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São Carlos Borromeu e a nobreza de sangue


A visão que o próprio Cardeal [Borromeu] tinha da hierarquia social pode ser observada na conclusão de um sermão que pregou na festa da Natividade de Nossa Senhora, em 1584, quando explicou a inclusão da sua genealogia pelos evangelistas, do seguinte modo: "O nascimento nobre é um dom e uma graça de Deus. Não devemos desprezar este benefício; fazê-lo seria ingratidão. O sangue nobre é um poderoso estímulo à prática da virtude e um grande freio ao vício. Pois, num nobre, o vício é ainda mais odioso; mas também a virtude resplandece com maior fulgor e assemelha-se a uma jóia cravada em ouro: a gema brilha muito mais intensamente do que se estivesse apenas cravada em prata."

Pe. Cyril Martindale in «The Vocation of Aloysius Gonzaga», 1927.

Sobre a limpeza do Sangue


É a limpeza do sangue a coisa de que se deve fazer maior estimação, porque da mesma sorte que o humor do tronco se comunica aos ramos, o sangue dos pais se comunica aos filhos, como escreve Ovídio, bebendo estes nele as boas ou más inclinações que têm os pais, de que raras vezes discrepa a natureza dos filhos; e por isso falando Ezequiel no cap. 16 de alguns costumes perniciosos de muitos moradores de Jerusalém, herdados de seus pais, lhes diz: Bem parece que vossa geração é da terra de Canaã e que foram vossos pais Amorreus, vossas mães Teteias; e daqui nasceu o adágio: De mau corvo, mau ovo. Teodorico, segundo escreve Cassiodoro, lib. 9, Epist. 22, em o título de Conselheiro, no conselho que deu a Paulino, de pais limpos, lhe diz que em os frutos de seus bons costumes campeia o sangue de seus pais, porque de pais puros nascem filhos puros, disse Aristóteles, 3, Rhetoricor., e mais depressa se empioram do que melhoram os filhos, escreve Homero in Odiss.
É pois a limpeza do sangue uma qualidade que vem de pais e avós, a qual procede de não haver memória que algum deles traga sua origem de Judeu, ou Cristão-Novo, Mouro, ou Mulato. É um quase resplendor que nasce de haverem os pais, avós, e mais ascendentes, sempre tido e confessado a Fé Católica Romana, sem fama em contrário, derivado aos descendentes, de que se deve fazer o maior apreço, por ser o fundamento único e sólido em que se afiançam às maiores venturas, e sem o qual se fecham as portas a todas as melhoras; porque em todas as Repúblicas bem ordenadas anda junto o ser honrado com o ser puro; de maneira que ainda que possa haver limpeza sem honra, não pode haver honra sem limpeza. A Nobreza é uma opinião moral que se tem de cada um de nós, e não pode ser boa a opinião, quando no sangue se conhecem defeitos. Vícios no sangue são o defeito do material; e de material defeituoso não se podem fabricar edifícios duráveis; antes é tão certo ameaçarem ruína, quanto infalível o vício na matéria. Vícios no sangue são vícios na causa; e causa viciosa necessariamente produz efeitos viciosos; porque tal é a causa, tais são os efeitos; e por isso com discreto acordo são excluídos os Judeus, os Mouros, os Mulatos, e sobre todos com maior razão os Judeus e os Cristãos-Novos, que deles trazem sua origem.

Diogo Guerreiro Camacho de Aboim in «Escola moral, política, cristã, e jurídica», 1733.

