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Da Autoridade legítima e da justa Obediência


Além disso, é obrigação verdadeira prestar reverência à autoridade e obedecer com submissão às leis justas, ficando assim os cidadãos livres da injustiça dos iníquos, graças à força e vigilância da lei. A potestade legítima vem de Deus, e quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; por isso, a obediência é grandemente enobrecida, pois é prestada à mais justa e elevada autoridade. Mas, quando falta o direito de mandar, ou se ordena algo contra a razão, contra a lei eterna ou contra os mandamentos divinos, é justo não obedecer aos homens, entendendo-se, porém, que se deve obedecer a Deus. Fechado deste modo o caminho à tirania, o Estado não absorverá tudo, e ficarão salvaguardados os direitos dos particulares, da família e de todos os membros da sociedade, concedendo-se a todos participação na verdadeira liberdade, que consiste, como demonstrámos, em poder cada um viver segundo as leis justas e a recta razão.
(...)
E com razão, porque esta liberdade cristã testemunha o supremo e justíssimo domínio de Deus sobre os homens e, ao mesmo tempo, a primeira e principal obrigação do homem para com Deus. Nada tem esta liberdade em comum com o espírito sedicioso e desobediente, nem de modo algum se deve pensar que pretenda eximir-se ao respeito devido à autoridade pública; pois a potestade humana só possui o direito de mandar e exigir obediência enquanto não divergir em coisa alguma da potestade divina, mantendo-se dentro dos limites por esta estabelecidos. Mas, quando se ordena algo que claramente contraria a vontade divina, ultrapassam-se esses limites e entra-se simultaneamente em conflito com a divina Autoridade; por isso, então, o justo é não obedecer.

Papa Leão XIII in encíclica «Libertas praestantissimum», 20 de Junho de 1888.

Corpus Christi


Corpus Christi ou Corpo de Deus é a festa que se celebra na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade. A Igreja instituiu esta festa para louvar com uma procissão solene a Santíssima Eucaristia. É certo que a Eucaristia foi instituída por Jesus Cristo na Quinta-Feira Santa; mas, como nesse dia não pode haver uma comemoração festiva, por causa das cerimónias que recordam a Paixão de Jesus, a Igreja escolheu outro dia – a quinta-feira seguinte ao Domingo da SS. Trindade – para festejar aquela sublime instituição. É dia santo de guarda. Nos povos onde se faz a procissão, costumam os fiéis embandeirar as janelas e juncar de flores as ruas por onde passa em procissão Jesus Sacramentado.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Dons do Espírito Santo


Dons do Espírito Santo são hábitos sobrenaturais que dispõem as faculdades a obedecer prontamente à moção do divino Espírito Santo. Posto que as virtudes movam aos actos bons, os Dons são necessários para a prática dos actos mais perfeitos e para actos heróicos. Nisso se distinguem as virtudes dos Dons do Espírito Santo. São sete:
I Sapiência – move-nos a julgar rectamente das coisas divinas e a dedicarmo-nos a elas.
II Entendimento – faz-nos penetrar as verdades da Fé.
III Conselho – dirige-nos em todas as circunstâncias particulares da vida.
IV Fortaleza – aperfeiçoa a vontade, quanto aos nossos deveres em ocasião de perigo.
V Ciência – faz-nos julgar acertadamente das coisas humanas.
VI Piedade – aperfeiçoa a vontade, quanto aos deveres relativos ao próximo e a Deus.
VII Temor de Deus – aperfeiçoa a vontade, quando é necessário resistir ao atractivo dos prazeres proibidos.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Espírito Santo


