Mostrar mensagens com a etiqueta Emigração. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Emigração. Mostrar todas as mensagens

A emigração portuguesa em 1898


Damos começo a esta crónica relatando o que está sucedendo a muitos irmãos nossos, que tendo-se deixado levar de promessas falazes emigraram para o Brasil nos meses passados. E fazemo-lo propositadamente para que os nossos leitores vejam o que lá se passa, e não venham a ser também do número dos iludidos.
Muitos portugueses do Continente e Açores, que esperavam enriquecer nas províncias brasileiras, não têm trabalho, nem encontram colocação, e por isso ocupam-se a cavar o cacau e o café, debaixo d'um sol ardentíssimo, e isto pelo módico salário de 400 reis diários.
Outros exercem os mais vis misteres, e são tratados como a gente mais desprezível.
Um grande número anda mendigando os meios de regressar à pátria.
Por outra parte os factos comprovam que a emigração para as nossas possessões africanas é a felicidade de um sem número de famílias.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 4º Ano, Nº 14, Fevereiro de 1898.

Imigração e emigração: ontem como hoje


Vemos no Reino meter
tantos cativos crescer,
e irem-se os naturais,
que se assim for, serão mais
eles que nós, a meu ver.

Garcia de Resende in «Miscelânea», 1554 (póstumo).

Importa notar, porém, que a situação hoje é muito mais dramática do que no século XVI. Porque, se nessa época as migrações estavam disciplinadas pelo governo benéfico dos nossos Reis, que conservavam a unidade religiosa, política e etno-cultural, hoje elas estão totalmente desordenadas, representando uma clara ameaça à identidade e à unidade dos povos.