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A Soberania do Povo


De que na antiguidade sagrada, ou profana, por mais que se busque, não aparecem vestígios, antes pelo contrário, quanto mais perto da origem da sociedade chegam os trabalhos e exames históricos, vai-se parar constantemente em algum Rei ou Juiz ou Magistrado Supremo... o que é tão certo, que o ditado vulgar – Haja um que nos governe... já o era mil anos antes que Jesus Cristo viesse ao mundo...
Foi a Soberania do povo quem levou ao Cadafalso o Rei Carlos I de Inglaterra e em nossos dias o malfadado Luís XVI, e acabaria infalivelmente por fazer a todos a mesma gracinha, se lhe não forem a mão, e cortarem os herpes mui radicalmente de maneira, que nunca mais pegue tal doutrina, quer seja de sementeira, quer de enxertia, quer de estaca... Assentemos por uma vez que nunca o povo se diz soberano para outro fim mais do que para cair toda a Soberania nas mãos de um punhado de aventureiros, que desta arte lhe fazem a boca doce, enquanto mui a salvo, e a despeito da moral cristã, e dos princípios mais vulgares de decência, vão enchendo a bolsa, e por certo que não há coisa melhor nesta vida...
Se pegou a lábia ficaremos verdadeiramente Soberanos, e o povo terá de obedecer a muitos que só curam de esmagá-lo e saqueá-lo, em lugar de um só que nenhum interesse tinha de o vexar e de o oprimir. Se o tiro falhou e não acerta no alvo, não falharão as louras que vão na algibeira e que darão para comer e viver folgadamente em qualquer parte do mundo. São pois os heróis deste jaez inimigos do povo a quem esbulham de todo fruto dos seus suores e fadigas; são inimigos dos Reis cuja autoridade aviltam a ponto de fazerem sensível pela experiência de alguns anos, que um Rei é traste supérfluo, e que se todas as suas funções se devem reduzir a assinar de cruz em todos os papéis que lhe arrumarem, será melhor que o não haja... pois um Rei assim que custa um conto de reis por dia, sai mui caro à Nação (1). Ora tem saído a lume refutações sem conto desses Puritanos, liberais, Pedreiros, carbonários, etc., etc., etc. mas quem deu chiste foi o autor de Hudibras.
Ainda que o restabelecimento de Carlos II no trono do Inglaterra sufocou os partidos, e restituiu a paz e a tranquilidade ao próprio Reino, que nessa parte mais feliz do que acaba de ser o nosso, não fora roubado sob a Protecção de Cromwell e que à primeira voz que soltou o General Monck (mais feliz do que o nosso ínclito Silveira) gritou em altas vozes pela Monarquia; nem por isso deixou de haver uma chusma de descontentes, que sem embargo de que todas as classes tinham aceitado cordialmente a mudança de governo, mordiam-se de raiva, e não perdiam de todo a esperança de tornarem a subir...
Apareceu o Hudibras, ficaram todos metidos num chinelo, e nunca mais ninguém piou, e o que não chegaria a fazer toda a severidade de um rei, que desagravava o trono de seu desgraçado Pai, conseguiu-o a pena de um escritor, que sem nomear pessoas, ainda que designando-as mui claramente pelas suas artes, prendas e manhas, triunfou daquela emperrada teima de reformar a torto e a direito, e por certo mais esforçado que Alcides livrou a sua ditosa pátria destes verdadeiros leões de Nemeia... Apareça entre nós um Hudibras – e sem pão nem pedra daremos cabo dos Pedreirinhos, que conseguirem escapar ao desterro e à morte, e a qualquer outra pena que lhes infligir a justa severidade das Leis.

(1) Expressão de um ilustre deputado às Cortes Ordinárias, que decerto não podiam ser mais ordinárias.

