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Portugal não é devedor a povos "colonizados"


Portugal é um Reino Católico por definição e essência, fundado por Deus em Ourique. A República não é Portugal, nem representa Portugal, é ilegítima e usurpadora. Daí que não são vinculativas, nem válidas, as declarações proferidas pelo Presidente dos Republicanos em Portugal acerca das "reparações históricas". São afirmações abusivas e vãs de legitimidade.

Contudo, aproveitando-se das criminosas declarações do Presidente dos Republicanos, o (des)governo da ilegítima República Democrática de São Tomé e Príncipe vem exigir compensações pelo chamado "colonialismo". Uma exigência tão infundada quanto injusta, não só porque não há nenhum mal para compensar, como a ilegítima República Democrática de São Tomé e Príncipe, que se diz independente há 50 anos, recebe inúmeras ajudas monetárias provindas dos excessivos impostos cobrados pelos (des)governos republicanos em Portugal:


Por outro lado, quando navegadores portugueses a serviço d'El-Rei Dom Afonso V descobriram o arquipélago de São Tomé e Príncipe, em 1470, este estava desabitado. Só em 1493 é que se iniciou o povoamento das ilhas, para onde afluíram alguns portugueses, mas sobretudo negros provenientes do continente africano; sucedendo-se várias vagas de colonização africana ao longo dos séculos. Os actuais habitantes de São Tomé e Príncipe são os descendentes desses colonizadores africanos que vieram a povoar ilhas desabitadas. Ora, se a ilegítima República Democrática de São Tomé e Príncipe pretende que se "repare a colonização", então, em coerência, deveria proceder à desocupação populacional das ilhas, regressando os seus habitantes ao continente africano, dando conclusão à "descolonização exemplar" iniciada em 1974/1975.


Na verdade, as ilhas de São Tomé e Príncipe são por legítimo direito, reconhecido em bulas papais, um domínio da Coroa Portuguesa. E mesmo que os republicanos tenham usurpado esses domínios reais, eles não têm qualquer direito para desapossar um bem que não lhes pertence. A chamada "independência" de São Tomé e Príncipe foi um crime de lesa-pátria e lesa-majestade, cuja pena tradicionalmente aplicada seria a morte.

Mas quando Portugal foi traído e espoliado dos seus territórios ultramarinos, a ilegítima República Democrática de São Tomé e Príncipe herdou um arquipélago fertilíssimo e de águas abundantes, que chegou a ser o maior produtor mundial de cacau e cana-de-açúcar, assim como toda uma estrutura moral e civilizacional, onde as escolas, as igrejas, as estradas e os hospitais são disso expressão material. E não há ouro no mundo que pague a obra civilizadora, a Fé e os bons costumes legados.

Descobre Pedro Álvares Cabral a Cidade de Cananor


Neste dia [15 de Janeiro], ano de 1501, descobriu Pedro Álvares Cabral a Cidade de Cananor, que então era muito populosa, e constava de muito nobres edifícios, e a sua comarca era sumamente abundante de frutos e drogas, que na Ásia são de maior estima. O Rei era gentio, e um dos três mais poderosos do Malabar, quais eram: os de Calecute, Coulão e este de Cananor. Ajustou ele paz com os Portugueses, e mandou seu Embaixador a El-Rei Dom Manuel, implorando a sua aliança e protecção.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Maravilhoso conflito em Ceilão


Pelos anos de 1616 dominava em grande parte da Ilha de Ceilão um tirano chamado Nicapete, o qual sendo por nascimento humilde, se levantou tanto em soberba, que se havia feito aclamar Rei, e já o era poderoso, por meio de várias indústrias, animadas de um valor não vulgar, de que a natureza o dotara. Com um Exército de vinte e quatro mil soldados, abalou neste dia [18 de Dezembro] no ano referido, em demanda de um pequeno troço de Portugueses, de que era Comandante Manuel César. Achou-os prontos a provar fortuna, ainda que com poder tão desigual; E depois de uma brava refrega, foram desbaratados os inimigos, com morte de quase mil, e constrangido o Nicapete a despir as insígnias Reais para melhor facilitar a fugida: Dos nossos morreu um só homem; Tão pouco nos custou este glorioso sucesso, atribuído a milagre da Mãe de Deus, de quem era o dia.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Do apostolado missionário português


