causando a inundação uma violenta peste, da qual uma das primeiras vítimas foi o Papa Gelásio II. O seu sucessor, S. Gregório Magno, exortou o povo à oração e à penitência, para aplacar a justiça divina que pesava tão duramente. Instituiu preces públicas com procissões pelas ruas da cidade, e ao fim de três dias cessou o flagelo. Em memória deste acontecimento a Igreja continua a fazer preces públicas no dia 25 de Abril, dia em que se celebra a festa do Evangelista S. Marcos.
Segundo alguns autores esta procissão fora instituída para substituir outra pagã que se fazia no mesmo dia em Roma. Nas Igrejas Paroquiais deve-se fazer a Procissão (C. P).

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Indiferentismo Religioso


Indiferentismo Religioso proclama que os homens podem ter a Religião que lhes aprouver, porque todas são agradáveis a Deus, tanta esperança devendo nós ter na salvação eterna dos filhos da Igreja Católica, como na daqueles que morrem fora dela. Conclusão: praticar a verdadeira Religião, ou uma religião falsa, ou não praticar nenhuma, é para o indiferentismo coisa igual. É uma aberração da inteligência. [Este erro liberal foi formalmente condenado por Gregório XVI e por Pio IX]

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Páscoa


Páscoa é a principal festa dos cristãos, por comemorar a Ressurreição de Jesus, fundamento da nossa Religião. A Ressurreição de Jesus Cristo é o triunfo da vida sobre a morte e dá-nos a esperança da nossa futura ressurreição para irmos gozar com Jesus as alegrias do Céu.
No Martirológio, antes de se anunciarem as Calendas e a Lua, canta-se o elogio da Festa do dia, que todos escutam de pé.
Neste dia, para a aspersão antes da Missa, emprega-se água tirada da Pia baptismal, antes da infusão dos Santos Óleos.
Neste Domingo e nos que se seguem, até ao Pentecostes inclusivamente, canta-se à aspersão «Vidi aquam» em lugar do «Asperges» (ver A. Coelho, C. de Lit. Rom., 1941, Vol. I, págs. 728-729).

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Redenção do Género Humano


Redenção do Género Humano. Por causa do pecado original em que todos os homens são concebidos, ninguém podia conseguir a salvação eterna por méritos próprios. O Filho de Deus fez-se Homem, padeceu e morreu por amor dos homens, oferecendo a Seu eterno Pai a Sua Vida, Paixão e Morte, como sacrifício para remir os homens do pecado e poderem entrar no Céu. Deste modo foi feita a redenção do Género Humano.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Paixão de Jesus Cristo


Paixão de Jesus Cristo. Chama-se assim ao conjunto dos sofrimentos do nosso Divino Salvador desde a Sua prisão na noite de Quinta-feira Santa até à morte na Cruz; foi prognosticada pelos Profetas do Antigo Testamento, principalmente por Isaías (cap. LIII), e foi realizada sob o poder de Pôncio Pilatos, na cidade de Jerusalém, terminando com a crucifixão no Calvário. A natureza humana de Jesus Cristo, posto que unida à natureza divina, conservou o que tinha de passível e mortal; por isso Jesus foi sensível às dores e à morte. Pela Paixão de Jesus Cristo foram tirados todos os impedimentos da nossa salvação, e foram-nos dados todos os bens, quanto ao mérito. Na remissão dos pecados ela é a causa universal, que é preciso, todavia, aplicar a cada um por meio dos Sacramentos, de sorte que nenhum pecado é perdoado, nem alguém obtém salvação, sem que lhe sejam aplicados os méritos da Paixão de N. Senhor Jesus Cristo.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Quinta-Feira Santa