D. Fr. Fortunato de S. Boaventura in «O Punhal dos Corcundas», Nº1, 1823.

A conspiração do silêncio


No entanto, são mal conhecidos de grande público muitos dos nossos contra-revolucionários, como o Marquês de Penalva, D. Fr. Fortunato de S. Boaventura, Faustino José da Madre de Deus, e tantos mais [como o Pe. José Agostinho de Macedo]. De outros, só se tornaram divulgados aqueles escritos que ao Maçonismo triunfante parecia não defenderem doutrinas prejudiciais aos seus intentos, como sucedeu, por exemplo, com Oliveira Martins, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão. As obras desses autores, que, em oposição à corrente do século, combateram com ardor a desordem revolucionária e as suas consequências no nosso País, foram escrupulosamente atabafadas pelos corifeus da Soberania Popular. E assim, à volta de grandes nomes da nossa história e das letras pátrias, se fazia a conspiração do silêncio, no objectivo evidente de fugir a um debate que se afigurava de resultados pouco vantajosos, e também com o fim de que as gerações vindouras os viessem a ignorar.

Fernando Campos in prefácio a «Os Nossos Mestres, ou Breviário da Contra-Revolução», 1924.

Indiferentismo Religioso


Indiferentismo Religioso proclama que os homens podem ter a Religião que lhes aprouver, porque todas são agradáveis a Deus, tanta esperança devendo nós ter na salvação eterna dos filhos da Igreja Católica, como na daqueles que morrem fora dela. Conclusão: praticar a verdadeira Religião, ou uma religião falsa, ou não praticar nenhuma, é para o indiferentismo coisa igual. É uma aberração da inteligência. [Este erro liberal foi formalmente condenado por Gregório XVI e por Pio IX]

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

O Povo-Soberano


Povo-Soberano, considerados os termos no seu complexo, equivale a primeiro-último, superior-inferior, etc. É uma noção monstruosa e contraditória, como v.g. lupus-homo, Deus-criatura, sempiterno-temporal, curva-recta, sim-não. E todavia não deixaremos de ouvir tão cedo: O Povo-Soberano!

Frei Joaquim de Santo Agostinho Brito França Galvão in «A Voz da Natureza sobre a Origem dos Governos», Tomo I, 1814.

O Ministério preferido da Maçonaria


O senador Alexandre Rossi, interpelando o Presidente de Ministros acerca da Maçonaria, declarou e acusou-a de que o seu Ministério predilecto é o da Instrução Pública. A Maçonaria prefere este Ministério a todos os demais para fazer dele o mais forte baluarte na guerra contra Deus e contra o Género Humano, começando pela revolução das ideias [*]. Nenhum maçon ousou negá-lo.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 19, Julho de 1896.


[*] A este respeito, lembremos as palavras do Papa Leão XIII na encíclica Humanum Genus.

20 de Setembro de 1870


Esta data representa na história deste século um facto sacrílego e usurpador. Recordar 20 de Setembro de 1870 é lembrar a brecha da Porta Pia, a entrada dos piemonteses em Roma e o esbulho dos Estados do Soberano Pontífice. E é o vigésimo quinto aniversário deste sacrilégio, que o governo italiano quis solenizar este ano como festa nacional, quando o povo geme esmagado debaixo de pesados tributos que lhe cisam até a pele. Os católicos, porém, não esqueceram seu Pai comum, o Sumo Pontífice, e de todos os pontos do globo, onde há corações que oram, lhe foram dirigidas consoladoras mensagens.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», Nº 9, Setembro de 1895.

A Revolução e o Beato Pio IX


Em 1815 escrevia José de Maistre: «A Revolução Francesa é satânica, e a Contra-Revolução é inútil, se não for divina». E na verdade, a divisa da Revolução é a derradeira palavra de Satanás Non serviam! Para quem a seguisse até ao fim, sem parar a meio caminho, nos compromissos que a mesma lógica reprova, conheceria que a Revolução tinha absoluta negação do direito de mandar e do dever de obedecer. Nada mais de governo que falasse em nome das eternas leis da Justiça: a lei suprema era a vontade individual do homem: nada mais de Deus, pelo menos não se quer saber do Deus sindicador dos actos da humanidade: cada indivíduo é o seu próprio Deus.
Pio IX foi o pontífice providencial, o escolhido para opor a esse delírio do espírito moderno as imutáveis afirmativas do Cristianismo. Era ele que devia desmascarar o monstro, arrastando-o à plena luz, e fazendo ver aos povos assombrados o sinal da besta que tinha na fronte. Ora, tornar conhecida a besta era vencê-la; mas não decerto, sem que a luta findasse. Debaixo da sua máscara liberal, Satanás chegou quase a fascinar a humanidade, e a Igreja vê-se na necessidade de reconquistar o mundo como nos séculos pagãos.