Afinal, quando os filhos do Rei D. João I lhe pediram autorização para a primeira expedição ultramarina, que implicou depois na libertação de Ceuta, o grande e piedoso monarca, antes de qualquer outra coisa, quis saber se a iniciativa seria útil para o serviço de Deus. A semelhança de todas as outras iniciativas que se seguiram, também esta teve como escopo principal a propagação da Fé, aquela mesma Fé que teria animado a cruzada do ocidente e as ordens de cavalaria na épica luta contra o domínio dos mouros.
Nas caravelas que, ostentando o branco pendão assinalado pela cruz de Cristo, deslocavam os intrépidos descobridores portugueses nas costas ocidentais da África e das ilhas adjacentes, navegavam também os missionários, "para atrair as nações bárbaras ao jugo de Cristo", como se exprimia o grande pioneiro da expansão colonial e missionária portuguesa, o Infante D. Henrique, o navegador.
O príncipe dos exploradores portugueses, Vasco da Gama, quando levantou âncora para iniciar a sua aventurosa viagem à Índia, levou consigo dois padres trinitários, um dos quais, após ter pregado com zelo apostólico o evangelho às gentes da Índia, coroou o seu árduo apostolado com o martírio. O seu sangue, e aquele de outros heróicos missionários portugueses, foi naqueles lugares remotos, como sempre e em toda parte é o sangue dos mártires, semente de cristãos; o seu luminoso exemplo foi para todo o mundo católico, mas antes de tudo para os seus generosos compatriotas, uma chamada e um estímulo ao apostolado missionário.

Papa Pio XII in encíclica «Saeculo Exeunte Octavo», 13 de Junho de 1940.

Afonso de Albuquerque manda executar um Rei Mouro


No tempo em que Afonso de Albuquerque conquistou a Cidade de Malaca, havia nas vizinhanças da mesma Cidade um Mouro, chamado Utimutiraja, tão rico e poderoso, que tinha, em foro de criados seus, seis mil homens casados e muito maior número de solteiros; A esta proporção era a pompa e o trato: Não tinha sobre ele jurisdição o Rei de Malaca; Era, enfim, um Rei pequeno: Introduziu-se com Afonso de Albuquerque e se lhe vendeu por mui fiel e se declarou vassalo de El-Rei de Portugal, e corria com os Portugueses, dando-lhe notícias e lhe fazia bons ofícios nas coisas que se ofereciam; Descobriu-se, porém, e provou-se, que ao mesmo tempo lhe armava perigosas traições com intento de lhe tirar a vida. Convencido destas culpas, foi por elas sentenciado a degolar, para exemplo e terror daqueles bárbaros; Sabendo sua mulher o que se passava, mandou oferecer pela vida do marido cem mil cruzados e entendia-se que daria muito mais; Mas Afonso de Albuquerque, com generosa resolução, respondeu: Que a justiça não tinha preço; E mandou executar a sentença neste dia [27 de Dezembro], ano de 1511.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Nossa Senhora da Assunção e o prodígio em Cananor


No mesmo dia [15 de Agosto], ano de 1507, estando sitiada a Fortaleza de Cananor, defendida pelos Portugueses, se viram estes reduzidos ao último aperto, pela falta também última e total de mantimentos: Recorreram ao patrocínio da Mãe de Deus, e neste dia com maior fervor, por ser dia tanto seu; Não tardou o mar em levantar-se, e batendo ao pé da Fortaleza com grande ímpeto, em cada onda lhe trazia e deixava uma grande quantidade de lagostas, mantimento naquelas partes, não só saboroso aos sãos, mas útil aos enfermos, como mostrou o efeito: Porque com ele cobraram saúde os enfermos que havia na Fortaleza, e eram em grande número, e todos os defensores cobraram novos alentos, à vista de tão rara maravilha; Durou este socorro do Céu os dias que restaram do sítio, até o último combate, e se faltara naquela tão precisa ocasião, sem dúvida se perdia a Fortaleza.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Profecia do descobrimento e comércio da Índia


Neste dia [9 de Agosto], ano de 1505, seis anos depois do descobrimento da Índia no Reinado d'el-Rei Dom Manuel, se acharam na Serra de Sintra, junto do mar, três colunas de pedra quadradas com letreiros Romanos, que em grande parte se não puderam ler, por estar a letra gastada do tempo; e em uma se leram com trabalho uns versos Latinos, cujo título dizia:

...Decretum
Sibil. Vaticinum Occidiis.

