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Mais escândalos demo-republicanos


É pecado de escândalo a normalização do mal como se fosse bem ou menos mal; é pecado de escândalo honrar e louvar os inimigos públicos de Jesus Cristo, da Santa Igreja, da Cristandade, da nossa Pátria Portuguesa, dos nossos legítimos Reis e antepassados Católicos.

Os dirigentes republicanos no poder usurpado multiplicam os escândalos públicos, com elogios e homenagens aos criminosos, seus heróis ou pais ideológicos. Já há muito que vemos espalhadas por todo o lado as estátuas, ruas e avenidas com figuras do Liberalismo (1820), da República (1910) e da Democracia (1974)...

Mas nos últimos anos vemos surgir um fenómeno novo, igualmente escandaloso: as honras e os elogios aos históricos invasores Mouros – inimigos de Portugal, da Fé Cristã e contra os quais lutaram os nossos egrégios Avós, cuja memória é ofendida. A mais recente foi a estátua de um Rei Mouro, inaugurada em Beja, a 13 de Junho, logo no dia do maior Santo português e padroeiro equi-principal de Portugal.

Ai do mundo por causa dos escândalos, diz Nosso Senhor. Ao que acrescentamos: que falta faz a Justiça dos bons Reis e a Santa Inquisição para pôr termo a tantas desordens!

Rei Mouro Joás, depois Cristão e Religioso


Neste dia [27 de Novembro] morreu no Real Convento de Santa Cruz de Coimbra o Rei Mouro Joás que fora cativo na batalha de Ourique, e que depois foi convertido e baptizado por São Teotónio, e Religioso professo no mesmo Mosteiro, como em outra parte dissemos. Depois estudou a língua Latina, e por sua Capacidade, virtude e perfeição de vida, foi promovido ao Sacerdócio, e desempenhando com grande satisfação e admiração de todos, as obrigações da nova dignidade, faleceu santamente neste dia. Não ficou memória do ano no livro dos óbitos de Santa Cruz de Coimbra.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Mouros e Mouriscos na Lei portuguesa


Mouriscos de Granada não podem entrar no Reino, liv. 5, tit. 69, § 2 (c).
Mourisco não pode agasalhar escravo, nem comprar-lhe fato, liv. 5, tit. 70.
Mouro que se acolhe à Igreja, não lhe vale a imunidade, se se não converte, liv. 2, tit. 5, § 1 (a).
Mouro cativo, que se pede para resgate de algum Cristão, que está em Terra de Mouros, que o Senhor seja constrangido a vende-lo pela avaliação, que a Justiça fizer com mais a quinta parte, liv.4, tit. 11, § 4 (b).
Mouro nenhum pode ir a Terra de Mouros sem licença d’El-Rei, liv. 5, tit. 108.
Mouro não se pode resgatar com ouro, ou prata, ou dinheiro do Reino, liv. 5, tit. 110.
Mouro que dormir com Cristã, tem pena de morte, liv. 5, tit. 14 (c).
Mouro que deu ajuda para fugir algum escravo, e o encobriu, ou deu azo a isso, fica cativo do Senhor do escravo; e sendo o Mouro cativo, será açoutado, liv. 5, tit. 63.
Mouro branco, ou seja Cristão, ou Infiel, que na Corte for achado com armas de dia, ou de noite, que seja açoutado, liv. 5, tit. 80, § 8.
Mouro que anda sem sinal, paga da cadeia mil reis, liv. 5, tit. 94 (d).
Mouro Cristão que se vai deste Reino para Terra de Mouros, sendo tomado no próprio acto de sua ida, fica cativo, e perde sua fazenda, liv. 5, tit. 111.
Mouro Cristão não pode entrar neste Reino, posto que diga que vem a negociar, ibid. § 2.
Mouro forro não pode entrar no Reino, ibid.
Mouro não pode ser testemunha em feito de Cristão com outro, liv. 3, tit. 56, § 4.
Mouro forro com dinheiro do Reino, que tendo licença para morar nele, se vai a Terra de Mouros; sendo tomado no mar, ou nos Lugares dalém, ou Estremo, para se ir, fica cativo de quem o tomar, liv. 5, tit. 110, § fin.