Jacques-Melchior Villefranche in «Pio IX: sua vida, sua história e seu século», 1874.

Constituição


Constituição – Este vocábulo assim como outro igualmente desventurado, a saber – Filosofia –, muito queixosos devem estar destes últimos tempos, que fizeram aborrecível, o que de sua natureza se devia respeitar e acatar. Por ventura os Soldados de Afonso Henriques, esses varões de mão cheia, que assistiram às Cortes de Lamego, esses Ricos Homens, que tanto luziram nas Cortes seguintes, eram por aí alguns miseráveis anarquistas? Esses Reis Legisladores Afonsos, Dinizes e Joões, eram por aí alguns mantenedores da escravidão dos povos? Por ventura esse Portugal velho, que estendeu o seu nome e as suas conquistas até ao berço da aurora, que descobriu novos mundos, que sobressaiu nas armas e nas letras quando muitos povos Europeus, ou jaziam na infância social, ou na barbaridade, fez todos estes prodígios sem ter uma Constituição? Se isto fora possível, teríamos neste prodígio o maior de todos. Logo para que berravam os Pedreiros que não tínhamos Constituição? Sim, faltava o que eles entendem por Constituição e vem a ser o predomínio, ou entronização da seita, que nasceu (ou foi vomitada dos quintos dos infernos) para atropelar usos, costumes, leis, e direitos, ou sociais, ou da própria natureza! Quem não jurasse a Constituição era desnaturalizado, exterminado, e acabava de ser Cidadão Português, e quem insistia pela observância da Constituição era suspeito, era um Realista, um corcunda! Não sei como se podia ser juiz com tais mordomos; só o poderia ser quem estivesse inteirado de que a Constituição se fizera só para enganar o povo, e assegurar a esta boa sombra todos os negócios que se tratavam nas sombras da noite. Cumpre assinarmos a diferença de sentido em que os Pedreiros tomam esta palavra. Os Peninsulares, ainda um pouco temerosos de avançarem longe… fazem semblante de quererem – Monarquia Hereditária – como fundamento principal de suas Constituições, já se sabe com a própria malícia da Constituição Francesa de 1791, que declarou o Rei inviolável, e que daí a bem poucos anos lhe separou a cabeça do corpo: os Alemães, como ainda farei ver miudamente na minha “Introdução à História do Maçonismo Português”, são nesta parte melhores arquitectos – nada de Rei senão electivo, já se sabe, para que esta altíssima dignidade venha a recair em algum Pedreirão, e tudo lhe fique em casa… Ai, e mil vezes ai, dos Soberanos que se fiarem nestas Constituições modernas, talhadas pelo espírito maçónico e andejas com as Luzes do século! Tudo velho é um princípio decisivo e certíssimo em Moral, e também o é em política. As novas teorias aviltam os Reis, empobrecem as Nações, e cedo ou tarde roubam ao homem o melhor presente da Divindade à Religião! E ainda querem fazer mais ensaios, mais tentativas! Triste da geração, que é obrigada a sofrer os Optimistas. Vamos indo com os nossos usos góticos e rançosos, e deixemos gritar a Maçonaria. Nada de Câmaras à Francesa, ou à Inglesa, nada de macaquices. Tudo à Portuguesa. Quem se não pode amoldar às nossas instituições velhas e carcomidas, vá por esse mundo fora atrás das novas e fique certo de que não deixa saudades.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo: Prospecto de um Dicionário das Palavras e Frases Maçónicas», Nº 1, 1824.