Os versos eram os seguintes:

Volventur saxa litteris, & Ordine rectis
Cum videas Oriens Occidentis Opes:
Ganges, Indus, Tagus (erit mirabile visu!)
Merces commutabit suas uterque sibi.

Os versos não estão mui certos e a causa é porque não se puderam ler melhor. A declaração é: Revolver-se-ão as pedras com as letras direitas e ordenadas, quando tu Oriente vires as riquezas do Ocidente; O Rio Ganges, Indo e Tejo (coisa maravilhosa!) trocarão entre si suas mercadorias. São muito célebres estes versos em Itália e só em Portugal se duvida da verdade deles; afirmando Pedro Apiano, insigne Matemático, no seu livro onde trata dos letreiros antigos da Europa, logo no princípio, que ele viu as colunas com seus olhos, e leu os sobreditos versos escritos em caracteres Romanos.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

A conquista portuguesa do Barém


A Ilha chamada Barém está situada no mar Pérsico, cento e dez léguas distante da Cidade de Ormuz; Tem trinta de circuito e é muito fértil e rica, e nela se faz a pescaria do aljôfar e pérolas, as melhores e mais finas de todo o Oriente: Era dos Reis de Ormuz, Vassalos da Coroa Portuguesa; Mas um Rei vizinho, chamado Mocrim, se levantou com ela, e a mandou fortificar e bastecer de maneira que se deu por seguro de todo o poder dos seus inimigos. Acharam-se obrigados os Portugueses a desfazerem esta violência e reporem a Ilha no estado antigo; Foi a esta empresa António Correia, nobre Capitão e de assinalado valor, e levou pouco mais de duzentos homens; Com doze mil o esperava Mocrim, de diferentes Nações, Árabes, Persas e Rumes [=Turcos]. Disputou-se o desembarque dos nossos com ardentíssimo furor, mas postos em terra, por baixo de horrendos perigos de água e incêndios de fogo, investiram a Fortaleza; Os inimigos a defendiam com grande esforço e com lanças de trinta palmos faziam grande estrago nos Portugueses. Aqui disseram a António Correia que seu irmão Aires Correia ficava morto, e respondeu: Avante, amigos, deixai-o que morreu em seu ofício; E dando novamente Santiago nos infiéis, começaram estes a ceder e fraquear: Então sucedeu ser ferido mortalmente El-Rei Mocrim, e sendo retirado pelos Cabos principais que o seguiam, caiu o ânimo aos outros e se renderam todos à mercê do vencedor. Foi este feito tão ilustre e tão célebre e de tanta glória para aquele famoso Capitão, que desde aquele tempo ajuntou ao apelido de Correia o de Barém, que se continuou em sua nobre descendência.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Rei de Quíloa torna-se tributário do Rei de Portugal


No mesmo dia [12 de Julho], ano de 1502, chegou Dom Vasco da Gama (na segunda jornada que fez ao Oriente) à Cidade de Quíloa, e porque o Rei Mouro dela havia tratado com pouca fidelidade aos Portugueses da Armada de Pedro Álvares Cabral, e agora usava de novos enganos e artifícios, Dom Vasco o fez tributário a El-Rei de Portugal em dois mil meticais de ouro cada ano, e foi este o primeiro Rei daquela costa da Etiópia Oriental, que pagou tributo à Coroa Portuguesa.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Vitória insigne no Reino de Benguela


