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Nascimento d'El-Rei Dom Sebastião


No mesmo dia [20 de Janeiro], ano de 1551, nasceu em Lisboa El-Rei Dom Sebastião, filho do Príncipe Dom João e da Princesa Dona Joana. Sobrevieram as dores à Princesa pela meia-noite, e logo a Cidade toda se comoveu, e sem detença se fizeram públicas preces pelo bom sucesso do parto, que sucedeu pelas oito horas da manhã; Uma velha, algumas horas antes, entrou em São Domingos, e fez assentar no Livro da Confraria do Senhor Jesus ao Príncipe Dom Sebastião, antevendo (como mostrou o efeito) o nome e o sexo do mesmo Príncipe, que ainda não era nascido naquela hora.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Falecimento do Príncipe D. João de Portugal


No mesmo dia [2 de Janeiro], em terça-feira, das três para as quatro horas depois do meio-dia, ano de 1554, com dezasseis de idade, morreu o Príncipe Dom João, filho dos Reis Dom João III e Dona Catarina, casado de pouco mais de um ano, com a Princesa Dona Joana, filha do Imperador Carlos V. Não quis a Providência Divina, por seus altíssimos juízos, que Portugal gozasse mais tempo este Príncipe, que o era de grandes esperanças. O nascimento d'El-Rei Dom Sebastião, seu filho póstumo, mitigou de algum modo a dor da sua perda, mas para maior perda e perdurável dor da nação Portuguesa.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Um sinal do Céu para Dom Sebastião


Pelos anos de 1577 servia Portugal em prevenções de guerra; Por toda a parte se ouvia o estrondo das caixas e trombetas; Preparavam-se armas e Armadas; Alistava-se gente de naturais e estrangeiros; Tudo andava revolto, tudo inquieto; E toda esta comoção nascia da precipitada resolução do infeliz Rei Dom Sebastião, que sem admitir os conselhos maduros da prudência, entregue todo aos artifícios da lisonja, queria ir em pessoa tirar um Rei Mouro e pôr outro: Avaliavam geralmente todos os seus Vassalos esta empresa por tão arriscada como inútil, e concorriam para ela forçados e constrangidos: A paz, que de muitos anos logravam em Portugal, e o ócio e delícias, que ela costuma trazer consigo, os fazia ainda mais repugnantes a entrarem em uma facção voluntária, a que, sem necessidade, se arrojava a inconsideração de um Rei moço e mal aconselhado. Crescia a mágoa em todos, porque todos eram constrangidos a concorrerem com as pessoas, ou com os tributos: Eis que improvisadamente começa o Céu a bradar com uma horrível língua de fogo, qual era um espantoso Cometa, que apareceu a primeira vez na noite deste dia [9 de Novembro], no ano referido: Apareceu no Signo de Libra, junto à Estrela de Marte, para a parte de Belém, onde então de costumavam enterrar os Reis; Era o maior que de muitos anos antes se havia visto, e durou quarenta dias: Todos o tiveram por infausto, e só El-Rei, com prontidão e agudeza, voltando a favor da sua resolução o mesmo sinal do Céu, que a encontrava, disse, jogando do vocábulo: O Cometa me diz que acometa.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.


Notícia de alguns que fingiram ser D. Sebastião


A esta voz que correu geralmente na Europa, se seguiram grandes danos em Portugal, porque se atreveram alguns a fingirem a pessoa de El-Rei, dos quais daremos brevíssima notícia. Um moço, natural da Vila de Alcobaça, se meteu a Ermitão junto da de Albuquerque. Deram os vizinhos em suspeitar que era El-Rei Dom Sebastião, e a suspeita passou a ser certeza na credulidade de muitos; Ajuntaram-se-lhe dois vagamundos, e um dizia que era Cristóvão de Távora, e outro o Bispo da Guarda, o moço nos princípios não consentia na ficção, mas vendo que lhe rendia bem, deixou-se levar da voz que corria, posto que sempre usou de palavras anfibológicas e de termos equívocos, e por esta razão, sendo preso, se não procedeu contra ele a pena capital, e foi lançado a Galés; O que se fingia Bispo foi enforcado, e outros que o seguiam, derramados por várias partes, escaparam à Justiça.
Junto da Vila da Ericeira houve outra revolta maior; Fazia ali vida, com aparências de penitente, outro moço, em uma Ermida; Fechado nela se açoitava (ou as paredes) a certas horas rijamente, e sentindo que o escutavam, acabava a disciplina com uma lamentação mui sentida, dizendo: Ai de ti, Sebastião, que toda a penitência é pouca a respeito das tuas culpas! Divulgou-se a notícia por aqueles contornos, e um lavrador possante, chamado Pedro Afonso, se declarou parcial do novo Rei, e com tanto séquito, que já passava de oitocentos homens armados, e postos em som de guerra; O Pedro Afonso quis ajuntar ao seu nome algum dos apelidos ilustres de Portugal, e achou mais pomposo o de Menezes; logo, dizendo que era ordem de El-Rei, se fez chamar seu General, Conde de Torres Vedras, senhor de Cascais, e Alcaide-mor de Lisboa: Devia de saber o muito, que sobem os validos em pouco tempo; Destinou também para Rainha uma filha sua. O Rei não saia em público, como se o esconder-se fosse meio para ser conhecido; Assim durou algum tempo esta farsa, que logo se foi trocando em tragédia; quiseram alguns Ministros prender ao novo Rei, mas por ordem sua, ou capricho do seu chamado General, foram despenhados; A esta se seguiram outras insolências e insultos, que os solevados cometiam a cada hora: Foi preciso buscá-los com maior poder, e sendo derrotados facilmente por algumas companhias de gente paga e veterana; Foram presos e enforcados, o fingido Rei e o Pedro Afonso (que, enfim, não ficou muito Menezes) e outros, que eram mais culpados: Outros foram lançados a Galés.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Os Sebastianistas