Sufrágio universal, mentira universal


Abençoo todos aqueles que cooperaram na ressurreição da França.
Abençoo-os no intuito (por assim dizer) de ver que se ocupam num trabalho dificultoso mas necessário, o qual consiste em fazer desaparecer ou diminuir uma chaga horrível que aflige a sociedade contemporânea: esta é a que chamam sufrágio universal. Entregar a decisão de questões gravíssimas às multidões naturalmente ignorantes e apaixonadas, não é entregar ao acaso e correr voluntariamente para o abismo?
Sim, o sufrágio universal mereceria neste caso mais o nome de loucura; e quando as sociedades secretas, como sucede muitíssimas vezes, é que decidem, pode chamar-se-lhe mentira universal.

Papa Pio IX em mensagem aos peregrinos franceses, 5 de Maio de 1874.

Humanidade


Humanidade – É o Deputado Substituto pela Maçonaria, para destruir o antigo nome de Caridade, que fora consagrado pela Religião de JESUS CRISTO! Humanidade pareceu-lhes uma expressão mais nobre e mais pomposa, o que não admira, pois é natural que cheirem à terra, todos os desejos, esperanças, sentimentos e palavras dos que não conhecem outra vida melhor que a presente! Ainda fica mais airosa a palavra, quando lhe põe um vestido Grego Filantropia, e assim mesmo ninguém a busque nos sentimentos, ou corações enregelados desses homens, que de contínuo repetiam essa palavra, enquanto inundavam toda a França de sangue inocente. Ainda hoje estremeço da humanidade de um adepto, que tendo escrito contra a pena de morte, assim mesmo teve a humanidade de condenar a ela o seu Rei Luís XVI. O certo é que todos esses gritos de humanidade, filantropia e moderação, tem sido em pró desses infames trolhas, que escudados pelas doutrinas humanas tem feito quanto querem, e zombado de todo o poder das Leis civis, que são bem fraca obra, quando cessa a pena última!

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo: Prospecto de um Dicionário das Palavras e Frases Maçónicas», Nº 2, 1824.

Perseguição maçónica a Dona Carlota e Dom Miguel


aqui tinha referido a perseguição criminosa feita à Rainha D. Carlota e ao Infante D. Miguel, assunto que é da maior importância, e que agora aprofundo mais um pouco:

Não são destituídos de interesse, para a questão, alguns artigos das Instruções Maçónicas do Grande Oriente Espanhol-Egípcio.
Art.º 3. Os franco-mações, nossos irmãos de Portugal, devem trabalhar para a separação de Dom João VI de sua Esposa. Devem com o maior cuidado vigiar o comportamento e a vida íntima da Rainha, assim como trabalhar por conhecer todas as conversações entre Dom Miguel e sua Mãe. Contudo é necessário que isto se faça com precauções extremas e com muita perspicácia, pois é indispensável que sejamos informados de tudo o que se passa.
Art.º 4. Deve-se procurar o meio de abrir todas as cartas da Rainha, a fim de conhecer as suas relações e de copiar delas tudo o que possa ter algum interesse para a Ordem. Todas estas informações, cópias, etc. devem ser transmitidas ao Conselho Soberano e ao Grão-Mestre da Ordem.
Art.º 6. Os irmãos devem empregar todos os meios para ganhar o diplomata C. P. (Palmela), que é partidário das Câmaras inglesas. Todos os outros os temos já tornado inimigos da Rainha e de seu Filho. Não temos nada a temer, e, no momento dado, tudo será preparado por nós para o restabelecimento da Constituição.
Art.º 18. Como é um princípio elementar de política, que é necessário dividir para mais facilmente vencer, é necessário trabalhar para semear a discórdia no seio da Família Real e introduzir de uma maneira hábil o espírito de desconfiança no Palácio, de sorte que aí se desconfie de todos, e que aqueles que dirigem o Estado estejam cheios de desassossego e medo, resultando daqui que as suas resoluções terão uma hesitação, o que acontecerá ainda aos homens perspicazes e dotados da melhor vontade a favor da Monarquia.
Lê-se ainda nestas Instruções, em relação ao Infante e à Rainha:
«Se como se deve esperar, a Rainha e seu Filho se opõem à Revolução, aproveitando-se da sua influência, e trabalham contra nós, fazendo demitir o Ministério, será então necessário que todos os diplomatas e todos aqueles que pertencem à Ordem, se reúnam para protestar contra semelhantes medidas e para declarar em face da Europa que a Rainha e o Infante lesam os direitos da legitimidade. Deve-se trabalhar para decidir os representantes estrangeiros a tomarem parte neste acto, em nome dos seus Soberanos. Desta arte os ministros serão conservados ou reintegrados no poder, e, sem o conhecer, Dom João VI preparará tudo para chegar à última vergonha a que o queremos arrastar.
«Se a Rainha e Dom Miguel, que conhecem o perigo que ameaça Portugal, e de que o Rei, enganado, nada sabe, persistem em contraminar o nosso desígnio de destronar o déspota e de restabelecer a Constituição, é de absoluta necessidade decidir o Rei a banir sua Esposa e seu Filho de terra portuguesa, para o que se procurarão pretextos aparentes que justifiquem a proscrição, o que nos será de uma extrema utilidade.»