Pelos anos de 1679, sendo Governador de Angola, Aires de Saldanha de Menezes e Sousa, se levantou nas vastíssimas campanhas do Reino de Benguela, um Negro chamado Quitequi, que na sua língua significa Feiticeiro; E valendo-se das más Artes, que eram próprias do seu nome, e não menos da sua grande indústria e valor, foi adquirindo um numeroso séquito; E crescendo-lhe com o poder a arrogância, começou a vexar aos Portugueses, que negociavam naquele Sertão, e muito mais aos Negros confinantes, que eram Vassalos de El-Rei de Portugal; Com que foi preciso castigá-lo, mas não foi fácil. Saiu em campanha contra ele, com duzentos e cinquenta Portugueses, o herói daqueles tempos naquelas partes, Luís Lopes de Sequeira, a quem precedia um esquadrão volante de Negros, nossos aliados, que serviam mais a engrossar que a fortalecer o corpo do nosso Exército: Porque geralmente aos primeiros ataques costumam desemparar aos brancos, levando mal o pelejarem contra os da sua côr. Estava o Quitequi alojado em umas altas penhas, com boas fortificações, e fiado na eminência do sítio, e muito mais no esforço dos companheiros, gente escolhida e bem armada, lançava do alto juntamente com grande número de pedras, muitas palavras injuriosas contra os Portugueses; Mas cedo experimentou o castigo da sua arrogância; Investiram os nossos aquele monte, posto que se lhe representava inexpugnável, e por entre infinitas pedras que se despenhavam furiosas, por entre inumeráveis balas e flechas, foram ganhando terra apesar de dura oposição: Uns empenhados em subir: Restados outros a lhe impedirem a subida; Chegaram finalmente os Portugueses ao alto, e começaram a batalhar-se corpo a corpo com os inimigos; Travou-se uma brava peleja, que durou mais de quatro horas; Até que caiu morto de uma bala o Quitequi, e com ele caíram os seus de ânimo, e largando as armas, se encomendaram aos pés: Muitos pereceram cortados do nosso ferro: Muitos precipitados daquelas eminências: Muitos foram metidos ao grilhão; Dos nossos ficaram mortos cinco, feridos dezasseis: E não houve quem não julgasse pequena a perda, na comparação de um sucesso tão glorioso, e de tantas consequências: Em que ficou castigada a soberba daquele bárbaro, desassombrados os Príncipes e Sobas amigos: Temido e respeitado o valor Português: Aberto e seguro o comércio; e os Soldados ricos e contentes com os despojos; conseguiu-se esta memorável vitória neste dia [9 de Agosto], no ano referido.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Conflito memorável em Ceilão


Havendo-se levantado com a maior parte da Ilha de Ceilão um Gentio, por nome Rajú, não se dava por inteiramente ditoso, até não lançar os Portugueses fora da mesma Ilha. A este fim veio com numerosos esquadrões sobre a Cidade de Colombo, e neste dia [5 de Agosto], ano de 1587, lhe deu fortíssimos assaltos, ao mesmo tempo por três partes: Os Portugueses eram em pouco número, e os inimigos sem ele, e não lhes faltava disciplina, sobre resolução e valor; Traziam elefantes de guerra, que são naquela Ilha por extremo ferozes e belicosos, a que ajuntavam todos os outros instrumentos de expugnação. Caiu esta grande máquina sobre aquela Cidade, e o estrondo da artilharia, e mais bocas-de-fogo, as nuvens de fumo, as vozes desentoadas e roucas de uns e outros combatentes, os urros dos elefantes, as lágrimas e prantos das mulheres e meninos, as feridas, as mortes, os gemidos, tudo formava uma confusão indistinta e temerosa. Por vezes subiram os inimigos as muralhas e outras tantas foram despenhados delas: Aos que caiam, sucediam outros, e os nossos sempre os mesmos. Assim durou a peleja muitas horas, bem disputada e ferida de ambas as partes; Até que, não podendo os inimigos sustentar mais o peso dos defensores, se retiraram destroçados.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Conquista de Quíloa