Espírito Santo é uma Pessoa Divina, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Esta verdade é ensinada pela Sagrada Escritura, dizendo Jesus Cristo aos seus Apóstolos que baptizassem «em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo» (Ev. S. Mat. X X V III, 19). Com estas palavras proclama que o Espírito é igual ao Pai, que é Deus, e ao Filho, que é igualmente Deus. Nos Actos dos Apóstolos conta S. Lucas que o apóstolo S. Pedro, repreendendo Ananias, disse-lhe: «Satanás tentou o teu coração para que tu mentisses ao Espírito Santo; não mentiste aos homens, mas a Deus» (Act. V, II). Deus Pai e Deus Filho e Deus Espírito Santo são um só Deus em três pessoas divinas, e, embora estas três divinas Pessoas operem igualmente em toda a nossa vida natural e sobrenatural, atribuímos a Deus Pai a nossa criação, a Deus Filho a nossa redenção e a Deus Espírito Santo a nossa santificação. Peçamos ao divino Espírito Santo que nos conceda as graças precisas para cooperarmos com as graças que lhe pedimos, e nos santificarmos.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Ascensão: exposição dogmática, histórica e litúrgica


A segunda festa celebrada no Tempo Pascoal é a Ascensão, coroação de toda a vida de Jesus. Era mister que o Divino Ressuscitado, sem mais tocar a lama da nossa pobre terra, voltasse a Seu Pai, no seio do qual, como Deus, está de toda a eternidade e o qual acolheu Sua humanidade, diz S. Cipriano, «com alegria inexprimível em língua alguma». O Cristo devia tomar posse do Reino dos Céus, que adquirirá por Seus sofrimentos e, aí colocando «nossa frágil natureza à direita da glória de Deus», abrir-nos a casa de Seu Pai para podermos ocupar, como filhos de Deus, o lugar dos Anjos decaídos. Vencedor de Satanás e do pecado, Jesus entra no Céu: os Anjos aclamam e saúdam o seu Rei, as almas dos justos, libertas do Limbo, formam a Sua gloriosa escolta. «Eu vou preparar-vos um lugar» declarara Jesus aos Seus Apóstolos e S. Paulo afirma que «Deus nos fez assentar com Jesus no Céu», pois, «pela esperança já estamos salvos». «O corpo é chamado a penetrar onde a cabeça entrou», diz S. Leão. O triunfo de Jesus Cristo é o da Sua Igreja. Como o Sumo-Sacerdote entrava no Santo dos Santos para oferecer a Deus o sangue das vítimas, na Lei Antiga, Jesus, diz o Apóstolo, entrou no Santo dos Santos da Jerusalém celeste, para ali oferecer o Seu próprio sangue, o sangue da Nova Aliança e alcançar-nos os favores de Deus. No dia da Ascensão, mostrando a Deus as Suas chagas gloriosas, Jesus começou o Seu sacerdócio celeste, «tornou-se o nosso intercessor junto ao Pai» e obteve-nos o Espírito Santo com os Seus dons. Complemento de todas as festas de Cristo, a Ascensão é o princípio da nossa santificação, «Ele eleva-Se ao Céu, canta o Prefácio, para tornar-nos participantes da Sua divindade». «Não basta ao homem, diz D. Guéranger, apoiar-se nos méritos da Paixão do Redentor, não lhe basta acrescentar a esta lembrança à da Ressurreição: o homem só se salva, unindo a esses dois mistérios um terceiro mistério, o da triunfante Ascensão d'Aquele que morreu e ressuscitou».

Quarenta dias depois da Ressurreição de Cristo, o Ciclo Pascoal celebra o aniversário do dia que marcou o termo do reino visível de Cristo na Terra. Os Apóstolos vindo a Jerusalém, para a festa de Pentecostes, estavam no Cenáculo quando Jesus lhes apareceu e com eles tomou uma última refeição. Em seguida conduziu-os fora da cidade para os lados de Betânia, ao Monte das Oliveiras, o mais alto dos que rodeiam a capital. Jesus abençoou os Apóstolos e elevou-Se aos Céus. Era meio-dia. Uma nuvem o escondeu aos olhares e, dois Anjos anunciaram aos discípulos que o Cristo, tendo subido ao Céu, desceria novamente no fim do mundo. Em memória do cortejo de Jesus e dos Apóstolos, fazia-se em Roma, à hora de sexta (meio-dia) solene procissão. O Papa, depois da celebração da Missa Pontifical em S. Pedro, dirigia-se com os Cardeais e os Bispos a S. João de Laterão: – Santa Helena mandou construir no Monte das Oliveiras uma basílica (no género do Santo Sepulcro) no lugar em que Jesus subira aos Céus. A basílica era aberta no alto, expressivo símbolo desse mistério. Arrasada pelos Muçulmanos, foi substituída no século XIII por um monumento medíocre.