Hermann Kuhn in «Dom Miguel de Portugal e o seu tempo», 1867.

Bandeiras da rebelião


[É] uma facção, que odiando a glória e honra da Nação, mudou as Bandeiras, o Pavilhão Português, com o qual fizemos tremer a África, a Ásia, e América; é uma facção tão anti-nacional, que substitui aquele Estandarte sempre vencedor, sempre glorioso, por outro, que não sendo o Português, é o da rebelião.

Fonte: «Gazeta de Lisboa», Nº 142, 16 de Junho de 1832.

Abusos


Abusos – A própria noção etimológica da palavra assaz os condena, porém no Dicionário Maçónico tem uma significação amplíssima, e nós podemos estar lembrados de que o melhor da nossa legislação parecia abuso e musgo aos nossos Pseudo-reformadores. É certo que na prática dos deveres Cristãos, se podem introduzir facilmente abusos, que é necessário corrigir; porém os abusos por este lado estendem-se no Dicionário dos Pedreiros até às coisas mais santas e obrigatórias, que segundo eles devem entrar neste número, e por isso eles tratam de abuso, por exemplo, a obrigação de nos confessarmos ao menos uma vez cada ano, e para eles um homem desabusado, é um homem que despreza todas as leis da Igreja, e vive isento de prejuízos e fanatismo, que hão-de explicar-se nos respectivos lugares.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo: Prospecto de um Dicionário das Palavras e Frases Maçónicas», Nº 1, 1824.

Bens Nacionais


Bens Nacionais – São em frase Pedreiral todos os que pertencem ao Rei, e à Rainha, aos Infantes, aos Fidalgos, e ao Clero, e depois que todos estes ficassem sumidos pelas mãos dos seus fiéis administradores, seguia-se declarar nacionais todos os bens dos Negociantes e Proprietários, e davam-se cartas patentes aos Sans-culottes Lusitanos, para darem um saque geral, como se praticou no Filosófico e ilustrado reino da França. Quem folgar de ver decifrada esta maranha Pedreiral, consulte os Números 14 e 17 do Punhal dos Corcundas, onde poderá saciar a sua curiosidade.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo: Prospecto de um Dicionário das Palavras e Frases Maçónicas», Nº 1, 1824.

Da falsa educação e a corrupção da infância


Das estatísticas criminais em França, se colhe que dentro de 20 anos, o número dos criminosos menores triplicou e subiu de 11.000 a 30.000; em 50 anos, de 1836 a 1889, o número dos suicídios dos mesmos quadruplicou. E os crimes e os suicídios se vão multiplicando mais, ao passo que a desmoralização avança e se vai encarnando na sociedade. Esta desmoralização é devida em sua maior parte à irreligiosa e falsa educação que é subministrada pelas escolas leigas em França. É esta a funesta influência da educação sem Deus.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 1º Ano, Nº 12, Dezembro de 1895.

