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Partidos políticos


Para a Democracia, a Pátria não existe organicamente: só há os partidos políticos, agrupamentos numéricos de indivíduos-eleitores, lutando em nome do interesse público para utilidade dos associados. Desconhece-se, ou logicamente se renega, a Tradição, para que tudo comece no dia em que a Democracia começou. Os partidos, em geral dois, três ou mais, nas sociedades em decomposição, representam, um, tendências conservadoras, outro, tendências avançadas ou radicais, como fórmulas de equilíbrio e correcção. Teoricamente, o princípio é uma falsidade, porque não há princípios conservadores, nem avançados: há ideias que matam e ideias que salvam; mentiras políticas e verdades políticas; ideologias e realidades.
A alimentar a corrupção dos partidos, há ainda a considerar as influências internacionais da Maçonaria, que combate a ideia de Pátria, e a pressão dos interesses das plutocracias, por meio da venalidade de políticos sem escrúpulos nem convicções, que formulam programas e fazem promessas que antecipadamente sabem não poder cumprir.

Adaptado de «Cartilha Monárquica», 1916.

Das assembleias deliberativas


Um parlamento nunca pode exprimir o interesse nacional [bem comum], revela apenas a força dos partidos em que a influência eleitoral se divide. Derivando da eleição por sufrágio directo, ele é o resultado de uma burla, porque a massa eleitoral é e será sempre incompetente para realizar uma escolha conscienciosa, pronunciando-se sobre merecimentos que não pode avaliar, em indivíduos que não conhece ou só viu nas arengas da praça pública ou dos centros onde cada um vai apregoar qualidades boas que julga ter. É pela maioria de votos assim obtida que na Democracia se regula a confiança para a administração, como se um preconceito numérico pudesse corresponder à capacidade de governo. Para nada faltar à ficção eleitoral, os candidatos propostos pelos diversos círculos, até deixam de os representar para se dizerem deputados da Nação, mal acabam de se contar os votos. Pela tirania da maioria, o chefe político que conseguiu ganhá-la, maneja por detrás dela e fica irresponsável, bem como os seus cúmplices, em todos os desvarios de que são portadoras as leis votadas. É uma ditadura tortuosa, mais cara e menos nobre do que o mais abusivo poder pessoal. Na sua inconsciência e irresponsabilidade, cada um dos parlamentares se julga competente para versar e discutir todos os assuntos. Daí, o espectáculo permanente de miséria mental e moral dos parlamentos, o seu descrédito inevitável e morte próxima.

Adaptado de «Cartilha Monárquica», 1916.

A falsidade da soberania do povo


Na sua luta contra a Monarquia que era chamada de tirânica, a Democracia disfarçada em Monarquia Constitucional ou Liberal, transferiu para o povo a soberania do Rei. Assim se abatiam os tronos e se davam aos descontentes motivos de exaltação, estabelecendo entre os reis e os povos, uma oposição que na Monarquia não pode existir.
De elemento obediente, o povo tornou-se autoritário e os reis foram declarados empregados públicos ou mandatários da Nação. De todas as mentiras democráticas, nenhuma mais irrisória do que a da soberania do povo. Da soberania advém a faculdade de declarar o interesse nacional e o poder de o defender; mas o povo nunca atinge o grau de consciência e a unidade de pensar que o exercício da soberania exige. Os únicos soberanos são os chefes políticos, manobrando à sombra de maiorias inconscientes e irresponsáveis. Uma consulta ao sufrágio do povo pode exprimir o seu agrado a estes ou àqueles homens, a uma ou a outra medida, mas nunca o que mais lhe convém, porque não tem capacidade para conhecer do interesse nacional. Só o Rei, com o conselho dos Estados, pode decidir no sentido da maior utilidade colectiva [bem-comum].

Fonte: «Cartilha Monárquica», 1916.

O Rei como Pai da Nação


Sendo a Nação, no seu melhor conceito, uma família extensa e permanente, na impossibilidade de a manter sob o governo do mesmo chefe, recorre-se ao benefício da hereditariedade para que o poder não sofra interrupção. Por isso o Rei representa tanto a Nação, como cada um de nós os seus antepassados. Ninguém escolhe o Rei, como ninguém escolhe o próprio Pai para lhe obedecer.

Adaptado de «Cartilha Monárquica», 1916.