A solenidade da Ascensão confundia-se outrora com a de Pentecostes, porque o Tempo Pascoal era considerado como um só dia de festa, começando na Páscoa para terminar por ocasião da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. Mais tarde, porém, a Ascensão celebrou-se no quadragésimo dia depois da Ressurreição e teve a sua Vigília e Oitava. É festa de guarda. O rito simbólico que a caracteriza é a extinção definitiva do Círio Pascoal, cuja luz, durante a santa quarentena, figurava a presença de Jesus no meio de seus discípulos. Apaga-se o Círio depois da leitura do Evangelho do dia da Ascensão, que nos fala da partida do Salvador para o Céu. Os paramentos brancos e o Aleluia, «essa gota, diz Ruperto, da suprema alegria que faz estremecer a Jerusalém superna», mostram a alegria ressentida pela Igreja ao lembrar-se do triunfo de Cristo, ao pensar na felicidade dos Anjos e dos Justos da Antiga Lei, que dele participaram e na espera do Espírito Santo, que lhe permitirá a Ele associar-se. O espírito da festa é marcado pela Oração do dia da Ascensão que nos lembra a obrigação de, após haver seguido o Ciclo a Jesus no curso de Sua vida, elevarmos os olhos ao Céu e, pela fé e esperança, ali habitarmos com Ele, pois é a verdadeira pátria dos filhos de Deus.

Fonte: «Missal Quotidiano e Vesperal», 1940.

Dez Mandamentos


Na China ouvindo certo Mandarim propor a um Padre Missionário os Mandamentos da Lei de Deus, disse em presença de muitos Senhores: Sem dúvida esta Lei é Divina; porque se algum Rei particular a fizera, servira só para o seu Reino; logo servindo para todo o Mundo, quem a fez é o Senhor do Mundo.

Pe. Manuel Bernardes in «Nova Floresta, ou Silva de vários apoftegmas e ditos sentenciosos espirituais e morais», Tomo V, 1728.

Ladainha de São Marcos


Ladainha de S. Marcos. No dia 25 de Abril reza-se ou canta-se nas igrejas a Ladainha de Todos os Santos, a que nesse dia se dá o nome de Ladainha de S. Marcos, com ou sem Procissão. É esta a sua origem: No ano de 589 trasbordou o rio Tibre, de tal modo que quase submergiu a cidade de Roma, causando a inundação uma violenta peste, da qual uma das primeiras vítimas foi o Papa Gelásio II. O seu sucessor, S. Gregório Magno, exortou o povo à oração e à penitência, para aplacar a justiça divina que pesava tão duramente. Instituiu preces públicas com procissões pelas ruas da cidade, e ao fim de três dias cessou o flagelo. Em memória deste acontecimento a Igreja continua a fazer preces públicas no dia 25 de Abril, dia em que se celebra a festa do Evangelista S. Marcos.
Segundo alguns autores esta procissão fora instituída para substituir outra pagã que se fazia no mesmo dia em Roma. Nas Igrejas Paroquiais deve-se fazer a Procissão (C. P).

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Indiferentismo Religioso


Indiferentismo Religioso proclama que os homens podem ter a Religião que lhes aprouver, porque todas são agradáveis a Deus, tanta esperança devendo nós ter na salvação eterna dos filhos da Igreja Católica, como na daqueles que morrem fora dela. Conclusão: praticar a verdadeira Religião, ou uma religião falsa, ou não praticar nenhuma, é para o indiferentismo coisa igual. É uma aberração da inteligência. [Este erro liberal foi formalmente condenado por Gregório XVI e por Pio IX]