O desmembramento da Monarquia (II)



Nos últimos meses do ano 1820, quando não saiam das nossas prensas senão elogios aos rebeldes e imprecações ao Governo legítimo; quando se não tratava senão de caluniar e fazer odioso esse mesmo Governo, imputando-lhe tudo o que era mau, e até aquelas mesmas infelicidades que ele com forças mais que ordinárias trabalhava por desviar da nação, mas que eram inevitáveis, como arrojadas sobre nós pelo turbilhão dos acontecimentos públicos; eu escrevi em sentido bem diverso a minha Memória sobre os meios de melhorar a indústria, de que distribui gratuitamente mais de metade da edição. Procurei reconduzir os efeitos às suas causas, os factos à sua verdadeira origem, as coisas ao seu lugar, e expus com franqueza os meus pensamentos sobre os meios de melhorar a sorte da nação, que consiste em edificar e reparar, e não em destruir e desbaratar. Porém Obras desta natureza não eram do gosto daquele tempo; e serviam somente de excitar o ódio contra os seus autores.
Vendo que o grande número, deslumbrado com promessas lisonjeiras, corria cego após de vãs quimeras, sem advertir nos perigos que estavam eminentes, procurei excitar a atenção das classes industriosas sobre os seus verdadeiros interesses. Não era possível deixar de prever a separação do Brasil e de procurar evitar as suas consequências. Tratando pois do comércio, eu dediquei a este ponto algumas páginas daquele opúsculo. «O primeiro objecto que se me apresenta (disse eu na pág. 87) é o comércio do Brasil. Com a abertura dos portos deste imenso país às nações estrangeiras perdemos o direito exclusivo de prover os seus habitantes das mercancias da Europa, e deixando Portugal de ser o entreposto dos géneros coloniais, que daqui se distribuíam para os lugares do seu consumo, só esta causa era bastante, independentemente das mais que com ela concorreram, para produzir uma revolução completa no nosso comércio e o transtorno geral das nossas antigas relações. Daqui vem os principais clamores dos nossos negociantes, porque é donde procedem as maiores perdas que sofremos em quase todas as praças com que comerciamos. Nesta nova ordem de coisas compete ao Soberano (nunca lhe neguei este nome, ainda que debaixo do jugo da facção) procurar novos laços para unir Portugal e o Brasil; porém os nossos comerciantes desenganando-se de que o sistema colonial não pode mais voltar, devem também ir alongando as vistas pela extensão do globo, para abrirem novos canais às suas especulações: Jam tempus agit res. E devem ambos os países respeitar mutuamente os vínculos do sangue, de interesse, e de reconhecimento que os ligam para permanecerem firmes na sua união.
Tem o Brasil todas proporções para vir a ser com o andar dos tempos um grande império; mas por ora é um país novo, sem fábricas, e com uma agricultura limitada, precisa dos socorros da Mãe Pátria tanto na paz como na guerra, sob pena de ficar em uma eterna infância, ou ser esmagado pelo primeiro ocupante. Olhe para os vastos territórios da América Espanhola que o rodeiam e veja neles o seu retrato. Deve além disso lembrar-se de que a Mãe Pátria lhe deu a existência.