Todos os homens de siso se agastam e enjoam até de ouvir falar em Sebastianistas, e têm razão. Na História universal da Demência humana, ainda não apareceu, nem aparecerá, um delírio semelhante. Custa a compreender como se haja podido arraigar e dilatar esta pueril credulidade, que se pode ter alguma desculpa nos anos próximos à morte e fatal desventura do Augustíssimo Senhor Rei D. Sebastião, que santa glória haja, é impossível que a encontre agora diante do Tribunal da Razão. Esta importuna Seita reverdeceu na entrada dos nossos pérfidos Opressores [Invasões Francesas]; e com um furor estúpido, de que me parecia não eram capazes os Portugueses, começou a apropriar certas trovas cediças, importunas, baixas, a El-Rei D. Sebastião e a Bonaparte, objecto novo e nunca encontrado, ou designado nos anais Sebásticos. Por mais que o tempo, os sucessos e a boa razão desmintam a Seita, se multiplica com uma teima tal, que obrigou a lançar por escrito as seguintes reflexões. Tudo o que pertence às trovas, seus autores e aplicadores, se acha com exuberância na douta Obra – Dedução Cronológica e Analítica – Os livros que os Sebastianistas citam, como Profecias do Bandarra, Restauração de Portugal prodigiosa, Vida do Sapateiro Santo Simão Gomes, se acham condenados e proscritos pela Real Mesa Censória. O rectíssimo Tribunal do Santo Ofício condenou muitos dos fautores e assoalhadores das supostas Profecias, como Réus que atentaram contra a majestade e santidade da Religião. Por estes motivos, e pela obrigação de bom Patriota, o que tenho feito conhecer por escritos, e de viva voz em sagrados discursos ao Povo, e o atestarei com a vida, sendo preciso para conservação e defesa da nossa Pátria, da nossa Religião, e do nosso Monarca, julguei conveniente desabusar esta Seita de crédulos, que na verdade são prejudiciais à pública segurança, e defesa do Reino, enquanto fiados nas ridículas Profecias permanecem indolentes para tudo: declarando que não é meu intento ofender e ultrajar pessoa alguma em particular, não só por motivo da caridade Cristã; mas porque quem escreve, só deve – Parcere personis, loqui de vitiis.

Pe. José Agostinho de Macedo in prefácio a «Os Sebastianistas», 1810.

§

O messianismo político do Judeu levou à degeneração da antiga religião Mosaica em Farisaísmo, e mais tarde à criação de novas formas de messianismo redentor temporal, como é o caso do Sionismo e do Comunismo. Pela sua essência messiânica terrenal, parece-nos que o Sebastianismo e o mito do 5º Império, são também excrescências judaicas típicas de cristãos-novos portugueses, que, apesar de convertidos, conservaram certos elementos mentais judaicos. Fernando Pessoa deve ser o melhor exemplo de cristão-novo sebastianista.