Quinta-Feira Santa é o dia em que a Igreja comemora solenemente a instituição da Sagrada Eucaristia [e da Ordem]. Em muitas igrejas faz-se de tarde a cerimónia do lava-pés, que consiste em o Sacerdote, devidamente paramentado, lavar os pés a doze homens, geralmente pobres, em memória do que Jesus Cristo fez aos seus Apóstolos, no cenáculo em Jerusalém.
Desde a Missa desse dia, até à Missa de Sábado seguinte, não se tocam os sinos, nem música na igreja, em sinal da tristeza que causa a lembrança da Paixão e Morte de Jesus Cristo. Tendo de se administrar o Sagrado Viático desde a Missa de Quinta-feira Santa até Sábado de Aleluia, nada se canta, nem na igreja, nem pelo caminho. Mesmo na Sexta-feira Santa a estola a usar é de côr roxa (S. C. R.). Não pode tolerar-se o costume de levar o SS. Sacramento pelas ruas na Quinta e Sexta-feira Santa (S. C. R.). Também não é lícito na Quinta-feira, estando o SS. Sacramento exposto na urna, expor noutro lugar a imagem da Senhora das Dores e a de Jesus morto, mas é permitido na Sexta-feira.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Advento


Advento é o tempo de quatro semanas anteriores à festa do Natal. O primeiro dia do Advento ocorre no fim de Novembro ou primeiros dias de Dezembro, e com ele começa o ano litúrgico ou ano eclesiástico. Quer a Igreja que durante o tempo do Advento os fiéis se preparem com a oração e o jejum, para comemorarem cristãmente a vinda ou nascimento de Jesus Cristo. As sextas-feiras do Advento são de abstinência sem jejum, mesmo para os fiéis que têm o Indulto Quaresmal.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Festa de Cristo Rei


Cristo Rei. Celebra-se a festa de Cristo Rei no último domingo do mês de Outubro. Foi o Papa Pio XI quem instituiu esta festa, dando a Jesus aquele título, para que os homens reconhecessem e confessassem, que Jesus Cristo é o Rei da humanidade, e para afirmarem o dever que têm de obedecer à sua Santa Lei.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Genuflexão


Genuflexão faz-se com os dois joelhos; a) diante do Santíssimo Sacramento exposto; b) diante do sacrário aberto, estando dentro a Hóstia consagrada; c) diante do cofre que encerra a Hóstia consagrada para a Missa dos pré-santificados, Quinta e Sexta-feira santa. – Faz-se a genuflexão com um joelho: a) quando se passa diante do sacrário fechado, e diante do altar onde se está celebrando a Missa, desde a consagração até à comunhão, e quando está exposto, a não ser quando se chega ao altar da exposição ou quando se sai; b) quando se saúda uma relíquia do santo Lenho ou de outro instrumento da Paixão de Jesus Cristo, estando exposta à veneração dos fiéis no lugar principal do altar; c) quando se passa diante do altar durante os actos litúrgicos; (os Prelados, os Cónegos da Catedral, nos actos em que têm direito a revestir-se das insígnias canonicais, e o celebrante paramentado, saúdam a cruz com inclinação apenas); d) Sexta-feira santa, desde que a cruz é descoberta até Sábado de Aleluia depois de Noa; e) ao Bispo na sua diocese e ao Metropolita na sua Província eclesiástica, e ao Cardial. Na presença de um Cardeal só a ele e a nenhum outro Prelado se faz a genuflexão.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Assunção de Nossa Senhora


Assunção de Nossa Senhora. É doutrina da Igreja que a Virgem foi elevada ao Céu em alma e corpo após a sua morte. Em memória deste facto celebra-se a festa da Assunção no dia 15 de Agosto.
Os Portugueses têm um motivo especial para solenizar a festa da Assunção de Nossa Senhora: foi na véspera desse dia, em 14 de Agosto de 1385, que D. Nuno Álvares Pereira firmou a independência de Portugal, derrotando os Castelhanos na batalha de Aljubarrota. É dia santo de guarda.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

§

Sempre foi de Fé católica a Assunção de Nossa Senhora aos Céus. Por essa razão, Pio XII definiu dogmaticamente a 1 de Novembro de 1950: «...com a Autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, e com a Nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial».