Por outra parte é necessário que Portugal conheça as vantagens que ainda tira do Brasil»… Aqui me voltei para os nossos comerciantes, agricultores e artistas, e por meio de várias reflexões e cálculos estatísticos procurei convencê-los do muito que ainda interessava a Portugal a conservação do Brasil, insistindo principalmente nos seguintes pontos: Os produtos de um capital de 44 milhões de cruzados, que se empregavam no comércio entre os dois países; as negociações da Ásia, que quase todas se faziam pelo intermédio do Brasil; o comércio de reexportação dos géneros coloniais para países estrangeiros; o consumo que se fazia no Brasil das manufacturas das nossas fábricas, que importava em alguns milhões de cruzados por ano e de alguns dos produtos da agricultura de Portugal, e principalmente dos nossos vinhos, que excedia a 20.000 pipas por ano nos tempos imediatos à revolução de 1820, em que este consumo se tinha aumentado como se mostra dos registros públicos, apesar das sinistras vozes que corriam em contrário; porque para se fazer odiosa a administração pública em todos os seus ramos, tudo se procurava exagerar e desacreditar.
Demonstradas assim as grandes vantagens reciprocas que resulta vão aos dons países da ma união, e que agora se conhecerão melhor pela sua falta, eu continuei (pág. 91): «O Brasil, comerciando livre, crescerá sem dúvida em prosperidade, e quanto mais crescer, mais vinho e manufacturas consumirá, e maiores vantagens oferecerá a Portugal; com tanto que os dois países permaneçam ligados entre si por meio de laços recíprocos de um Governo comum, justo e sábio, que atenda com igualdade as suas vistas protectoras sobre todas as partes do império. É assim que o Reino unido poderá ainda operar os grandes desenvolvimentos, para que a natureza o convida, e o pavilhão nacional, discorrendo com dignidade por todos os mares, reconquistar a parte que nos pertence no comércio do mundo. Se pelo contrario viesse a faltar-lhe o centro de união, desorganizado o corpo da Monarquia, cada um dos seus membros perderia todo o vigor, recebendo como massa inerte as impressões que quisessem dar-lhe, até chegar o momento em que desbaratada a herança de nossos avós, o nome Português desapareceria como o fumo, confundido com o de alguma nação mais poderosa».
Estas últimas palavras não foram escritas ao acaso. Incerta ainda a facção do resultado que teriam as suas maquinações no Brasil, agitavam-se várias opiniões em seus clubs sobre a direcção que se daria aos negócios de Portugal, e segundo o que transpirava no público, prevalecia muito naquele tempo a de se unir este reino á Espanha, provavelmente debaixo de uma forma republicana, que é o ponto a que se dirigem as revoluções populares. Seguem-se no meu opúsculo alguns §§ em que expus os meus pensamentos sobre os novos laços de união reciproca entre Portugal e o Brasil: tudo inútil no estado actual. Os meus vaticínios ou não foram lidos, ou tiveram a sorte dos vaticínios da infeliz Cassandra, a quem, segundo a fábula, os Deuses concederão o conhecimento do futuro, porém determinaram que não fosse acreditada.