Acção notável d'El-Rei Dom Sebastião


No ano de 1565, era de catorze El-Rei Dom Sebastião e havia menos de dois meses que tomara posse do governo do Reino; E em tal idade, neste dia [12 de Março], que então foi uma das Sextas-feiras da Quaresma, recolhido no seu gabinete, posto de joelhos com os olhos e pensamentos em Deus, pegou na pena e escreveu umas palavras que da sua mão entregou a Dom Luís de Ataíde, a quem mandava por Vice-Rei da Índia e estava para partir: As palavras formais, breves e fortes, e todas de ouro, foram estas: Fazei muita Cristandade; Fazei justiça; Conquistai tudo quanto puderdes; Tirai a cobiça dos homens; Favorecei aos que pelejarem; Tende cuidado da minha fazenda; Para tudo isto vos dou o meu poder; Se o fizerdes assim muito bem, far-vos-ei mercê; Se o fizerdes mal, mandar-vos-ei castigar; Se alguns regimentos forem em contrário destas coisas, suponde que me enganaram e por isso não haja nada que vos estorve isto. É grande lástima que perdessem as lisonjas a um Príncipe, que em anos tão verdes, ardia tanto no zelo da Religião e bem comum, e sabia dar tão altos documentos, tão santas e tão prudentes direcções!

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Máximas de um Rei católico


Num memorial de sua letra, que fez antes de tomar o governo do Reino, El-Rei D. Sebastião escreveu as máximas que devia observar, e são as seguintes:

– Terei a Deus por fim de todas as minhas obras, e em todas elas me lembrarei d'Ele.
– Em me deitando, e levantando, conto com Ele muito particular. – Cuidar à noite, em que falei naquele dia.
– Trabalharei muito por dilatar a Fé. – Favorecerei muito as coisas da Igreja. – Armar todo o Reino. – Defender alfaias e delícias. – Fazer mercê a bons, castigar a maus. – Não crer levemente, e ouvir sempre ambas as partes. – Fazer justiça ao grande, e ao pequeno, sem excepção de pessoa. – Tirar as onzenas. – Conquistar e povoar a Índia, Brasil, Angola e Mina. – Todo o que me falar desonestidades, castigá-lo rijamente.
– Quando houver de fazer alguma coisa, comunicá-la primeiro com Deus. – Reformar os costumes, começando por mim no vestir e comer. – Em negócios, ter primeiro conta com o bem comum, e depois com os particulares. – Tirar alguns tributos e buscar modo com que Lisboa seja abastada. – As leis que fizer, mostrá-las primeiro a homens de virtude e letras, para que me apontem os inconvenientes que tiverem.
– Levar os súbditos por amor, enquanto puder. – Ser inteiro aos grandes, humano aos pequenos.
– As comendas sirvam em África.
– Não ter junto de mim senão homens tementes a Deus.
– Devassar dos ofícios de justiça, e fazenda, cada ano.
– Escrever a todos os Prelados que façam dizer Missas e Orações por mim, e pedir jubileu ao Papa.
– Terei nos postos do mar homens de confiança, e os que entram, que não sejam suspeitos na Fé.
– As coisas que não entender bem, comunicá-las primeiro com quem me possa dar parecer desenganado.
– Não dar, nem prometer nada, sem saber se é injustiça ou mal feita. – Mostrar bom rosto e agasalhado a todos. – Prover os cargos e ofícios em quem faz para isso, e não por outros respeitos. – Não desmaiar nas dificuldades, antes ter maior fé e confiança em Deus. – Tirar a cobiça. – Mostrar sempre ânimo liberal e não acanhado. – Gabar os homens, e cavaleiros, que tiverem bons procedimentos, diante de gente, e os que tiverem préstimo para a República, e mostrar aborrecimento às coisas a ela prejudiciais. – Não dizer palavras que escandalizem, mormente quando estiver agastado. – Os meus Embaixadores andarão sempre vestidos à portuguesa.
– Em todas as coisas que fizer, terei primeiro conta com a honra de Deus. – Serei pai dos pobres e de quem não tem quem faça por eles.

O Purim de Alcácer-Quibir


Ontem, dia 4 de Agosto, aniversário da Batalha de Alcácer-Quibir, foi um dia de má memória para Portugal, mas um dia de boa memória para os judeus do Magrebe. Pois ontem os judeus de Marrocos celebraram o anual Purim, uma festa religiosa que comemora o salvamento "miraculoso" dos judeus, vítimas de uma suposta perseguição dos portugueses. Segundo a lenda judaica, D. Sebastião teria jurado, antes de embarcar para Alcácer-Quibir, converter à força todos os judeus do Magrebe. Mas estes anteciparam-se, e através de dois soldados desertores, souberam das supostas intenções do Rei de Portugal. Assim, como forma de evitar a dita "crueldade", os judeus teriam feito um dia de jejum e oração. Tudo isto foi escrito numa Meguilá, rolo em pergaminho manuscrito, de que ainda existem alguns exemplares em Israel, e provavelmente em outros países. São lidas nas sinagogas e nas famílias, no dia a que eles chamam "Purim Sebastiano", ou "Purim de Sebastian YSV" (abreviatura de "Que se apaguem o seu nome e a sua memória"). É isto que os judeus de Tânger e de Tetuão comemoram todos os anos naquela data.