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Páscoa


Páscoa é a principal festa dos cristãos, por comemorar a Ressurreição de Jesus, fundamento da nossa Religião. A Ressurreição de Jesus Cristo é o triunfo da vida sobre a morte e dá-nos a esperança da nossa futura ressurreição para irmos gozar com Jesus as alegrias do Céu.
No Martirológio, antes de se anunciarem as Calendas e a Lua, canta-se o elogio da Festa do dia, que todos escutam de pé.
Neste dia, para a aspersão antes da Missa, emprega-se água tirada da Pia baptismal, antes da infusão dos Santos Óleos.
Neste Domingo e nos que se seguem, até ao Pentecostes inclusivamente, canta-se à aspersão «Vidi aquam» em lugar do «Asperges» (ver A. Coelho, C. de Lit. Rom., 1941, Vol. I, págs. 728-729).

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Redenção do Género Humano


Redenção do Género Humano. Por causa do pecado original em que todos os homens são concebidos, ninguém podia conseguir a salvação eterna por méritos próprios. O Filho de Deus fez-se Homem, padeceu e morreu por amor dos homens, oferecendo a Seu eterno Pai a Sua Vida, Paixão e Morte, como sacrifício para remir os homens do pecado e poderem entrar no Céu. Deste modo foi feita a redenção do Género Humano.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Paixão de Jesus Cristo


Paixão de Jesus Cristo. Chama-se assim ao conjunto dos sofrimentos do nosso Divino Salvador desde a Sua prisão na noite de Quinta-feira Santa até à morte na Cruz; foi prognosticada pelos Profetas do Antigo Testamento, principalmente por Isaías (cap. LIII), e foi realizada sob o poder de Pôncio Pilatos, na cidade de Jerusalém, terminando com a crucifixão no Calvário. A natureza humana de Jesus Cristo, posto que unida à natureza divina, conservou o que tinha de passível e mortal; por isso Jesus foi sensível às dores e à morte. Pela Paixão de Jesus Cristo foram tirados todos os impedimentos da nossa salvação, e foram-nos dados todos os bens, quanto ao mérito. Na remissão dos pecados ela é a causa universal, que é preciso, todavia, aplicar a cada um por meio dos Sacramentos, de sorte que nenhum pecado é perdoado, nem alguém obtém salvação, sem que lhe sejam aplicados os méritos da Paixão de N. Senhor Jesus Cristo.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Quinta-Feira Santa


Quinta-Feira Santa é o dia em que a Igreja comemora solenemente a instituição da Sagrada Eucaristia [e da Ordem]. Em muitas igrejas faz-se de tarde a cerimónia do lava-pés, que consiste em o Sacerdote, devidamente paramentado, lavar os pés a doze homens, geralmente pobres, em memória do que Jesus Cristo fez aos seus Apóstolos, no cenáculo em Jerusalém.
Desde a Missa desse dia, até à Missa de Sábado seguinte, não se tocam os sinos, nem música na igreja, em sinal da tristeza que causa a lembrança da Paixão e Morte de Jesus Cristo. Tendo de se administrar o Sagrado Viático desde a Missa de Quinta-feira Santa até Sábado de Aleluia, nada se canta, nem na igreja, nem pelo caminho. Mesmo na Sexta-feira Santa a estola a usar é de côr roxa (S. C. R.). Não pode tolerar-se o costume de levar o SS. Sacramento pelas ruas na Quinta e Sexta-feira Santa (S. C. R.). Também não é lícito na Quinta-feira, estando o SS. Sacramento exposto na urna, expor noutro lugar a imagem da Senhora das Dores e a de Jesus morto, mas é permitido na Sexta-feira.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Israel: distinções necessárias


Para se poder compreender bem o que foi feito, convém antes de mais estabelecer uma distinção relativamente ao povo Judeu. «Israel» pode entender-se em dois sentidos:

1. O «Israel espiritual», povo de Deus do Antigo Testamento até ao tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo. A sua missão era preparar a vinda do Messias, em quem encontraria o seu aperfeiçoamento.
Deste «Israel» é continuação a Igreja de Jesus Cristo, única herdeira legítima e exclusiva do seu património e missão sagrados.

