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Mártires Inácio de Azevedo e Companheiros


No ano de 1570 navegava da antiga para a nova Lusitânia [=Brasil] o Padre Inácio de Azevedo, Varão nobilíssimo em sangue e não menos em virtudes, com trinta e nove Companheiros, todos da esclarecida religião da Companhia de Jesus, cujo Provincial era o mesmo Padre, o qual ia com aquele ditoso esquadrão de Soldados de Cristo prégar a Fé aos Gentios e persuadir os bons costumes aos Fiéis daquelas vastíssimas Províncias. Sucedeu, porém, que neste dia [15 de Julho], no ano referido, estando na altura na Ilha de Palma, os aprisionou um Corsário herege, o qual perdoando aos Portugueses seculares, tirou cruelmente a vida aos Religiosos, pela diferença do hábito e obrigação do Estatuto, e porque os via ministrarem o Sacramento da Confissão, e que reciprocamente se animavam uns aos outros a morrerem pela da Fé. Por estas causas foram levados à espada e lançados no mar. No mesmo ponto os viu a Seráfica Madre Santa Teresa [de Ávila] voando para o Céu, exornados com a triunfante palma e imarcescível coroa do Martírio.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Dom Apolinário de Almeida


Dom Apolinário de Almeida, da Companhia de Jesus, natural de Lisboa, no seu nascimento preconizado Bispo, porque nasceu com uma Mitra estampada na fronte direita, foi Doutor e Lente de escritura na Universidade de Évora, onde foi Sagrado Bispo de Niceia; e na Etiópia padeceu martírio em ódio de nossa Santa Fé, com os Padres Jacinto Francisco e Francisco Rodrigues, também Portugueses, e da mesma Companhia, neste dia [9 de Junho], ano de 1638. Faleceu o Bispo Dom Apolinário coroado com as três lauréolas de Virgem, Doutor e Mártir. Foi irmão do primeiro Bispo do Maranhão Dom Gregório dos Anjos, Cónego Secular da Congregação de São João Evangelista.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Dos revolucionários de 1834 e de 1910


Em Portugal somos hoje um povo medonhamente deseducado pela inepta pedagogia que nos intoxica desde o princípio do século XIX até os nossos dias.
O Marquês de Pombal teve a previsão desta crise quando por ocasião da expulsão dos Jesuítas ele procurou explicar que o aniquilamento da Companhia de Jesus não decapitaria a educação nacional porque os eruditos padres da Congregação do Oratório vantajosamente substituiriam como educadores os Jesuítas expulsos. (...)
Vieram, porém, mais tarde os revolucionários liberais de 34, os quais condenaram, espoliaram e baniram os padres da Congregação do Oratório, como Pombal espoliara e banira os padres da Companhia de Jesus.
A obra liberal de 1834 – convém nunca o perder de vista – foi inteiramente semelhante à obra republicana de 1910. Nos homens dessas duas invasões é idêntico o espírito de violência, de anarquismo e de extorsão. Dá-se, todavia, entre uns e outros uma considerável diferença de capacidade.
Os de 34, de que faziam parte Herculano, Garrett e Castilho, eram espíritos oriundos da Academia da História, da livraria das Necessidades e do colégio de S. Roque. (...)
Os novos revolucionários de 1910, com excepção honrosa dos que não sabem ler, não tiveram por decuriões senão os seus predecessores revolucionários liberais de 34. E daí para trás – o que quer dizer daí para cima – nunca abriram um livro com medo da infecção clerical, porque todos eles acreditam com fetichístico ardor que o clericalismo é o inimigo, segundo a fórmula célebre com que o príncipe de Bismarck conseguiu sugestionar Gambetta para a irremediável desmembração moral da França.

Ramalho Ortigão in «Últimas Farpas», 7 de Setembro de 1914.

