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Rei Mouro Joás, depois Cristão e Religioso


Neste dia [27 de Novembro] morreu no Real Convento de Santa Cruz de Coimbra o Rei Mouro Joás que fora cativo na batalha de Ourique, e que depois foi convertido e baptizado por São Teotónio, e Religioso professo no mesmo Mosteiro, como em outra parte dissemos. Depois estudou a língua Latina, e por sua Capacidade, virtude e perfeição de vida, foi promovido ao Sacerdócio, e desempenhando com grande satisfação e admiração de todos, as obrigações da nova dignidade, faleceu santamente neste dia. Não ficou memória do ano no livro dos óbitos de Santa Cruz de Coimbra.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Dia de São Teotónio


São Teotónio, Português, natural do lugar de Gafei, junto a Valença do Minho. Criou-se em casa de Crescónio, seu tio, Varão Santo e Bispo de Coimbra por aqueles tempos. Soube aprender primeiro e depois ensinar a perfeição Evangélica com tanto primor, que se fez um claro espelho da virtude, um oráculo da santidade. Foi dos primeiros Fundadores da Religiosíssima Congregação dos Cónegos Regulares de Santa Cruz de Coimbra e o primeiro Prior daquele Real Convento. A sua fama, muito apesar da sua humildade, o fazia conhecido e buscado dos Reis, dos Príncipes, dos Grandes, dos pequenos, e nele, e nas suas orações, achavam todos para as batalhas socorro, remédio para as enfermidades, alívio para as aflições, e para as dúvidas conselho e direcção. Passou neste dia [18 de Fevereiro], ano de 1162, do desterro à Pátria, e mereceu, e conseguiu na vida, na morte, e depois da morte, cultos e venerações de Santo, aplausos e aclamações de milagroso.

No mesmo dia [18 de Fevereiro], ano de 1163, foi canonizado solenemente em Coimbra o glorioso São Teotónio, a uso daqueles tempos, pelo Arcebispo Primaz Dom João Peculiar, com aprovação e assistência dos Bispos, de Coimbra Dom Miguel, de Viseu Dom Odório, do Porto Dom Pedro, de Lamego Dom Mendo, à petição dos povos de Portugal e à instância do grande Rei Dom Afonso Henriques: Cantou-se-lhe a Missa dos Santos Confessores, e depois foi esta canonização aprovada e confirmada por Alexandre III [Papa].

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Ser católico português e republicano?


Na véspera da Batalha de Ourique, Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu milagrosamente a D. Afonso Henriques, dizendo:

Eu Sou o fundador e destruidor dos Reinos e Impérios, e quero em ti, e teus descendentes, fundar para Mim um Império, por cujo meio seja Meu Nome publicado entre as nações mais estranhas. E para que teus descendentes conheçam quem lhes dá o Reino, comporás o escudo de tuas armas do preço com que Eu remi o género humano, e daquele porque fui comprado dos Judeus, e ser-Me-á Reino santificado, puro na fé e amado por Minha piedade.

Temos, então, que Portugal é por definição ontológica um Reino Católico, fundado pelo próprio Deus sobre D. Afonso Henriques e a sua directa e legítima descendência. Donde se conclui que o Catolicismo e a Monarquia são parte da essência e indissociáveis do ente chamado Portugal.

Portanto, para um católico português pretender ser republicano, terá que:

1. Negar a aparição milagrosa de Jesus Cristo a D. Afonso Henriques, chamando de mentiroso ao nosso primeiro Rei, e a todos os que testemunharam em seu favor, nomeadamente São Teotónio, confessor de D. Afonso Henriques e primeiro santo português. (Se não negar o facto do milagre, terá pelo menos que negar a fundação divina do Reino de Portugal, dizendo que Deus mentiu, ou enganou, quando edificou uma Monarquia sobre D. Afonso Henriques).

2. Dizer que a Igreja se enganou quando deu crédito ao Milagre de Ourique, e quando declarou D. Afonso Henriques como Venerável. Pois se o Milagre de Ourique é uma mentira, então D. Afonso Henriques nunca poderia ser digno de heroicidade nas virtudes, tal como reconheceu a Igreja ao proclamá-lo Venerável.

3. Dizer que os nossos antepassados estavam enganados, e que Portugal foi um erro até 1910, ano em que finalmente viu a "luz". Ou seja, Portugal só passou a existir verdadeiramente a partir de 1910, uma vez que antes disso só havia erro e engano.

4. Entrar em rebelião contra Deus, a Igreja, a Pátria e os Antepassados. Pecar contra o 4º Mandamento, que nos manda honrar pai e mãe, e outros legítimos superiores.

Assim, conclui-se que é impossível um católico português ser republicano. Trata-se de uma contradição moral e ontológica. Haverá uns que são republicanos por ignorância, mas também haverá outros que o são por culpa própria. Estes últimos não são portugueses verdadeiramente, uma vez que se colocam na posição de inimigos de Portugal, contradizendo uma verdade conhecida como tal.

18 de Fevereiro: São Teotónio


Foi S. Teotónio o primeiro Prior do Real Convento de Santa Cruz [de Coimbra], varão de preclaras virtudes e esclarecidos milagres. De moço se criou em casa de Crescónio, Bispo da mesma cidade, tio seu, debaixo de cuja disciplina aprendeu as sagradas letras, nas quais em breve se tornou consumado. Confessor e privado do Rei D. Afonso Henriques, tinha sobre este Monarca enorme ascendente. Morreu com oitenta anos de idade, em 1162, e foi canonizado no ano seguinte.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.