2. O «Israel carnal», que materializou, carnalizou, a promessa de Deus e a própria noção do Messias, e que, por conseguinte, prevaricou, rejeitando-O na Sua primeira Vinda.
Neste «Israel carnal» podemos distinguir, por sua vez, duas outras realidades:

a) O povo Judeu depois de Cristo, povo chamado à conversão e ao baptismo, como todos os demais povos, mas com maior urgência e com uma dilecção particular por causa do seu património único, e com maior cuidado por causa da sua rebelião e do seu património actual.

b) O Judaísmo talmúdico: a religião actual dos Judeus, aquela que não só rejeitou o Messias e cometeu o Deicídio, mas que também persegue o Seu Corpo Místico, a Igreja, como usurpadora do seu património sagrado.

Os Judeus talmúdicos seguem o Talmude: interpretação rabínica da Lei Mosaica e código civil judaico.

A Igreja honra o «Israel espiritual», pois dá-lhe continuidade e é a sua herdeira.

A Igreja ama o «Israel carnal» chamado à conversão; procura os filhos desse povo como aos seus filhos mais velhos, rebeldes mas ainda amados.

A Igreja defende a sua própria razão de ser e os seus direitos contra as pretensões do Judaísmo talmúdico, contra o seu ódio e as suas perseguições.

Pe. Juan Carlos Ceriani in «El Deicidio», 5 de Março de 2011.

A questão judaico-cristã


No primeiro capítulo expusemos a lei teológica que rege os povos desde o advento de Cristo Nosso Senhor. Existe – dizíamos – por disposição inescrutável de Deus, uma oposição irreconciliável entre a Igreja e a Sinagoga, entre Judeus e Cristãos, oposição essa que há-de perpetuar-se irremediavelmente até que chegue o tempo da Reconciliação. Judeus e Cristãos hão-de encontrar-se em toda a parte sem se reconciliarem e sem se confundirem. Representam na História a eterna luta de Lúcifer contra Deus, da Serpente contra a Mulher, das Trevas contra a Luz, da Carne contra o Espírito. A eterna luta de Caim contra Abel, de Ismael contra Isaque, de Esaú contra Jacob, do Faraó contra Moisés, dos Judeus contra Cristo.
É tão fundamental esta oposição que, depois de Cristo, não são possíveis para o Homem senão dois caminhos: a cristianização ou a judaização, como também não são possíveis, em todas as manifestações da vida, mais do que dois modos verdadeiramente fundamentais: o cristão e o judeu; duas religiões: a cristã e a judaica; duas políticas: a cristã e a judaica; duas economias: a cristã e a judaica; apenas dois internacionalismos: o cristão e o judaico.

Pe. Julio Meinvielle in «El Judío en el misterio de la Historia», 1936.

São Carlos Borromeu e a nobreza de sangue


A visão que o próprio Cardeal [Borromeu] tinha da hierarquia social pode ser observada na conclusão de um sermão que pregou na festa da Natividade de Nossa Senhora, em 1584, quando explicou a inclusão da sua genealogia pelos evangelistas, do seguinte modo: "O nascimento nobre é um dom e uma graça de Deus. Não devemos desprezar este benefício; fazê-lo seria ingratidão. O sangue nobre é um poderoso estímulo à prática da virtude e um grande freio ao vício. Pois, num nobre, o vício é ainda mais odioso; mas também a virtude resplandece com maior fulgor e assemelha-se a uma jóia cravada em ouro: a gema brilha muito mais intensamente do que se estivesse apenas cravada em prata."

Pe. Cyril Martindale in «The Vocation of Aloysius Gonzaga», 1927.

Dogma da Imaculada Conceição


A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Redentor do género humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina é revelada por Deus, e por isso deve ser firme e constantemente crida por todos os fiéis.

Papa Pio IX in bula «Ineffabilis Deus», 8 de Dezembro de 1854.