Fonte: «Repertório das Ordenações e Leis do Reino de Portugal», Tomo II, 1749.

Dos assédios mouros à costa portuguesa: caso de Lagos


Alguns anos depois, sabendo os mouros o desenvolvimento de Lagos, começaram a vir da África, nas suas embarcações, denominadas chabeques, e tentaram a sua invasão, não se contentando só em levar os gados, mas fazendo cativos homens, mulheres e crianças, que vendiam para escravos em África. Os habitantes, para lhes escaparem a toda a sorte de crueldades e cativeiro, viam-se na necessidade de se refugiarem nos matos e cavernas. A esta calamidade acudiram João Lourenço, alcaide do castelo de Lagos, que diziam ser obra dos mouros, e João Parente, alvazil, governador, vereador ou juiz de primeira instância, os quais, expondo o que se passava e mostrando que em breve o lugar se despovoaria se lhe não dessem pronto remédio, conseguiram que D. Afonso IV mandasse cercar a povoação, emprestando o mesmo Rei, para isso, 12$000 reis, que mandou guardados por uma escolta de cavalaria, e, mais tarde, mais 8$000 reis. Um antigo manuscrito diz: Existe uma carta do Sr. D. Afonso IV, escrita ao senado de Lagos para continuar a obra da muralha da vila a dentro, que lhe faltavam 500 varas para se aliviarem os danos que os moradores da Vila padeciam dos mouros, que, continuamente, infestavam a costa e então tinham invadido a mesma Vila com 12 galés, o que tudo refere a dita carta que se conserva no arquivo da Câmara.

Manuel João Paulo Rocha in «Monografia de Lagos», 1909.


Vitória admirável de D. Afonso Henriques em Palmela


Sendo o grande Rei Dom Afonso Henriques já de setenta e um anos de idade, assim andava envolto nas facções militares contra os infiéis, como se estivera no ardor dos primeiros anos. No de 1165 conquistou a Vila de Sesimbra, fortíssima então; E quando já estava capitulando, destacou das suas tropas sessenta de Cavalo e um pequeno esquadrão de Infantes, com intento de dar uma vista ao Castelo de Palmela, naqueles tempos inexpugnável. Vinha pelo mesmo caminho a socorrer Sesimbra, o Rei Mouro de Badajoz, e trazia quatro mil de Cavalo e sessenta mil de pé; E como os inimigos entendiam que o nosso Rei estava ainda sobre Sesimbra, nesta consideração marchavam sem ordem e sem temor de algum acometimento. Viu El-Rei aquela multidão tumultuária e confusa, e logo se inflamou em tão elevados e generosos brios, que dando de esporas ao cavalo, enristando a lança, mandou aos seus que o seguissem. Só a resolução, neste caso, merecia elogios imortais; Mas o sucesso assim correspondeu a ela, que, postos os Mouros em confusão, entendendo que tinham sobre si todo o poder dos Portugueses, voltaram as costas, e tropeçando uns em outros, foram destroçados inteiramente. Sucedeu esta milagrosa vitória neste dia [21 de Fevereiro], no ano acima referido, e pouco depois, se rendeu o Castelo de Palmela, mais à fama de tão ilustre feito, que aos impulsos de alguma expugnação.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Martim Moniz na reconquista de Lisboa aos Mouros


