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Dom Vasco da Gama parte segunda vez para a Índia


No mesmo dia [30 de Janeiro], ano de 1502, partiu segunda vez para o Oriente, com poderosa armada de vinte naus, o famosíssimo herói Dom Vasco da Gama, e no mesmo dia, na despedida, lhe deu El-Rei Dom Manuel, o ilustre e glorioso título de Almirante dos mares da Índia, Pérsia e Arábia, que hoje se conserva em seus nobilíssimos descendentes.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Frei Pedro da Covilhã


Neste dia [7 de Julho], ano de 1498, padeceu pela Fé de Cristo, Frei Pedro da Covilhã, Português, Ministro do Convento da Santíssima Trindade de Lisboa, companheiro e Confessor de Vasco da Gama. Foi o primeiro, que depois do Apóstolo São Tomé, celebrou o Sacrifício da Missa, e prégou o Evangelho, e por ele derramou seu sangue na Índia Oriental.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Parte Vasco da Gama ao descobrimento da Índia


Neste dia [8 de Julho] em Sábado, ano de 1497, partiu Vasco da Gama da barra de Lisboa a descobrir, por mares nunca dantes navegados, a remotíssima região do Oriente; Empresa que os homens mais sábios reputavam impossível; Mas vence impossíveis um coração valeroso e destemido! Com três navios, de que eram Capitães o mesmo Vasco da Gama, seu irmão Paulo da Gama e Nicolau Coelho, e cento e setenta companheiros, se deu princípio àquela tão incerta, como perigosa navegação. Concorreu na despedida, às praias de Belém, grande número de nobreza e povo. Ali foram infinitas as lágrimas dos que iam e dos que ficavam, nascidas da saudade e do temor, e dos vários e tristes pensamentos, que naturalmente ocorriam em caso tão novo. Estremeceram-se os corações de uns e outros, ao tempo que os marinheiros, despregando as velas, deram a sua costumada salva de Boa Viagem; Os que ficavam em terra alongavam os olhos pelas ondas, em seguimento dos navegantes; Estes não os podiam apartar da amada Pátria, e uns e outros estavam como atónitos, em profunda e medrosa suspensão, até que a distância separou as vistas, não assim os corações.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Vasco da Gama descobre o Rio dos Reis


No mesmo dia [6 de Janeiro], ano de 1498, descobriu Vasco da Gama o rio, a que, pela circunstância do mesmo dia, chamou dos Reis, o qual corta e fertiliza terras por extremo frescas e aprazíveis, cujos habitadores achou serem bem-apessoados, e de cor baça, e muito mais polidos que os do Cabo de Boa Esperança: Usavam de manilhas de cobre e traziam pedaços dele atados nos cabelos por galanteria, razão porque os Portugueses deram também ao mesmo rio o nome deste metal.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Vasco da Gama descobre a terra de Natal


No mesmo dia [25 de Dezembro], ano de 1497, com mais de cinco meses da primeira viagem da Índia, descobriu Vasco da Gama na costa da Etiópia Oriental a terra, a que pela circunstância do mesmo dia, chamou do Natal. Para que a examinassem, deixou nela dois homens dos delinquentes, que levava de Lisboa para este efeito, e o informassem quando voltasse (se fossem vivos) da qualidade do País. Achou tanta satisfação dos habitantes que o seu Régulo bem acompanhado visitou a nossa frota; e com resgate de algum marfim e mantimentos, continuou Vasco da Gama a viagem em descobrimento da terra que buscava.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Vasco da Gama descobre a Baía de Santa Helena


Neste dia [4 de Novembro], ano de 1497, descobriu o famoso argonauta Vasco da Gama uma formosa Angra, ou Baía, a que chamou de Santa Helena, onde desembarcou e foi ferido pelos Negros da terra, e este foi o primeiro sangue que se derramou nas jornadas e empresas do Oriente, em que depois se derramaram dilúvios, mas com grande glória da Nação Portuguesa, por serem despendidos por ela em obséquio da Fé e serviço dos seus Reis.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

O primeiro tributo do Oriente a Portugal


Neste dia [1 de Setembro], ano de 1503, desembarcou Vasco da Gama em Lisboa, voltando da segunda jornada que fizera à Índia, com treze Naus carregadas de riquezas, e logo caminhou a Palácio, acompanhado de muitos Senhores e de infinito povo, que o haviam ido esperar: Levava diante um Pajem com uma bandeja de prata nas mãos, e nela o primeiro tributo, que pagou a Portugal um dos Reis do Oriente, que eram dois mil meticais de ouro: Recebeu-os El-Rei com grande contentamento, e logo, com maior devoção, ordenou se lavrasse deles uma Custódia para o Santíssimo Sacramento, guarnecida de pedras preciosas, e ainda mais preciosa pela obra que pela matéria, e a deu ao Real Convento de Belém, onde hoje se vê e se admira o seu valor e perfeição.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Rei de Quíloa torna-se tributário do Rei de Portugal


No mesmo dia [12 de Julho], ano de 1502, chegou Dom Vasco da Gama (na segunda jornada que fez ao Oriente) à Cidade de Quíloa, e porque o Rei Mouro dela havia tratado com pouca fidelidade aos Portugueses da Armada de Pedro Álvares Cabral, e agora usava de novos enganos e artifícios, Dom Vasco o fez tributário a El-Rei de Portugal em dois mil meticais de ouro cada ano, e foi este o primeiro Rei daquela costa da Etiópia Oriental, que pagou tributo à Coroa Portuguesa.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Vasco da Gama dobra o Cabo da Boa Esperança


No mesmo dia [20 de Novembro], ano de 1497, dobrou Vasco da Gama o Cabo da Boa Esperança; e esta foi a primeira vez que se viu domado o furor e pisada a soberba daquele Cabo, vulgarmente chamado Tormentoso, que o insigne Camões pintou na figura de um horrendo Gigante de medonha catadura: É terra habitada de gente baça, de cabelo revoltoso e de pequena estatura e rosto feio; Quando falam parece que soluçam, andam vestidos de peles, vivem em casas de barro cobertas de colmo, e faltos de Religião e de todo o trato político e civil, mais parecem brutos do que homens.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.