Advento


Advento é o tempo de quatro semanas anteriores à festa do Natal. O primeiro dia do Advento ocorre no fim de Novembro ou primeiros dias de Dezembro, e com ele começa o ano litúrgico ou ano eclesiástico. Quer a Igreja que durante o tempo do Advento os fiéis se preparem com a oração e o jejum, para comemorarem cristãmente a vinda ou nascimento de Jesus Cristo. As sextas-feiras do Advento são de abstinência sem jejum, mesmo para os fiéis que têm o Indulto Quaresmal.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

16 de Outubro: Santa Edviges


Edviges, nascida de família real, e ainda mais ilustre pela inocência de sua vida, era filha de Bertoldo, príncipe de Caríntia, e tia materna de Santa Isabel de Hungria. Dada em casamento a Henrique, Duque da Polónia, cumpriu tão santamente os deveres de esposa que a Igreja a compara à mulher forte, cujo retrato o Espírito Santo nos dá na Epístola deste dia. Teve três filhos e três filhas. Castigava o corpo pelo jejum e vigílias e pela severidade do vestuário; era imensa a sua caridade para com os pobres, servindo-os ela própria à mesa. Lavava e osculava as úlceras dos leprosos. Para melhor entregar-se ao serviço de Deus, conseguiu do esposo a promessa, por voto, de guardarem ambos a continência. Morto o Duque, Edviges, como o negociante de que fala o Evangelho, despojou-se de todos os seus bens para adquirir a pérola preciosa da vida eterna. Após instantes preces, e, por inspiração divina, passou generosamente do seio das pompas do século para a vida humilde da cruz, entrando no Mosteiro de Trebnitz, da Ordem dos Cistercienses, do qual era Abadessa sua filha Gertrudes. Morreu a 15 de Outubro de 1243, e, na Polónia, é venerada como Padroeira, com particular devoção.

Fonte: «Missal Quotidiano e Vesperal», 1940.

8 de Outubro: Santa Brígida da Suécia


Santa Brígida era descendente de sangue real da Suécia. Casada com o Príncipe de Merícia, educou santamente oito filhos, entre os quais figura Santa Catarina da Suécia. Estimulou de tal sorte o esposo na prática da virtude que o levou ao completo desprendimento do mundo e a abraçar a Regra dos Cistercienses, no Mosteiro de Alvastra, onde morreu em odor de santidade (1344). Brígida redobrou de fervor no santo estado de viuvez «aplicando-se a toda sorte de boas obras e perseverando dia e noite na oração e meditações» (Ep.). À semelhança de quem encontra um tesouro e vende tudo para adquiri-lo (Ev.), distribuiu os bens entre os filhos, e, desapegada de tudo, só buscava o reino do Céu. Penetrada do temor de Deus, infligia ao corpo as mais duras penitências (Intr.), e Jesus, cuja paixão imitava, recompensou-a, revelando-lhe os segredos celestes (Or.). Deu-lhe as constituições da Ordem por ela fundada, sob a regra de Santo Agostinho. Morreu em Roma em 1373.

Fonte: «Missal Quotidiano e Vesperal», 1940.

Genuflexão


Genuflexão faz-se com os dois joelhos; a) diante do Santíssimo Sacramento exposto; b) diante do sacrário aberto, estando dentro a Hóstia consagrada; c) diante do cofre que encerra a Hóstia consagrada para a Missa dos pré-santificados, Quinta e Sexta-feira santa. – Faz-se a genuflexão com um joelho: a) quando se passa diante do sacrário fechado, e diante do altar onde se está celebrando a Missa, desde a consagração até à comunhão, e quando está exposto, a não ser quando se chega ao altar da exposição ou quando se sai; b) quando se saúda uma relíquia do santo Lenho ou de outro instrumento da Paixão de Jesus Cristo, estando exposta à veneração dos fiéis no lugar principal do altar; c) quando se passa diante do altar durante os actos litúrgicos; (os Prelados, os Cónegos da Catedral, nos actos em que têm direito a revestir-se das insígnias canonicais, e o celebrante paramentado, saúdam a cruz com inclinação apenas); d) Sexta-feira santa, desde que a cruz é descoberta até Sábado de Aleluia depois de Noa; e) ao Bispo na sua diocese e ao Metropolita na sua Província eclesiástica, e ao Cardial. Na presença de um Cardeal só a ele e a nenhum outro Prelado se faz a genuflexão.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.