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Dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio


Aprovamos, louvamos e corroboramos, com o patrocínio do presente escrito, os Documentos e Exercícios mencionados, e todas e cada uma das coisas neles contidas, com a Nossa Autoridade, a teor das presentes Letras, e com Nossa Ciência certa; exortamos muito em Nosso Senhor a todos e cada um dos Fiéis em Cristo, de ambos os sexos, em qualquer lugar do mundo onde se encontrem, a que usem tão piedosos Documentos e Exercícios, e queiram devotamente com eles instruir-se.

Papa Paulo III in breve «Pastoralis Officii», 31 de Julho de 1548.

31 de Julho: Santo Inácio de Loiola


Sto. Inácio nasceu em Loiola, Espanha, na região Basca, em 1491. De temperamento ardente e belicoso, seguiu a carreira das armas; mas foi ferido em Pamplona, o que veio dar ocasião a uma prolongada convalescença, durante a qual a graça divina deu à sua vida um novo rumo. Privado dos livros de cavalaria, descobriu na vida de Cristo e dos santos, horizontes novos, compreendendo que também a Igreja devia ter a sua milícia. Partiu para a abadia beneditina de Monserrate, depôs a espada aos pés da Virgem, disposto a só servir a Cristo. Alguns anos mais tarde, a 13 de Agosto de 1534, Sto. Inácio e os seus seis primeiros companheiros emitiram os votos de religião em Paris, na capela de S. Dinis em Montmartre; foi assim que nasceu a Companhia de Jesus, que havia de ser para a Igreja um poderoso auxiliar na luta contra as heresias e na expansão da fé até aos confins do mundo. Sto. Inácio morreu em Roma em 31 de Julho de 1556. Pio XI proclamou-o patrono de todos aqueles que seguem os exercícios espirituais.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.


Do fim para que somos criados


O homem é criado para louvar, prestar reverência e servir a Deus nosso Senhor e, mediante isso, salvar a sua alma; e as outras coisas sobre a face da Terra são criadas para o homem, para que o ajudem na prossecução do fim para que é criado. Donde se segue que o homem tanto há-de usar delas quanto o ajudem para o seu fim, e tanto deve afastar-se delas quanto para isso o impedem. Pelo que é necessário fazer-nos indiferentes a todas as coisas criadas, em tudo o que é concedido à liberdade do nosso livre-arbítrio, e não lhe está proibido; de tal maneira que não queiramos da nossa parte mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que vida curta, e consequentemente em tudo o mais; mas somente desejando e elegendo o que mais nos conduz ao fim para que somos criados.

Santo Inácio de Loyola in «Exercícios Espirituais», 1548.