O sangue cristão e a "eucaristia" judaica


Com que fim procuram os judeus o sangue cristão? Já que a raça maldita tão de mãos dadas tem estado sempre com a franco-maçonaria, metemo-la também no Reinado das Trevas: e vamos responder com El Eco Franciscano a esta questão, dizendo em poucas palavras o que aquela boa revista diz em uma extensa correspondência; escrita de Jerusalém.
É certo que os judeus assassinam crianças, depois de as terem roubado à vigilância de seus pais, prova-se com os argumentos de muitos e ruidosos processos, onde semelhantes crimes foram comprovados e castigados; havendo, além disso, confissões livres de alguns neo-convertidos. O facto, pois, é inegável. A questão é saber qual o motor de semelhantes crimes. O povo, que naturalmente julga pelo que vê, atribui tudo a um ódio de séculos que a nação maldita nutre contra os cristãos. Que esse ódio existe, é indubitável; mas será essa a causa motriz do crime?
Rocca d'Adria, escritor católico muito célebre, e convertido do judaísmo, onde era tido por um dos primeiros doutores da sua seita, antes de se converter, responde com uma formal negativa. Em umas memórias, a que deu o título de – A Eucaristia e o Rito Pascoal Hebraico moderno: Revelações – demonstra com revelações inéditas e fidedignas, e com autoridades tiradas do Talmude e de outros livros mosaicos, que os judeus extraem o sangue dos cristãos, fazendo com ele e com farinha, uma espécie de mistura, para satisfazer um rito e uma crença supersticiosa que eles têm no Redentor e na sua vinda.
Eis as palavras daquele autor, que bem se pode dizer testemunha autêntica: «Os rabinos hebreus, suspeitando a divindade de Jesus Cristo, e não tendo, apesar disso, coragem para confessar publicamente a sua crença, consignaram em seus livros a vinda do Messias, e impuseram a Israel uma imitação da Comunhão Eucarística, certos (os rabinos), absolutamente certos de que sem ela (a Eucaristia) não é possível conseguir a vida eterna.»
Simplesmente horroroso!
Esta afirmativa tão categórica, tão formal e tão autorizada, vai mesmo sem comentários. Em todo o caso, vejam os pais de família que moram perto de famílias judias, se têm cuidado com seus filhos; não seja caso que o sangue deles vá ajudar a digestão a esses miseráveis.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 13, Janeiro de 1896.

Sangue Português


Sangue de Portugal... Devemos honrá-lo, mas sem cair no mito do sangue e sem pretender divinizá-lo, como querem alguns por cá e fazem outros por lá. O Sangue Português deixaria de o ser, quando deixasse de ser cristão.
Não consigo nunca ler as Crónicas dos nossos reis, as Relações dos nossos descobridores, missionários e colonizadores, que não sinta em mim uns frémitos de entusiasmo, e ao mesmo tempo de admiração e de respeito. Verdadeiramente, não há palmo da terra que pisamos, não há onda em todos os mares, nem areia em todas as praias, nem floresta virgem em qualquer canto do mundo, nem montanha escalvada ou deserto sem água, que não tenha visto correr o sangue português!
Mas para quê tanto martírio, tanta dor, tanta canseira?... Sangue Português?... Fica aos que sobrevivem o dever de substituírem os que caem. Para que Portugal viva, é preciso que viva o sangue de Portugal; para que viva o sangue de Portugal – é preciso não o matar, não o envenenar. Mata-se ou envenena-se o sangue de Portugal, profanando-o, dispersando-lhe a vitalidade em prazeres de puro egoísmo, comprometendo assim as energias da raça e a sua fecundidade. Para transmitir aos vindouros seiva robusta, é preciso ser forte e não ter enxovalhado, nem ter posto em almoeda, o corpo ou o coração.
Sangue de mortos... Sangue de vivos...

Pe. Raúl Plus in «Diante da Vida», 1947.

Sangue


Empregamos esta palavra como significando Herança.
Os rubros glóbulos sanguíneos trazem, dentro da sua microscópica esfera, antigos espectros que ressurgem e vão definindo o carácter dos indivíduos e dos Povos.
Gritam no sangue velhas tragédias, murmuram velhos sonhos, velhos diálogos com Deus e com a terra, esperanças, desilusões, terrores, heroísmos, que desenham, em tintas vivas, o cenário e a acção das nossas almas.
O sangue é a memória, presença de fantasmas, que nos dominam e dirigem.
À voz do sangue responde a voz da terra; e este diálogo misterioso mostra os caracteres da nossa íntima fisionomia portuguesa.

Teixeira de Pascoaes in «Arte de ser Português», 1915.