Durou o combate seis horas contínuas, em que se pelejou com fúria desusada. Morreu Martim Moniz à entrada da porta que conserva o seu nome, parte mais arriscada por onde os Portugueses acometeram. Uns dizem que tendo os nossos entrado na Cidade e sendo rebatidos dos Mouros que pretendiam fechar outra vez aquela porta, pelejou com tanto valor o esforçado Capitão, até que perdendo a vida, fez de seu corpo ponte para os nossos passarem, e impediu aos Mouros seu intento. Outros querem que sendo ferido na entrada desta porta de um golpe mortal, foi milagrosamente seguindo e ferindo os Mouros com a cabeça meia cortada até cair morto na outra parte do Castelo, para onde fica a Igreja do Apóstolo Santiago. De qualquer modo, se teve sua morte por notável, e em um nicho sobre a mesma porta se mandou pôr uma cabeça de pedra, que ainda hoje se conserva em memória sua. Honrosa lembrança e justa remuneração devida a quem com tanta glória ofereceu a vida pela Fé e honra da Pátria, na entrada da maior Cidade, no lugar de maior dificuldade.

Frei António Brandão in «Terceira parte da Monarquia Lusitana: Que contém a História de Portugal desde o Conde Dom Henrique, até todo o reinado d'el-Rei Dom Afonso Henriques», 1632.

Bizarro sucesso nas portas de Marrocos


Diogo Lopes, Alcaide de Safim, com quatrocentos e trinta e sete de cavalo, chegou neste dia [30 de Outubro], ignoramos o ano, a uns aduares pouco mais de uma légua de Marrocos [Marraquexe], onde matou muitos Mouros, cativou cinquenta e três, arrebanhou dez mil ovelhas, e trezentos e trinta camelos. Posta em seguro esta preza, foram alguns dos nossos Cavaleiros bater com os cotos das lanças nas portas de Marrocos, bradando: Viva El-Rei Dom Manuel Nosso Senhor. Foi tal o susto da Cidade, que o seu Rei em pessoa, com a maior parte da sua gente, saiu aos nossos Cavaleiros, os quais se defenderam de maneira, que matando quatro dos Mouros, mais bizarros, que se adiantaram a acometer os nossos, se recolheram estes aos Aduares, onde os esperavam os mais, e daí a Safim com a referida preza, onde foi muito celebrado este sucesso.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

D. Sancho derrota o Rei mouro de Sevilha


Desejando El-Rei Dom Afonso Henriques que seu filho primogénito, o Infante Dom Sancho, não perdesse os brios na ociosidade da paz e se costumasse a pelejar e vencer, lhe mandou que fizesse uma entrada em terra de Mouros pela parte de Andaluzia. Saiu o Infante de Coimbra, e no meio da Ponte se despediu de El-Rei, seu pai, e lhe beijou a mão, com semblante tão alegre e com palavras tão cheias de espírito militar, que bem asseguravam a vitória antes da batalha. Passou à Província do Além-Tejo e dali entrou por Andaluzia, e chegou a avistar a famosa Cidade de Sevilha; O Rei que era daquela Cidade e o mais poderoso dos que então havia em Espanha, picado da resolução do Infante, lhe saiu com um Exército de mais de trinta mil combatentes; Constava o nosso de dois mil e trezentos de cavalo e quatro mil de pé, mas escolhidos e bem disciplinados e costumados a vencer. Atacou-se a batalha com grande valor de uma e outra parte, e sobre o esquadrão do Infante caiu tanto peso de inimigos, que se viu em perigo manifesto de perder a vida, ou a liberdade; Correram em sua defesa os principais senhores Portugueses, e à imitação do seu Príncipe, e por seu respeito, obraram estupendas proezas; Até que, lançado por terra o estandarte d'el-Rei de Sevilha e represadas muitas bandeiras dos Mouros, foram estes postos em fugida, com tanta mortandade, que por muitas horas correram envoltas em sangue bárbaro as águas do celebrado Bétis [Rio Guadalquivir]. Colheram os Portugueses riquíssimos despojos, e mais cheios ainda de fama que de riquezas, voltaram para o Reino a lograr os frutos e parabéns de tão insigne vitória, sucedida neste dia [5 de Novembro], ano de 1178.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Gloriosa facção em África