Pelas traições e insolências com que o Rei Mouro de Quíloa havia tratado aos Portugueses, se acharam estes precisados a lhe darem um rigoroso castigo que a ele servisse de emenda e aos Príncipes vizinhos de terror. A este efeito, desembarcou neste dia [23 de Julho], ano de 1505, com quinhentos homens, Dom Francisco de Almeida e seu filho Dom Lourenço: Aquele com trezentos por uma parte, este por outra com duzentos. Feito um certo sinal, acometeram ambos ao mesmo tempo a Cidade e os Mouros lhe não impediram a primeira entrada, seguros de que dentro nela os destruiriam mais a seu salvo; Não era o pensamento vão: Porque tanto que os nossos chegaram a meter-se pelas ruas, as acharam tão estreitas (a uso dos Mouros) que mal se podiam revolver, e então se viram acometidos pela frente, e de um e outro lado, e juntamente das portas das casas, dos eirados, das janelas. Neste grande aperto não seria muito desmaiar e retroceder o mais destemido coração; Mas sucedeu pelo contrário: Porque bem assim como a peça, tanto mais atacada, tanto despede a bala com maior impulso; Assim os Portugueses, cobertos com as adargas, levavam com impetuosa fúria, a bote de lança, tudo o que se lhe punha diante, e por entre chuveiros de pedras e setas, chegaram ao terreiro do Palácio, onde os esperava outro conflito maior. Saíram a eles trezentos Mouros, que eram a flor da milícia d'el-Rei, em que este havia posto a sua maior confiança. Mas os nossos os rechaçaram com tanto ardor, que sobre larga e dura peleja, os romperam inteiramente. Deu-se logo a Cidade a saco, e havendo o Rei dela fugido para a terra firme, se resolveu Dom Francisco a nomear outro Rei, e fez eleição de um Mouro, por nome Mahamet, por se haver mostrado em várias ocasiões amigo dos Portugueses. Grande glória desta nobilíssima Nação, dar e tirar Ceptros, rendidos ao Império das suas armas.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Do Rei de Ternate, nas Ilhas Molucas


Tabarija, Rei de Ternate (uma das Ilhas de Maluco), foi trazido a Goa por causas que não são do nosso assunto; Na mesma Cidade se converteu à Fé e recebeu o Baptismo, e nele se chamou Dom Manuel. Depois, voltando para o seu Reino, morreu em Malaca neste dia [30 de Junho], ano de 1545. E por não ter sucessores, nomeou em seu testamento por herdeiro a El-Rei de Portugal, que por mais este título é legítimo senhor daquele tão útil, como nobre Estado.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Quando a "Portugalidade" degenera em "Lusofonia"


Fernando Pessoa, num dos seus heterónimos, descreveu bem este tipo de degeneração:

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente.

Bernardo Soares in «Livro do Desassossego», 1982 (póstumo).

Um milagre chamado Portugal


Como é possível que vós, embora sendo poucos, tenham feito tanto na santa cristandade? Onde Portugal encontrou forças para acolher tantos territórios da África e da Ásia sob o seu domínio, e estendê-lo até às mais distantes terras americanas? Onde, senão naquela ardente fé do povo português, cantada pelo seu maior poeta, e na sabedoria cristã dos seus governantes, que fizeram de Portugal um dócil e precioso instrumento nas mãos da Providência, para a realização de obras tão grandiosas e benéficas?

Papa Pio XII in encíclica «Saeculo Exeunte Octavo», 13 de Junho de 1940.

520º aniversário da descoberta oficial do Brasil


Esta terra, Senhor, me parece que da ponta mais contra o sul vimos, até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa.
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.
E que aí não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute, isso bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa santa fé.
E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.
E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que levo, como em outra qualquer coisa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há-de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer graça especial, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge Osório, meu genro – o que d'Ela receberei em muita mercê.

Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste porto seguro, da vossa ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de Maio de 1500.
Pêro Vaz de Caminha

Portugal é sem exemplo


A História de Portugal está cheia de "impossíveis". Eis um testemunho insuspeito:

Que homens seriam, então, os Portugueses, e que esforços extraordinários teria feito este povo de heróis? Tinha-se visto, porventura, até então, uma nação de tão limitado poderio desenvolver uma acção tão ampla? Os Portugueses em armas não eram mais de quarenta mil. Todavia, faziam tremer o império de Marrocos e todos os bárbaros de África, os Mamelucos, os Árabes e todo o Oriente, desde a ilha de Ormuz até à China.

Guillaume-Thomas Raynal in «Histoire des deux Indes», 1770.


Portugal vai do Acre a Timor?


Não, Portugal é um Reino que começa no Minho e termina no Algarve. O Reino de Portugal não se confunde com o Império ultramarino por ele criado. E por serem coisas diferentes, é que os nossos Reis não eram somente Reis de Portugal, conforme prova a titularia régia. Dom João VI, por exemplo, era Rei do Reino Unido de Portugal, do Brasil e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.