15 de Julho: Beatos Inácio de Azevedo e Companheiros


Português de nobre linhagem, Inácio de Azevedo entrou na Companhia de Jesus, na qual ocupou cargos importantes. As suas insignes virtudes atraíram-lhe as atenções do provincial S. Francisco de Borja, que o mandou ao Brasil como visitador geral. Dois anos depois voltava à Pátria, para daí a pouco voltar como superior de uma leva de missionários.
Atacado no alto mar por corsários franceses [huguenotes], foram imediatamente condenados à morte. O primeiro foi o superior, que se tinha ido colocar diante dos hereges ostentando uma imagem da Virgem que recebera das mãos do Papa S. Pio V. A sua mansidão era uma exprobração para a impiedade dos hereges. Trespassado por uma lança e degolado, entregou a alma a Deus. Do mesmo modo, 39 dos seus companheiros foram atormentados com atrozes suplícios, e os seus corpos lançados ao mar. Apenas foi poupado um irmão cozinheiro, de cujos serviços os piratas contavam utilizar-se. Mas o seu lugar foi logo tomado por um generoso adolescente, sobrinho do capitão do navio, que tinha solicitado a sua admissão na Companhia. As suas almas foram vistas subir ao Céu por Sta. Teresa de Ávila.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.

Sobre a supressão dos Jesuítas em 1759


Alguns caluniadores de Portugal costumam apontar a expulsão dos Jesuítas como a "grande prova" de como Portugal estava dominado pela maçonaria no tempo do Marquês de Pombal e era, por isso, a maior desgraça do mundo. Mas a verdade é que, longe de ser caso único, a Companhia de Jesus foi igualmente expulsa da católica França, da católica Espanha, da católica Áustria, da católica Nápoles, da católica Parma e da católica Malta, tendo sido universalmente extinta pelo Papa Clemente XIV, em 1773. À bula de extinção papal, resistiram os Jesuítas da protestante Prússia, da cismática Rússia e da liberal América do Norte. Curioso, não?! Mas vejamos qual a opinião do Padre José Agostinho de Macedo:
Foi legal a extinção dos Jesuítas pela repugnância com que obedeciam ao seu Soberano, muito bem provada na teima arrogante com que o seu Prelado se atreveu a instar ao Marquês de Pombal, para não ter efeito o Real Decreto que mandou passar revista da fazenda que lhes vinha das conquistas e Reinos estrangeiros, ameaçando ao dito Marquês com estas palavras: «Advirta Vossa Excelência que a Companhia é uma bola». Ao que tornou aquele Ministro: «Entendo perfeitamente a vossa Reverendíssima e convenho em que a Companhia é uma bola, mas desfalcada não anda, amesenda».
Ainda instava aquele Reverendíssimo para se lhe restituir o privilégio exclusivo: mas aquele imortal Ministro o despediu bruscamente, dizendo-lhe que era contra o serviço de Sua Majestade continuar a ouvi-lo. Este erro indesculpável e muitas opiniões suspeitosas de alguns membros daquela sociedade: e mais que tudo as cartas que ditou o grande génio de Mr. Pascal, aprovadas por toda a Europa: assim como a ilustração e Santidade de Clemente XIV, são o processo justo e irresistível daquela sociedade.
Mas como os bens da mesma sociedade haviam sido doados para o culto Divino, não aproveitaram aos possuidores, nem aos que lhe sucederam: tal é a natureza daquele sagrado depósito, que sempre envenena aos que indignamente o comem; à imitação do pomo proibido, cujo apetite e uso corrompeu todo o género humano: é vulgar e muito antigo o dito que os bens alheios não chegam a terceiro possuidor.
Pe. José Agostinho de Macedo in jornal «O Escudo», Nº 4, 1823.

31 de Julho: Santo Inácio de Loiola


Sto. Inácio nasceu em Loiola, Espanha, na região Basca, em 1491. De temperamento ardente e belicoso, seguiu a carreira das armas; mas foi ferido em Pamplona, o que veio dar ocasião a uma prolongada convalescença, durante a qual a graça divina deu à sua vida um novo rumo. Privado dos livros de cavalaria, descobriu na vida de Cristo e dos santos, horizontes novos, compreendendo que também a Igreja devia ter a sua milícia. Partiu para a abadia beneditina de Monserrate, depôs a espada aos pés da Virgem, disposto a só servir a Cristo. Alguns anos mais tarde, a 13 de Agosto de 1534, Sto. Inácio e os seus seis primeiros companheiros emitiram os votos de religião em Paris, na capela de S. Dinis em Montmartre; foi assim que nasceu a Companhia de Jesus, que havia de ser para a Igreja um poderoso auxiliar na luta contra as heresias e na expansão da fé até aos confins do mundo. Sto. Inácio morreu em Roma em 31 de Julho de 1556. Pio XI proclamou-o patrono de todos aqueles que seguem os exercícios espirituais.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.