D. Sebastião


Esperai! Caí no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus.

Que importa o areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É O que eu me sonhei que eterno dura,
É Esse que regressarei.

Fernando Pessoa

Memorial para governo do Reino


Num memorial de sua letra, que fez antes de tomar o governo do Reino, El-Rei D. Sebastião escreveu as máximas que devia observar, e são as seguintes:

– Terei a Deus por fim de todas as minhas obras, e em todas elas me lembrarei d'Ele.
– Em me deitando, e levantando, conto com Ele muito particular. – Cuidar à noite, em que falei naquele dia.
– Trabalharei muito por dilatar a Fé. – Favorecerei muito as coisas da Igreja. – Armar todo o Reino. – Defender alfaias e delícias. – Fazer mercê a bons, castigar a maus. – Não crer levemente, e ouvir sempre ambas as partes. – Fazer justiça ao grande, e ao pequeno, sem excepção de pessoa. – Tirar as onzenas. – Conquistar e povoar a Índia, Brasil, Angola e Mina. – Todo o que me falar desonestidades, castigá-lo rijamente.
– Quando houver de fazer alguma coisa, comunicá-la primeiro com Deus. – Reformar os costumes, começando por mim no vestir e comer. – Em negócios, ter primeiro conta com o bem comum, e depois com os particulares. – Tirar alguns tributos e buscar modo com que Lisboa seja abastada. – As leis que fizer, mostrá-las primeiro a homens de virtude e letras, para que me apontem os inconvenientes que tiverem.
– Levar os súbditos por amor, enquanto puder. – Ser inteiro aos grandes, humano aos pequenos.
– As comendas sirvam em África.
– Não ter junto de mim senão homens tementes a Deus.
– Devassar dos ofícios de justiça, e fazenda, cada ano.
– Escrever a todos os Prelados que façam dizer Missas e Orações por mim, e pedir jubileu ao Papa.
– Terei nos postos do mar homens de confiança, e os que entram, que não sejam suspeitos na Fé.
– As coisas que não entender bem, comunicá-las primeiro com quem me possa dar parecer desenganado.
– Não dar, nem prometer nada, sem saber se é injustiça ou mal feita. – Mostrar bom rosto e agasalhado a todos. – Prover os cargos e ofícios em quem faz para isso, e não por outros respeitos. – Não desmaiar nas dificuldades, antes ter maior fé e confiança em Deus. – Tirar a cobiça. – Mostrar sempre ânimo liberal e não acanhado. – Gabar os homens, e cavaleiros, que tiverem bons procedimentos, diante de gente, e os que tiverem préstimo para a República, e mostrar aborrecimento às coisas a ela prejudiciais. – Não dizer palavras que escandalizem, mormente quando estiver agastado. – Os meus Embaixadores andarão sempre vestidos à portuguesa.
– Em todas as coisas que fizer, terei primeiro conta com a honra de Deus. – Serei pai dos pobres e de quem não tem quem faça por eles.

D. Sebastião, o rei casto


Sua alma cada vez mais se esmaltava de intenções formosas, e seu corpo vestia-se de castidade. Não deixava que nenhuma dama lhe tocasse, e quando passeava a cavalo pela Rua Nova, ou pelas betesgas da velha e mourisca Lisboa, jamais levantava os olhos para as donzelas que chegavam às ventanas ou curiosamente espreitavam por detrás das verdes adufas árabes.
Era que seu espírito, vivendo exclusivamente para o catolicismo e para a guerra, queria servir estas ideias com alma pura e corpo casto.
Uma manhã, na igreja de São Roque, confessado e comungado, recolheu-se todo em si, cabeça inclinada para o peito, em profunda absorção. Esteve assim muito tempo. Depois, ergueu a fronte, pôs firme os olhos num crucifixo alto e, entre grossas lágrimas, rogou com a alma inteira:
– Senhor, Vós que a tantos príncipes haveis concedido impérios e monarquias, concedei-me ser vosso capitão!
Eram três as suas orações diárias: – Que Deus o inflamasse no zelo da fé, que ele queria propagar pelo mundo; – que Deus o tornasse um ardido guerreiro; – que Deus o conservasse casto.
Ser casto! Para ele a castidade era uma graça física que o tornava forte, uma fortaleza que o fazia ledo. A castidade dilatava-lhe a alma, amando a todos – ao reino, à grei. Era uma pureza que, vivendo em si, marcava conceito nobre em todos os seus propósitos, lhe punha frescor no olhar e lhe brunia as faces com sorrisos brancos. Ser casto era vestir um arnês de candura.

Antero de Figueiredo in «D. Sebastião: Rei de Portugal», 1924.