Do Império Português


A Casa portuguesa, este velho solar português feito pela espada dos Reis nos campos de batalha, pela sua astúcia nas conferências diplomáticas, e pelo sangue generoso e o sacrifício ilimitado dos que, dentro dos seus limites nasceram, e, vassalos daqueles Reis se orgulharam de ser, este velho solar português deita, pelas bandas do Oriente e do Norte, para os solares de Espanha.
Disputaram, uns e outros, durante três séculos. Portugal acabou, finalmente, por convencer os vizinhos, da sua personalidade, e trancou as portas e as janelas da sua casa que davam para as terras do vizinho, e, seguro de que este não poderia facilmente assaltar-lhe as janelas e arrombar-lhe as portas, voltou-se para o mar misterioso e nebuloso, de trilhos ignorados ou esquecidos, de praias desconhecidas, e de limites quiméricos. Voltou-se para o mar; e firmando-se na tensão profunda que constituía fundamentalmente o seu querer viver, afirmou essa vontade na mais tenaz, na mais inteligente, na mais bela das realizações.
Debruçado, no Promontório de Sagres, sobre o mar infinito, estudando, na sua casa de Sagres, com nautas, astrólogos e cartógrafos, os segredos do Espaço, o Infante traçava os primeiros delineamentos decisivos do novo Império cristão. Ele corporizava as aspirações latentes do seu povo, que já fora a Ceuta desfraldar, nas muralhas dos infiéis, o estandarte da Cruz!
Ia gravada nas velas das nossas caravelas, ela que já andava nos dinheiros do tempo do nosso D. Sancho I.
Nos padrões que os nossos navegadores e descobridores implantavam, a marcar o nosso direito e a nossa posse, era ela que se alçava a dominá-los. E foi ela que um dos maiores Reis da nossa história escolheu para a sua empresa – com a legenda: in hoc signo vinces.
Se tirarmos ao Imperialismo português a sua característica cristã – tudo se torna incompreensível na acção imperialista dos portugueses de 1400 e 1500.
Nós não nos abalançámos à realização da Epopeia – como os corsários franceses, como os piratas ingleses, por apetite do roubo. Não nos deitámos a realizar a Epopeia marítima, por despeito, como os navegadores de Castela. Não foi Cartago, não foram os romanos, os nossos modelos, os nossos mestres. Não!
No continente, durante os três séculos de consolidação política, se fomos, em face de Castela recalcitrante, portugueses ciosos da nossa honra, do nosso nome, e da nossa independência – quero dizer, da honra, do nome e da independência dos nossos reis, fomos também cruzados cristãos, perante a afronta da mourama.
Cruzados fomos, e cruzados continuamos a ser, em África, em Índia, em América, em Oceânia – porque o que primacialmente nos levou às paragens mais remotas, e nos sujeitou aos riscos mais graves, foi o sentimento cristão.
Mas muito se engana quem vê na nossa acção de cruzados, jeitos de anunciação de foot-ball, de golf, ou de pedestrianismo cristão.
Fomos cruzados, para servir a Fé. E foi para a servir, que fizemos o Império – o Império cristão que ninguém mais fez.
Quando o Infante, em Sagres, continuando a obra que, meio século antes, D. Afonso IV semeara, viu o caminho para a Índia, e na consciência plena da sua vontade, procurando-o, guiou o povo português para essa meta de glórias, era a mais exaltada fé católica que o inspirava, e se tornava de ser de toda a sua vida.
Civilização essencialmente cristã, a civilização portuguesa tinha uma força estimulante interna, uma ideia-força que vencia e venceu todos os obstáculos: a propagação da fé católica.
Só o nega quem ignora ou finge desconhecer os documentos.
Entre tantos, oiçamos este testemunho bem de valor: é de Francisco de Almeida, o cronista do mais deslealmente caluniado dos nossos reis: «Mas como o principal fruyto que os Reis deste reyno pretenderão, e desejarão sempre nas terras que desubrião e conquistavão de novo, foy a conversão dos infieis, e a dilatação e acrecentamento da nossa santa fé catholica isto fez a el Rey dom João pôr os olhos com mais atenção na povoação do Brasil...» (IVª parte, cap. 32).
Só por milagre quase inacessível às inteligências de hoje, paganizadas, obscurecidas, decrépitas, só por milagre se pode explicar que um povo minúsculo – meia mão de gente! – tivesse sido capaz de estender o seu domínio, o seu Império, sobre milhões e milhões de almas de todas as raças, de todos os tons psíquicos, espalhadas pelas mais longínquas terras.
Em África, primeiro, em Ásia, em América, em Oceânia – por todo o orbe, a Cruz de Cristo portuguesa se instalou dominadora, e venceu todas as batalhas que lhe deram.
Império tão vasto, que o Poeta pode dizer dele, dirigindo-se a D. Sebastião, que era um «alto Império» que