No mesmo dia [1 de Julho], ano de 1541, saiu Dom Rodrigo de Castro da praça de Safim [em Marrocos] com cento e oitenta lanças, e proporcionado número de infantes, e deu improvisadamente sobre mais de cinquenta aduares [acampamentos] de Mouros, e depois de uma leve resistência, os pôs em temerosa confusão e precipitada fugida. Rebanhou quinze mil cabeças de gado menor, mil camelos, duzentos bois e oitenta pessoas, e com este despojo se fez na volta de Safim; Recobrados, porém, os Mouros à vista do nosso pouco poder e unidos brevemente em grande número, nos começaram a cercar por todas as partes, com fúria tão desesperada, que a troco de matar, não receavam morrer; Por todos os lados era vanguarda para a nossa gente, a qual com repetidas cargas e vigorosas voltas da cavalaria, foi rebatendo a cada passo novas e furiosas sortidas, e assim ia ganhando terra aos palmos, sem alguma turbação ou desordem; Caminharam em combate sucessivo cinco léguas (não era menor a distância) sempre com firmeza inexpugnável e sem outra perda mais que a de dois soldados e poucos feridos, ficando mortos dos Mouros mais de oitenta; Entraram finalmente gloriosos e triunfantes com toda a presa pelas portas de Safim; Foi este um dos mais galhardos sucessos que em África lograram nossas armas: Porque em marcha tão dilatada, se conservou acometido de imensa multidão de Mouros o nosso pequeno esquadrão, como se fora uma torre portátil, tão forte nos peitos dos defensores, como outras em parapeitos e muralhas.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Tomada de Beja aos Mouros


Havia posto El-Rei Dom Afonso Henriques à sua obediência a antiga Cidade de Beja; Porém os Mouros, que só guardam fé enquanto a não podem violar, logo que puderam, sacudiram o jugo Português. Fernão Gonçalves, Cavaleiro valeroso daqueles tempos, tratou com grande segredo, que foi admiravelmente guardado, com outros Capitães de a tomar aos Mouros, como fizeram por assalto na noite deste dia [30 de Novembro], ano de 1162, com copioso sangue e horrível confusão dos defensores, que de nada menos se temiam naquela hora.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Conquista da cidade de Casablanca


No ano de 1468 passou a África o Infante Dom Fernando, Irmão de El-Rei Dom Afonso V, com uma poderosa Armada, em que levava dez mil combatentes, e neste dia [18 de Novembro], no ano referido, conquistou a Cidade chamada Anfá, ou Anafé, situada na Costa do mar Atlântico, donde os Mouros infestavam continuamente as fronteiras de Espanha [Península Ibérica], e depois de saqueada, a mandou arrasar: Desta Cidade veio a Portugal o trigo que, por ela, se chama Anafil.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Das judiarias e mourarias


De certos considerandos de capítulos de Côrtes antigas, deduzo uma coisa: tinha-se, me parece, relaxado um pouco a sequestração absoluta do elemento mouro; tinha insensivelmente havido mistura gradual de mouros e judeus com a colmeia cristã; por isso as Côrtes de Elvas, em 1361 (Era 1399), representavam a El-Rei D. Pedro que disso provinham algumas coisas desordenadas, de que os cristãos recebem escândalo e nojo; ao que ele respondeu determinando que essas raças infectas morassem em lugar apartado, como as antigas leis lhes impunham.

Júlio de Castilho in «Lisboa Antiga», volume III, 1885.