José Acúrsio das Neves in «Cartas de um Português aos seus Concidadãos sobre diferentes objectos de utilidade geral e individual», Carta XII, 1823.

O registo civil


A satânica Maçonaria envida todos os esforços para arrancar do Povo português a sua alma cristã e patriótica. Manifestações, comissões, brochuras, jornais, romances, de tudo se vale para descristianizar o Povo.
Há em Lisboa a Associação Propagadora do Registo Civil que trabalha incessantemente na sua obra imoral e anti-católica.
Os seus esforços não têm sido baldos. Já se têm feito registos civis de nascimentos e promovido enterros também civis.
Nas administrações dos bairros da Capital são aceites os registos civis de nascimento para assentar praça no Exército e na Armada.
É necessário que o Clero português não olhe de braços cruzados e indiferente para essa onda avassaladora dos princípios religiosos e cristãos. A missão do Clero é nobre e digna, cumpre que ele bem a desempenhe.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 20, Agosto de 1896.

Os destruidores


Nós, judeus, somos acusados de sermos destruidores: tudo o que vocês constroem, nós destruímos. Isso é verdade apenas num sentido relativo. Nós não somos deliberadamente iconoclastas: não somos inimigos das vossas instituições simplesmente por causa da nossa antipatia. Nós somos uma massa apátrida que procura satisfação para os nossos instintos construtivos. E nas vossas instituições não conseguimos encontrar satisfação; elas são as instituições lúdicas dos esplêndidos filhos do homem – e não do próprio homem. Nós procuramos adaptar as vossas instituições às nossas necessidades, porque enquanto existirmos necessitamos de ter expressão; e tentando reconstruí-las para as nossas necessidades, desconstruímo-las para as vossas.
(...)
Um século de tolerância parcial deu-nos, a nós, judeus, acesso ao vosso mundo. Nesse período, foi feita a grande tentativa, pela guarda avançada da reconciliação, de unir os nossos dois mundos. Foi um século de fracasso. Os nossos radicais judeus estão a começar a compreendê-lo vagamente.
Nós, judeus, nós, os destruidores, continuaremos a ser eternamente destruidores. Nada do que vocês façam irá ao encontro das nossas necessidades e exigências. Destruiremos para sempre porque precisamos de um mundo próprio, um mundo divino, que não é da vossa natureza construir. Para além de todas as alianças temporárias com esta ou aquela facção, reside a divisão final entre natureza e destino, a inimizade entre o Jogo e Deus. Mas aqueles de nós que não conseguem compreender esta verdade serão sempre encontrados em aliança com as vossas facções rebeldes, até que chegue a desilusão. O destino miserável que nos espalhou entre vós impôs-nos este papel indesejável.

Maurice Samuel in «You Gentiles», 1924.

A face esquerda e a face direita da Revolução


Todo o mundo moderno se dividiu em conservadores e progressistas. A função dos progressistas é cometer erros continuamente. A função dos conservadores é evitar que os erros sejam corrigidos. Mesmo quando um revolucionário se arrepende da sua própria revolução, o falso tradicionalista já a defende como parte da sua "tradição". Assim, temos dois tipos de pessoas: o avançado, que nos leva à ruína, e o retrospectivo, que admira as ruínas. Cada novo erro do progressista, ou pedante, torna-se instantaneamente numa lenda de imemorial antiguidade para o snob. E isto é chamado de equilíbrio, ou controlo mútuo, na nossa Constituição.

G. K. Chesterton in revista «The Illustrated London News», 19 de Abril de 1924.


A tolerância e o comércio


A tolerância, dizem os Iluminados, enriqueceu o comércio e faz florescer o Estado. Estão enganados, lhes respondo eu, e estupidamente enganados. O que por meio do comércio enriquece o Estado são as próvidas ordenações, a sagaz perícia, a indústria laboriosa, e a economia prudente, a boa-fé incorrupta, a abundância dos géneros, e das manufacturas: eis aqui o que faz florescer o Estado pelo comércio, e não a tolerância de toda a Religião e irreligião. Viram-se Estados tolerantes sem comércio, e Estados intolerantes de grande comércio e riquezas; baste Portugal para exemplo, e houve Estados em que a tolerância contribuiu para empobrecer os domésticos e enriquecer os estranhos. Se para o comércio mais florescente é precisa alguma tolerância, é a tolerância de outra Religião, e não a tolerância da irreligião, e a gente útil para o comércio não são os Doutores do Epicurismo e do Ateísmo, são homens a quem basta a tranquilidade na crença em que foram educados, porque eles em seus tráficos também se não embaraçam com a crença dos outros. Aqui podia ter lugar a questão sobre o negócio dos Livros, que tão recomendado tem sido pelos Iluminados. Direi a este respeito uma palavra só: os Livros são para a alma o que são os alimentos para o corpo; é justo que haja abundância ou fartura de uns e de outros. Vigia-se com cem olhos para que sejam são os alimentos que sustentam o corpo, parece que também deve haver algum cuidado que não sejam pestilentes os alimentos da alma. Não são os Iluminados os que devem dar Leis a este respeito; isto toca a uma prudente e religiosa política; esta deve ordenar as coisas de tal maneira que o comércio aproveite sem que o Cristianismo padeça; nem se estraguem os bons costumes que são mais proveitosos à República [= coisa pública, Estado] que todos os tráficos.

Pe. José Agostinho de Macedo in «Refutação dos Princípios Metafísicos e Morais dos Pedreiros Livres Iluminados», 1816.