O sol, logo em nascendo, vê primeiro;
Vê-o também no meio do Hemisphério,
E, quando dece, o deixa derradeiro.
(I, 8)

O Império português é um milagre de Deus!
Porque pudemos realizá-lo? Porque conseguimos levá-lo a termo, no espaço relativamente curto de século e meio?
Primeiro, porque acreditávamos na nossa missão – na nossa missão de cruzados, de dianteiros da Fé, de soldados de Deus. E a primeira condição para se poder realizar bem uma obra consiste em acreditarmos em nós, e nela. Acreditar que somos capazes de a fazer, e acreditar em que ela tem de se realizar. Os portugueses dos séculos dos Descobrimentos acreditavam na verdade católica – morrendo por ela, sob os golpes dos alfanges, nas muralhas de Diu, ou nas praias da América. Acreditavam em Deus, porque não os tocara ainda a malária da Dúvida racionalista, e a lepra calcinante do Livre Pensamento.
Acreditavam em que eram portadores da Verdade – daquela Verdade impassível ante todos os ataques, e invulnerável diante de todos os ultrajes. Acreditavam em que eram portadores do verbo divino, por amor do qual a morte é gloriosa, e todo o sofrimento é prazer.
Eram raros viçosos daquela árvore de maravilhas que se chamou Nun'Álvares; eram filhos obedientes daquela Mãe transumana que se chama Igreja Católica.
O ideal supremo que os guiava não era o tirar aos outros o que os outros tinham; nem rasoirar os valores; nem ombrear com a divindade: o seu ideal supremo era servir e amar a Deus. E todos serviam e amavam a Deus, desde os reis, nos paços, aos camponeses da serra lavradia; desde os pastores das serras agrestes, aos nautas destemidos, desde Camões, poeta de génio, a Albuquerque, guerreiro de raça.
Andava longe a Reforma bastarda; e quando se aproximou, – previdente, oportuno, e cumpridor dos seus deveres, D. João III opôs-lhe uma milícia – a Companhia, e um cordão sanitário, esplêndido, para o tempo – a Inquisição.
Ainda não se pressentiam os rumores da Revolução sangrenta das sarjetas e prostíbulos, a cujo serviço se puseram os sábios da Enciclopédia, e as elegantes mièvres dos salões de Paris, e das ante-câmaras de Versalhes...
Tudo isso vinha longe – e o solar português, rezando, ao anoitecer, as Ave-Marias das Trindades, e fazendo o sinal da cruz, ao surgir da alvorada, cria em Deus, e servia Deus. Se era forte e puro na sua fé, era forte e leal na sua vida cívica. Os seus reis foram sempre paternais na justiça, justiceiros no prémio ou na pena. E o povo a quem as loucuras do homem despolarizado não tinham proclamado ainda soberano, o povo que ignorava o poder bruxo dos papelinhos do voto, na governação do Estado – o povo unia-se à volta do seu chefe natural, daquele que não saíra das tropelias e malabarices de uma urna, mas viera dos desígnios impenetráveis da Providência, para mandar, e ser obedecido, para guiar, e ser respeitado.
O povo português dos Descobrimentos, o povo português que fez o Império desconhecia os génios miríficos que as plebes geram, no tumulto das arruaças, e no rascante voejar dos impropérios. Todo ele era uma família – unânime na crença religiosa, homogénea no sentimento de obediência.
Ignorava a panaceia mórbida dos Direitos, porque vivia dentro do quadrado firme dos Deveres.

Alfredo Pimenta in «O Império Colonial como factor de Civilização», 1936.