Geraldo Sem Pavor reconquista a Cidade de Évora


Pelos anos de 1160 seguia a Côrte do nosso primeiro Rei Dom Afonso Henriques, Geraldo Geraldes, Cavaleiro de ilustre sangue, a quem chamavam Sem Pavor pelo ânimo intrépido com que se arrojava aos maiores perigos. Sucedeu cometer um crime, e não se dando por seguro nas terras d'El Rei, fugiu para o Alentejo, Província que os Mouros então dominavam em grande parte. Não lhe faltaram companheiros, e formado com eles um competente esquadrão, se sustentavam e mantinham à ponta da lança, roubando a Mouros e a Cristãos. Neste exercício passaram alguns anos e cada vez se ia engrossando mais aquele corpo: Porque sempre são muitos os que prezam mais a liberdade da vida, que os escrúpulos da honra. Só o nobre Capitão revolvia no ânimo o nobre pensamento de executar uma empresa tal, que bastasse a lhe esquecer as culpas passadas e ao restituir à graça do seu Príncipe. Depois de larga consideração, deliberou tomar aos Mouros a Cidade de Évora. Deu parte aos companheiros, e estes, ou enfastiados já daquela vida sempre inquieta e arriscada, ou com os olhos nos despojos da Cidade, convieram no que o seu Capitão intentava. Bem via ele que para uma tão grande facção eram mui poucos os seus, mas não há falta a que não possa suprir a indústria e o valor. Chegou-se na noite deste dia [30 de Novembro], ano de 1166, à Cidade, e adiantando-se dos companheiros, teve modo de subir à torre, chamada da Atalaia, onde achou dormindo um Mouro e uma sua filha, que tinham obrigação de vigiar o campo, e fazer sinal, se nele aparecia alguma tropa de gente. Pagaram ambos com a morte o seu descuido, e logo o Sem Pavor fez o costumado sinal, mostrando que no campo havia inimigos e que andavam para uma tal parte. Era o seu intento que saíssem para a mesma os Mouros do presídio, e então cair ele por outra sobre a Cidade, que sem dúvida estaria com a porta aberta e poucos defensores. Correspondeu à traça o sucesso: Entraram os Portugueses na Cidade, cortando facilmente pelos poucos que lhe resistiam; Mas caindo no seu engano, os que andavam fora voltaram prontamente e reduziram os nossos a fatal aperto. Contendiam eles até agora com os Mouros que haviam ficado na Cidade: Agora lhe era preciso contender juntamente com os que sobrevieram; E bem se deixa ver qual seria a sua consternação, combatidos com igual fúria de um e outro lado. Aqui foi onde o Capitão Português obrou acções maiores que todo o encarecimento: Pelejando em uma parte, em todos influía valor: Os soldados obravam maravilhas e pelejavam como Leões, até que os Mouros, cortados do nosso ferro com estrago fatal, se entregaram rendidos, e a Cidade, que anoitecera cativa, amanheceu em sua liberdade. Mandou logo o Capitão avisar do sucesso ao seu Rei, e este, alegre com tão boa nova, e agradecido a uma tão ilustre facção, mandou que Geraldo ficasse por Governador da Cidade, a qual tomou por armas um Cavaleiro armado com uma espada na mão direita e pendentes da esquerda duas cabeças de homem e mulher, aludindo ao primeiro passo daquela façanha, onde Évora teve o primeiro princípio da sua restauração, sucedida neste dia [30 de Novembro] no ano de 1166. De Geraldo Sem Pavor descende a família dos Silveiras, nobilíssima em Portugal.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Da "mouromania"


Existe hoje em Portugal uma certa "mouromania", uma mania de elogiar e enaltecer o passado mourisco da Península Ibéria, apresentado o Al-Andaluz como o expoente máximo de civilização e cultura, lugar de grande tolerância e liberdade, em oposição à suposta barbaridade, intolerância e incivilidade cristã medieval. Ora, tal ideia é apenas fruto do romantismo de alguns pseudo-intelectuais de cultura anti-cristã, pois nem o Al-Andaluz foi expoente máximo de cultura e civilização, nem foi lugar de grande tolerância e liberdade.

Sobre a cultura e civilização mourisca, eis o que diz o historiador Ernest Renan, citado por António Sardinha no livro Na Feira dos Mitos:

Fala-se muitas vezes duma ciência e duma filosofia árabe; na realidade, durante um século ou dois na Idade Média, os árabes foram nossos mestres, mas só enquanto não conhecemos os originais gregos. A ciência e a filosofia árabe nunca deixaram de ser uma mesquinha tradução da ciência e da filosofia grega. Desde que a Grécia autêntica despertou, essas míseras traduções ficaram sem sentido e não foi sem razão que os filólogos da Renascença iniciaram contra elas uma verdadeira cruzada. De resto, olhando de perto, essa ciência não tinha nada de árabe. O seu fundo é puramente grego, e entre os que a criaram não se aponta um único semita. Eram espanhóis e persas, escrevendo o árabe.
O papel filosófico dos judeus na Idade Média é também o de simples intérpretes. A filosofia hebraica desta época é a filosofia árabe sem modificações. Uma página de Roger Bacon encerra mais espírito científico do que toda essa ciência em segunda mão, respeitável, sem dúvida, como um anel de tradição, mas despida de grande originalidade.