Perdão


Perdão. É um dever cristão perdoar aos que nos ofendem; mas o perdão exige o arrependimento do ofensor, e por essa razão não facilita a disposição para nova ofensa. Disse Jesus Cristo: «Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o, e se ele se arrepender, perdoa-lhe» (Ev. S. Luc. XVII, 3).
Quem se arrepende do mal que faz não fica com vontade de repetir a acção má. O perdão é uma consoladora esperança para os pecadores, pois disse o Evangelista S. Lucas: «Arrependei-vos e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados» (Act. Ap. III, 19). Tal é o preço do perdão dos nossos pecados: arrependimento, acompanhado da conversão, e detestação do mal feito, começando a fazer o bem que lhe é contrário.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Presépio


Presépio. Dá-se este nome à gruta onde nasceu Jesus Cristo, em Belém. É uma gruta irregular, aberta na rocha, no campo, a pouca distância da pequena cidade. Está transformada em igreja [Basílica da Natividade], que não recebe luz do exterior e é iluminada por muitas lâmpadas. Também se dá o nome de presépio ao lugar que os fiéis preparam na igreja, ou em suas casas, para comemorarem, com imagens religiosas, o nascimento do Menino Jesus. [Este é um bom costume cristão iniciado por São Francisco de Assis].

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Index Librorum Prohibitorum


Index. Dá-se este nome ao catálogo dos livros condenados pela Igreja, como prejudiciais para a Fé ou para os costumes, e cuja leitura e posse a Igreja proíbe aos fiéis.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Família


Família. Foi fundada por Deus quando deu Eva por companheira a Adão, abençoando-os e dizendo-lhes que se multiplicassem. Sempre que uma mulher aceita unir-se a um homem, com a bênção de Deus dada à face da Igreja, com o fim de terem filhos [Matrimónio], fica constituída legitimamente uma família cristã.
Os membros de uma família, que formam o lar doméstico, devem propor-se os seguintes fins: a) o bem-estar, pelo trabalho de todos; b) a paz, suportando-se mutuamente; c) a alegria, dedicando-se ainda que com incómodo próprio; d) a vida virtuosa, sendo fiéis à lei de Deus e à lei da Igreja; e) o auxílio mútuo, sobretudo nas dificuldades e nas doenças.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Providência


Providência é a acção pela qual Deus conserva e governa o mundo que criou, dirigindo todos os seres ao fim que se propôs. A existência da Providência é-nos revelada pela ordem que reina no mundo. À Providência divina não pertence evitar defeitos, corrupções e coisas más, nem mesmo os pecados dos homens; nem a imutabilidade de Deus exclui a necessidade da oração. Tudo o que acontece, quer por necessidade quer por vontade, está regulado pela divina Providência, embora misteriosamente para nós, em ordem ao fim do Universo, ao fim primário da criação, que é a glória de Deus. A este fim se vão encaminhando todos os seres, dirigidos, ou pelas leis naturais ou pela moção da graça.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.


Nota: A divina Providência é representada por um olho triangular, símbolo cristão que depois foi usurpado e profanado pela seita maçónica, ao ponto de hoje se crer amiúde tratar-se de um símbolo maçónico.

Ideal


Ideal é uma luz que brilha no horizonte da vida guiando-nos para um determinado fim, para o fim a que Deus nos destina. O ideal de cada um há-de ser em harmonia com a sua condição, com as suas forças, com as suas faculdades, com o seu temperamento; mas qualquer que ele seja, deve ser uma aspiração à verdade, a uma realidade realizável por meio do exercício da virtude. O ideal de cada um pode resumir-se em quatro palavras: a) trabalhar contra as suas inclinações viciosas, e por ser útil a si mesmo e à sociedade; b) amar, saindo do próprio egoísmo para se dar ao serviço de Deus e do próximo; c) sofrer, dizendo: seja feita a vontade de Deus; d) morrer na graça de Deus; e) gozar a vida eterna feliz no Céu.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.