Da palavra Império

Conde D. Henrique

Há um sem-número de palavras que toda a gente emprega, sem reflectir, e sem ter noção clara do conceito que elas traduzem.
Andam, essas palavras, no ar: a gente respira-as com o ar que respira, usa-as, e espalha-as, como usa e espalha o que emana do Inconsciente. A palavra Império, com os seus afins, é uma das tais palavras. Toda a gente fala em Império, em Imperialismo. A cada instante, nos jornais que nos fornecem o alimento espiritual normal, ou nos livros de polémica política que nos desorientam e endoidecem, esbarramos com essas palavras tremendas. E, no entanto, se fossemos perguntar a cada uma das pessoas que as usam e espalham, que ideia traduzem com elas, observaríamos a mais aflitiva das confusões, e a mais escandalosa das identidades. A palavra é velha como o homem.
Àquilo que os romanos chamavam Imperium, tinham os gregos chamado Arké, como se vê em Heródoto: «mégalen arkèn» (Clio, 91).
Da palavra latina é afim o termo Imperator, e da palavra grega o termo arkós (Odisseia, canto X, v. 204).
Imperium e Imperator são filhos de Impero, originariamente: in+paro, «tomar medidas, fazer preparativos para que uma coisa se realize» (Ernout et Meillet, Dictt. étym. de la langue latine, palavra impero).
Se os gregos tinham, a par do seu Arkós, os termos Autokrátôs ou Basileús, para designarem o poder supremo do Arké, os latinos possuíam, ao lado de Imperator, o Dux, com os seus filhos ducator e ducatus, ou Princeps, e outros. Isto, que parece extremamente simples, não tem nada de simples – dada a elasticidade da significação dos termos.
Tanto no grego, como no latim.
Neste, por exemplo, o Imperium tanto pode ser o poder paternal, como o supremo poder político, e o Imperator tanto pode ser o que César define, na sua Guerra Civil, em oposição ao Legatus, como aquele de que nos fala Cícero quando o considera senhor do mundo – «Populus imperator omnium gentium», ou Varrão, ao dizer-nos que ele é o vingador das injúrias feitas pelo inimigo ao império do Povo.
E dentro destes pontos limites, quantas modalidades, quantas cores, no significado do termo.
O que é certo, porém, é que na imprecisão da tradução conceitual, no mar imenso e revolto das ideias expressadas, na paisagem difusa e confusa das noções transmitidas, há um fundo em que todas as raízes mergulham, e algo de que todas as raízes se sustentam.
No Arké e no Imperium, há o poder; no Arkós e no Imperator, há o exercício do mando.
Quando chegamos àquela época a que, por acinte e infeliz má vontade, se chama Idade Média (Idade Média, porquê?!), quando chegamos a essa época, notamos coisas curiosas. Um rei de Inglaterra atribui-se três títulos: Basileus, Imperator e Dominus: «Ego Edgarus Anglorum Basileus, omniunque Regum Insularum Oceani, quae Britanniam circumjacent, cunctarumque Nationum infra eam includuntur, Imperator et Dominus» (Du Cange, Glossarium, palavra Imperatoris).
Não lhe bastavam os termos latinos: foi-lhe ainda preciso recorrer ao termo grego tão predilecto em Bizâncio...
Ao nosso próprio conde D. Henrique, se chamou, um dia, Imperator. É num documento de 1105 – uma doação: «Sub Adefonso Principis, et gener ejus Enricho Imperator Portugalense...» (in João Pedro Ribeiro, Dissertações, III, 1.ª parte, n.º 141). 
Imperator Portugalense! Imperator de Portugal. Não há outro vestígio de tão pomposo título. Mas este mostra, além do mais, que o Imperator está nas velhas tradições portuguesas.
O termo Império veio pelos tempos fora, e, entre nós, Camões, no século XVI, propõe-se cantar, entre outras coisas,

...as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império...
(I, 2)

e aconselha o Rei a que estime os seus cavaleiros, pois estes, à custa do próprio sangue,

Estendem não somente a Lei de cima,
Mas inda vosso Império preeminente
(X, 151)

É outra vez a Fé e o Império. Qual, aqui, o conceito camoniano do Império? O conceito geográfico? O conceito político?
No primeiro sentido, o tomou Fr. Francisco de Santo Agostinho de Macedo, o monstro da Inteligência, quando, ao traduzir o termo, fala em «regni fines».
No segundo sentido o toma o doutíssimo Epifânio, quando interpreta: «senhorio político».
Qual dos dois interpreta bem o pensamento do Poeta? Só averiguá-lo dava para uma conferência...

Alfredo Pimenta in «O Império Colonial como factor de Civilização», 1936.