Ou seja, toda a cultura mourisca não passa duma cópia arabizada da antiga civilização grega, com influência hispânica e persa. Importa, porém, dizer, que só há verdadeira civilização sob a Cristandade.

Sobre a liberdade e a tolerância islâmica, eis o que dizem alguns versículos do Alcorão sobre os kafirs (infiéis, não-muçulmanos):

3:28 Crentes não devem ter os kafirs como amigos em preferência a outros crentes. Aqueles que fazem isso não terão nenhuma protecção de Alá e terão apenas eles mesmos como guardas. Alá te avisa para teme-Lo, pois tudo retornará para Ele.
8:12 Então o seu Senhor falou para os Seus anjos e disse: "Eu estarei convosco. Dêem força aos crentes. Eu irei enviar terror no coração dos kafirs, cortar fora as suas cabeças e até mesmo a ponta dos seus dedos!"
33:60 Eles [os kafirs] serão amaldiçoados, e onde quer que eles forem encontrados, serão presos e mortos. Esta era a prática de Alá, a mesma prática com aqueles que vieram antes deles, e tu não encontrarás mudança no modo de Alá.
47:4 Quando tu encontrares os kafirs no campo de batalha, corta-lhes fora as suas cabeças até que os tenhas derrotado totalmente e então toma-os como prisioneiros e amarra-os firmemente.
83:34 Naquele dia, o fiel irá ridicularizar os kafirs, enquanto se senta sobre os sofás nupciais e os observa. Não devem os kafirs ter a retribuição por aquilo que fizeram?

Assim se prova que, pela lei islâmica, os não-muçulmanos são dignos de humilhação e morte.

E os chamados povos do Livro? Será que os cristãos e os judeus têm um tratamento preferencial pelos muçulmanos? Eis o que diz novamente o Alcorão:

9:29 Faz guerra àqueles que receberam as Escrituras [cristãos e judeus] mas não acreditam em Alá nem no Último Dia. Eles não proíbem o que Alá e o seu mensageiro proíbem. Os cristãos e os judeus não seguem a religião da verdade até que eles se submetam e paguem a taxa [jizya] e sejam humilhados.

Então e os dhimmis? O que acontece às pessoas doutras religiões que vivem sob o jugo islâmico? Eis as condições exigidas aos cristãos pelo Tratado de Umar (637):

- Nós não iremos construir, nas nossas cidades ou arredores, novos mosteiros, igrejas, conventos, ou celas para monges, nem iremos consertá-los, de dia ou de noite, mesmo que eles caíam em ruínas, ou sejam situados nos bairros dos muçulmanos.
- Nós iremos manter os nossos portões abertos para os transeuntes e viajantes.
- Nós iremos dar comida e alojamento por 3 dias para todos os muçulmanos que passarem no nosso caminho.
- Nós não iremos prover refúgio em nossas igrejas ou casas para qualquer espião, nem escondê-lo dos muçulmanos.
- Nós não iremos manifestar a nossa religião em público e nem converter ninguém para ela.
- Nós não iremos impedir que qualquer um de nós se converta para o Islão se ele assim desejar.
- Nós iremos mostrar respeito para com os muçulmanos, e nós iremos levantar dos nossos assentos quando eles desejarem sentar.
- Nós não buscaremos parecer como os muçulmanos, imitando o modo como eles se vestem.
- Nós não iremos montar em selas, nem cingir espadas, nem portar qualquer tipo de armas, nem carregá-las connosco.
- Nós não iremos ter inscrições em árabe nos nossos selos.
- Nós não iremos fermentar bebidas (álcool).
- Nós iremos cortar as franjas das nossas cabeças (manter um cabelo curto como sinal de humilhação).
- Nós iremos sempre nos vestir do mesmo modo onde quer que estejamos, e nós iremos amarrar o Zunar em torno das nossas cinturas (cristãos e judeus têm que usar roupas especiais).
- Nós não iremos mostrar nossas cruzes ou os nossos livros nas estradas ou mercados dos muçulmanos.
- Nós iremos apenas usar chocalhos nas nossas igrejas, bem baixinho.
- Nós não iremos aumentar as nossas vozes quando seguindo os nossos mortos.
- Nós não tomaremos escravos que tenham sido determinados para pertencerem aos muçulmanos.
- Nós não iremos construir casas mais altas que as casas dos muçulmanos.
- Qualquer um que espancar um muçulmano com intenção deliberada, perderá os direitos de protecção deste pacto.

Fica assim demonstrado que o Al-Andaluz nunca foi o auge de civilização e cultura peninsular, muito menos um lugar em que a população cristã (maioritária) vivesse sob grande protecção e liberdade. Porém, quero deixar claro que pelo facto de denunciar a farsa da liberdade e tolerância islâmica, não significa que defenda a liberdade religiosa. Isso seria cair num relativismo e num indiferentismo grotesco, algo que foi veementemente condenado pelos Papas antes do Concílio Vaticano II.
Mas quero também acrescentar que os mouros e os judeus não têm qualquer direito a viver em terras ibéricas, onde sempre foram estrangeiros. Se eles viveram cá até ao decreto de expulsão, viveram segundo a condição de pessoas toleradas. E caso os nossos reis católicos quisessem expulsá-los, como veio a acontecer, estavam no seu pleno direito. Recordo que na Acta das Cortes de Lamego (1139) está expresso: Qui non sunt de Mauris, et de infidelibus Iudaeis, sed Portugalêses.
Contudo, importa ainda clarificar que nenhum judeu ou muçulmano foi perseguido por ser judeu ou muçulmano. O Santo Ofício apenas vigiava a conduta dos cristãos. As pessoas que foram condenadas por judaísmo, por exemplo, foram-no por se terem falsamente convertido ao Catolicismo. Muitos judeus, pela ambição de ascender socialmente, convertiam-se aparentemente ao Catolicismo, mas permaneciam secretamente judeus. Foram esses os condenados pela Inquisição. Já as outras confissões religiosas, eram toleradas e estavam restritas ao culto privado, nunca público. Por exemplo, ainda hoje a sinagoga de Lisboa não tem fachada para a rua por esse mesmo motivo. Não que os judeus não pudessem ser judeus, antes o seu culto era exclusivamente privado. Estas eram as leis católicas do Reino de Portugal.

Os judeus e as Invasões Mouras


Com a ilegítima Assembleia dos republicanos a "aprovar" por unanimidade a atribuição de nacionalidade portuguesa aos descendentes de judeus sefarditas, nada melhor do que recordar a acção dos deicidas durante as Invasões Mouras do século VIII, segundo a descrição de dois historiadores judeus:

No ano de 711, a Espanha foi conquistada pelos muçulmanos e os judeus saudaram a sua vinda com júbilo. Eles regressaram a Espanha dos países para onde haviam fugido. Eles saíram ao encontro dos conquistadores, ajudando-os a tomar as cidades de Espanha.
Deborah Pessin in «The Jewish People», 1951.

Os barbarescos ajudaram o movimento Árabe a estender-se até Espanha, enquanto os judeus sustentavam o empreendimento ao mesmo tempo com homens e com dinheiro. Em 711, os barbarescos comandados por Tariq cruzaram o Estreito e ocuparam a Andaluzia. Os judeus convergiram com piquetes de tropas e guarnições para o distrito.
Josef Kastein in «History and Destiny of the Jews», 1933.